Herrerasaurus foi um dos mais antigos dinossauros. Seu nome significa “lagarto de Herrera”, em homenagem ao rancheiro que descobriu o primeiro espécime. Todos os fósseis conhecidos do dinossauro carnívoro foram encontrados em rochas da era Carniana (Triássico tardio de acordo com o ICS, datado de há aproximadamente 231,4 milhões de anos) na região nordeste da Argentina. O espécie-tipo, Herrerasaurus ischigualastensis, foi descrito por Osvaldo Reig em 1963 e é a única espécie designada do gênero. Ischisaurus e Frenguellisaurus são seus sinônimos.

Durante muitos anos, a classificação do Herrerasaurus permaneceu nebulosa já que o dinossauro só era conhecido por espécimens com restos significativamente fragmentados. Devido a isso ele foi classificado de diferentes maneiras: foi hipotetizado como sendo um terópode basal, um sauropodomorpha basal, um saurisquiano basal, e foi até classificado não como um dinossauro mas como um tipo de arcossauro. Entretanto, com a descoberta em 1988 de um crânio e esqueleto quase completos, o Herrerasaurus vem sendo classificado ou como um terópode recente ou um saurisquiano recente em pelo menos cinco publicações recentes sobre a evolução dos terópodes, com muitos pesquisadores o tratando, tentativamente, como o membro mais primitivo dos Terópoda.Holtz, Thomas R. Jr. (2011) Dinosaurs: The Most Complete, Up-to-Date Encyclopedia for Dinosaur Lovers of All Ages, Winter 2010 Appendix.

Ele é um membro dos Herrerasauridae, uma família de gênero similar, que está entre um dos mais antigos membros da radiação evolucionária dos dinossauros..

Descrição

thumb|left|Tamanho de um Herrerasaurus comparado a um humano

Herrerasaurus era um bípede carnívoro de estrutura leve com uma longa cauda e uma cabeça relativamente pequena. Seu comprimento é estimado em 3 a 6 metros, e sua altura do quadril em mais de 1,1 metros. Pode ter pesado aproximadamente entre 210–350 quilogramas. Em espécimens grandes, inicialmente considerados como pertencente a um gênero separado, Frenguellisaurus, o crânio media 56 centímetros de comprimento. Espécimens menores possuíam crânios de aproximadamente 30 centímetros de comprimento.

Crânio Herrerasaurus tinha um crânio estreito e longo que não possuía a grande maioria das especializações que caracterizavam dinossauros mais tardios, e mais se assemelhava ao crânios de Archosauria mais primitivos como o Euparkeria. Ele tinha cinco pares de fenestras temporais (aberturas no crânio) em seu crânio, dois desses pares eram para os olhos e para as narinas. Entre os olhos e as narinas existiam duas fenestras anterorbitais e um pequeno par de buracos no formato de fendas de aproximadamente 1 centímetro de comprimento chamadas de fenestras promaxilares. Atrás dos olhos havia grandes fenestras infratemporais. Essas fenestras reduziam o peso do crânio.

Herrerasaurus tinha uma junta flexível na mandíbula inferior que podia deslizar para trás e para frente e que permitia uma mordida agarradora. Essa especialização cranial é incomum entre dinossauros mas evoluiu de forma independente em lagartos. A parte traseira da mandíbula inferior também possuía fenestras. As mandíbulas eram equipadas com dentes grandes e serrilhados para morder e comer carne, e seu pescoço era delgado e flexível.

Membros thumb|alt=Lightly-built bipedal reptile|Ilustração artística Os membros anteriores do Herrerasaurus eram menores do que a metade do comprimento de seus membros posteriores. O úmero e o antebraço eram bem pequenos, enquanto que suas manus eram alongadas. Os primeiros dois dedos e o dedão terminavam em garras curvas e afiadas que eram usadas para capturar presas. O quarto e quinto digito eram pequenos tocos sem garras.

Herrerasaurus era completamente bípede. Ele possuía membros posteriores fortes com coxas pequenas e patas longas, indicando que ele provavelmente era um corredor ágil. Seu pé tinha cinco dedos, mas somente os três do meio (dígitos II, III, IV) suportavam seu peso. Os dedos exteriores (I e V) eram pequenos; o primeiro dedo tinha uma pequena garra. A cauda, parcialmente endurecida pela sobreposição das projeções vertebrais, balanceava o corpo e também era uma adaptação para velocidade.

Características derivadas e basais Herrerasaurus é de certa forma um enigma no sentido de que apresenta características que são encontradas em diferentes grupos de dinossauros, e várias características que são encontradas em arcossauros não dinossaurianos. Embora compartilhe a maioria de suas características com dinossauros, algumas diferenças existem, particularmente o formato de seu quadril e dos ossos de suas pernas. Sua pélvis é semelhante à de dinossauros saurisquianos, mas ele possuí um acetábulo ossudo (onde o fémur se encontra com a pélvis) que é somente parcialmente aberto. O ílio, o osso principal do quadril, é suportado somente por dois sacros, uma característica basal. Apesar disso, a púbis aponta para trás, uma característica derivada vista em aves e dromaeosauridae. Além disso, o fim da púbis tem um formato de bota, como visto em avetheropodes; e o corpo da vértebra tem um formato de ampulheta como encontrado em alossauros.

Classificação

O Herrerasaurus deu seu nome a sua família, Herrerasauridae (por Benedetto em 1973), um grupo similar de animais do triássico superior que estão entre os membros mais antigos da radiação evolucionária dinossauriana. Novas (1992) definiu os Herrerasauridae, como Herrerasaurus, Staurikosaurus e seu ancestral comum mais recente. Sereno (1988) definiu o grupo como um clado mais inclusivo incluindo H. ischigualastensis mas não o Passer domesticus. Langer (2004) forneceu a primeira definição filogenética de um táxon de nível superior, a infraordem Herrerasauria.

Onde o Herrerasaurus e seus parentes próximos jazem no início da árvore evolucionário dos dinossauros não é ainda certo. A maior parte da análise feita no século XXI concluiu que eles são terópodes basais, embora eles possam representar saurísquios basais ou até não dinossauros, pré-datando a separação entre saurísquios e ornitísquios. A maioria das análises, como as de Sterling Nesbitt e colegas (2009, 2011), concluíram que o Herrerasaurus e seus parentes eram terópodes bem basais. Outros (como Ezcurra 2010) encontraram indicações de que eles possam ser do clado Eusaurischia, ou seja, mais próximos da base da árvore dos saurísquios do que terópodes verdadeiros e Sauropodomorpha, mas não sendo um membro de nenhum dos dois grupos. A situação é ainda mais complicada devido as incertezas em correlacionar as idades dos leitos Triássicos que possuem animais terrestres.

Gêneros relacionados

Outros membros do clado podem incluir o Eoráptor, proveniente da mesma Formação de Ischigualasto na Argentina que o Herrerasaurus foi encontrado, o estauricossauro da Formação Santa Maria no sul do Brasil, o chindessauro da parte superior da Floresta Petrificada do Arizona, e possivelmente o Caseosaurus da Formação do Grupo Dockum no Texas, embora o parentesco entre esses animais não seja completamente compreendido, e nem todos os paleontólogos concordam com a natureza de seus relacionamentos. Outros possíveis terópodes basais, como o Alwalkeria da Formação Maleri na Índia durante o Triássico tardio, e o Teyuwasu, conhecido a partir de restos muito fragmentados do Triássico tardio do Brasil, também podem ser aparentados. Paul (1988) notou que o estauricossauro pricei havia sido incorretamente sugerido como um Herrerasaurus juvenil. Essa alegação foi refutada quando os ossos pélvicos de um Herrerasaurus juvenil foram encontrados, e que após examinação não era similar aos ossos pélvicos do estauricossauro.

Característica anatômicas distintivas

Um diagnóstico é uma declaração das características anatômicas de um organismo (ou grupo) que o distingue coletivamente de todos os outros organismos. Algumas, mas não todas as características em um diagnóstico também são autapomórficas. Uma autapoformia é uma característica anatômica distintiva que é única a um dado organismo ou grupo.

De acordo com Novas (1993), o Herrerasaurus pode ser distinguido baseado nas seguintes características:Novas, 1993. New information on the systematics and postcranial skeleton of Herrerasaurus ischigualastensis (Theropoda: Herrerasauridae) from the Ischigualasto Formation (Upper Triassic) of Argentina. Journal of Vertebrate Paleontology. 13, 400-423.

A presença de uma fenestra pré-maxilar-maxilar, e a parte dorsal da fenestra laterotemporal é inferior a um terço da largura da parte ventral A presença de uma crista na superfície lateral do osso jugal, e uma fossa supratemporal profundamente incisiva O processo vental escamosal subquadrado possuí uma depressão lateral, e o osso quadradojugal se sobrepõe com a face quadrada póstero-dorsal O processo pterigoideal do quadrado possuí uma margem ventral virada para dentro e em forma de cocho, e a presença de um processo dental póstero-dorsal fino e com nervuras O osso surangular possui um processo anterior bifurcado para articulação com o processo dental póstero-dorsal O tubérculo interno do úmero é proximalmente projetado e separado da cabeça do úmero por um sulco profundo Possuí mãos grandes, que constituem 60% do tamanho do úmero mais o rádio, e o epicôndilo do úmero tem aparência rígida com depressões anteriores e posteriores A borda posterior do ílio pedúnculo forma uma ângulo reto com a borda dorsal do eixo do ísquio

thumb|Restauração do Esqueleto

De acordo com Sereno (1993), o Herrerasaurus pode ser distinguido baseado nas seguintes características, todas as quais não são conhecidas em outros Herrerasauridae:Sereno, 1993. The pectoral girdle and forelimb of the basal theropod Herrerasaurus ischigualastensis. Journal of Vertebrate Paleontology. 13, 425-450.

Um buraco circular está presente no epicôndilo do úmero, uma característica também presente no Saturnalia Um Côndilo ulnar umeral no formato de sela, e uma superfície articular convexa do osso piramidal e da ulna A superfície articular do osso piramidal é menor do que o da ulna, uma característica desconhecida em Staurikosaurus e Sanjuansaurus O os centrale é localizado distalmente em relação ao rádio Um largo processo subnarinal da premaxila, e uma depressão supratemporal larga (notada por Sereno e novas, 1993)Sereno and Novas, 1993. The skull and neck of the basal theropod Herrerasaurus ischigualastensis. Journal of Vertebrate Paleontology. 13, 451-476. Os tubos basais do côndilo occipital são subiguais em largura (notado por Sereno e Novas, 1993)

História left|thumb|alt=Crânio do dinossauro com uma longa mandíbula, dentes e a cabeça oca|Primeiro crânio conhecido, espécimen PVSJ 407, e o maxilar esquerdo de PVSJ 053 Herrerasaurus foi nomeado pelo paleontólogo Osvald Reig em homenagem a Victorino Herrera, um pastor de cabras andeano que foi o primeiro a notar os fósseis em afloramentos perto da cidade de San Juan em 1959. Essas rochas, onde mais tarde o Eoráptor seria encontrado, são parte da Formação de Ischigualasto e são datadas do estágio Ladiniano tardio ou do início do estágio Carniano do período Triássico tardio. Reig, na mesma publicação do Herrerasaurus, nomeou um segundo dinossauro encontrado nas rochas; este dinossauro, o Ischisaurus cattoi, é hoje considerado uma sinonímia júnior e um juvenil do Herrerasaurus.

Reig acreditava que o Herrerasaurus era um exemplo de carnosauria antigo, mas este foi o assunto de muito debate nos próximos 30 anos, e durante este tempo o gênero seria reclassificado várias vezes. Em 1970, Steel classificou o Herrerasaurus como um Sauropodomorpha. Em 1972, Peter Galton classificou o gênero como inclassificável além dos Saurísquios. Posteriormente, usando análise cladística, alguns pesquisadores colocaram o Herrerasaurus e o estauricossauro na base da árvore evolucionária dos dinossauros, antes da separação entre os Ornitísquios e os Saurísquios. Vários pesquisadores classificaram os restos como não-dinossaurianos.