All I Really Want to Do é o álbum de estreia da artista estadunidense Cher, lançado em 16 de agosto de 1965 pela Imperial Records, enquanto a artista ainda gravava como parte da dupla Sonny & Cher na Atco Records.
Produzido por Sonny Bono, com arranjos de Harold Battiste, e gravado no Gold Star Studios, em Hollywood, o álbum é composto majoritariamente por versões cover, baseadas em material contemporâneo de folk e rock. Seu repertório inclui canções de Bob Dylan, Ray Davies e outros compositores consagrados, além de um pequeno número de composições associadas a Bono.
Ao ser lançado, All I Really Want to Do recebeu, de modo geral, críticas positivas e alcançou sucesso comercial significativo, atingindo o top 20 nos Estados Unidos e o top 10 no Reino Unido.
Antecedentes e gravação Ao mesmo tempo em que a dupla Sonny & Cher estreava pela Atco Records, Sonny Bono garantiu um contrato solo para Cher com a Imperial Records. Após o sucesso do single "I Got You Babe", Bono decidiu promover sua esposa como artista solo, produzindo ele mesmo seu primeiro álbum de estúdio completo. O disco marcou o primeiro projeto solo de Cher desde o lançamento de seus dois singles malsucedidos de 1964, "Ringo, I Love You" e "Dream Baby", lançados sob os pseudônimos Bonnie Jo Mason e Cherilyn, respectivamente.
All I Really Want to Do, assim como o álbum de estreia de Sonny & Cher, Look at Us, contém diversas versões cover. O repertório inclui gravações de canções contemporâneas de rock em ritmo acelerado, mas também apresenta uma inclinação mais folk, com o objetivo de diferenciá-lo do estilo musical dos discos da dupla. As gravações do álbum foram concluídas no Gold Star Studios, em Hollywood, na última semana de junho de 1965.
No álbum, Cher gravou três canções escritas e interpretadas por Bob Dylan: "All I Really Want to Do", "Blowin' in the Wind" e "Don't Think Twice, It's All Right". O disco também inclui "Needles and Pins", coescrita por Sonny Bono e que foi um sucesso da banda britânica The Searchers em 1964. Por volta de 30 de junho, quando concluía a gravação do álbum no Gold Star Studios, Larry Page a convenceu a gravar a canção "I Go to Sleep", sucesso de Ray Davies, que mais tarde se tornaria um sucesso no Reino Unido do The Pretenders. Adicionalmente, o álbum traz, a versão de Cher para a canção tradicional "See See Rider", com arranjos de Sonny Bono, Charles Greene e Robert Stone.
Outros covers presentes no álbum são "She Thinks I Still Care", "The Bells of Rhymney" e "Come and Stay With Me". Durante as sessões de gravação, Cher também registrou uma canção escrita por Bono, intitulada "I'm Gonna Love You", que não entrou no álbum, mas foi lançada como lado B do single "All I Really Want to Do". Posteriormente, a música foi incluída na trilha sonora de 1967 de Sonny & Cher, Good Times.
Singles A canção "All I Really Want to Do" foi o primeiro single lançado por Cher sob esse nome e também seu primeiro sucesso solo, alcançando a posição 15 na Billboard Hot 100 e a posição 9 na parada de singles do Reino Unido. O álbum também incluía a canção "Dream Baby", escrita por Sonny Bono, que havia sido lançada como single em 1964 por Cher sob o pseudônimo de Cherilyn.
A ideia inicial de gravar "All I Really Want to Do" surgiu quando Cher ouviu a banda folk-rock de Los Angeles The Byrds interpretá-la durante sua residência, antes da fama, no Ciro's, na Sunset Strip, em março de 1965. Uma pequena controvérsia entre Cher e os Byrds se seguiu quando a Columbia Records (gravadora da banda) alegou que Cher e Sonny Bono teriam gravado uma das apresentações do grupo no Ciro's sem permissão, a fim de usar parte do repertório ("All I Really Want to Do" e "The Bells of Rhymney") no álbum de Cher. Embora os Byrds planejassem lançar "All I Really Want to Do" como single, eles não demonstraram grande preocupação com o lançamento iminente da versão de Cher, acreditando que havia espaço suficiente nas paradas para ambas as gravações.
Em uma tentativa de ofuscar a versão da cantora, a Columbia lançou às pressas o single dos Byrds, e ambas as versões entraram na Billboard Hot 100 na mesma semana. Seguiu-se uma disputa nas paradas, em grande parte incentivada pela Columbia Records e pela imprensa musical, mas, no fim, a versão dos Byrds estagnou na posição 40 nos Estados Unidos, enquanto o cover de Cher alcançou a posição 15. No Reino Unido, porém, ambas as versões chegaram ao top 10, com a gravação dos Byrds atingindo a posição 4 e a de Cher alcançando a posição 9.
Edições em compact disc Em 1992, All I Really Want to Do e o álbum solo seguinte de Cher, The Sonny Side of Chér, foram relançados em um único compact disc (CD) pela EMI Records. Posteriormente, em 1995, a EMI lançou uma coletânea intitulada The Originals, que incluía All I Really Want to Do, The Sonny Side of Chér e o terceiro álbum solo da cantora, o autointitulado Chér. O álbum foi novamente relançado em um único CD junto com The Sonny Side of Chér pela BGO Records em 2005, exclusivamente no Reino Unido. O álbum original de doze faixas All I Really Want to Do nunca foi lançado em CD de forma independente.
Recepção crítica
A revista Billboard observou que o álbum tem "todos os ingredientes para um LP de sucesso", acrescentando que suas faixas bem executadas "aumentam o apelo comercial deste forte lançamento nas paradas". A Record Mirror escreveu que a imagem de Cher é "fantástica" e que sua voz "não é tão boa" sem Sonny Bono, acrescentando que "este LP obviamente venderá bem, mas pela força de sua imagem, e não pela qualidade". Já a revista Record World incluiu o álbum entre seus "Álbuns da Semana", escrevendo que "nenhuma garota é mais quente atualmente" do que Cher.
Em uma análise retrospectiva, Tim Sendra, do AllMusic, observou que o álbum apresenta Sonny Bono "usando suas habilidades de produção derivadas de Phil Spector para criar fundos ricos e cintilantes sobre os quais Cher canta", e descreveu o disco como "um dos registros de folk-pop mais fortes da época". Sendra acrescentou ainda que "Cher não é a cantora mais sutil, mas soa jovem e cheia de vida nessas faixas, como se realmente acreditasse no que está cantando (uma sensação que nem sempre se obtém em seu material mais leve)".
Desempenho comercial All I Really Want to Do alcançou a posição 16 na Billboard 200, nos Estados Unidos, e permaneceu por 24 semanas na parada. O álbum entrou na lista enquanto o disco de estreia da dupla Sonny & Cher, Look at Us, ainda ocupava a segunda posição.
O álbum também entrou na UK Albums Chart, estreando na posição 20 no início de outubro de 1965 e atingindo o pico na sétima colocação duas semanas depois. Permaneceu na parada britânica por nove semanas, entre o início de outubro e o fim de novembro.
Lista de faixas Créditos adaptados do LP All I Really Want to Do, de 1965.
Ficha técnica Créditos adaptados do LP All I Really Want to Do, de 1965.
Vocalista principal: Cher Produtor musical: Sonny Bono Acordeão, teclados: Bill Marx Baixo: René Hall, Cliff Hills, Mel Pollan, Lyle Ritz Bateria: Frank Capp, Sharkey Hall, Jessie Sailes Guitarra: Monte Dunn, Jeff Kaplan, Barney Kessel, Steve Mann, Donald Peake, Mike Post, Randy Sterling Teclados: Michel Rubini Percussão: Frank DeVito, Gene Estes, Brian Stone, Julius Wechter Piano: Harold Battiste Gravado no Gold Star Recording Studios, em Hollywood, Califórnia
Tabelas musicais
Tabelas semanais Tabela (1967) Melhor posiçãoEstados Unidos (Billboard 200)16Estados Unidos (Cash Box Top 100 Albums)13Estados Unidos (Record World Top 100 LP's)7Reino Unido (UK Albums Chart)7
Bibliografia
Categoria:Álbuns de Cher Categoria:Álbuns de estreia de 1965 Categoria:Álbuns em língua inglesa