Two the Hard Way é o único álbum de estúdio dos cantores americanos Cher e Gregg Allman, sob o nome Allman and Woman, lançado em novembro de 1977 pela Warner Bros. Records. O projeto buscou unir estilos distintos, combinando o southern rock e o blues associados a Allman com a abordagem pop e teatral de Cher. Produzido por Johnny Sandlin, foi concebido em um período marcado por dificuldades pessoais e pela instabilidade de seu relacionamento, que influenciou diretamente o contexto de sua criação.
O lançamento foi acompanhado pela turnê "Two the Hard Way Tour", encerrada prematuramente após a separação do casal. Recebido majoritariamente de forma negativa pela crítica, o álbum foi alvo de avaliações severas de publicações especializadas, embora algumas análises tenham destacado seu caráter pessoal. Apesar de nunca ter sido relançado oficialmente em formatos como CD, suas faixas circularam de forma limitada ao longo dos anos, sendo posteriormente disponibilizadas em versões remasterizadas de forma online. Comercialmente, falhou em aparecer nas paradas musicais.
Informações do álbum O álbum Two the Hard Way foi creditado como Allman and Woman, denominação adotada por Cher e Gregg Allman para marcar sua colaboração artística como dupla. O projeto buscou unir estilos musicais distintos, mesclando o southern rock e o blues característicos de Allman com a abordagem pop e mais teatral associada a Cher, resultando em um som que combina elementos do rock sulista, do rhythm and blues e de uma produção de estúdio mais polida.
O álbum foi produzido por Johnny Sandlin em 1977, período no qual Allman enfrentava repercussões de um processo judicial relacionado a drogas, que impactou sua posição na The Allman Brothers Band, enquanto Cher atravessava um período de menor êxito comercial após uma sequência de singles com desempenho limitado e o fim de sua parceria pessoal e artística com Sonny Bono. Além disso, o relacionamento entre Cher e Allman foi marcado por instabilidade, incluindo um casamento em 1975 seguido de um pedido de divórcio poucos dias depois, posteriormente reconsiderado. Nesse contexto, o álbum contou com a participação de músicos de estúdio experientes, como Willie Weeks, Fred Tackett e Randall Bramblett.
Em conjunto com o lançamento do álbum, Cher e Allman realizaram uma turnê de 21 shows chamada "Two the Hard Way Tour", composta por sete apresentações no Japão e na Europa. A turnê terminou abruptamente quando Cher se separou de Allman e retornou aos Estados Unidos. Cher relembrou posteriormente de forma positiva a experiência em estúdio com Allman, afirmando: "Eu realmente amava estar no estúdio com o Gregg. Eu realmente amei fazer [Two the Hard Way], mas aquele álbum não teve a menor chance, teve? Quer dizer, todo mundo odiava que estivéssemos juntos. Simplesmente não tinha chance". A visão de Allman sobre o projeto é diferente: "Foi terrível, simplesmente horrível. Aquele disco foi péssimo, cara. Essa é a verdade, e eu sabia disso tanto quanto qualquer outra pessoa".
O álbum nunca foi relançado oficialmente em compact disc (CD) ou 8-track, embora tenha circulado em versões piratas. Em 2008, o correspondente da Billboard Keith Caulfield afirmou que Cher detinha os direitos das fitas master deste álbum (assim como de três álbuns solo que ela gravou em meados da década de 1970 Stars, I'd Rather Believe in You e Cherished) e, portanto, teria que aprovar quaisquer relançamentos. A canção "Can You Fool" foi incluída na coletânea Dreams, lançada em 1989 pela The Allman Brothers Band, sendo a única música de Allman e Woman disponibilizada oficialmente. Em 8 de outubro de 2021, Cher lançou todas as 11 faixas, "restauradas e remasterizadas", em seu canal no YouTube. Alguns dias depois, ela também publicou vários vídeos ao vivo produzidos em novembro de 1977 para a série de TV da BBC The Old Grey Whistle Test.
Singles "Move Me" foi lançada como o primeiro single, trazendo "Love Me" como seu lado B. A revista Record World descreveu a canção como "uma faixa de soul melódica e animada, impulsionada por metais e duas vozes distintas", observando que os cantores "testam o terreno do pop" com sua colaboração. Em 3 de dezembro de 1977, a Billboard recomendou o single na seção "Top Single Picks".
"You've Really Got a Hold on Me" foi lançada ainda em 1977 como single, trazendo "Move Me" como lado B.
Recepção crítica
O álbum foi, em geral, duramente criticado pela imprensa. A revista Record-Journal afirmou que, embora o conceito "seja perfeito", Cher e Gregg Allman "não são realmente cantores, mas personalidades da mídia", argumentando que "nenhum dos dois tem voz suficiente" para o material. O jornal Toledo Blade escreveu que ambos "aventuraram-se em um campo estranho para os dois — o rhythm and blues", concluindo que os dois artistas "combinam bastante bem — um é tão ruim quanto o outro", descrevendo seus vocais como um "lamento monumental". Já o jornal The Walrus! observou que Cher "é uma grande cantora" e Gregg Allman "um grande roqueiro", mas concluiu que "os dois públicos são incompatíveis — mas não é essa a história de todo o relacionamento deles?".
O guia The Rolling Stone Record Guide declarou: "É difícil imaginar uma combinação mais inadequada… É o fundo do poço após uma longa queda para Gregg, e mais do mesmo para Cher", atribuindo ao álbum zero estrelas e classificando-o como "inútil". Por outro lado, a revista Cash Box foi mais cordial, afirmando que "houve algumas complicações no caminho, como o título talvez sugira, mas o resultado final é tudo o que se poderia esperar de uma colaboração entre esses dois artistas únicos", concluindo que "é um álbum muito pessoal e comovente, e, se há um hino, pode ser a vigorosa 'We're Gonna Make It', que esperamos que seja profética".
Christopher Thelen, do site Daily Vault, de uma nota D+ e apresentou uma avaliação mista, afirmando que "de forma alguma é um disco bem-sucedido" e que se trata de "uma mistura de rock sulista, soul e baladas que ocasionalmente mostra algum brilho, mas frequentemente é tão satisfatória quanto uma tigela de gelatina sem sabor", embora observe que "possui alguns momentos dignos de atenção".
Lista de faixas Créditos adaptados do LP Two the Hard Way, de 1977.
Ficha técnica Créditos adaptados do LP Two the Hard Way, de 1977.
Cher – vocais principais, vocais de apoio Gregg Allman – vocais principais, vocais de apoio, órgão, produtor Ricky Hirsch, John Leslie Hug, Fred Tackett, Scott Boyer – guitarra Willie Weeks – baixo Neil Larsen – piano, piano elétrico, clavinet, órgão Randall Bramblett, Harvey Thompson, Ronnie Eades – saxofone Harrison Calloway, Jim Horn – sopros Ben Cauley – trompete, flugelhorn Dennis Good – trombone Mickey Raphael – harmônica Bobbye Hall – percussão Bill Stewart – bateria Clydie King, Doug Hayward, Pat Henderson, Russell Morris, Sherlie Matthews, Tim Schmit – vocais de apoio Jimmy Webb – arranjos de cordas e sopros em "We're Gonna Make It" e "Do What You Gotta Do" Ed Freeman – arranjos de cordas Sid Sharp – spalla
Técnico Johnny Sandlin – produtor John Haeny – produtor em "You Really Got a Hold On Me" e "Do What You Gotta Do" Tom Flye – engenheiro de som David Pinkston – engenheiro de som John Cabalka – direção de arte Brad Kanawyer – design Bob Jacobs – arte, coloração manual de fotos Harry Langdon – fotografia
Categoria:Álbuns de Cher Categoria:Álbuns de 1977 Categoria:Álbuns em língua inglesa Categoria:Álbuns em colaboração