Fisostigmina, também conhecido pelo nome comercial Eserina, é um parassimpaticomimético de ação indireta pela ação da inibição da acetilcolinesterase. Foi sintetizado em 1935 pelos químicos Percy Julian e Josef Pik.

Mecanismo de ação A fisostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, a enzima responsável pela degradação da acetilcolina. Ao interferir com o metabolismo da acetilcolina, a fisostigmina estimula indiretamente ambos os receptores nicotínicos e muscarínicos, devido ao consequente aumento da acetilcolina disponível nas sinapses.

Usos A fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, pode ser utilizada no tratamento da miastenia grave, glaucoma e do esvaziamento gástrico atrasado. Como potencia a transmissão de sinais de Acetilcolina no Cérebro e pode atravessar a barreira hematoencefálica, o salicilato de fisostigmina é usado para tratar o envenenamento anticolinérgico, ou seja, o envenenamento por substâncias que interfirem na transmissão dos sinais da acetilcolina, como a Atropina, Escopolamina e outras sobredosagens de fármacos anticolinérgicos. É também utilizada para reverter o bloqueio neuromuscular. A fisostigmina é o antídoto de eleição para o envenenamento por Datura stramonium. É também um antídoto para o envenenamento por Atropa belladonna e por Atropina. Foi usada como antídoto para o envenenamento por GHB, mas é pouco eficaz e frequentemente causa toxicidade adicional, pelo que não é um tratamento recomendado. Pode ser igualmente utilizada como antídoto para o envenenamento por Dimenidrinato ou Difenidramina.

Demostrou-se que melhora a memória a longo prazo, e foi explorada numa ocasião como terapia para a doença de Alzheimer, mas nos ensaios clínicos não demonstrou ter benefícios convincentes, e causava efeitos secundários de moderados a graves muito comuns, como náuseas, vómitos, diarreia, perda de apetite, dor abdominal e tremores, resultando numa alta taxa de descontinuação da medicação. A fraca tolerabilidade da fisostigmina levou ao seu abandono em favor de inibidores da acetilcolinesterase posteriores, três dos quais estão atualmente em uso: Donepezil, Galantamina e Rivastigmina. Recentemente, começou a ser usada no tratamento da hipotensão ortostática.

A fisostigmina foi proposta como antídoto para a intoxicação por gama-hidroxibutirato (GHB), um potente agente sedante-hipnótico que pode causar perda de consciência, perda de controlo muscular e morte. A fisostigmina pode contrariar o GHB ao produzir um estado não específico de excitação. Contudo, não há evidências científicas suficientes que mostrem que serve para tratar adequadamente a toxicidade do GHB. Além disso, doses baixas de GHB produzem uma forte ação no receptor de GHB e não no receptor $\text{GABA}_\text{B}$, o que resulta num efeito estimulante que atuaria sinergicamente com a fisostigmina e produziria hiperestimulação quando os níveis sanguíneos de GHB começassem a cair.

Também se propuseram outros usos para a fisostigmina: poderia reverter os efeitos secundários indesejados de benzodiazepinas como o Diazepam, aliviando a ansiedade e a tensão. Outro uso proposto é para reverter os efeitos dos barbitúricos (qualquer do grupo dos derivados do ácido barbitúrico para uso como sedativos ou hipnóticos).

Efeitos colaterais Os possíveis efeitos colaterais incluem depressão e overdose.

Bibliografia

Categoria:Antídotos Categoria:Parassimpaticomiméticos Categoria:Carbamatos Categoria:Alcaloides Categoria:Inibidores da acetilcolinesterase