O Castelo de Sines, no Alentejo, localiza-se na freguesia, na cidade e no município de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.
Tinha como finalidade defender aquela área da costa alentejana, principalmente a povoação e o seu importante porto de pesca, que era assolada corsários.
O Castelo de Sines está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.
Ocupando parte das suas edificações está atualmente o Museu de História Natural de Sines. Na antiga torre de menagem, onde se acredita que terá nascido Vasco da Gama, foi instalado um museu relativo ao navegador e aos Descobrimentos Portugueses.
História
Antecedentes O local onde se ergue o castelo foi habitado desde a pré-história, mais precisamente o período Paleolítico, devido à sua grande importância para a defesa, uma vez que se situa no alto de uma colina sobre o oceano. Com efeito, as escavações arqueológicas revelaram a presença de vestígios de ocupação do Paleolítico e Epipaleolítico. O investigador Arnaldo Soledade avançou a teoria, na sua obra Sines Terra de Vasco da Gama, de que no local do castelo teria existido um castro durante a Idade do Ferro. Porém, o primeiro povoado estável só se terá formado durante a época romana, provavelmente na área do castelo, sendo talvez o porto da cidade de Miróbriga, situada a cerca de 17 Km de distância. Para isso terá contribuído a posição privilegiada de Sines, numa região costeira com poucos abrigos naturais.
Um dos vestígios romanos foi um pedestal de uma estátua do deus Marte, que foi inserido nas muralhas do castelo. Nas muralhas também foram encontrados documentos epigráficos que se referem a um possível templo naquela área de Sines, no VII d.C.. Estas inscrições poderão ser as referidas pelo investigador britânico Edward Spencer Dodgson numa carta escrita em 1897 a José Leite de Vasconcelos, que as descreveu como estando situadas na muralha do castelo, por cima de uma torre. No artigo Excursão arqueológica à Extremadura Transtagana, publicado na revista O Arqueólogo Português, de 1914, José Leite de Vasconcelos menciona a existência de «dois mármores, um com uma escultura, e outro com uma inscrição, que algum valor possuíam; pelo que, com autorização do Ministério da Guerra, e informação benévola do Sr. Comandante Militar do castelo, as mandei extrair, e transportar para o museu, onde agora se encontram. O mármore epigráfico tem quatro faces, uma das quais, e só ela, está talhada de fórma de ara, com cimalha, fuste e base. Isto não é caso único, pois a pedra, como outras da mesma fórma, devia ficar encostada a um muro; tambem hoje fazem os marceneiros cousa semelhante com alguns móveis, para pouparem madeira. O que porém é notável é que a inscrição não figure nessa face, mas na oposta, onde esculpiu um quadro de 0m,40 x 0m,43 para conter a inscrição, que diz D(iis) M(anibus) S(acrum). Iulia, C(ai) Fil(ia), Marcella, an(norum) 30, h(ic) s(sita) e(st): (sit) t(ibi) t(erra) l(evis), ou em português: «Aos deuses Manes. Júlia Marcela, filha de Caio Júlio Marcelo, de 30 anos de idade, está aqui sepultada: seja-te leve a terra». Êste texto não combina com o do Corpus, II, 30, que nos foi inexactamente copiado. Não se percebem traços horizontais nos AA, nem hederae distinguentes, o que será devido a estar gasta a pedra. Pelo mesmo motivo ha letras mal legíveis, o que denotei por pontos - Em cima lavrou-se um foculus ou patera, cavidade circular, de 0m,105 a 0,11 de diâmetro, e pouca profundidade. O resto da superfície superior onde está a cavidade é lisa. - Vê-se que a pedra teve duas serventias. Talvez do lado da ara houvesse uma inscrição pintada; de inscrição gravada não póde falar-se. - Altura total da pedra 1m,25; largura 0m,465; espessura 0m,31. O segundo monumento é um monólito, tambem de quatro faces, de 2m,04 de altura, e 0m,37 de largura máxima. Duas das faces estão lisas, e duas tem ornatos de baixo-relêvo. Uma das faces ornadas era maior primitivamente do que hoje, pois foi quebrada de alto a baixo; a outra está mais ou menos intacta. Os desenhos que acompanham o meu artigo dispensam descrição dos relevos. Esta pedra parece que fazia parte de um cunhal, ou dos ornatos de uma porta ou janela; ficavam visíveis as duas faces ornamentadas, e embutidas na parede as restantes. Os ornatos assemelham-se aos de um túmulo de Ravenna, do séc. VIII-IX, figurados na Notizie degli scavi, 1899, p. 5».
Muito perto da muralha meridional do castelo também foram encontrados vestígios romanos, incluindo uma fábrica de salga do século I d.C., e um forno de cozer cerâmica. Tanto no interior do castelo como no Largo João de Deus foram igualmente encontrados vestígios de estrutruas dos períodos do Baixo Império e tardo-antigo, apontando para uma ocupação provavelmente entre os séculos IV a VI.
O castelo medieval O local onde se ergue o castelo foi depois ocupado durante a Alta Idade Média, tendo vários autores avançado a teoria de que no século VII, ou durante o período moçárabe, existiu um templo cristão, provavelmente no local da Igreja Matriz. Grande parte da estrutura deste santuário primitivo foi depois aproveitada para as muralhas do castelo, como foi constatado pelos trabalhos arqueológicos. Porém, não foram encontrados vestígios definitivos de habitação durante o período islâmico. Com efeito, nas escavações verificou-se um grande hiato em termos de indícios arqueológicos, entre os séculos VI, último período de ocupação, e XVI, quando foi provavelmente construído.
Sines foi definitivamente tomada pelo rei D. Afonso III, como parte do processo da Reconquista cristã, que a colocou sob o domínio administrativo de Santiago do Cacém, como parte do território da Ordem de Santiago. A povoação continuou a crescer ao longo dos séculos XIII e XIV, dinamizada pelo seu porto, tendo então pedido ao rei D. Pedro I para lhe conceder a autonomia administrativa em relação a Santiago do Cacém. Em 1362, o monarca deu um foral a Sines, garantindo-lhe desta forma a autonomia administrativa, embora tenha imposto a condição de ser construída uma fortaleza ou cerca defensiva. sendo esta a referência mais antiga conhecida ao castelo. Esta decisão foi motivada pela forte importância que Sines tinha para a defesa desta faixa da costa alentejana, que era então frequentemente atacada por corsários. Além disso, esta cerca iria melhorar as condições de defesa da vila, permitindo o seu desenvolvimento.
Porém, por motivos desconhecidos as obras não se iniciaram de imediato, e só muitos anos depois, por volta de 1424, é que começou a construção do castelo, a pedido do procurador do povo Francisco Neto Pão Alvo. Um dos vestígios do castelo original poderá ser a janela mainelada na Torre de Menagem. Um dos alcaides mais conhecidos do Castelo de Sines foi Estêvão da Gama, pai do navegador Vasco da Gama, que aqui teria nascido em 1469. Com efeito, acredita-se que Vasco da Gama terá nascido na torre de menagem do castelo. Durante o mandato de Estêvão da Gama, o castelo foi alvo de algumas obras.
Século XVI a XIX Alguns dos soldados do castelo fizeram parte da Confraria de São Sebastião, que esteve ligada à Ermida de São Sebastião, construída por volta do século XVI. No século XVII foi planeado um ambicioso programa de desenvolvimento do castelo, como forma de melhorar as suas condições de defesa contra os ataques dos corsários. No entanto, só foi parcialmente executado, sendo dessa época a instalação da bateria na face meridional. Foi também nessa centúria que foi construído o Forte do Revelim, que tinha como finalidade proteger a povoação de Silves e as suas embarcações, funcionando em conjunto com o castelo.
Durante a Guerra Peninsular, nos princípios do século XIX, Sines foi pilhada por tropas francesas, que picaram o brasão da coroa real joanina, sobre a porta do castelo. No período de transição entre os séculos XIX e XX o castelo deixou de ter funções militares, tendo o seu interior sido reaproveitado como espaço para casas e hortas.
Século XX Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 24 de Junho de 1933.PORTUGAL. Decreto n.º 22737, de 24 de Junho de 1933. Ministério da Instrução Pública - Direcção Geral do Ensino Superior e das Belas Artes. Publicado no Diário do Govêrno n.º 140/1933, Série I, de 24 de Junho de 1933.
Em meados do século XX ruiu parte da muralha, no lanço fronteiro ao Largo João de Deus. Em 1956 foram feitas algumas obras de restauro, que tiveram como finalidade consolidar a estrutura de parte co castelo. Na década de 1960 o castelo foi alvo de trabalhos arqueológicos por parte de José Miguel da Costa, que encontrou os vestígios de um templo cristão dentro da estrutura das muralhas. O monumento foi muito danificado pelo terramoto de 1969, tendo uma das torres desabado.
Em 1970 foi inaugurada a estátua a Vasco da Gama, junto à torre ocidental do castelo. Em 1972, foram feitas escavações no castelo, por parte do Grupo de Trabalhos Arqueológicos da Área de Sines, na sequência de obras nas imediações.
Em 1990 foram descobertos os vestígios de uma fábrica romana junto ao lanço nascente da muralha do castelo. Nesse ano também se iniciou o programa de Trabalhos Arqueológicos no Castelo de Sines, que incidiu principalmente na área fora da muralha meridional da fortaleza, no sentido de estudar os vestígios romanos naquele local e promover a sua integração em futuros planos de arranjo urbanístico. O programa continuou no ano seguinte, tendo como finalidade acompanhar os trabalhos de picagem das paredes do castelo, fazer sondagens no interior, e prosseguir as escavações dos vestígios romanos. Ao longo da década de 1990, o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal realizou trabalhos arqueológicos no castelo, no âmbito de um programa de recuperação do monumento, tendo sido encontrados vestígios de ocupação dos períodos Paleolítico, Epipaleolítico e romano, por debaixo do castelo.
Entre 1998 e 2001 o castelo foi alvo de uma grande intervenção de restauro, realizada em parceria entre a Câmara Municipal e a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que teve como finalidade o restauro e a consolidação dos panos exteriores, tendo igualmente incidido sobre algumas áreas no interior. Foi igualmente por volta de 1998 que foi fundado o Festival Músicas do Mundo, organizado no interior do castelo.
Século XXI Em meados da década de 2000, o castelo entrou em obras, no sentido de permitir a instalação do Museu Municipal de Sines e da Casa-Museu Vasco da Gama. Esta intervenção fez parte de um programa maior para a dinamização cultural e social do monumento, incluindo a organização do festival Músicas do Mundo e de outros eventos, e englobou igualmente a recuperação e arranjo paisagístico da área em redor, como o Largo Poeta Bocage. As obras no castelo em si foram planeadas e coordenadas pelo arquitecto Ricardo Estevam Pereira, e além da instalação dos dois espaços museológicos, também incluíram outras intervenções no imóvel, nomeadamente no terreiro e nas muralhas, tendo sido rasgada uma nova porta na muralha oriental. Esta nova entrada melhorou os acessos ao interior do castelo, e permitiu a sua integração nos percursos pedestres de Sines, tendo potenciado o Largo João de Deus como espaço urbano.
Enquanto decorriam os trabalhos, o museu municipal esteve temporariamente instalado na Capela de Misericórdia, desde Julho de 2007. Também em 2007 prosseguiu o programa de Trabalhos Arqueológicos no Castelo de Sines, desta vez associado principalmente à planeada abertura de uma nova porta nas muralhas.