Fornos de Algodres é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, na antiga província da Beira Alta e nas atuais região do Centro e sub-região da Beiras e Serra da Estrela, com cerca de habitantes.
É sede do Município de Fornos de Algodres que tem de área e 4.383 habitantes (2023), subdividido em 12 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a nordeste pelo município de Trancoso, a leste por Celorico da Beira, a sul por Gouveia, a oeste por Mangualde e Penalva do Castelo e a noroeste por Aguiar da Beira.
Freguesias thumb|left|Freguesias do município de Fornos de Algodres.|340x340pxO município de Fornos de Algodres está dividido em 12 freguesias: Algodres Casal Vasco Cortiçô e Vila Chã Figueiró da Granja Fornos de Algodres Infias Juncais, Vila Ruiva e Vila Soeiro do Chão Maceira Matança Muxagata Queiriz Sobral Pichorro e Fuinhas
Aldeias anexas
Aveleiras (Queiriz) Casal do Monte (Queiriz) Casas (Fuinhas) Corujeira (Fuinhas) Furtado (Algodres) Lameira (Fuinhas) Quinta da Barreira (Queiriz) Quinta da Mata Gata (Sobral Pichorro) Ramirão (Casal Vasco) Rancozinho (Algodres) Santo (Fuinhas)
História miniaturadaimagem|Dólmen na freguesia de Matança. miniaturadaimagem|Casa da Torre - Solar dos Abreu Castelo Branco. Na Idade Média dava-se o nome genérico de “terras” a certas regiões mais ou menos extensas, a que correspondia uma circunscrição jurisdicional, compreendendo povoações mais ou menos próximas umas das outras, ligadas entre si por laços morais de interesses, fóros, tradições e costumes. Assim se dizia Terras de Riba Côa, Terras da Beira, Terras de além do Monte, etc.
Essas circunscrições territoriais, em geral demarcadas por limites naturais, montes ou rios, subdividiam-se em sub-regiões que ainda também conservavam a mesma designação de Terras, como Terra de Alafões, Terra de Tavares, Terra de Azurara, nome genérico da sub-região, às vezes sem corresponder a nenhuma povoação, antes tomando estas aquele sobrenome, como Chãs de Tavares, Quintela de Azurara, etc., outras vezes adotando o nome de uma povoação mais importante da área, como Terra de Algodres, Terra de Aguiar, Terra de Linhares, etc.
Mais tarde, a designação de "terras" foi substituída pela de "termo" com significação mais restrito, aplicando-se este nome, como sinónimo de distrito e alfoz, a mais reduzidas circunscrições, a que se chamava concelho.
O concelho de Algodres compreendia oito paróquias: Casal Vasco, Ramirão, Cortiçô, Vila Chã, Muxagata, Fuínhas, Sobral Pichorro e Maceira, e a todas elas, como é natural, se adicionava o determinativo de Algodres: «Cortiçô de Algodres», «Vila Chã de Algodres», «Muxagata de Algodres», etc.
Que ela emprestasse o nome às povoações do seu termo, era natural, mas a velha vila, como mais importante entre todas as da região, exercia a sua hegemonia e emprestava o seu nome ainda às outras terras e povoações que assentavam nas proximidades do seu termo, sem fazerem parte dele. Assim, a vila de Fornos, apesar de viver e de se administrar, com câmara e julgado próprios, viu-se (e vê-se ainda hoje) forçada, para se distinguir de outras terras com o mesmo nome, a adotar o designativo regional de Algodres.
Foi com as povoações e área do concelho de Algodres e concelhos limítrofes que se constituiu, em 1836, o concelho de Fornos de Algodres, depois acrescentado, em 1898, com as freguesias de Além-Mondego, Juncais e Vila Ruiva. Desceram, pois, os antigos concelhos à condição de simples freguesias e as cinco vilas de Algodres, Figueiró, Matança, Infias e Casais do Monte passaram, daí em diante, a ser designadas por ex-vilas.
O primeiro administrador do novo concelho unificado foi José Coelho de Albuquerque, nomeado por portaria de 24 de Fevereiro de 1836; seguiu-se António Bernardo da Silva Cabral e, depois, Francisco de Melo e Sá, com o seu substituto Agostinho Pedroso de Magalhães.
A primeira Câmara do novo concelho de Fornos, já ampliado, foi composta do presidente Anacleto José de Magalhães Taveira Mosqueira, presidente interino José Coelho de Albuquerque, e vogais Francisco Ferreira de Abreu, António José do Carmo e José António Clemente.
População do município Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 Global ** 8 304 9 259 9 477 10 147 9 953 9 657 9 730 10 507 10 645 9 035 7 130 6 594 6 270 5 629 4 989 4 4030-14 Anos *** 3 587 3 593 3 469 3 408 3 602 3 462 2 644 1 965 1 454 1 125 807 542 40015-24 Anos *** 1 896 1 679 1 645 1 759 1 794 1 823 1 436 840 972 867 687 511 36525-64 Anos *** 4 021 3 943 3 812 4 012 4 254 4 332 3 944 3 245 2 805 2 787 2 649 2 344 2 040= ou > 65 Anos *** 560 671 690 785 893 953 1 011 1 080 1 363 1 491 1 486 1 592 1 598 ** População residente; *** População presente (1900-1950)
miniaturadaimagem|Capela de Nossa Senhora do Carmo.
Política
Eleições autárquicas +Data%V%V%V%V%V%V%VParticipaçãoPPD/PSDCDS-PPFEPU/APU/CDUADPSPPMPSD/CDS197667,82417,7215,58 -1979ADAD3,02 -76,01418,371AD198255,90424,3712,40 -12,57 -198547,65345,8422,55 -198954,96319,6110,98 -20,521199344,58217,0110,74 -33,832199748,4638,33 -0,65 -39,922200170,9341,08 -24,511200563,3142,84 -1,24 -28,691200954,6733,28 -0,88 -38,042CDS-PP201342,9425,64 -0,83 -47,153201728,8216,60 -1,28 -60,2442021CDS-PPPPD/PSD1,33 -60,33334,242
Eleições legislativas +Data%CDSPSPSDPCPUDPADAPU/ CDUFRSPRDPSNB.E.PANPSDCDSLCHIL197644,2725,8015,941,860,921979AD24,30ADAPU0,5864,783,031980FRS0,7768,503,6420,15198329,2029,8931,810,362,89198524,5019,8036,391,103,978,4319876,9416,6065,46CDU0,172,111,7219917,0121,9864,101,080,730,83199510,4538,5446,550,481,140,20199910,1038,3446,372,230,46200210,2536,6052,971,180,8620057,3442,3742,491,451,97200914,1532,0039,472,375,47201114,0227,6547,152,052,340,482015PSD37,22CDS2,685,370,3446,250,1420195,1940,2035,691,895,151,060,301,550,5720222,6446,9835,231,281,880,760,166,961,002024AD35,94AD35,000,831,870,580,8317,481,37
Figuras ilustres António Menano Nascido em Fornos de Algodres, na rua da Torre, a 5 de Maio de 1895, de uma família de 12 irmãos, António Menano foi, sem sombra de dúvida, o mais conhecido e popular cantor de Fados de Coimbra.
António Menano tornou-se conhecido em todo o país através dos inúmeros discos que gravou, os quais correram o mundo, principalmente pelo Brasil e pelas províncias Ultramarinas. Concluído o curso de Medicina, António Menano passa a exercer clínica em Fornos de Algodres, terra natal da família e onde os seus pais António da Costa Menano e de Dª Januária Paulo Menano residem.
Faleceu em Lisboa a 11 de Setembro de 1969. António Bernardo da Costa Cabral Primeiro Conde e depois Marquês de Tomar, foi um dos políticos portugueses mais destacados do século XIX.
Nascido em Fornos de Algodres a 9 de Maio de 1803, cedo se revelaram as suas invulgares capacidades intelectuais. Assim, foi com quinze anos para Coimbra estudar Direito, tendo-se formado com vinte anos apenas. Exerceu durante algum tempo a advocacia; tendo o seu valor sido reconhecido. Foi nomeado Membro do Tribunal de Segunda Instância em S. Miguel, nos Açores. Aí se casou com a inglesa Luiza Mitchell Meredith Read.
Como deputado esteve ligado à reorganização administrativa de 1836, devendo-se certamente à sua influência a elevação de Fornos de Algodres a sede de concelho. Depois, em 1838, Costa Cabral foi chamado a desempenhar as funções de Ministro da Justiça e mais tarde, em 1842, já com novo governo empossado, de Ministro do Reino e da Instrução. Foi nessas funções que, em 1845, a rainha lhe concedeu o título de Conde de Tomar. Posteriormente foi nomeado embaixador junto da Santa Sé, tendo-lhe sido concedido o título de Marquês de Tomar.
Faleceu a 1 de Setembro de 1889 em Foz do Douro, no Porto. João Maria de Abreu Castelo Branco
Natural de Fornos de Algodres, doutorou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, seguiu carreira de magistratura e foi juiz de fora em Ovar.
Nomeado desembargador da relação de Goa, partiu para a Índia, tendo de abandonar esse estado por razões políticas, refugiando-se então Bombaim de onde partiu para Portugal. Em Portugal foi governar civil dos distritos de Coimbra, Braga, Guarda, Porto e Funchal, passando depois a Juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.
Foi fidalgo da casa real, par do reino e grã-cruz das ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Carlos III de Espanha. Casou duas vezes, a primeira com D. Luísa de Sousa Pimenta de Saavedra Santa Marta, e a segunda com sua sobrinha D. Maria José de Abreu Castelo-Branco.
Faleceu sem descendência, sucedendo-lhe como segundo conde de Fornos de Algodres, seu irmão Alexandre de Abreu Castelo Branco, nascido em Fornos de Algodres a(5 de Maio de 1806.
José Pinheiro Marques
Nasceu em Figueiró da Granja, em 1871. Fez os seus estudos eclesiásticos e foi ordenado Padre em 1895. Foi Sacerdote em várias terras do atual município de Fornos de Algodres. Notabilizou-se como professor na Escola Académica de Lisboa, orador, ensaísta e, finalmente, Capelão da Casa Real.
Em 1900 foi distinguido com o título de Capelão Fidalgo Honorário da Casa Real, por alvará de El-Rei D. Carlos. Monárquico por formação e convicção, viu-se envolvido nas convulsões subsequentes à implantação da República. Foi preso várias vezes em Lisboa, onde, na companhia de outras figuras monárquicas, correu as cadeias do Limoeiro e do Castelo de S. Jorge.
Em 1930 foi agraciado com o título de Monsenhor e acabou por falecer em 1940. Manuel de Pina Cabral Nasceu na freguesia de Matança, mais concretamente no lugar da Fonte Fria, em 1746. As origens familiares de Pina Cabral inscrevem-se numa família de agricultores, eclesiásticos e militares. A sua infância foi marcada pelo estudo do latim desde tenra idade. A família, em especial o pai, preocupou-se com a sua formação, tendo encarregue um professor de gramática da sua instrução, mormente de o pôr em contacto com as “coisas latinas”. Em 1763 o seu pai, acreditando nas suas potencialidades, envia-o para a Universidade de Coimbra, matriculando-o no curso de Direito Canónico, embora não tenha obtido qualquer grau, o que originou uma certa tensão entre a família.
O seu percurso revela um homem oriundo de uma pequena localidade do interior que se afirmou na cultura e no governo de Instituições.
Desconhece-se a data da morte de Frei Manuel de Pina Cabral, mas deve ter ocorrido cerca de 1810, uma vez que a última missiva enviada a Manuel do Cenáculo data de 1807. O local de sepultamento terá sido provavelmente a igreja ou o convento de Nossa Senhora de Jesus em Lisboa, na freguesia de Mercês, onde atualmente funciona a Academia das Ciências.
Heráldica
esquerda|79x79pxArmas: Escudo de prata, com um cacho de uvas de púrpura, folhado e troncado de verde, acantonado por quatro espigas de milho de ouro folhadas de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda: “VILA DE FORNOS DE ALGODRES”, a negro.esquerda|93x93pxBandeira: Esquartelada de amarelo e de verde, cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.
Património
miniaturadaimagem|Monumento ao Pastor Igreja da Misericórdia de Algodres Pelourinho de Algodres Anta ou Orca de Cortiçô Pelourinho de Figueiró da Granja Pelourinho de Fornos de Algodres Pelourinho de Ínfias Dólmen de Matança Pelourinho de Matança Pelourinho de Casal do Monte Igreja de Nª Senhora da Graça ou Igreja Matriz de Sobral Pichorro Capela de Santo Cristo ou Capela do Senhor do Pé da Cruz Capela dos Girões ou Capela do Seminário
Geminações A vila de Fornos de Algodres é geminada com as seguintes cidades:
Levet, Cher, França Sainte-Consorce, Ródano, França
Ver também