A Frente da Europa Ocidental ou Frente Ocidental da Segunda Guerra Mundial foi a segunda maior frente europeia em importância durante a II Guerra Mundial. Cobriu a Europa Ocidental e Setentrional, e foi aberta quando a Alemanha Nazista invadiu à Noruega, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica e França em 1940, e foi encerrada em 1945 com a vitória dos Aliados ocidentais.
Entre 1941 a 1943, permaneceu sem nenhuma alteração relevante além de levantes de resistências e da campanha de bombardeios da Alemanha contra Londres. A frente foi reaberta em 6 de junho de 1944 com a Invasão da Normandia (Dia D). Murray, Williamson and Millett, Alan R. (2000). A War to be Won: Fighting the Second World War. The Belknap Press of Harvard University Press. ISBN 0-674-00680-1."World War II Europe: The Western Front". Página acessada em 5 de outubro de 2016.
A Frente Ocidental foi marcada por duas fases de grande escala no teatro das operações de combate. A primeira fase viu a capitulação da Escandinávia, Países Baixos, Bélgica e França durante os meses de maio e junho de 1940, e seguida de uma guerra aérea entre a Alemanha e o Reino Unido que atingiu o auge durante a Batalha da Grã-Bretanha. A segunda fase consistiu em combates de grande escala, que começou em 6 de junho de 1944 com os desembarques Aliados na Normandia e continuou com a Liberação de Paris e o avanço aliado através da Bélgica onde defenderam as Ardenas da última ofensiva de Hitler, continuando para o interior da Alemanha até a derrota das forças do Eixo na Europa, em maio de 1945.
A guerra na Europa Ocidental durante a Segunda Guerra Mundial pode ser dividida em cinco fases: a Frente de Abertura, englobando a Guerra de Mentira, Campanha da Noruega e Batalha da França; a Batalha Aérea, que inclui a Batalha da Grã-Bretanha, a Blitz e o bombardeio dos Aliados da Europa; a Reabertura da Frente com a Batalha da Normandia; o contra-ataque alemão na Batalha das Ardenas; e a final Conquista da Alemanha na travessia do Reno.
Os países que enviaram um número significativo dos seus exércitos nesta frente foram os seguintes: Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França (França Livre e França de Vichy), Reino Unido, Noruega, Holanda, Itália e Polónia. Tropas de diversos países da Europa Oriental, América Latina e da Commonwealth das Nações também participaram, mas suas contribuições não foram decisivas. Embora a Irlanda fosse acidentalmente bombardeada pela Alemanha, este país nunca deixou o seu estado de neutralidade.
1939–40: Avanços do Eixo Guerra de Mentira A Guerra de Mentira foi a fase inicial da Segunda Guerra, quando pouquíssimos conflitos ocorreram nos meses que se seguiram entre a invasão da Polônia e a Batalha da França. Embora as grandes potências europeias estivessem oficialmente em guerra declarada, nenhum dos lados se comprometeu a lançar ofensivas significativas. Este também foi o período em que o Reino Unido e a França não forneceram ajuda significativa à Polônia, apesar da aliança prometida.
Enquanto grande parte da Wehrmacht lutava contra a Polônia, uma pequena quantidade de militares alemães ocupava a Linha Siegfried, sua linha defensiva fortificada ao longo da fronteira com a França. Do outro lado, na Linha Maginot, as forças francesas se posicionavam em frente, enquanto a Força Expedicionária Britânica e outras divisões militares francesas criavam uma linha defensiva ao longo da fronteira belga. A Força Aérea Real jogava folhetos de propaganda na Alemanha, as primeiras tropas canadenses de reforço chegavam à Grã-Bretanha e a Europa Ocidental experimentava uma estranha calmaria que durou sete meses, apesar das movimentações.
Tentando acelerar o processo de se armar contra possíveis ofensivas, Reino Unido e França começaram a comprar grandes quantidades de armas nos Estados Unidos para complementar sua própria produção. Apesar de não estar na guerra, os Estados Unidos contribuíram com os Aliados Ocidentais com descontos e condições especiais para compra de equipamentos militares. Percebendo isso, a Alemanha decidiu tentar embargar o comércio marítimo para os Aliados, o que acarretou na Batalha do Atlântico.
Escandinávia A calma da Frente Ocidental foi finalmente quebrada em abril de 1940, quando a Alemanha lançou a Operação Weserübung e deu início à Campanha da Noruega, invadindo os países neutros da Dinamarca e Noruega. Isso arruinou o plano inicial dos Aliados, que planejavam um ataque anfíbio ao redor da Alemanha, cortando as linhas de suprimento a partir da Suécia. Mas as forças nazistas arrasaram as forças armadas norueguesas e obrigaram o governo a se exilar, enquanto ocupavam a região e repeliam as ambições aliadas. O revés maior para a Alemanha ocorreu pelas pesadas baixas que a Kriegsmarine sofreu nos dois meses de luta que foram necessários para guardar toda a Noruega continental.
Temendo a expansão alemã na região, o Reino Unido ignorou a declaração de neutralidade da Islândia e invadiu o país em maio de 1940. A princípio o governo local reagiu com indignação, mas não ordenou que os militares islandeses resistissem e a ocupação subsequente acabou sendo completamente pacífica.
Luxemburgo, Países Baixos, Bélgica e França miniaturadaimagem|left|Tropas alemãs marchando em frente ao Arco do Triunfo após a queda da França. Em maio de 1940, a Alemanha deflagrou a Batalha da França. Os Aliados Ocidentais (principalmente as forças terrestres francesas, belgas e britânicas) entraram em colapso com os ataques da blitzkrieg alemã. Luxemburgo caiu em apenas um dia: 10 de maio de 1940. Os Países Baixos capitularam em uma batalha que durou uma semana. A Batalha da Bélgica, mais sangrenta, durou 18 dias. Em pouco menos de 50 dias, a França foi derrotada e a região de Paris ocupada. Os Aliados britânicos e franceses precisaram evacuar da Europa Continental no episódio de Dunquerque. Com essa fase de conflitos terminada, a Alemanha começou a pensar como lidar com a Inglaterra. Se os britânicos se recusassem a aceitar um tratado de paz, a opção era invadir. Mas a Kriegsmarine já havia sofrido graves perdas na Noruega e, para considerar um desembarque anfíbio, a Alemanha teria que conquistar a supremacia aérea com a Luftwaffe.
1941–44: Interlúdio Com a Luftwaffe incapaz de derrotar a RAF na Batalha da Inglaterra, a invasão da Grã-Bretanha não poderia mais ser considerada como opção. Com grande parte das forças alemãs empenhadas na invasão da União Soviética, o Ocidente começou a ser fortificado com a construção da Muralha do Atlântico, uma gigantesca linha defensiva ao longo da costa francesa no Canal da Mancha.
Devido às gigantescas dificuldades logísticas que uma invasão pelo Canal levaria, os Aliados decidiram fazer ataques táticos na costa francesa. Em 19 de agosto de 1942, forças canadenses e britânicas iniciaram a Operação Jubileu em Dieppe. O ataque foi um desastre com quase dois terços da força atacante dizimada. No entanto, muito foi aprendido nessa operação – essas lições seriam úteis para a invasão subseqüente.
Por mais de dois anos não ocorreram conflitos terrestres da Frente Ocidental, com exceção de pequenas operações de comando e grupos de guerrilha auxiliados pela Special Operations Executive (SOE) e Office of Strategic Services (OSS). Entretanto, a guerra continuou bastante ativa no ar com os Aliados investindo em uma série de bombardeios estratégicos sobre o território alemão. Enquanto a Oitava Força Aérea dos Estados Unidos atacava de dia, o Comando de Bombardeiros da RAF atacava de noite.
Os alemães esperavam uma tentativa de invasão por parte dos Aliados, mas não sabiam precisar a localização em que ela poderia acontecer. A possibilidade de um desembarque anfíbio exigiu que as tropas móveis (formadas em sua maioria por unidades panzer) alemãs se dispersassem muito pelos territórios. Cada grupo do exército nazista recebeu uma quantidade de unidades desse tipo. O Grupo B recebeu apoio da 2.ª Divisão Panzer no norte da França, da 116.ª Divisão Panzer na região de Paris e da 21.ª Divisão Panzer na Normandia. O Grupo G dispersou mais ainda suas tropas móveis pensando na possibilidade de uma invasão pelo Atlântico, mantendo a 11.ª Divisão Panzer em Gironda, a 2.ª Divisão SS Das Reich em Montauban no sul da França e a 9.ª Divisão Panzer em volta de Bocas do Ródano, no delta do Reno.
O OKW também mantinha uma grande reserva de unidades móveis, distribuídas em uma grande área: a 1.ª Divisão SS Leibstandarte SS Adolf Hitler treinava nos Países Baixos, a 12.ª Divisão Panzer SS Hitlerjugend e a Panzer Lehr estavam na região de Paris-Orléans pois a região da Normandia era considerada a mais provável para uma possível invasão. Já a 17.ª Divisão Panzergrenadier SS Götz von Berlichingen estava localizada ao sul do Loire, nas proximidades de Tours.
1944–45: Reabertura da Frente Normandia 280px|thumb|Rotas tomadas durante a invasão do Dia D. Em 6 de junho de 1944 os Aliados deram início à Operação Overlord (o famoso Dia D) mirando a libertação da França. Antes disso, os Aliados haviam posto em prática a Operação Bodyguard, que foi uma campanha de desinformação e uma série de operações fraudulentas que fizeram o comando alemão acreditar que a invasão aconteceria na região de Pas-de-Calais, enquanto o alvo real era a Normandia. Após dois meses de avanços lentos nos campos da França, a Operação Cobra permitiu que as tropas americanas dominassem o norte do país e estabelecessem uma grande quantidade de unidades no local. Após esse feito os Aliados começaram a avançar rapidamente pela França, cercando mais de 200 mil alemães na Bolsa de Falaise. Assim como ocorria frequentemente na Frente Oriental, Hitler se recusava a permitir retiradas estratégicas até que fosse tarde demais. Aproximadamente 150 mil alemães conseguiram escapar da Bolsa de Falaise, mas deixaram para trás a maior parte de seus valiosos equipamentos e 50 mil alemães foram mortos ou feitos prisioneiros.
Após a invasão ter se concretizado, os Aliados começaram a debater a estratégia para avançar no território. Havia duas opções: manter o front em um espaço limitado avançando mais rapidamente ou procurar estabelecer um front amplo com avanços mais lentos. As forças acabaram se dispersando pelo território europeu, com a estratégia de frente ampla sendo adotada pelo General Eisenhower.
Libertação da França Em 15 de agosto de 1944 os Aliados iniciaram a Operação Dragão, invadindo o sul da França por Toulon e Cannes. O Sétimo Exército Americano e o Primeiro Exército Francês (que compunha o Sexto Exército Americano), rapidamente consolidaram uma cabeça de praia e libertaram o sul da França em duas semanas, avançando para o norte até o vale do Ródano. O avanço apenas desacelerou quando encontraram tropas alemãs reagrupadas nos Vosges.
Os alemães na França agora teriam que enfrentar três poderosos exércitos: ao norte estava o 21º Grupo de Exército Britânico comandado pelo marechal de campo Sir Bernard Montgomery. Na região central estava o 12º Grupo de Exército Americano, comandado pelo general Omar Bradley. Ao sul estava o 6º Exército Americano, comandado pelo tenente-general Jacob L. Devers. Em meados de setembro o 6º Exército vindo do sul entrou em contato com as formações de Bradley avançando do oeste. Os três exércitos passaram então a operar juntos fazendo parte do Quartel General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas de Eisenhower.
thumb|Multidão de franceses na Champs Élysées comemorando a libertação de Paris em 26 de agosto de 1944.