O Partido Social Democrático (PSD) é um partido político brasileiro de centro fundado e registrado oficialmente em 2011. Em janeiro de 2026, o partido possuía 465.158 filiados, sendo São Paulo, Santa Catarina e Bahia os estados com mais membros. Apesar de ser, em número de filiados, o décimo sexto maior partido brasileiro, o PSD é o partido com mais senadores, o quarto com mais deputados federais, o com mais prefeitos e o terceiro com mais vereadores.

O partido se declara de centro mas comumente se une a partidos de esquerda e de direita. Dessa forma, o partido conseguiu ter membros ocupando cargos em ministérios e importantes secretarias dos governos dos presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. No Congresso, em 2025 tem se alinhado às pautas de centro-direita à extrema-direita, com apoio a PEC da Anistia (52,3%) e PEC da Blindagem (54%). Por esses motivos, é comumente considerado um "partido pega-tudo" e parte do "Centrão".

História

direita|miniaturadaimagem|O primeiro logotipo do partido.

Fundação O Partido Social Democrático é produto direto do fortalecimento político do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, dentro da sua antiga sigla, o Democratas (originalmente, Partido da Frente Liberal). Eleito vice-prefeito na chapa de José Serra (PSDB-SP) nas Eleições Municipais de 2004, Kassab se tornou um grande quadro do PFL ao controlar a Prefeitura de São Paulo, seguindo a renúncia de Serra para concorrer às Eleições Estaduais de São Paulo em 2006. Na Eleição Municipal de 2008, o Democratas lança Kassab como candidato à Prefeitura em uma aliança com o PMDB — que indicou a vice-prefeita, Alda Marco Antônio.

O PSDB ficou divido em relação a Kassab, pois elementos próximos a José Serra favoreciam o demista, enquanto outros políticos importantes entendiam que os tucanos deveriam lançar um candidato próprio. Não obstante, Kassab conseguiu se eleger com o apoio do seu agrupamento e ultrapassou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), disputando o segundo turno com Marta Suplicy (PT-SP).

A ruptura entre Kassab e as lideranças do DEM começa após as Eleições de 2010. Até então, o DEM vinha adotando uma postura de oposição sistemática ao Partido dos Trabalhadores e, assim, integrou o "Bloco Democrático-Reformista" com o PSDB e o PPS — uma coligação encabeçada por José Serra (PSDB-SP) na qual o DEM indicou o candidato à vice-Presidência, Indio da Costa (RJ). Acontece que, após a vitória de Dilma Rousseff (PT-RS) e a subsequente manutenção do partido na oposição, Kassab começa a advogar pelo relaxamento das posturas ideológicas do DEM.

O Prefeito de São Paulo, que já vinha se aproximando do PMDB e objetivava uma candidatura ao Governo de São Paulo em 2014, começa a articular um terceiro agrupamento político no seu estado alheio à histórica aliança entre PSDB e DEM. Assim, organiza-se um grupo de kassabistas que almejava mais controle sobre o partido e deflagra um conflito com a liderança nacional do DEM, à época presidido por Rodrigo Maia (RJ). miniaturadaimagem|252x252px|Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) recebe delegação do Partido Social Democrático. |esquerda Aliando-se a políticos importantes do DEM como Jorge Bornhausen (SC) e Guilherme Afif Domingos (SP), Kassab passou a exigir a antecipação da convenção nacional que escolheria o novo presidente do DEM. A liderança tentou negociar com Kassab, mas acabou cedendo e elegeu José Agripino Maia (RN) — um nome mais conciliatório — como presidente da sigla. Sem embargo, a saída de Kassab foi oficializada em 18 de março de 2011 e a dissidência se concretizou dois dias depois com a fundação do Partido Social Democrático (PSD). A esta nova agremiação, Kassab conseguiu atrair 17 deputados federais do DEM, além da Senadora Kátia Abreu (TO) e do Governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo. Outros quadros importantes a deixar o DEM nesta época foram Indio da Costa, Guilherme Affif Domingos e Claudio Lembo (SP). O Democratas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra a criação da nova sigla, solicitando a remissão dos mandatos, porém sem êxito. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) também protestou a criação do partido devido ao uso do nome "Partido Social Democrático", pois em 2003 o PTB havia incorporado um partido de mesmo nome.

Membros de outros partidos também aderiram ao PSD que se propunha mais que um novo partido do Centrão, e sim uma opção de centro alternativa ao PMDB. Isso porque todo o movimento de fundação do partido recebeu grande patrocínio do Governo Dilma Rousseff que buscou enfraquecer a oposição ao mesmo tempo que reduzia o poder do PMDB, seu principal aliado e segunda maior bancada na Câmara dos Deputados.

Assim, membros fundadores do PSD provieram principalmente do DEM, PMN, PP, PSDB e PMDB; como: Omar Aziz (PMN-AM), Otto Alencar (PP-BA), Robinson Faria (PMN-RN), Fábio Faria (PMN-RN), Sergio Petecão (PMN-AC), Rômulo Gouveia (PSDB-PB), Rogério Rosso (PMDB-DF), entre outros. Chamou atenção que, na sua fundação, o partido conseguiu atrair uma liderança histórica e importantíssima da esquerda brasileira, o sindicalista José Ibrahim (PDT-SP).

Governo Dilma Rousseff miniaturadaimagem|234x234px|O governador Raimundo Colombo (PSD-SC) e presidente Dilma Rousseff (PT-RS) durante cerimônia de entrega de unidades habitacionais vinculadas ao programa "Minha Casa, Minha Vida" em Blumenau (SC). Embora reunisse deputados advindos de diversos partidos, inclusive do DEM que compunha a oposição mais aguerrida ao Partido dos Trabalhadores, a bancada do PSD nasceu associada ao Governo Dilma Rousseff e seus parlamentares votavam de forma coesa em favor das diretrizes governistas. A posição de Gilberto Kassab como presidente do partido era bastante favorável, pois sua interlocução junto ao PSDB era histórica: tinha sido conduzido à prefeitura de São Paulo na chapa de José Serra e mantinha importantes alianças aos tucanos no estado. Por outro lado, o contexto da criação do partido, bem como o alinhamento imediato da bancada junto ao governo estabelecem vínculos imediatos com o grupo petista. Como resultado, em seus primeiros anos o PSD foi intensamente cortejado tanto pelo Governo como pela oposição.

O primeiro teste eleitoral do PSD foram as Municipais de 2012. Como o partido já nascera com 55 deputados federais, a terceira maior bancada do congresso nacional, dois senadores e dois governadores, polêmicas em torno das assinaturas para a fundação do partido e o ressentimento de muitas outras legendas com o Partido Social Democrático deflagraram intensos debates sobre o seu registro nacional no Tribunal Superior Eleitoral, possibilitando para que já em 2012 o partido recém-criado pudesse disputar as eleições municipais por todo o país. A atribuição do fundo eleitoral também foi controversa, pois o partido fundado após o pleito de 2010 receberia apenas a quantia residual de 5% dos recursos do fundo, embora possuísse uma bancada muito mais numerosa. O PSD buscou emplacar a tese jurídica de que os votos nominais dos seus candidatos deveriam ser computados em seu favor na distribuição das quantias — tese essa acolhida pela Justiça Eleitoral.esquerda|miniaturadaimagem|214x214px|Cesar Souza Júnior, o primeiro prefeito de uma capital eleito pelo PSD. Na foto, Souza vota em Florianópolis (SC) utilizando adesivo com o número "55" Após o primeiro turno das eleições municipais de 2012, o PSD obteve 494 prefeituras, colocando-se como o quarto partido que mais ganhou prefeituras. Também elegeu 4.602 vereadores distribuídos pelo país e 418 vice-prefeitos. No Mato Grosso, o PSD se consolidou como o principal partido e em Santa Catarina como segundo maior partido. Na Bahia, conquistou 70 prefeituras. No estado de São Paulo, o PSD fez aliança com o PT em 24 municípios e com os tucanos em 15. O partido também elegeu o seu primeiro prefeito de capital, César Souza Júnior em Florianópolis (SC), além da prefeita Dárcy Vera em Ribeirão Preto (SP), Alexandre Kireeff em Londrina (PR) e Marco Bertaioli em Mogi das Cruzes(SP). O partido também chegou ao segundo turno em Blumenau (SC) e Joinville (SC).

Logo após deixar a prefeitura de São Paulo, Kassab declarou apoio à reeleição de Rousseff e reiterou a integração do PSD à base do governo em junho, quando a onda de manifestações de rua derrubou a popularidade da petista. Ainda que tenha saído mal avaliado da prefeitura, a essa altura Kassab fundara um partido extremamente poderoso na política nacional, capaz de rivalizar com os peemedebistas. A presidente Dilma Rousseff buscou capitalizar esse poderio kassabista para prevenir sua dependência da bancada do PMDB - à época liderada por Eduardo Cunha (RJ) — na coalizão parlamentar.miniaturadaimagem|252x252px|Convenção nacional do PSD homologa apoio formal à recondução da chapa presidencial Dilma Rouseff (PT)-Michel Temer (PMDB)Durante as Eleições Gerais de 2014, o PSD aderiu à coligação "Com a Força do Povo" em favor da recondução de Rousseff. O PSD elegeu 2 governadores — Raimundo Colombo (SC) (este em primeiro turno) e Robinson Faria (RN) — e dois senadores — Omar Aziz (AM) e Otto Alencar (BA) —, mas Kassab foi derrotado na eleição para o Senado em São Paulo. Quanto à bancada na Câmara dos Deputados, consagrou-se como a 5ª força política nacional, somando 36 parlamentares. Entretanto, as eleições de 2014 não foram apenas sucessos para o jovem partido: o plano original de Kassab era que a legenda tivesse existência efêmera e após cerca de 2 anos iniciasse o processo de fusão com o Partido Socialista Brasileiro. Contudo, a possibilidade da manobra ser considerada ilegal pela Justiça Eleitoral adiou as conversas e a morte prematura do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE), com quem tais conversas se efetuavam, sepultou o projeto.

Durante o novo mandato de Dilma Rousseff, o PSD recrudesceu seu apoio ao governo na Câmara dos Deputados, inclusive sendo Kassab a única liderança alternativa a Eduardo Cunha capaz de dialogar com os políticos do baixo clero. Diante disso, o pessedista foi nomeado Ministro das Cidades, uma pasta repleta de obras e verbas para atender às demandas de prefeitos e vereadores e que ajudaria no projeto de fortalecimento do PSD. Durante as eleições internas na Câmara, a bancada do PSD apoiou o candidato do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ainda que suas chances fossem baixas, o que reforçou o comprometimento do partido com o Governo Dilma Rousseff.miniaturadaimagem|240x240px|Deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da Comissão Especial do impeachment, ao lado do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) fazendo a leitura do relatório final do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT-RS).

Mesmo diante do fortalecimento das investigações da Operação Lava-Jato e da pressão popular pela abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o PSD se manteve sólido na sustentação parlamentar do Governo. No entanto, após o desembarque do PMDB e PP da coalizão no início de 2016, e a colocação em pauta do impedimento da petista, a fragilidade do governo foi ficando cada vez mais evidente. É nesse contexto que uma maioria favorável ao impeachment se instala dentro da bancada pessedista. Para conter essa tendência, inicialmente o partido opta por liberar a bancada, e elegeu-se o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF), como relator da Comissão Especial do impeachment. Logo cresce um distanciamento entre a permanência de Kassab no Ministério das Cidades e a vontade dos deputados pessedistas e, em abril de 2016, a bancada oficializa sua posição favorável ao impeachment. Kassab se afasta do Ministério às vésperas da votação, alegando ser necessário para proteger a coesão partidária e a soberania da decisão do grupo parlamentar. Governo Michel Temer