O Elevador de Santa Justa, também referido como Elevador do Carmo, é um sistema de transporte público, situado no centro da cidade de Lisboa, no distrito de mesmo nome, em Portugal. Liga a rua do Ouro e a rua do Carmo ao largo do Carmo e constitui-se num dos monumentos mais interessantes da Baixa de Lisboa. É composto por uma torre metálica onde circulam duas cabinas, e por uma passadeira que liga o piso superior à zona do Carmo. A estrutura do elevador é composta por ferro fundido, e utiliza um esquema inspirado no estilo neogótico. Foi construído sob a gestão do distinto engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, conhecido por ter feito outros projectos do mesmo tipo em território nacional. Este elevador foi planeado desde a década de 1890, mas o projecto só foi aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1900, ano em que se iniciaram as obras. Durante a construção, uma das fases mais impressionantes foi a deslocação do viaduto e do pilar de suporte para as suas posições respectivas, manobra que foi executada através da rotação dos componentes inteiros. O elevador foi inaugurado em 1902.
A bilheteira localiza-se por trás da torre, sob os degraus da rua do Carmo. Os passageiros podem subir ou descer pelo elevador dentro de duas elegantes cabinas de madeira com acessórios de latão.
O Elevador de Santa Justa está classificado como Monumento Nacional desde 2002.Ficha na base de dados SIPA
Descrição O Elevador de Santa Justa é composto por uma torre metálica, e por um passadiço também em metal com 25 m de comprimento. A diferença entre os níveis dos elevadores é de 45 m.
Construído com o emprego do ferro fundido, encontra-se decorado com filigrana rendilhada, num estilo de inspiração neogótica. O alto da torre, acedido por uma estreita escada em caracol, é ocupado por esplêndidas vistas sobre o Rossio, a Baixa de Lisboa, o Castelo de São Jorge na colina oposta, o rio Tejo e as ruínas da Igreja do Convento do Carmo.
Liga a Rua do Ouro ao Largo do Carmo, unindo desta forma as zonas alta e baixa da cidade.SARAIVA e GUERRA, 1998:109
Segundo a descrição de 1902, as cabinas eram de madeira ornamentada, contando com vários elementos decorativos, e estavam ligadas a um cabo de suporte, que poderia aguentar um peso até 115 mil Kg antes de se romper, valor muito superior à tracção máxima prevista, de 6000 Kg, caso fossem desligadas as duas cadeias Galle de tracção que ligavam as cabinas às máquinas. Embora estas cadeias apenas tenham sido montadas para transmitir o movimento dos motores, também ajudavam a aguentar o peso das cabines, adicionando uma resistência de 24 mil Kg. Caso o cabo e as correias se partissem, existiam também dois sistemas de travagem, um automático e outro manual, este último concebido de forma a parar uma cabina em qualquer ponto do percurso, de forma isolada da outra cabina. O cabo foi instalado na cabina de forma a ser tão difícil quanto possível de se desligar, pelo que o risco mais provável seria o do próprio cabo se romper. As cabines eram movidas por duas máquinas, cada uma de dois cilindros utilizando o quadrante de Stephenson, para inversão de marcha. Cada uma poderia funcionar de forma independente da outra, ou em conjunto, caso fosse necessária uma força extraordinária, tendo dessa forma os manípulos de ambas sido instalados lado a lado num só local, de forma a que o maquinista pudesse trabalhar com ambas ao mesmo tempo. A transmissão do movimento da máquina, para o veio do guincho onde passam as cadeias de movimento das cabines, era feita pelas correias Galle, cujas rodas reduziam a velocidade da máquina à do guincho, na proporção que era necessária para que a velocidade normal das cabines fosse de 0,5 m por segundo. O sistema das cadeias Galle tinha a vantagem de produzir um movimento silencioso e suave, ao contrário do que aconteceria caso tivessem sido utilizadas engrenagens rectas para a redução.
thumb|left|Projecto do elevador de Santa Justa. História Planeamento A estrutura, em estilo neogótico, foi construída na viragem do século XIX para o XX com projeto do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, que também se responsabilizou por outros similares no país.Octaviano Correia: "" Jornal da Madeira / Revista Olhar 2007.09.08 Contrariando a afirmação popular, não está comprovada a ligação deste engenheiro a Gustave Eiffel. O que se sabe é que tanto Ponsard quanto o arquitecto francês Louis Reynaud aplicaram nestes elevadores algumas das técnicas e materiais já utilizados em França.
Mesnier de Ponsard tinha iniciado a sua carreira com o Elevador do Bom Jesus em Braga, inaugurado em 1882, tendo depois lançado a construção de vários sistemas deste tipo pelo país, especialmente em Lisboa onde instalou, sob a égide da sua empresa NCAML, os ascensores da Bica, Glória, do Chiado, Biblioteca e de Santa Justa, entre outros.MARQUES, 2014:188
A Gazeta dos Caminhos de Ferro de 16 de Outubro de 1892 relatou que Raul Mesnier de Ponsard tinha pedido autorização à Câmara Municipal de Lisboa para construir um elevador entre a Rua Nova do Carmo e o Largo do Carmo, junto ao museu arqueológico. A estrutura do elevador seria composta por uma torre metálica, ocupando um rectângulo com 3 m de largo e 6 m de comprimento, no alto das escadinhas de Santa Justa, e por uma passadeira também em metal que terminaria num jardim no Largo do Carmo, passando por cima de prédios na Rua Nova do Carmo. A concessão teria a duração de 99 anos, e o elevador seria utilizado no transporte de passageiros e volumes.
Em 1 de Junho de 1896, a Gazeta dos Caminhos de Ferro informou que o Sr. Lusseau, concessionário para a construção de um parque no alto da Avenida da Liberdade, tinha protestado na Câmara Municipal de Lisboa contra a concessão de Raul Mesnier de Ponsard.
Construção Em 1 de Maio de 1900, a Gazeta reportou que já se estava a trabalhar na estrutura metálica e na passadeira do elevador do Carmo, e que Mesnier de Ponsard tinha declarado que as obras estariam concluídas em Setembro. Em 1 de Julho desse ano, a Gazeta noticiou que a Câmara Municipal tinha aprovado os projectos definitivos para o ascensor do Carmo. No dia seguinte, iniciou-se a instalação da casa das máquinas e pirâmide do elevador.
Em 16 de Julho, relatou que já se estavam a fazer os movimentos de terra nas escadas de Santa Justa, no local onde se iriam erguer as torres. Informou igualmente que Mesnier de Ponsard já tinha feito várias alterações no projecto, como a diferença de altura entre os dois níveis, que passou a ser de 31,92 m em vez de 30 m.. Outra modificação foi no sistema de tracção, que originalmente utilizava o peso da água elevada para um reservatório superior por uma bomba de 6 cv a gás, e que passou a ser através de uma máquina a vapor que movia directamente os tambores e o cabo, ligado às duas cabinas. Este sistema de água, já utilizado noutros ascensores em Lisboa, consistia em dois depósitos de água, um em cada veículo, que na cabina descendente ia cheio, de forma a fazer um peso superior ao da outra cabina, onde o depósito ia vazio. A Gazeta dos Caminhos de Ferro elogiou o desenho do elevador, em especial o uso de arcos ogivais em vez de cruzes de Santo André, como tinham sido aplicados no Ascensor do Município, que davam à torre do Carmo um ar mais leve e gracioso. No entanto, criticou o facto do elevador ser movido por uma máquina a vapor, tendo aconselhado o uso da electricidade, que poderia ser fornecida por um motor ou pela rede de uma empresa privada. Além de mover as cabinas, a energia eléctrica também podia ser utilizada na iluminação da torre e nos sistemas de travagem, e possibilitaria a instalação de uma passadeira rolante no viaduto superior, como tinha sido idealizado num projecto semelhante em Bruxelas, enquanto que uma máquina a vapor ocupava demasiado espaço e gerava muita poluição. Nessa altura, Mesnier calculou que as obras de construção ficariam terminadas em Novembro. A instalação do elevador do Carmo foi elogiada pela maior parte da imprensa nacional, excepto pela Gazeta de Obras Públicas, que levantou dúvidas sobre a utilidade deste empreendimento para a cidade. O projecto para o elevador foi descrito desta forma: «uma torre dulpa [sic] serve de guia a duas camaras ascensoras, de supporte á arvore da roldana em cujo gorne passa o cabo de aço a que se prendem as mesmas camaras, e de pilar ou encontro ao banzo d'um passadiço metallico para o terraço da casa do sr. conde de Thomar. O passadiço apoia-se n'uma flecha vertical assente e articulada no cimo das escadas de Santa Justa e prolonga-se em falso, á maneira de cachorro, até ao terraço que se deve construir na parte superior da casa de aquelle titular. Assim se acrescenta a comunicação para o jardim do Carmo, onde liga por outro passadiço muito singelo. Este terraço será construído pelo processo de formigão armado e cercado por uma balaustrada. As camaras d'ascensão comportam 24 pessoas. O machinismo de segurança é analogo ao do ascensor Bibliotheca, analogo é tambem o machinismo motor. O cabo tem 50 mm de diametro e abraça 180º na gola da roldana de suspensão, que tem o diametro de 4,450 mm de fundo. A machina é a vapor, vertical, de alta pressão, sem condensação, com dois cilindros. A disposição geral é a do elevador Bibliotheca.».