é um animador, cineasta, roteirista, escritor e artista de mangá japonês. É co-fundador do Studio Ghibli, uma companhia de cinema e animação, tendo conquistado reconhecimento e aclamação internacional pela qualidade de seus vários longas-metragens de animação, os quais ele normalmente escreve e dirige, sendo amplamente considerado como um dos principais nomes da indústria de animação japonesa.
Miyazaki desde cedo em sua vida expressou interesse em mangás e animações, indo estudar na Universidade Gakushuin e sendo contratado pela Toei Animation em 1963. Em seus primeiros anos profissionais, trabalhou como animador intermediário e depois colaborou com Isao Takahata. Também contribuiu com a animação de algumas produções da Toei até ir trabalhar para a A Production em 1971, onde co-dirigiu Rupan Sansei junto com Takahata. Miyazaki pouco depois foi trabalhar na Zuiyō Eizō em 1973, atuando como animador de Sekai Meisaku Gekijō e diretor da série televisiva Mirai Shōnen Conan. Mudou de empresa novamente em 1979, desta vez juntando-se à equipe Tokyo Movie Shinsha, estúdio onde dirigiu seus dois primeiros longas-metragem, Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro em 1979 e Kaze no Tani no Naushika em 1984, além da série Meitantei Hōmuzu.
Ele co-fundou o Studio Ghibli em 1985 e escreveu e dirigiu Tenkū no Shiro Rapyuta em 1986, Tonari no Totoro em 1988, Majo no Takkyūbin em 1989 e Kurenai no Buta em 1992. Estes longas foram enormes sucessos comerciais e de crítica no Japão. Seu trabalho seguinte foi Mononoke Hime, que tornou-se o primeiro filme de animação a vencer o Prêmio de Melhor Filme da Academia Japonesa e brevemente o longa de maior bilheteria no Japão em 1997; sua distribuição no ocidente ajudou a aumentar a popularidade internacional do Studio Ghibli. Sen to Chihiro no Kamikakushi de 2001 foi o filme japonês de maior bilheteria na história e rendeu a Miyazaki o Oscar de Melhor Filme de Animação. Seus longas seguintes, Hauru no Ugoku Shiro de 2004, Gake no Ue no Ponyo de 2008 e Kaze Tachinu de 2013, também gozaram de sucesso comercial e crítico. Kimitachi wa Dō Ikiru ka de 2023, seu último filme, foi outro sucesso comercial e crítico e também venceu o Oscar de Melhor Filme de Animação.
Os trabalhos de Miyazaki são caracterizados pela recorrência de diversos temas, como a relação da humanidade com a natureza e tecnologia, a integridade de padrões de vida naturais e tradicionais, a importância da arte e perícia e a dificuldade de manter uma ética pacifista em um mundo violento. Suas protagonistas são frequentemente meninas ou jovens mulheres fortes, com muitos de seus trabalhos apresentando antagonistas ambíguos que possuem qualidades redentoras. Suas obras já foram muito elogiadas e premiadas, com ele inclusive tendo recebido um Oscar Honorário em novembro de 2014 por suas contribuições para a animação. Miyazaki também já foi citado como fonte de inspiração por diversos animadores, diretores e escritores.
Primeiros anos miniaturadaimagem|Hayao Miyazaki quando bebê, nos braços de sua mãe, Yoshiko Miyazaki. Hayao Miyazaki nasceu em na cidade de Akebono-cho na região especial de Bunkyo, Tóquio, Império do Japão. Era o segundo de quatro filhos de Katsuji Miyazaki, diretor da Miyazaki Airplane, que fabricava os lemes dos caças de combate japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Os negócios familiares permitiram que a família mantivesse um padrão de vida durante os primeiros anos da vida de Miyazaki. A família foi evacuada para Utsunomiya em 1944. Eles de novo foram evacuados em julho de 1945, depois do bombardeiro de Utsunomiya, desta vez para Kanuma. O bombardeio deixou uma impressão duradoura em Miyazaki, que tinha apenas quatro anos na época. Sua mãe, Yoshiko, sofreu de tuberculose vertebral de 1947 a 1955; ela passou os primeiros anos no hospital, depois recebeu cuidados em casa. Yoshiko era uma mulher severa e intelectual que questionava regularmente as "normas socialmente aceitas". Ela morreu em julho de 1983 aos 71 anos de idade.
Miyazaki começou seus estudos em 1947, entrando em uma escola primária de Utsunomiya, cursando da primeira a terceira série. Sua família então voltou para Tóquio e se estabeleceu em Suginami, com ele completando a quarta série na Escola Primária Ōmiya e a quinta na Escola Primária Eifuku. Depois disso ele cursou a Escola Colegial Ōmiya. Miyazaki desejava se tornar um artista de mangás, porém descobriu que tinha dificuldades em desenhar pessoas; em vez disso, por vários anos, ele apenas desenhou aviões, tanques e navios de guerra. Foi influenciado por vários artistas de mangás, como Tetsuji Fukushima, Soji Yamakawa e Osamu Tezuka. Ele destruiu boa parte de seus primeiros trabalhos, acreditando que era uma "forma ruim" copiar o estilo de Tezuka, pois isto estava prejudicando seu própria desenvolvimento como artista. Se formou na Escola Colegial Ōmiya e em seguida foi estudar na Escola Colegial Toyotama. Seu interesse por animação foi despertado no seu primeiro ano, quando assistiu Hakujaden. Miyazaki "se apaixonou" pela heroína do filme e ele lhe deixou uma duradoura impressão. Ele foi estudar na Universidade Gakushuin e entrou no "Clube de Pesquisa de Literatura Infantil", a "coisa mais próxima na época de um clube de quadrinhos". Em seu tempo livre, costumava visitar seu professor de arte do colegial e desenhar no seu estúdio, onde os dois bebiam e "conversávamos sobre política, vida, todos os tipos de coisas". Miyazaki se formou em 1963 em ciência política e economia.
Carreira Início thumb|esquerda|upright=0.9|Miyazaki começou sua carreira em 1963, trabalhando primeiro como animador na Toei Animation Miyazaki foi contratado em 1963 pela Toei Animation. Ele trabalhou como artista intermediário no longa-metragem animado Wanwan Chūshingura e na série de televisão Ōkami Shōnen Ken, ambos ainda em 1963. No ano seguinte trabalhou no filme Garibā no Uchū Ryokō. Ele foi um líder em uma disputa trabalhista logo depois de entrar na empresa, tornando-se secretário chefe do sindicato trabalhista da Toei em 1964. Se casou em outubro de 1965 com Akemi Ota, com quem teve dois filhos: Goro em janeiro de 1967 e Keisuke em abril de 1969. Sua dedicação ao trabalho prejudicou sua relação com os filhos, ficando ausente por longos períodos, o que fez com que Goro começasse a assistir os filmes de seu pai para melhor "entendê-lo". Miyazaki depois trabalhou como animador chefe, artista conceitual e projetista de cena em Taiyō no Ōji Horusu no Daibōken de 1968. Ele trabalhou durante toda a produção bem próximo de Yasuo Ōtsuka, seu mentor, cuja abordagem para animação muito influenciou o trabalho de Miyazaki. O longa foi dirigido por Isao Takahata, com quem Miyazaki continuaria a colaborar pelo restante de sua carreira. O filme foi muito elogiado e foi considerado um marco na evolução da animação.
Ele escreveu e ilustrou o mangá Sabaku no Tami sob o pseudônimo Saburō Akitsu, tendo sido publicado em 26 capítulos entre setembro de 1969 e março de 1970 na revista Shōnen Shōjo Shinbun. Ele se influenciou em várias histórias, como Sabaku no Maō de Fukushima. Miyazaki também realizou animações principais em Nagagutsu o Haita Neko de 1969, dirigido por Kimio Yabuki. Também criou uma série de mangá de doze capítulos como item promocional para este filme; ela foi publicada aos sábados no jornal Tokyo Shimbun de janeiro a março de 1969. Ele depois propôs cenas para o roteiro de Soratobu Yūreisen, também de 1969, em que tanques causam histeria em massa no centro de Tóquio, sendo recrutado para animar e fazer os storyboards do projeto. Em 1971, desenvolveu a estrutura, personagens e desenhos da adaptação da animação Dōbutsu Takarajima, criando um mangá de treze partes publicado no Tokyo Shimbun de janeiro a março de 1971. No mesmo ano, Miyazaki também fez animações principais em Ari Baba to Yonjuppiki no Tōzoku.
Miyazaki deixou a Toei em agosto de 1971 e foi contratado pela A Production, onde dirigiu, ou co-dirigiu junto com Takahata, 23 episódios da série de animação Rupan Sansei. Os dois também começaram a pré-produção em uma série baseada nos livros da personagem Píppi Meialonga, de Astrid Lindgren, desenhando vários storyboards; o projeto foi cancelado depois de Miyazaki e Takahata terem se encontrado com Lindgren, que se recusou a permitiu que a ideia seguisse adiante. Miyazaki escreveu, projetou a animou dois curtas-metragens de Panda Kopanda em 1972 e 1973, ambos dirigidos por Takahata. Os dois foram para a Zuiyō Eizō em junho de 1973, trabalhando em Sekai Meisaku Gekijō, que incluiu sua série animada Arupusu no Shōjo Haiji, uma adaptação do romance Heidi, de Johanna Spyri. A Zuiyō Eizō se transformou na Nippon Animation em julho de 1975. Miyazaki também dirigiu a série Mirai Shōnen Conan em 1978, uma adaptação do romance The Incredible Tide, de Alexander Key.
Proeminência Miyazaki saiu da Nippon Animation em 1979, durante a produção de Akage no An, em que havia contribuído com o projeto de cenas e organização dos primeiros quinze episódios. Foi trabalhar na Telecom Animation Film, subsidiária da Tokyo Movie Shinsha, para dirigir seu primeiro longa-metragem, Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro. Ele ajudou a treinar a segunda leve de funcionários na Telecom. Miyazaki dirigiu em 1981 seis episódios de Meitantei Hōmuzu, até disputas com o espólio de sir Arthur Conan Doyle levarem a suspensão da produção; Miyazaki estava ocupado com outros projetos na época que as questões foram resolvidas, com o restante dos episódios tendo sido dirigidos por Koysuke Mikuriya. Foram transmitidos entre novembro de 1984 e maio de 1985. Ele também escreveu o romance gráfico Shuna no Tabi, inspirado pelo conto folclórico tibetano "O príncipe que tornou-se um cachorro". Este foi publicado pela Tokuma Shoten em junho de 1983, sendo dramatizado no rádio em 1987. Miyazaki Hayao no Zassō nōto também foi publicado irregularmente na Model Graphix entre novembro de 1984 e outubro de 1994; seleções foram transmitidas no rádio em 1995.
Miyazaki começou a trabalhar em ideias para uma adaptação do quadrinho Rowlf, de Richard Corben, após a estreia de Kariosutoro no Shiro, apresentando a ideia para Yutaka Fujioka da Tokyo Movie Shinsha. Uma proposta para a aquisição dos direitos foi elaborada em novembro de 1980. Na mesma época, Miyazaki foi abordado pela revista Animage sobre uma possível série. Ele mostrou seus esboços aos editores Toshio Suzuki e Osamu Kameyama, discutindo os pontos básicos dos enredos de possíveis projetos de animação; Suzuki e Kameyama perceberam potencial para uma colaboração em sua progressão para a animação. Dois projetos foram propostos: Sengoku ma-jō, que se passava no período Sengoku; e uma adaptação de Rowlf. Ambos foram rejeitados, pois a companhia não estava disposta a financiar animes que não fossem baseados em mangás preexistentes e pelo fato dos direitos de Rowlf não terem sido adquiridos. Um acordo foi alcançado, que estipulava que Miyazaki poderia começar a desenvolver seus esboços e ideias em um mangá para a revista com a provisão de que ele nunca seria transformado em um filme. A obra foi intitulada Kaze no Tani no Naushika e foi publicada de fevereiro de 1982 até março de 1994. A história, conforme republicações em volumes tankōbon, possui sete volumes que acumulam 1060 páginas. Miyazaki desenhou o mangá principalmente a lápis, tendo sido publicado em uma tinta sépia monocromática. Ele se demitiu da Telecom em novembro de 1982.
thumb|upright=1.1|O estúdio pessoal de Miyazaki, chamado de Nibaraki, criado em 1984