O Jardim Botânico Tropical, também conhecido como Jardim do Ultramar,Jardim Botânico Tropical . é um jardim botânico situado na cidade de Lisboa especializado em flora tropical e subtropical. Inclui no total mais de 700 espécies originárias dos diversos continentes.

Descrição Ocupa uma área total de 7 hectares (com o Jardim Botânico propriamente dito em cerca de 5 hectares), que integra várias estufas e edifícios e diversas instalações de apoio (administrativas, direcção, gabinetes de trabalho e armazém de materiais), uma xiloteca e uma biblioteca.

No jardim, a ênfase é posta em árvores e plantas raras, tropicais e subtropicais, muitas delas em perigo de extinção. Entre as mais curiosas estão os dragoeiros, nativos das Canárias e da Madeira, araucárias e uma bela avenida de palmeiras Washingtonia.

Como parte do seu património conta-se uma população de aves que desde há várias décadas é um dos motivos de atração de turistas, composta por patos, gansos, galinhas e pavões.

História O Jardim Botânico Tropical foi inicialmente criado como Jardim Colonial a 25 de Janeiro de 1906 pelo rei D. Carlos I, sob tutela do antigo Instituto Superior de Agronomia, localizando-se nas Estufas do Conde de Farrobo (actualmente o Jardim Zoológico de Lisboa). Funcionaria posteriormente como centro de investigação do Instituto das Ciências Tropicais.

A sua instalação no espaço actual deu-se em 1914, quando se dá a relocalização da Cerca do Palácio de Belém, tendo passado a funcionar no Palácio dos Condes da Calheta o Museu Agrícola e Colonial. A implantação do jardim nos terrenos em Belém foi dirigida por Henry Navel, jardineiro paisagista francês.

Durante a Exposição do Mundo Português, em 1940, o jardim albergou a Secção Colonial, tendo na "Ilha das Fruteiras", localizada no centro do lago, chegado a habitar membros de uma tribo do Arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, à semelhança do que aconteceu noutros "Zoos Humanos" da época. De entre as alterações que se realizaram temporariamente para a Exposição conta-se ainda a construção de pequenos pavilhões que pretendiam representar a totalidade das colónias portuguesas. "Angola e Moçambique" estavam representadas juntas num só pavilhão desenhado por António Lino (construído em torno do Palácio dos Condes da Calheta), a "Guiné" num pavilhão desenhado por Gonçalo de Mello Breyner, as "Possessões Insulares" (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor) eram representadas por um pavilhão da autoria de Vasco Regaleira, por fim a "Índia" encontrava-se instalada numa típica casa colonial, como (erradamente) se esperava que todas fossem nas colónias portuguesas. Foi também temporariamente erguida uma igreja da autoria de Raul Xavier.

Em 1944 alterar-se a designação para Jardim e Museu Agrícola Colonial, e depois para Jardim e Museu do Ultramar, tendo passado para a Junta de Investigações do Ultramar.

Foi classificado como Monumento Nacional em 2007, pelo Ministério da Cultura, e passa a deter o seu nome atual, Jardim Botânico Tropical.Tendo pertencido até 2015 ao Instituto de Investigação Científica Tropical,IICT. desde essa altura integrou o conjunto de instituições sob a alçada da Universidade de Lisboa.

É atualmente gerido em conjunto com o Museu Nacional de História Natural (MUHNAC) e o Jardim Botânico de Lisboa.

Em janeiro de 2019, o jardim encerrou devido a obras de reabilitação extensiva. Foran intervencionadas infraestruturas básicas como os caminhos, as condutas de águas, da rega, da energia e também os edifícios. No final das obras, o Jardim Botânico Tropical vai reabrir o "Jardim dos Catos", que está encerrado há várias décadas, sendo estas as primeiras grandes obras de reabilitação desde a década de 1940. Reabriu ao público no dia 25 de Janeiro de 2020, com entrada gratuita e um programa de celebrações que inclui música, comida, dança, desenho e visitas guiadas com especialistas.

Edifícios

Os edifícios de investigação e o Museu Tropical de Lisboa estão instalados no Palácio dos Condes da Calheta, uma mansão do século XVIII cujo primeiro piso é composto por doze salas. O interior está coberto de azulejos principalmente do século XVII e XVIII, sendo de destacar a Sala das Batalhas e a Sala da Caça. O museu tem 50.000 plantas secas e 2414 amostras de madeiras, a Xiloteca é assim, a mais completa do país. As amostras de madeira provém essencialmente de locais tropicais, havendo amostras de África, Brasil, Japão, China e Austrália.

Durante a Exposição do Mundo Português de 1940 foi construída uma fachada alternativa, mais modernista, de modo a melhor se adequar ao espírito da exposição, tendo acabado por ser o maior pavilhão das colónias, por isso mesmo reservado para Angola e Moçambique.

A "Casa do Jardineiro" é tida como o local de trabalho de Henry Navel, quando este desenhou o jardim.

A "Casa de Chá", anteriormente designada "Restaurante Colonial".

A "Casa da Direção", antes conhecida como "Casa Colonial", representava o modelo das residências portuguesas nas colónias. Tem dois pisos, sendo o interior do piso térreo (chão e paredes) cobertos a azulejos da Fábrica de Sant'Anna.

No exterior existe um pátio com painéis de azulejos da autoria do pintor Mário Reis, o "Lago das Cobras" e ainda um baixo-relevo de Manuel Oliveira. Ainda no mesmo espaço encontra-se a "Casa do Leão" que, durante a Exposição do Mundo Português, terá albergado um leão vivo.

No "Pavilhão das Matérias-Primas", de 1940, xiloteca onde se encontram armazenadas e catalogadas madeiras tropicais.

Estufas

A Estufa Principal (de maiores dimensões), foi edificada em 1914, em ferro e vidro, ao gosto da época. Apesar de se encontrar em visível estado de abandono, encontram-se ainda espécies centenárias do tempo em que o Jardim se localizava nas Estufas do Conde de Farrobo (espaço que hoje alberga o Jardim Zoológico de Lisboa). Em 1947 foram acrescentadas a esta, duas outras estufas, permitindo que se mantivessem três temperaturas diferentes e albergando-se assim espécies africanas, asiáticas e americanas.

Estatuária

Uma das obras de escultura mais antigas do jardim é um baixo-relevo datado de 1644, que se localiza atualmente junto à escadaria central que dá acesso ao jardim do Palácio dos Condes da Calheta. Este apresenta o brasão de armas do reino de Portugal, encimado por uma coroa e ainda flanqueado por bandeiras da Companhia de Jesus e da Cruz de Cristo, assim como por dois Evangelistas. Existe ainda uma inscrição:

Encontram-se no jardim diversos exemplos de estatuária que data do século XVIII, com origem italiana e portuguesa. Sabe-se que tanto a "Morte de Cleópatra" de Giuseppe Mazzuoli, como a "Caridade Romana" de Bernardo Ludovici foram compradas por D.João V. Encontra-se ainda "Éolo, Deus dos Ventos", produzida na oficina de Machado de Castro (conhecido escultor da Casa Real), e 14 bustos realizados por Manuel de Oliveira. Estes encontram-se dispostos em pares pelo Jardim e terão sido produzidos como representação dos povos das antigas colónias africanas e asiáticas (encontravam-se, anteriormente, dispostos ao longo dos bambus que demarcavam a área do Arco de Macau.

Jardim Oriental

Separada do resto do jardim por bambus, esta zona, construída quando o jardim albergou a Secção Colonial da Exposição do Mundo Português (1940), evoca o oriente através de flora das ex-colónias asiáticas. Existe ainda um Pavilhão Chinês, junto à Porta da Lua, lagos, pontes, hibiscos, e um Arco (de Macau) que, durante a Exposição do Mundo Português, assinalava a entrada para uma rua onde se replicava o comércio tradicional de Macau.

Espécies Estufas: bananeiras (Musa sp.), ananazeiros (Ananas sativa), papaeiras (Carica papaia), quineira (Cinchona officinalis), baunilha (Vanilla fragrans), cafeeiro (Coffea sp.), mandioca (Manihot sp.).

Ligações externas

Tropical Tropical Tropical Categoria:Santa Maria de Belém