miniaturadaimagem|253x253px|José Pedro Paulo de Melo Figueiredo Pais do Amaral, 1.º Conde de Santar (1853–1914) Conde de Santar foi um título nobiliárquico português criado por D. Carlos I, por decreto de 23 de janeiro de 1904, a favor de José Pedro Paulo de Melo de Figueiredo Pais do Amaral, 2.º Visconde de Taveiro.

O título encontra-se associado à Casa de Santar e Magalhães, solar situado na vila de Santar, no concelho de Nelas, que permanece na posse da mesma família desde o século XVI. Pelo casamento da 3.ª Condessa com o representante do título de Marquês de Santa Iria, a representação do condado ficou ligada às casas de Santa Iria, Alva, Óbidos, Sabugal e Palma.

História

Origens da Casa de Santar

A propriedade que deu origem à Casa de Santar foi elevada a senhorio e coutada no século XIII por D. Sancho II, sendo então conhecida como Quinta do Casal Bom ou, segundo outra fonte, Quinta do Bom Sucesso. No século XVI, passou para a posse da família Pais do Amaral, tendo João Gonçalves do Amaral iniciado a construção do núcleo primitivo do edifício. O vínculo de Santar foi instituído por Francisco Pais do Amaral e sua mulher, D. Francisca Pais, em 1660 ou 1670, consoante as fontes. Nos finais do século XVII, o casamento da herdeira do vínculo, D. Maria Luísa Pais do Amaral, com Francisco Lucas de Melo introduziu na casa a linhagem dos Melo.

A família reuniu, ao longo de dezasseis gerações, um espólio de relevo, no qual se incluem os paramentos e o retrato do cardeal Pedro Paulo de Figueiredo de Melo e Cunha, cujos serviços à Coroa estiveram na origem do título de Visconde de Taveiro, concedido a uma sobrinha-neta sua. O filho desta viria a ser o primeiro Conde de Santar.

Condes de Santar

O título de Conde de Santar teve origem na linha dos Viscondes de Taveiro. A 1.ª Viscondessa, D. Maria Rosa de Figueiredo da Cunha de Eça Abreu e Melo Pereira de Lacerda e Lemos (1832–1882), casou com José de Melo Pais do Amaral de Sousa Pereira de Vasconcelos e Meneses, 7.º administrador do vínculo de Santar, a quem foi permitido, a partir de 1849, o uso do título da mulher.

O filho do casal, José Pedro Paulo de Melo de Figueiredo Pais do Amaral (1853–1914), foi reconhecido como 2.º Visconde de Taveiro por decreto de D. Luís I de 11 de julho de 1878 e elevado a Conde de Santar por decreto de D. Carlos I de 23 de janeiro de 1904.

A representação do título passou então para a linha do irmão secundogénito do 2.º Conde, cuja neta, D. Maria Teresa de Lancastre de Melo, era representante dos títulos de Conde de Santar e de Visconde de Taveiro. O seu casamento, em 1947, com José Luís de Andrade de Vasconcelos e Sousa, representante do título de Marquês de Santa Iria, uniu à representação do condado as das casas de Óbidos, Sabugal, Palma e Alva.

Propriedades

A Casa de Santar e Magalhães, solar da família situado na vila de Santar, cujo núcleo mais antigo remonta ao período manuelino, foi objeto de sucessivas campanhas de obras. Da segunda metade do século XVII datam a capela, dedicada a São Francisco de Assis, e a chamada Cozinha Velha, iniciada por volta de 1690, dotada de uma fonte interior coberta por cúpula. No século XVIII foram construídos as adegas, o pátio central e o Chafariz dos Cavalos, datado de 1790; já no início do século XX, a casa recebeu uma nova galeria de colunas.

Os jardins, de matriz barroca, organizam-se ao longo de um eixo central que atravessa uma sequência de patamares delimitados por buxo talhado e rematados por pirâmides topiárias, terminando num terraço com um grande lago elíptico em granito. O conjunto apresenta afinidades com os jardins do Palácio dos Biscainhos, em Braga. A varanda sobre o jardim é decorada com figuras de convite alusivas às quatro estações, pintadas em azulejo por José Maria Pereira Júnior, dito Pereira Cão, a quem o 2.º Conde de Santar encomendou igualmente os painéis que revestem o Chafariz dos Cavalos, representando cavaleiros com os costados da família. A casa expõe ainda a capa de batismo do 1.º Marquês de Santa Iria, cujos padrinhos foram o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta.

Em 2013, os herdeiros da casa lançaram o projeto Santar Vila Jardim, que, segundo um plano do paisagista espanhol Fernando Caruncho, interligou vários jardins históricos da vila e os abriu ao público. Do projeto derivou uma produção vinícola conjunta, sob a orientação enológica de Pedro de Vasconcelos e Sousa. Em outubro de 2018, a casa acolheu a conferência anual da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos.

Condes de Santar (1904)

# Titular Datas Títulos Notas Ref 1 José Pedro Paulo de Melo de Figueiredo Pais do Amaral 1853–1914 1.º Conde de Santar (2.º Visconde de Taveiro) Primeiro titular. Filho dos 1.os Viscondes de Taveiro, nasceu a 22 de dezembro de 1853 e faleceu a 24 de abril de 1914. Fidalgo-cavaleiro da Casa Real e senhor da Casa de Santar, sucedeu no título de Visconde de Taveiro em 1878 e foi elevado a Conde de Santar em 1904. Casou em 1875 com D. Margarida Vieira de Magalhães, filha dos Condes de Magalhães. 2 Pedro Paulo de Melo de Figueiredo Pais do Amaral 1876–1941 2.º Conde de Santar Filho primogénito do 1.º Conde, nasceu em Lisboa a 5 de agosto de 1876 e aí faleceu a 8 de outubro de 1941. Casou com D. Amália de Melo, viúva do almirante Brito Capelo, e não deixou descendência.

Representantes do título na República

Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. (art. 3.º, n.º 3) Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:

# Representante Datas Títulos pretendidos Notas Ref 3 Maria Teresa de Lancastre de Melo 1928–2015 3.ª Condessa de Santar Sobrinha-neta do 2.º Conde, era neta do irmão secundogénito deste e filha única de Pedro Paulo António de Melo de Figueiredo Pais do Amaral, 3.º Visconde de Taveiro, e de D. Maria Luísa Henriques de Lancastre. Nasceu a 7 de dezembro de 1928 e dirigiu a Casa de Santar durante a segunda metade do século XX. Em 1947, casou em Lisboa com José Luís de Andrade de Vasconcelos e Sousa, representante do título de Marquês de Santa Iria. 4 José Luís de Melo de Vasconcelos e Sousa n. 1959 4.º Conde de Santar Filho primogénito varão da anterior, nasceu em Lisboa, a 14 de fevereiro de 1959. Formado em Economia pela Universidade de Lausana, tendo dirigido em Portugal o banco Edmond de Rothschild Europe. Juntamente com o irmão, Pedro, está na origem do projeto Santar Vila Jardim. Integra os órgãos sociais da Associação dos Amigos do Jardim Botânico da Ajuda, na qualidade de presidente do conselho fiscal. Em setembro de 2026, foi tema de um episódio da rubrica televisiva Sangue Azul, da SIC.

Referências

Santar Santar Categoria:Fundações em Portugal em 1904