thumb|direita|275px|Vista da Praça da Matriz, um dos símbolos da cidade, na década de 1920.

A História de Andrelândia, um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, inicia-se muito antes de sua emancipação, ocorrida em 20 de julho de 1868. Ela remonta ao final do século XVI, com o início da ocupação da região do sul de Minas Gerais e até mesmo do estado.

A colonização na região se deu através da mineração de ouro, diamante e outras pedras preciosas, atividade que se estendia do sul de Minas Gerais até Goiás. Em 1749, sentindo a necessidade de assistência religiosa, o fazendeiro André da Silveira dirigiu ao Bispo de Mariana um pedido de autorização para se construir no local, então denominado Turvo Pequeno, uma igreja dedicada à Nossa Senhora do Porto. Atendido pela autoridade eclesiástica, a capela foi construída, recebendo a bênção católica no ano de 1755. Ao redor do pequeno templo, muitas casas foram sendo construídas, e logo se formou o Arraial do Turvo, primitiva denominação da localidade. A partir da construção da capela, em 1827 o arraial do Turvo já estava em condições de ser elevado à condição de paróquia, o que ocorreu um pouco mais tarde, tendo, a partir daí, um crescimento progressivo, até ser transformado em vila no ano de 1864, pela lei nº 1.191 de 27 de julho daquele ano.

Após a emancipação de Andrelândia, ocorreu um êxodo rural no município. Durante o século XX, a população trocou a mineração e a agropecuária pelo comércio. Houve também uma grande melhoria da infraestrutura municipal, como o asfaltamento de ruas e avenidas, construção de escolas e implantação de um sistema de iluminação pública. O cinema, que era uma das principais atividades recreativas dos andrelandenses, perdeu força com o fechamento das casas de exibição cinematográfica que o município possuía. Entretanto ainda mantém-se ativos diversos projetos e instituições que têm como objetivo preservar outras tradições culturais da cidade, como a música, o artesanato e o teatro.

Primórdios e colonização Em Andrelândia viviam há milhares de anos diversos povos primitivos que deixaram por todo o município vestígios de sua existência. Esses resquícios pré-históricos, comumente encontrados por lavradores enquanto preparavam a terra para o plantio, se consistem de: machados de pedra polida dos mais variados tamanhos e que serviam principalmente para se cortar e trabalhar a madeira; pilões também de pedra polida, utilizados para socar cereais; pontas de flecha de acabamento esmerado, geralmente confeccionadas em quartzo; pequenas bigornas de pedra que serviam de base para se quebrar cocos; cacos de cerâmicas; pedaços de potes de variados tamanhos, utilidades e formas, entre outros. Todo esse material ficou, durante muito tempo, espalhado pelas fazendas do município sem cuidados adequados. Às vezes eram encontrados e destruídos em seguida ou então jogados fora, uma vez que segundo uma antiga lenda tais pedras atraem descargas atmosféricas, razão pela qual são conhecidas, pelas pessoas que dão crédito à afirmação, como "pedras de raio" ou "pedras do corisco". Foi José Godinho Filho, pessoa considerada como de conhecimento avançado para seu tempo, quem primeiramente se dedicou à coleta deste material nas propriedades rurais de Andrelândia, conseguindo reunir um acervo que atinge quase uma centena de peças;Souza (1996), p.177 a grande maioria encontrada na região do Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, onde ainda existem outros vestígios pré-históricos, como pinturas rupestres em grutas e cavernas.

Mineração O início da colonização dos portugueses e outros imigrantes na região do atual município de Andrelândia foi consequência da exploração do ouro no Sul do estado de Minas Gerais. Em meados do século XVII, a região onde hoje se localiza o município já se encontrava totalmente povoada por aventureiros que buscavam riquezas.Souza (1996), p.3 Por volta de 1740, o afluxo populacional na região aumentou consideravelmente.Souza (1996), p.4 Muitos eram os que demarcavam uma extensão de terras devolutas e nelas se fixavam, cuidando mais tarde da legalização da posse através da concessão de carta de sesmaria, que era entregue pelo Governador da Capitania.Souza (1996), p.23 A região, uma das áreas mais povoadas, era conhecida como "Congonhal" e se estende por uma grande área de terras férteis na margem direita do Rio Turvo Grande. A denominação foi dada em virtude da abundância das árvores ali localizadas.

Os paulistas eram quem comandavam os negócios e controlavam, sob vigilância da Coroa Portuguesa, as minas de extração de ouro, diamante e outras pedras preciosas desde o sul de Minas Gerais até Goiás. No início daquele século, por volta de 1720, Minas Gerais separou-se de São Paulo, transformando-se em província autônoma, governada por Lourenço de Almeida. Naquele tempo, já eram importantes centros urbanos as vilas de Mariana (então conhecida como Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo), São João del-Rei, Vila Rica e Vila da Campanha da Princesa. Além dessas povoações, existiam várias freguesias que se formaram ao longo de trilhas de ouro, principalmente, às margens de rios abundantes e nas encostas de vales mais férteis. Tais freguesias foram fundadas pelos bandeirantes paulistas em terras novas e desabitadas, em pousadas e pontos de cruzamento de trilhas e em pontos de referência para os viajantes. Também foram fundadas por fazendeiros que se instalaram em terras permitidas pelos Intendentes, normalmente ao longo das rotas traçadas pelos próprios bandeirantes.Almeida (1994), p.4 thumb|esquerda|90px|Escudo do Projeto Estrada Real.

Naquela época, em Minas Gerais, as terras auríferas eram muito disputadas, fazendo com que muitos dos recém chegados se dirigissem à procura do ouro em locais mais afastados dos tradicionais centros mineradores, e uma vez exauridos os meios ou malograda a iniciativa, os homens se fixavam à terra, cuidando das plantações e da pecuária.

Um trecho importante da Estrada Real é denominado como Caminho do Comércio ou Caminho do Rio Preto, uma variante que foi aberta no início do século XIII para facilitar o trânsito de comerciantes e tropeiros entre São João del-Rei e Rio de Janeiro, ajudando a escoar os minerais extraídos na região. Essa rota, que partia do Caminho Novo em trecho compreendido entre os atuais municípios de Paty do Alferes e Paraíba do Sul, rumava em direção a Valença (em terras fluminenses), depois seguia pelos antigos arraiais mineiros de Rio Preto, Bom Jardim, Turvo (atual Andrelândia), Madre de Deus, Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno e, finalmente, chegava à Vila de São João del-Rei. Recentemente, um projeto de lei incluiu Andrelândia na rota do Proejto Estrada Real (ER). Para demarcar o local, foram colocados vários totens no município.

Influências étnicas e estrangeiras Os primeiros habitantes de Andrelândia, que vieram juntamente com os bandeirantes paulistas e fundaram as antigas fazendas e os primeiros núcleos habitacionais eram portugueses; consequentemente, grande parte da população andrelandense hoje possui ascendência portuguesa. A tribo indígena mais próxima foi encontrada mais ao sul do estado, na região que permeava as nascentes dos rios Verde e Baependi, próxima à Serra do Papagaio, por volta do ano de 1700.Almeida (1994), p.54 Foi apenas entre os séculos XIX e XX que começaram a chegar os primeiros estrangeiros em Andrelândia, em sua maioria libaneses que vinham para o Brasil em busca de riqueza. Além dos estrangeiros que chegaram e se integraram à população andrelandense, muitas outras famílias, oriundas de outras cidades e regiões do Brasil, também se sentiram atraídas pelas riquezas do lugar.Almeida (1994), p.57 Da Itália, vieram as famílias D'Alessandro e Rivelli; da Espanha, Laredo, Casas Martins, e Garrido e, de Portugal, Gaspar e Pereira. Quase todos, motivados pela construção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurada no dia 14 de junho de 1914, ou tentados em progredir com os benefícios advindos de seu funcionamento.Almeida (1994), p.58

Existia na cidade um grupo de pessoas, embora pequeno, notadamente de origem europeia, que frequentava o comércio andrelandense do início do século XX e que, conforme atestam os mais antigos, foram os primeiros vendedores ambulantes do atual município. Habitavam uma região não muito distante da sede do município, chamada Congonhal, próxima à Serra da Bandeira. A essa categoria comercial pertenciam as Congonheiras, assim denominadas porque eram residentes de um bairro rural próximo, o Congonhal. Percorriam a cidade vendendo a colheita de sua pequena lavoura. Eram conhecidos ainda por não aceitarem os empregos que lhes eram oferecidos. Os Congonheiros ainda existem, e em número muito maior, só que se diversificaram bastante seu modo de vida: perderam a distinção que os marginalizava e muitos se mudaram para a cidade. Casaram-se com outras famílias, aprenderam e dedicam-se aos mais variados ofícios e profissões.Almeida (1994), p.56

Com a chegada dos europeus, especialmente dos portugueses, também teve início o período da escravidão. Na região, assim como em todo o Brasil, só o escravo trabalhava e produzia. Nenhum português cuidava dos serviços mais comuns, o que acabou por gerar a consideração de que o trabalho era algo vil e infamante. Os escravos eram conhecidos e citados por nomes e apelidos característicos. Normalmente o cativo tinha um prenome, seguido do nome do lugar de sua procedência na África. Em Minas Gerais, onde a mineração reunia grande número de escravos, as insurreições eram frequentes. Muitos eram os quilombos e os redutos de escravos fugidos. Apenas em 28 de setembro de 1885, foi sancionada a lei que tornava livres os escravos sexagenários. Na atual cidade, foram beneficiados com a Lei do Sexagenário, ao todo, 205 negros cativos.Souza (1996), p.38 e 39

Surgimento do Arraial 210px|direita|thumb|Interior da Igreja de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, templo que deu origem ao município. Na atual região de Andrelândia, os principais fatores que favoreceram o surgimento do arraial eram: o trabalho de mineração, com pessoas atraídas pelo ouro; ao longo dos antigos caminhos, muitos arraiais despontaram no cenário mineiro, nascendo a partir de pousos de tropeiros - germes de acomodação que se tornaram centros populosos. Por fim, a construção de uma capela em local onde o povoamento se achava mais intensificado acabava por deflagrar o processo de formação de um núcleo urbano em torno dela, culminando com a formação de um novo povoado. A capela foi a origem mais comum de vários povoados mineiros, sendo estimado que 90% das cidades mineiras nasceram sob os auspícios da Igreja Católica.Souza (1996), p.7

No ano de 1749, sentindo necessidade de assistência religiosa na região, o fazendeiro André da Silveira dirigiu ao Bispo de Mariana um pedido de autorização para se construir no local denominado Turvo Pequeno uma igreja dedicada à Nossa Senhora do Porto. Atendido pela autoridade eclesiástica, a capela foi construída, recebendo a bênção católica no ano de 1755. Ao redor do pequeno templo muitas casas foram sendo construídas, e logo se formou o Arraial do Turvo, primitiva denominação da localidade.Souza (1996), p.7 e 8 A partir da construção da capela, em 1827 o arraial do Turvo já estava em condições de ser elevado a paróquia, o que de fato ocorreu, tendo, a partir daí, um crescimento progressivo, até ser transformada em vila no ano de 1864, pela lei nº 1.191 de 27 de julho daquele ano.

Fé católica