thumb|Antigo escudo de armas de Viena, usado entre 1465 e 1925
A história de Viena é longa e variada, tendo se iniciado com o Império Romano, que criou um centro militar na área que atualmente cobre o centro da cidade. Nascida desse começo militarista, Viena cresce como um assentamento romano conhecido como Vindobona, e viria a ser um importante centro comercial no . Posteriormente, foi elevada a capital dos domínios da casa de Babemberga, conquistando um caráter de importante pólo de produção cultural. Com o domínio Habsburgo do , a cidade tornou-se capital do Império Austríaco e depois do Império Austro-Húngaro, caracterizando-se temporariamente uma das maiores das maiores cidades da Europa. Desde a Primeira Guerra Mundial, Viena serve como capital da República da Áustria.
Colonização romana e Idade Média
thumb|Ruínas romanas em Michaelerplatz
O nome Vindobona deriva de uma língua céltica, sugerindo que a região já devia ser habitada antes do estabelecimento da colônia romana na área. Os romanos criaram um campo militar (ocupado pela Legião X Gemina) durante o , no centro da atual cidade de Viena. O assentamento tornou-se um município em 212. Mesmo hoje, as ruas do Primeiro Distrito mostram poços e muralhas de há séculos. Os romanos permaneceram na cidade até o .
A romana Vindobona se localizava nas fronteiras do império, e foi uma das primeiras cidades a cair sob o caos das invasões bárbaras na Idade Média e existem indícios de que um incêndio catastrófico ocorreu no início do século V. Entretanto, nem toda a cidade foi destruída, já que o centro militar não foi abandonada e um pequeno assentamento permaneceu em pé. As ruas e casas da Viena medieval seguiram-se ao primeiro registro oficial e documentado da cidade, que data de 881, quando uma batalha conhecida como apud Weniam foi iniciada contra o magiares. Ainda assim, não foi completamente esclarecido se o relato poderia se referir ao rio Viena. A ocupação inicial da cidade estava centrada em Berghof.
Moedas do Império Bizantino que datam do foram achadas várias vezes nas áreas próximas do centro da cidade, indicando uma atividade comercial considerável mesmo na Idade Média. Túmulos do século VI também foram achado durante escavações em Berghof, na área ao redor de Salvatorgasse. Durante este período, os langobardos dominavam a área, com eslavos e ávaros chegando logo depois. Combatentes de Salzburgo mencionaram uma batalha contra os magiares em um local conhecido como Wenia no ano de 881, que poderia se referir a Viena. O Imperador Oto derrotou os magiares na Batalha de Lechfeld, e permitiu que Viena se desenvolvesse ao longo da Idade Média.
Domínio dos Babemberga thumb|O Duque Henrique II da dinastia Babemberga tornou Viena a capital de seus domínios em 1155
Em 976, a Marca de Ostarrîchi foi dado à família Babemberga, e Viena se situava na fronteira com a Hungria.
A cidade já era uma importante rota comercial desde o . No Acordo de Mautern entre o Bispo de Passau e o marquês Leopoldo IV, Viena é mencionada como civitas pela primeira vez, o que indica a existência de um assentamento ordenado.
Em 1155, o Duque Henrique II de Áustria transformou Viena em sua capital. Em 1156, a Áustria tornou-se um ducado no Privilegium Minus e os Babemberga tornaram-se duques hereditários. Durante este período, o Schottenstift foi fundado.
Os eventos relacionados à Terceira Cruzada, durante a qual o Rei Ricardo, Coração de Leão foi descoberto e capturado próximo a Viena dois dias antes do natal de 1192 pelo Duque , levou a Viena uma enorme soma de marcos prata (de dez a doze toneladas de prata, que eram quase um terço da soma que havia sido reclamada, e que foram entregues em março de 1193). Isto permitiu a criação do mint e a construção de muralhas por volta do ano 1200. Na estação de Stubentor, alguns resquícios das muralhas da cidade podem ser vistos até hoje. Por ter se aproveitado de um cruzado, Leopoldo V foi excomungado da Igreja Católica pelo Papa Celestino III, e morreu (sem ser absolvido) depois de cair de um cavalo em um torneio.
Em 1221, Viena recebeu os direitos de cidade e de Stapelrecht. Isto significava que todos os mercadores que passassem pela cidade teriam que oferecer suas mercadorias aos habitantes. Isto permitiu aos vienenses que agissem como intermediadores no comércio, e Viena logo se tornou um importante centro de trocas, desenvolvendo relações comerciais com outras cidades do Danúbio e com Veneza, além de ter se tornado uma das cidades mais importantes do Sacro Império Romano-Germânico.
Entretanto, era considerado vergonhoso que Viena ainda não tivesse seu próprio bispo. É sabido que o Duque Frederico II negociou a criação de um bispado em Viena, e acredita-se que Otocar II tenha tentado fazer o mesmo.
Domínio dos Habsburgo
thumb|O Duque Rodolfo IV da Áustria, conhecido como "o Fundador", fez muito para expandir a cidade
Em 1278, Rodolfo I tomou o controle das terras austríacas depois de sua vitória contra Otacar II da Boêmia, e começou estabelecer o domínio Habsburgo na região. Em Viena, o estabelecimento deste domínio se estendeu por um tempo relativamente longo, uma vez que partidários de Otacar continuaram fortes por um longo tempo. Várias revoltas aconteceram contra o Imperador Alberto I. A família dos Paltrams vom Stephansfreithof estava entre as insurgentes.
Em 1280, Jans der Enikel escreveu o livro "Fürstenbuch", uma primeira história da cidade.
Com os imperadores Luxemburgo, Praga tornou-se a residência imperial e Viena permaneceu sob sua sombra. Os primeiros Habsburgo tentaram quebrar esta ordem. O Duque Alberto II, por exemplo, favoreceu a arquitetura gótica na cidade. Em 1327, Frederico I publicou uma édito permitindo que a cidade mantivesse um Eisenbuch listando privilégios.
Rodolfo IV da Áustria merece o crédito por sua prudente política econômica, que aumentou o nível de prosperidade. Sua epíteta de o Fundador deve-se a duas coisas: primeiro, ele fundou a Universidade de Viena em 1365, e segundo, ele começou a construir a nave gótica em Stephansdom. O último está conectado com a criação de um capítulo metropolitano, como um substituto simbólico para o bispo.
O tempo de disputas internas entre os Habsburgo resultou não apenas em confusão, mas também no declínio econômico e dificuldades sociais, com disputadas entre vários grupos da sociedade vienense. Um grupo apoiava Ernesto da Áustria, enquanto outro apoiava Leopoldo IV. Em 1408, o prefeito Conrado Vorlaufo, um expoente do Partido Patrício foi executado.
Após a eleição do Duque Alberto V como rei alemão, Viena tornou-se a capital do Sacro Império Romano Germânico. O nome de Alberto é mais lembrado pela expulsão da população judia de Viena em 1241/22.
Incidentalmente,, em 1469, Viena conseguiu seu próprio bispo, e o Stephansdom tornou-se a catedral. Durante a era do fraco imperador Frederico III, Viena permaneceu do lado de seus oponentes (primeiro Alberto VI, e depois Matias Corvino), visto que o rei era incapaz de manter a paz nas terras austríacas contra as gangues de mercenários.
Em 1522, sob o comando de Fernando I, o Julgamento de Sangue de Wiener Neustadt levou à execução de líderes da oposição na cidade, e assim, a uma destruição das estruturas políticas. A partir de então, a cidade estaria diretamente submetida ao controle imperial.
Em 1556, Viena tornou-se a residência do imperador, enquanto a Hungria e a Boêmia foram acrescentadas à coroa dos Habsburgos em 1526.
Durante este período, a cidade também estava sendo recatolizada, depois de ter se tornado protestante muito rapidamente. Em 1551, os jesuítas foram levados à cidade e ganharam larga influência na corte. O líder dos contra-reformistas era Melchior Khlesl, bispo de Viena durante a primeira parte da década de 1600.
Cercos turcos
thumb|Cerco de Viena em 1683
Em 1529, Viena foi sitiada pelos turcos-otomanos pela primeira vez, apesar de não haver sucesso na empreitada. A cidade, protegida por muralhas medievais, mal conseguia conter o avanço dos turcos, até que epidemias se alastraram e o inverno começou, forçando os otomanos a recuar. O cerco mostrou que novas fortificações eram necessárias. Seguindo os planos de Hermes Schallauzer, Viena construiu uma fortaleza em 1548. No , a cidade conseguiria barrar o avanço turco na Europa, que a partir de então viria apenas a perder terreno.
Século XVIII
thumb|Viena durante a Era Barroca, por Canaletto
O foi caracterizado pelas construção de várias estruturas importantes. No curso das reconstruções, Viena foi transformada em uma cidade barroca. Os mais importantes arquitetos do período foram Johann Bernhard Fischer von Erlach e Johann Lukas von Hildebrandt. A maior parte das construções se deu nos subúrbios (Vorstädte), já que a nobreza começou a cobrir as terras próximas de suas propriedades com grandes jardins, formando os Palais. Os mais conhecidos são o Palais Liechtenstein, Palais Modena, Palácio de Schönbrunn e Belvedere (o palácio do Príncipe Eugênio de Savoia). Em 1704, uma outra fortificação, a Linienwall, foi construída em torno do Vorstädte.
Depois da extensa epidemia de 1679 e 1713, a população começou a crescer exponencialmente. Segundo estimativas, pessoas viviam em Viena em 1724 e em 1790. No final do século, as primeiras fábricas foram construídas, começando em Leopoldstadt. Leopoldstadt também se tornou uma parte da cidade onde muitos judeus viviam, depois de terem sido expulsos de seu gueto em 1670. Problemas de higiene tornaram-se comuns e se alastraram pela cidade. O governo começou a construir redes de esgoto e a limpar as ruas. Também neste tempo, os primeiros números de residências foram criados e o correio postal (o Konskriptionsnummern) foi lançado.
Sob o Imperador José II, a administração da cidade foi modernizada em 1783: oficiais foram introduzidos e o magistrado foi criado. Ao mesmo tempo, cemitérios na cidade foram fechados.
Século XIX thumb|O "Leão de Aspern" é um monumento aos soldados austríacos que combateram nas Guerras Napoleônicas thumb|O Congresso de Viena restaurou a paz na Europa, depois da queda de Napoleão
Durante as Guerras Napoleônicas, Viena foi tomada duas vezes por Napoleão, em 1805 e em 1809. A primeira conquista aconteceu sem nenhuma batalha. Três oficias franceses atravessaram a Taborbrücke (Ponte de Tábor), a única ponte danubiana naqueles tempos (que, claramente, era fortemente defendida), e convenceram o comandante austríaco que a guerra já havia terminado. Neste ínterim, o exército francês pôde facilmente entrar na cidade e foi aclamado pela população, ao invés de rejeitado. Napoleão permitiu que 10.000 homens da Guarda Nacional de Viena permanecessem armados e o arsenal da cidade foi mantido como encontrado. Entretanto, a segunda ocupação aconteceu apenas depois de longas batalhas. Pouco depois, Napoleão sofreria sua primeira grande derrota em Aspern, nas proximidades de Viena.
Depois da derrota final de Napoleão, o Congresso de Viena teve lugar entre 18 de setembro de 1814 e 9 de junho de 1815, e o mapa político da Europa foi redesenhado. Os membros do congresso participaram de muitos eventos sociais, o que induziu Carlos José, Príncipe de Ligne a dizer: Le congres danse beaucoup, mais il ne marche pas ("O congresso dança, mas não progride"). Os eventos custaram à Áustria uma grande soma de dinheiro, e alguns participantes do evento foram satirizados e estereotipados:
Alexandre da Rússia: ama por todos Frederico Guilherme da Prússia: pensa por todos Frederico da Dinamarca: fala por todos Maximiliano da Bavária: bebe por todos Frederico de Württemberg: come por todos Imperador Francisco da Áustria: paga por todos
A primeira metade do também se caracterizou por uma intensa industrialização, e a cidade recebeu uma rede de ferrovias em 1837.