"Discothèque" é uma canção gravada pela banda irlandesa U2 para seu nono álbum de estúdio, Pop (1997). Ela teve sua letra escrita por Bono e The Edge, com música composta por todos os membros da banda e tendo sua produção executada por Flood. A faixa foi lançada comercialmente como primeiro single de Pop em 3 de fevereiro de 1997, pela Island Records, após sofrer um vazamento na internet alguns meses antes e ter seu lançamento adiantado. "Discothèque" trouxe um afastamento do trabalho anterior do U2, incorporando o estilo rock eletrônico, com elementos de música techno, dance, e funk em sua composição. Embora descrita por Bono como "uma canção sobre o amor", várias interpretações foram dadas à letra da faixa por revisores musicais, como sendo sobre negação, drogas e a cultura pop americana.
Em geral, "Discothèque" recebeu críticas mistas à época de seu lançamento. Enquanto alguns críticos de música a descreveram como "grande, barulhenta e eufórica, sem nunca ser exagerada", outros consideraram que ela trazia "emoção superficial"; semelhanças com a canção anterior do grupo "The Fly" (1991) também foram notadas pelos avaliadores. Revisões retrospectivas foram em sua maioria positivas. Comercialmente, a faixa foi bem sucedida, alcançando o primeiro lugar em vários países, como na Finlândia, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, e recebendo certificados de platina pela Australian Recording Industry Association (ARIA) na Austrália, ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA) nos Estados Unidos, e prata pela British Phonographic Industry (BPI) no Reino Unido.
O videoclipe acompanhante de "Discothèque" foi dirigido pelo fotógrafo francês Stéphane Sednaoui, que já havia anteriormente dirigido o vídeo para o single "Mysterious Ways" (1991), e filmado em Londres em dezembro de 1996. Ele estreou na MTV no mês seguinte em uma maratona intitulada U2 A-to-Z. Ele é ambientado dentro de uma bola de espelhos, com os membros do grupo tocando a canção dentro dela. No final do clipe, a banda aparece vestindo figurinos que se assemelham às do grupo de música disco Village People. O vídeo recebeu críticas mistas, sendo considerado "divertido" e ao mesmo tempo "forçado".
O U2 apresentou a faixa em todos os concertos da Popmart Tour (1997–98), turnê que promoveu Pop. Na apresentação, eles desciam de uma bola de espelhos em formato de limão para tocarem a faixa; alguns problemas técnicos aconteceram durante a performance durante a excursão, com os membros da banda ficando presos dentro da bola em cidades como Osaka e Sydney. O grupo continuou a inclui-la nos repertórios das turnês Elevation Tour (2001), Vertigo Tour (2005–06) e, mais recentemente, tocou excertos durante a U2 360° Tour (2009–11), mas nunca em todos os shows das respectivas excursões.
Antecedentes e desenvolvimento thumb|direita|160px|"Discothèque" foi gravada e mixada por Howie B (foto). Para o nono álbum de estúdio da banda, Pop, o U2 resolveu continuar explorando seus experimentos sonoros realizados nos álbuns anteriores Achtung Baby (1991) e Zooropa (1993); o grupo recrutou o produtor Mark "Flood" Ellis para cuidar da produção do disco, enquanto Mark "Spike" Stent e Howie B eram os engenheiros principais. Flood descreveu seu trabalho em Pop como "coordenador criativo", dizendo: "Havia algumas faixas onde eu não tinha necessariamente um maior envolvimento... mas no final, a responsabilidade parou em mim. Eu tinha o papel de supervisor criativo que julgava o que funcionava e o que não funcionava" no trabalho. A banda e Howie B regularmente saíam a clubes de dança para conhecer a cultura e a música dos clubes. A principal meta para o álbum era criar um novo som para a banda que ainda fosse reconhecível como U2.
As sessões começaram em novembro de 1995 em Dublin, mas logo no início do processo o baterista Larry Mullen Jr. ficou impossibilitado de participar das gravações do disco devido uma cirurgia, fazendo com que os outros membros adotassem diferentes abordagens para composição musical, como por exemplo o uso da programação de loop na bateria e reprodução de amostras fornecidas por Howie B. Após o retorno de Mullen em fevereiro de 1996, o grupo começou a trabalhar novamente em grande parte do material, esforçando-se para completarem as faixas, acabando por perder o prazo estipulado para completar o disco. Para complicar ainda mais, a banda permitiu que o empresário da banda na época, Paul McGuinness, marcasse o início da turnê Popmart Tour com o álbum incompleto; Bono afirmou posteriormente que foi "a pior decisão do U2 já feita." Pressionados para completarem o material, adiaram sua data de lançamento pela segunda vez, de dezembro de 1996 a março de 1997, interrompendo o tempo de ensaio da turnê."U2". Legends. Season 1. Episódio 6. 11 de dezembro de 1998. VH1.
"Discothèque" surgiu de uma sessão de improvisação entre Howie B, The Edge e Bono, na qual o primeiro havia programado uma seleção de batidas, e no final de uma noite ele começou a brincar com uma das que ele julgou uma de suas favoritas. The Edge, que estava por perto, pegou um baixo e começou a tocá-lo, enquanto Bono juntou-se com vocais improvisados. Em entrevista com a Q, o vocalista disse que "quando estávamos a gravando, enfeitamos todo o estúdio em bolas de espelhos e luzes de discoteca", como forma de obter a vibração certa para a música. Quando foi decidido que "Discothèque" seria o primeiro single de Pop, ficou mais difícil de finalizá-la. Segundo o baterista Adam Clayton, a música "seria a primeira declaração pública, a primeira faixa que as pessoas iriam ouvir, então foi preciso verificar muito para ter certeza de que iria se sustentar como tal", com a mixagem perdurando por vários dias. Já durante o processo de masterização do álbum, Bono decidiu que queria uma nova introdução para a música, de modo que desse uma nova introdução para o disco como um todo. Mesmo com apertado tempo para a finalização do trabalho, Howie B dirigiu-se ao estúdio de gravação The Hit Factory, em Nova Iorque, para adicionar um som de redemoinho à canção.
Composição thumb|esquerda|"Discothèque" apresenta uma nota de guitarra processada por um sintetizador ARP 2600 (foto). Musicalmente, "Discothèque" é uma canção de rock eletrônico, cuja versão do álbum dura cinco minutos e dezenove segundos. Elementos de música techno, dance, e funk também foram notados em sua composição. Dave Simpson do periódico The Guardian descreveu-a como "a faixa mais dance de seu álbum mais dance." Amostras da canção "Fane", de Freeform, também estão contidas na composição da música. De acordo com a partitura publicada no website Musicnotes.com pela Universal Music Publishing Group, "Discothèque" é definida em tempo comum e está escrita na chave de ré maior. A música tem um andamento acelerado de 120 batidas por minuto. Como a banda não ficou satisfeita com o produto final de Pop, uma versão retrabalhada de "Discothèque" foi incluída no álbum de compilação The Best of 1990-2000. Andy Greene da revista Rolling Stone descreveu tal versão como não sendo radicalmente diferente da faixa original, mas destacou que "é um pouco mais polida e mostra como a música se desenvolveu na estrada" durante a Popmart Tour.
A versão original da música começa com uma nota de guitarra "enganosamente virtiginosa, desorientadora", que passa por um amplificador alto e um pedal de filtro, processado por um sintetizador ARP 2600. Depois de alguns segundos, uma batida techno dance começa. No meio da faixa, no lugar onde seria normalmente reservado para um solo de guitarra, ouve-se um zumbido eletrônico, descrito como "um ruído abrasivo que soa como um garoto de escola soprando uma framboesa", e Bono executando um falsete durante a ponte. A música finaliza com gritos de "huh!". Kevin Courtney do The Irish Times analisou que Bono "canta como se estivesse apenas dando voltas na esperança de ter uma ideia lírica", enquanto Robert Hilburn do Los Angeles Times comentou que "com exceção da palavra título, é difícil entender exatamente o que Bono está cantando nas primeiras vezes que você ouve a música ou vê o vídeo", afirmando também que a banda "usa a experiência inebriante de danceteria — onde os ritmos opressores tornam difícil ouvir a pessoa ao seu lado e as luzes piscantes e berrantes muitas vezes tornam difícil ver claramente o que está acontecendo — para sublinhar alguns dos mistérios e obsessões da própria vida" na música.
Embora Bono tenha afirmado que a letra de "Discothèque" era "um enigma sobre o amor. Uma vez que você sabe disso, muda a forma como ouve a música", várias interpretações foram dadas a ela. Sua linha inicial "você pode alcançar, mas não pode pegar/ Você não pode segurar, controlar, você não pode embrulhar" foi identificada por Greg Kot do Chicago Tribune como sendo sobre negação, enquanto Richard Harrington do The Washington Post constatou que na linha havia um "anseio espiritual que é palpável." Enquanto alguns revisores declararam que a letra "você sabe que está mascando chiclete / Você sabe o que é isso mas você ainda quer um pouco / Você não consegue ter o suficiente daquela coisa agradável" poderia ser sobre drogas, Neil Strauss, do The New York Times, disse que ela era um comentário sobre a cultura pop americana. Mark Wrathall, autor do livro U2 and Philosophy: How to Decipher an Atomic Band, declarou que o mesmo verso abordava "a falta de espírito que sentimos quando o nivelamento destruiu todas as distinções significativas, mas, no entanto, nos deixou viciados nos poucos prazeres banais que nos restaram." Adicionalmente, Annie Zaleski do The A.V. Club destacou que a letra de "Discothèque" capturava "obliquamente a exuberância de um caso de apenas uma noite", enquanto Angus Batey, escrevendo para o The Quietus, comentou que ela tratava sobre "um fã de música se perdendo nos sons que ama na pista de dança."
Vazamento e lançamento thumb|170px|Dave Fanning (foto), disc jockey da estação RTÉ 2fm, foi o primeiro a tocar a canção oficialmente através da rádio. Em 26 de outubro de 1996, trechos de 30 segundos de "Discothèque" e "Wake Up Dead Man", outra canção de Pop, foram vazados através de um fã-site húngaro da banda. O interesse pelas faixas cresceu rapidamente à medida que as estações de rádio tocavam os trechos como um meio de dar aos ouvintes uma amostra do disco, enquanto cópias piratas eram vendidas. Tais gravações foram retiradas de um vídeo promocional feito em maio daquele ano para presidentes da gravadora. "As faixas não estavam finalizadas e não era desejo do U2 de que elas saíssem. Nada assim havia acontecido na história de 16 anos da banda, mas isso era antes da internet", disse o diretor de gerenciamento da Island Records, Marc Marot. Em 27 de dezembro, a versão completa de "Discothèque" acabou sendo vazada por algumas rádios, antecipando a data oficial de lançamento do single. Uma fonte do U2 comentou que a faixa "deveria sair no início de janeiro, mas as estações sempre vazam essas coisas uma semana antes. E não demorou muito para os fãs começarem a dizer uns aos outros como baixar a música em um arquivo MP3 ou RealAudio."