thumb|Monumento Nacional ao Imigrante, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Imigração no Brasil refere-se ao conjunto de povos que imigraram para o Brasil ao longo de sua história. A imigração deixou fortes marcas na demografia, na cultura e na economia do país. Os primeiros povos a ocupar o território hoje forma o Brasil foram os povos ameríndios também chamados coloquialmente de índios e indígenas, que geneticamente originaram-se de populações que viviam no que hoje é a Sibéria e também de populações da região mais ao leste da Ásia, ou seja da Ásia oriental. Segundo a tese mais aceita, a sua chegada ao continente americano deu-se através do estreito de Bering (Beríngia), em data ainda controversa, mas durante a Idade do Gelo.Fagundes, Nelson J. R. et al. "Mitochondrial Population Genomics Supports a Single Pre-Clovis Origin with a Coastal Route for the Peopling of the Americas". In: The American Journal of Human Genetics, 2008; 82:1–10 As estimativas quanto ao número de indígenas que existiam no Brasil à época do descobrimento do território por Portugal variam de 1,8 milhão a 6 milhões de indígenas. John Hemming estimou o número de indígenas no Brasil, à época do descobrimento, em 3,2 milhões.Ouro Vermelho, páginas 728 a 737, EDUSP, São Paulo, 2007) Em 1500, desembarcaram, no atual litoral brasileiro, os primeiros portugueses. Estima-se que, até o fim do período de dominação portuguesa, em 1822, entre 500 e 700 mil lusitanos se deslocaram para o Brasil.RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro, Companhia de Bolso, fourth reprint, 2008 (2008)
Em decorrência do tráfico negreiro, entre meados do século XVI até a sua extinção, em 1850, entre 4 e 5 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil na condição de escravos, o que torna o Brasil o país que mais recebeu africanos em toda a História.
No século XIX, teve início a imigração de outros povos europeus para o Brasil, em particular da Itália, rivalizando numericamente com os portugueses, seguidos por fluxos de espanhóis e de alemães. No início do século XX, intensificou-se o fluxo migratório oriundo da Ásia, particularmente de japoneses e de sírio-libaneses. A maior parte desses imigrantes foi destinada a plantações de café no estado de São Paulo, embora muitos tenham tido, como destino, os centros urbanos, em particular São Paulo e Rio de Janeiro, bem como colônias rurais no Brasil meridional. Entre 1884 e 1959, entraram, no Brasil, 4 734 494 imigrantes, sendo 1 507 695 italianos e 1 391 898 portugueses, entre 1820 e 1975 o Brasil recebeu 5.674.569.
Na década de 1960, o Brasil deixou de ser um grande receptor de imigrantes, passando a ser um país expulsor de trabalhadores, a partir da década de 1980, sobretudo para os Estados Unidos, o Paraguai, o Uruguai a Europa e o Japão. Essa tendência manteve-se constante até recentemente, uma vez que nas duas últimas décadas foi observado o crescimento da imigração para o Brasil, em particular de países como a Venezuela, a Cuba, a Bolívia, a Colômbia e o Haiti.
Na década de 2010, o Brasil viu sua população de imigrantes residentes dobrar, de cerca de 600 mil em julho de 2010 a 1,3 milhão em 2020. Em março de 2022 residiriam no país por volta de 1,7 milhão de imigrantes.
Ocupação pré-cabralina dos povos indígenas
thumb|direita|Indígena guajajara e seu filho.
A tese mais aceita é que os povos indígenas das Américas são descendentes de populações asiáticas que cruzaram o Estreito de Bering, passando da Sibéria para a América do Norte. Décadas de pesquisas de arqueólogos e linguistas sugerem que os humanos chegaram às Américas no final da última era do gelo, há 14.500 anos. Essa tese já foi comprovada por diversos estudos genéticos, que mostram que a ancestralidade dos povos indígenas das Américas pode ser traçada até populações que viviam na Ásia, há vários milênios.
Os mais antigos povoadores do atual território brasileiro chegaram há aproximadamente 12 mil anos. Foi encontrado em Lagoa Santa (Minas Gerais) o crânio de uma mulher, batizada de Luzia que, inicialmente, cientistas acreditavam ter traços negroides e relação com as populações da Oceania.SOUZA, Wanessa de. As populações indígenas no território brasileiro Porém, após a análise do DNA de Luzia, essa hipótese foi descartada, uma vez que ela era tão ameríndia quanto qualquer outro povo do continente americano e, portanto, não tinha traços negroides, mas uma fisionomia ameríndia.
Conforme estudo genético, os ancestrais das tribos tupis e guaranis viviam originalmente na Amazônia, onde atualmente se situa o estado de Rondônia. Há cerca de 2 mil anos, esses índios deram início a um grande processo migratório, mas seguindo duas rotas diferentes: os ancestrais dos guaranis teriam rumado para o sul, ocupando os atuais Paraguai e o Sul do Brasil, ao passo que os ancestrais dos tupis seguiram para o leste, ocupando o litoral das atuais regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. Nesse processo, as tribos tupis derrotaram as tribos tapuias que já habitavam o litoral brasileiro, expulsando-as, então, para o interior do continente, por volta do ano 1000.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p.19.
Segundo Darcy Ribeiro, quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, as tribos tupis ainda estavam em pleno processo migratório, desalojando outros índios que encontravam pelo caminho. Os povos indígenas estavam sempre à procura de lugares privilegiados, disputando os melhores nichos ecológicos entre si. Nesse contexto, eles se alojavam e desalojavam uns aos outros, ao longo dos milênios. Ocupar uma região privilegiada era essencial. Lugares onde a caça e a pesca eram abundantes garantiam a sobrevivência do grupo e permitiam manter aldeamentos maiores. Em locais mais ricos, como a costa marítima e os vales mais fecundos, tais aldeamentos chegavam a ter três mil pessoas. Por sua vez, viver em sítios pouco abundantes poderia condenar a tribo à penúria e, no caso das etnias que dominavam a agricultura, poderia sujeitá-las a meses de maior abundância e a meses de escassez. miniatura|Indígena brasileiro, representando sua arte plumária e de pintura corporal.
Os tupis foram os primeiros índios a ter contato com os portugueses, somando então provavelmente um milhão de pessoas. Todavia, era ausente uma unidade étnica entre eles, apesar da semelhança linguística e cultural que tinham. Quando uma unidade étnica crescia demais, ela se dividia em novas unidades autônomas que, ao se afastarem umas das outras, se tornavam mais diferenciadas e hostis. Mesmo em face dos portugueses vindos além-mar, nunca se formou uma unidade indígena para combatê-los, a não ser efêmeras confederações regionais, alimentadas por outros europeus interessados em se apossar do Brasil, como foi o caso dos franceses com a Confederação dos Tamoios. Em geral, cada tribo articulava-se de forma independente perante os colonizadores, de modo que suas relações variavam entre a aliança e a hostilidade.O Mito do Bom Francês: Imagens Positivas das Relações entre Colonizadores Franceses e Povos Ameríndios no Brasil e no Canadá
Os índios do Brasil encontravam-se divididos em diversos grupos étnico-linguísticos: tupis-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central do Brasil), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia).
Não se sabe ao certo quantos indígenas viviam no atual território brasileiro, em 1500. O IBGE aponta o número em cerca de dois milhões. Segundo a FUNAI, seriam três milhões, divididos em mil povos diferentes, sendo que aproximadamente dois milhões estavam no litoral e um milhão no interior. A população indígena do Brasil era muito pequena, para um território tão grande. Em comparação, estima-se que, no início do século XVI, viviam no México cerca de 25 milhões de indígenas, sendo que o México tem um território menor que o brasileiro.
Com a chegada dos europeus, a população indígena diminuiu consideravelmente, em decorrência sobretudo da contaminação por vírus e bactérias aos quais os índios não tinham imunidade.ÍNDIOS, JESUÍTAS E BANDEIRANTES. MEDICINAS E DOENÇAS NO BRASIL DOS SÉCULOS XVI E XVII Segundo o censo do IBGE de 2010, cerca de 800 mil pessoas identificaram-se como indígenas no Brasil. Porém, em decorrência da miscigenação, o número de brasileiros com ancestralidade indígena é de vários milhões. Segundo diversos estudos genéticos, a maioria dos brasileiros tem alguma ancestralidade indígena no seu DNA.Latin Americans show wide-spread Converso ancestry and the imprint of local Native ancestry on physical appearance
Imigração nos territórios portugueses que formaram o Brasil
Os portugueses thumb|250px|Desembarque de Cabral em Porto Seguro (óleo sobre tela), autor: Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro. O território colonial brasileiro não foi imediatamente ocupado pelos portugueses, a partir do Descobrimento do Brasil, em 1500. Nas primeiras décadas, havia apenas feitorias, nas quais o pau-brasil era armazenado, esperando os navios que vinham da Metrópole. Apenas alguns degredados, desertores e náufragos haviam se estabelecido em definitivo no Brasil. Os degredados, em particular, eram abandonados à própria sorte entre os indígenas, com o objetivo de aprenderem sua língua e depois servirem como intérpretes (os chamados "línguas"). Através da prática do cunhadismo - uma antiga prática indígena de incorporar estranhos à sua comunidade, por meio da entrega de moças indígenas como esposas - esses primeiros portugueses foram se miscigenando com as mulheres indígenas, gerando extensa prole mestiça e formando alianças de parentesco com os nativos. Exemplos desses primeiros colonos são João Ramalho, em São Paulo, e Diogo Álvares, o Caramuru, na Bahia. Sem essa miscigenação inicial, a colonização portuguesa teria sido impraticável, pois eram tão poucos os portugueses chegados nos primeiros anos que eles teriam desaparecido, se não fosse pelo surgimento dessa camada de gente mestiça que de fato ocupou o território. 250px|thumb|esquerda|Um engenho de açúcar em Pernambuco colonial, pelo pintor Frans Post. Acervo do Instituto Ricardo Brennand, Recife.
A ocupação territorial propriamente dita veio com os primeiros engenhos de cana-de-açúcar, que surgiram no Brasil antes de 1520, e rapidamente se espalharam por todos os pontos do litoral habitados por portugueses, mas concentrando-se nas terras de massapê do Nordeste e no recôncavo baiano. Meio século depois, a produção já havia crescido tanto que o açúcar brasileiro já era o principal produto no mercado internacional.
Nos primeiros dois séculos de colonização (XVI – XVII), relativamente poucos portugueses migraram para o Brasil, não mais que cem mil. Em meados do século XVI, Portugal tinha uma população bastante pequena, de somente 1,5 milhão de habitantes, e os portugueses estavam empenhados em povoar as ilhas atlânticas e em se expandir da África à Ásia, havendo pouco excedente populacional exportável.Portugal nos séculos XVI e XVII Vicissitudes da dinâmica demográfica Ademais, a produção do açúcar no Brasil não era atrativa para os portugueses comuns, uma vez que o estabelecimento de um engenho exigia altos investimentos, com os quais apenas os mais abastados tinham condições de arcar. O Brasil era pouco atrativo para os portugueses mais pobres, pois não era do interesse dos camponeses europeus se submeterem ao trabalho massacrante nos engenhos de açúcar, trabalho este que acabou sendo exercido largamente por escravos.Divalte Garcia Figueira. João Tristan Vargas. Para Entender a História 7. Editora Saraiva. 4 edição. 2012 thumb|upright|210px|Mulher e homem do Brasil colonial. Até o século XIX, a população de origem europeia no Brasil era basicamente portuguesa, uma vez que a entrada de outros povos no Brasil era proibida ou limitada pelo governo luso (obra de Carlos Julião).