thumb|350px| Linhas pontilhadas são intenções para projetos de dutos
A disputa comercial pelo gás natural entre a Rússia e a Ucrânia em 2009 começou quando os dois países falharam em alcançar um acordo sobre os preços e o fornecimento do gás natural para 2009. A empresa de gás natural russa, Gazprom, negou-se em concordar sobre o fornecimento de novos suprimentos de gás antes de a Ucrânia pagar as suas dívidas. Em 30 de dezembro de 2008, a empresa nacional de gás ucraniana, a Naftohaz Ukrainy, pagou 1,522 bilhões de dólares pelo gás, mas os lados da disputa não foram capazes de entrar em acordo sobre o preço do gás para 2009. As negociações entre a Gazprom e a Naftohaz foram interrompidas em 31 de dezembro e as entregas de gás para a Ucrânia foram totalmente interrompidas em 1 de janeiro de 2009. Porém, o fornecimento de gás para a União Europeia continuou. Em 2 de janeiro de 2009, a pressão de gás natural em dutos de vários países europeus não-pertencentes à União Europeia caiu. Em 5 de janeiro de 2009, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse ao chefe da Gazprom, Aleksej Miller, para que reduzisse o fornecimento de gás para a Europa a quantidade equivalente que a Ucrânia tinha alegadamente pego desde que o fornecimento de gás para aquele país foi interrompido em 1 de janeiro, e em 7 de janeiro, todo o fluxo de gás russo foi interrompido, no meio de acusações mútuas entre as duas partes. Vários países relataram grandes faltas de gás natural russo, que começou em 7 de janeiro; os países mais atingidos foram a Bulgária, a Moldávia e a Eslováquia.
A Ucrânia concordou em garantir o trânsito livre do gás natural sob a condição que a Gazprom iria garantir o suprimento técnico de gás e consequentemente o funcionamento do sistema de dutos no território ucraniano; isto foi negado pela Rússia. Embora a União Europeia, a Ucrânia e a Rússia concordassem no desenvolvimento de um grupo de monitoração internacional das estações de medição de gás entre a Rússia e a Ucrânia, o fornecimento para a Europa não foi restabelecido. A Naftohaz bloqueou o trânsito do gás porque dizia que havia falta de pressão de gás no sistema de dutos, e dizia que, devido ao design dos dutos construídos ainda pela União Soviética, não poderia garantir a entrega de gás através das estações de medição de Sudzha, a estação de entrada, e a estação de Orlivka, a estação de saída, rota sugerida pela Gazprom para fornecer o gás com destino aos países do sul da Europa Oriental. Isto poderia interromper o fornecimento de gás para a região oriental da Ucrânia. No lugar desta rota, a Naftohaz sugeriu uma rota alternativa mais prática, através das estações de medição de Valuyki e de Pisarevka, mas isto também foi recusado. Em 17 de janeiro de 2009, a Rússia realizou uma conferência internacional de gás natural em Moscou. A União Europeia estava representada pela sua presidência (o ministro checo da Indústria e Comércio Martin Říman) e pela Comissão Europeia (o Comissário de Energia da UE, Andris Piebalgs). Com isso, a UE poderia se manifestar com apenas uma representação. A Ucrânia foi representada pela primeira-ministra, Yulia Tymoshenko. A conferência não encontrou qualquer solução para a crise, mas as negociações bilaterais entre os primeiros-ministros Putin e Tymoshenko terminaram com um acordo sobre a volta do fornecimento do gás para a Europa e para a Ucrânia. O fornecimento de gás voltou em 20 de janeiro de 2009, e foi completamente restabelecida no dia seguinte.
De acordo com a UE, a crise do gás natural causou danos irreparáveis e irreversíveis na confiança dos consumidores na Rússia e na Ucrânia, e isso significa que a Rússia e a Ucrânia não podem mais ser considerados como sócios confiáveis. De acordo com relatos, devido à crise do gás, a Gazprom perdeu mais de 1,1 bilhão de dólares em lucro com o não-fornecimento do gás natural. A Ucrânia também perdeu economicamente com a falta de gás; fábricas químicas e siderúrgicas tiveram que fechar temporariamente devido à falta de gás. O país também perdeu 100 milhões de dólares devido à interrupção o trânsito de gás através de seus dutos para a Europa. Houve também acusações de extravios ilegais de gás feitos pela Ucrânia; estas acusações não foram confirmadas. Ao mesmo tempo, a questão da captação ilegal de gás para alimentar compressores e para manter a pressão nos dutos permanece obscura. Quando algumas fontes dizem que a responsabilidade de prover o gás "técnico", gás natural que é utilizado para garantir a manutenção do sistema de dutos, é da Ucrânia, outros dizem que esta responsabilidade foi da Gazprom. Houve várias teorias sobre os motivos políticos alegados por trás do conflito, tais como o aumento da pressão sofrida pelos políticos ucranianos, ou para se evitar que a Ucrânia adira à UE ou à OTAN. Outros sugerem que as ações da Ucrânia foram orquestradas pelos Estados Unidos. Ambos os lados tentaram conquistar simpatia para seus argumentos para lutar numa guerra de relações públicas.
Negociações em 2008 Em outubro de 2008, o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, não tinha objeções sobre um acordo fechado anteriormente entre o país e a Rússia, e disse repetitivamente que a Ucrânia deve estar preparada para pagar preços de mercado, enquanto dizia que uma fórmula teria que ser encontrada para se determinar o preço do gás. Em novembro de 2008, a Gazprom e a Naftohaz assinaram um contrato de longo prazo onde concordam que a Ucrânia terá que receber gás natural diretamente da Gazprom e a Naftohaz deveria ser o único importador do gás natural russo; porém, o preço e a quantidade de gás não foram acordados. No final de novembro daquele ano, ocorreu um novo conflito entre a Gazprom e a Ucrânia, quando a Gazprom disse que a Ucrânia tinha uma dívida de 2,4 bilhões à companhia, e disse que este total deveria ser pago antes do começo do novo contrato de longo prazo. A primeira-ministra ucraniana, Yulia Tymoshenko, disse que a dívida não pertencia ao estado ucraniano, mas disse que a empresa ucraniana RosUkrEnergo era a real detentora das dívidas.
Em 23 de dezembro, o presidente Yushchenko disse que a Ucrânia tinha pagado mais de 1 bilhão de dólares para reduzir a dívida, sendo que o restante seria pago com juros e correções monetárias em janeiro e em fevereiro de 2009. A Gazprom negou que havia qualquer acordo sobre a renegociação da dívida, e que isto poderia levar ao corte de gás natural para a Ucrânia a partir de 1 de janeiro de 2009 se a Ucrânia não pagasse 1,67 bilhões de dólares, e mais 450 milhões em multas.
Em 30 de dezembro, a Naftohaz pagou 1,522 bilhões para a RosUkrEnergo poder pagar a sua dívida. A RosUkrEnergo confirmou o recebimento do pagamento, mas disse que a Naftohaz ainda tinha 614 milhões de dólares em multas.
Durante as negociações, a Ucrânia propôs o aumento do preço do gás natural de 21,5 para 201 dólares a cada 1.000 metros cúbicos. Além disso, o país também propôs o aumento da tarifa do trânsito do gás pelo seu território, que passaria de 0,3 para 2 dólares a cada 1.000 metros cúbicos por 100 quilômetros percorridos. A Gazprom propôs que a Naftohaz deveria comprar o seu gás natural por 250 dólares a cada 1.000 metros cúbicos, que começaria a valer a partir do começo de 2009. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que o preço de 250 dólares a cada 1.000 metros cúbicos de gás seria um "gesto humanitário" que a Ucrânia poderia fazer, já que estava considerando que a Rússia paga 340 dólares a cada mil metros cúbicos de gás da Ásia Central. Ele também disse que a Europa paga cerca de 500 dólares a cada mil metros cúbicos de gás. Mais tarde, a Naftohaz disse que estava pronta para pagar 235 dólares a cada 1.000 metros cúbico de gás. As negociações entre a Naftohaz e a Gazprom foram interrompidas em 31 de dezembro. Enquanto que a Gazprom acusava que a Naftohaz não iria negociar, o lado ucraniano disse que as negociações foram interrompidas pela iniciativa da Gazprom.
Corte do fornecimento de gás para a Ucrânia thumb|O presidente russo, Dmitri Medvedev, com o chefe da Gazprom, Aleksej Miller, no seu escritório no Kremlin, em 21 de julho de 2008
As entregas de 90 milhões de metros cúbicos de gás natural, assim determinadas pela Ucrânia, foram totalmente interrompidas em 1 de janeiro de 2009, às 10:00 horário local. Porém, o fluxo de gás natural para a União Europeia que passa pela Ucrânia, cerca de 300 milhões de metros cúbicos por dia, continuou normalmente. Tanto o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, quanto a primeira-ministra Yulia Tymoshenko, confirmaram que a Ucrânia iria garantir o trânsito livre do gás natural com destino à Europa através de seu território. Também prometeram que os cidadãos ucranianos não seriam afetados pela falta de gás, já que, segundo o governo, havia reservas nacionais de gás suficientes para garantir o abastecimento interno. De acordo com Viachaslau Herasimovich, a Ucrânia tinha gás natural suficiente para cerca de 100 a 110 dias sem o gás russo (as reservas garantiriam 80 dias e a produção ucraniana de gás garantiriam o restante dos dias). Ao mesmo tempo, a Gazprom acusou a Naftohaz de bloquear a atividade da RosUkrEnergo, já que não permitiria à empresa de utilizar o gás natural de reserva que era então utilizada para operações de exportação.
O presidente da Ucrânia e a primeira-ministra também notaram que a oferta russa de manter o custo do trânsito do gás através do território ucraniano em 1,70 a cada 1.000 metros cúbicos em 100 quilômetros percorridos é menos da metade da tarifa europeia média. Com isso, a manutenção do sistema de transporte do gás através da Ucrânia seria economicamente inviável.
Em 1 de janeiro, o presidente Yushchenko enviou uma carta para o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, no qual propunha o envolvimento da União Europeia na disputa. De acordo com a Interfaz-Ukraine, esta proposta foi iniciada pela UE. Uma delegação ucraniana, incluindo o Ministro de Combustíveis e Energia, Yuriy Prodan, o Deputado e Ministro das Relações Exteriores, Konstantin Yeliseyev, o representante presidencial para assuntos energéticos, Bohdan Sokolovsky, e o Deputado e Chefe da Naftohaz, Vadym Chuprun, visitaram a República Checa (nação-presidente da União Europeia em 2009) e vários outros países da UE durante a primeira semana de 2009 para construir opiniões sobre a crise do gás. A presidência da UE checa, em benefício da UE, pediu uma solução urgente para a disputa comercial do fornecimento de gás entre a Federação Russa e a Ucrânia, e para a revisão imediata e completa do fornecimento de gás para os membros da União Europeia. A presidência também disse que as relações entre a União Europeia e os seus vizinhos deveriam ser baseadas na confiança e na previsibilidade, e também disse que os compromissos atuais de fornecimento e trânsito do gás deveriam ser honrados sob todas as circunstâncias.
Em 4 de janeiro de 2009, tanto a RosUkrEnergo (que estava contra o governo ucraniano) e a Gazprom (que estava contra a Naftohaz) abriram processos judiciais internacionais no Tribunal do Instituto de Arbitração de Estocolmo da Câmara de Comércio de Estocolmo, Suécia. O governo ucraniano também abriu processo judicial em Estocolmo, também devido às disputas pelo gás natural. De acordo com a Naftohaz, a RosUkrEnergo devia para a empresa cerca de 40 milhões de dólares em serviços de transporte do gás.
Naquele mesmo dia, a Naftohaz declarou que a Gazprom não tinha pagado as tarifas de trânsito do gás em território ucraniano desde 1 de janeiro. De acordo com a Gazprom, a tarifa de trânsito está baseada num contrato de longo prazo assinado pela Naftohaz e pela Gazprom em 21 de junho de 2002, e que expira no fim de 2013.