A Idade Moderna é um período histórico que é definido como parte ou como imediatamente anterior ao período moderno, com divisões baseadas principalmente na história da Europa e no conceito mais amplo de modernidade. Não há uma data exata que marque o início ou o fim do período e sua extensão pode variar dependendo da área da história que está sendo estudada. Em geral, considera-se que o início do período moderno durou desde o início do século XVI até o início do século XIX (cerca de 1501-1800). Em um contexto europeu, é definido como o período após a Idade Média e anterior ao advento da modernidade; mas as datas dessas fronteiras estão longe de ser universalmente acordadas. No contexto da história global, o início do período moderno é frequentemente usado mesmo em contextos onde não há um período "medieval" equivalente.
Vários eventos e transições históricas foram propostos como o início do início do período moderno, incluindo a queda de Constantinopla em 1453, o início do Renascimento, o fim das Cruzadas, a Reforma na Alemanha dando origem ao Protestantismo e o início da Era do Descobrimento e com ela o início da primeira onda de colonização europeia, tipo, Descobrimento do Brasil, Colonização espanhola e colonização inglesa na América. Seu fim é muitas vezes marcado pela Revolução Francesa, e às vezes também pela Revolução Americana ou pela ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, com o advento da colonização moderna da segunda onda do Novo Imperialismo.
Historiadores nas últimas décadas argumentaram que, do ponto de vista mundial, a característica mais importante do início do período moderno foi seu caráter globalizante de disseminação. Novas economias e instituições surgiram, tornando-se mais sofisticadas e globalmente articuladas ao longo do período. O início do período moderno também incluiu a ascensão do domínio do mercantilismo como uma teoria econômica. Outras tendências notáveis do período incluem o desenvolvimento da ciência experimental, o progresso tecnológico cada vez mais rápido, a política cívica secularizada, as viagens aceleradas devido a melhorias no mapeamento e no projeto de navios e o surgimento de estados-nação.
Historiadores à escala mundial nas décadas mais recentes têm argumentado que de uma perspectiva mundial, a característica mais importante que deu início à idade moderna foi a globalização.Jan De Vries, "The limits of globalization in the early modern world." Economic History Review (2010) 63#3 pp: 710–733. Este período da história moderna está caracterizado pela exploração e colonização do Continente Americano e o estabelecimento de contatos sólidos entre civilizações espalhadas pelo mundo. As potências mundiais envolveram-se umas com as outras através do comércio, à medida que bens, plantas, animais e alimentos viajavam do Velho Mundo para o Novo Mundo e vice-versa.
Novas economias e instituições emergiram, tornando-se mais sofisticadas e globalmente articuladas à medida que o tempo foi passando. Este processo começou nas cidades-estado medievais do norte da Itália, particularmente Génova, Veneza e Milão. Este período da história humana também inclui o estabelecimento de uma teoria econômica dominante, o mercantilismo. A colonização europeia dos continentes americano, asiático e africano ocorreu desde o até ao , disseminando a religião cristã por todo o mundo.
As tendências em diversas regiões do mundo durante a Idade Moderna apresentam uma mudança daquilo que havia sido ao longo de séculos a organização, a política ou a economia. O feudalismo foi posto de lado na Europa, ao mesmo tempo que este período viu também a Reforma Protestante, a desastrosa Guerra dos Trinta Anos, a Revolução Comercial, a colonização europeia do continente americano, a Era Dourada da Pirataria e o início da Idade das Revoluções, que para além de ter ocorrido a Revolução Industrial, trouxe também a ocorrência de grandes revoluções políticas e sociais como a francesa e a norte-americana.
Na Ásia, no , a economia chinesa sob a Dinastia Ming foi estimulada graças às trocas comerciais com os portugueses, os espanhóis e os holandeses, enquanto no Japão começou o período conhecido como Nanban, depois da chegada dos primeiros portugueses ao arquipélago. Outras tendências notáveis deste período incluem o desenvolvimento da ciência experimental, as viagens cada vez mais céleres graças aos avanços na cartografia e na produção de mapas, o progresso tecnológico cada vez mais rápido, a secularização das políticas civis e o aparecimento dos estados-nação. O final deste período da história humana termina com o aparecimento da Idade Contemporânea, consensualmente definida como tendo começado com a Revolução Francesa.Christopher Alan Bayly, The birth of the modern world, 1780–1914: global connections and comparisons (2004).
Feudalismo e capitalismo
O feudalismo foi um sistema político, econômico e social que predominou durante toda a Idade Média. Mas, já no final da Idade Média, o uso da terra, fundamental para o povo naquele período, foi perdendo a força. Os campos foram abandonados e o comércio nascia fortalecido.
Depois de longos anos de devastação e desordem, começava certa estabilidade econômica. O castelo, centro das atividades econômicas, ia perdendo sua importância. O progresso do comércio artesanal, as feiras medievais, a cidade burguesa incompatível com o feudo ofereciam chances de lucro e atrativos do comércio.
thumb|direita|200px|Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa.
A difusão de alguns inventos que impulsionaram o progresso técnico e os avanços da ciência contribuíram para essa transformação: a bússola, invenção dos chineses, começou a se generalizar entre os séculos XIV e XV e permitia a orientação dos navegadores em alto-mar; a pólvora, também inventada pelos chineses, introduzida na Europa (), revolucionou a arte da guerra; a imprensa foi um invento revolucionário devido ao alemão Johannes Gutenberg (), e com ela se multiplicaram os livros. A vida urbana tem início, aumenta a população das cidades.
No início da Idade Moderna, as cidades se expandem, vão de forma gradual deixando para trás a experiência do feudo. Claro que elas tiveram que lutar para sobreviver, tanto na parte econômica como na social e política.
As comunicações iam se tornando mais velozes, estradas iam se abrindo, mudando toda a paisagem de cada localidade.
Uma nova classe social, que reunia banqueiros, artesãos, camponeses, mercadores, aparecia com o nome de burguesia.
O dinheiro adquiriu valor e o comércio superou a terra.
thumb|direita|200px|Liga Hanseática.
A passagem econômica da Idade Média para a Moderna se deu com o aparecimento do capitalismo.
Gradativamente, o comércio foi se desenvolvendo, a princípio dentro da própria cidade, depois entre duas ou mais cidades e, por fim, entre países.
Com o sistema capitalista, os trabalhadores começaram a ter um salário. Os produtos foram produzidos em maior quantidade, e nascia assim a passagem do feudalismo ao capitalismo.
O desenvolvimento das navegações vai fortalecer as rotas marítimas e comerciais abertas na Idade Média.
Crescia o comércio por terra e por mar e mudava o quadro político, econômico e social da Europa.
Grandes associações surgiram (associações livres), formando as hansas. A mais conhecida foi a Liga Hanseática ou Hansa Teutônica. Era uma associação que agrupava mais de 160 cidades no comércio com o leste da Europa.
Progresso comercial O progresso comercial e urbano, a burguesia, o artesanato, as feiras, as rotas terrestres e marítimas deram ao rei a certeza de que, se ele não aceitasse o comércio e se aliasse aos burgueses, certamente não teria sucesso financeiro.
Surgiu a aliança rei-burguesia, e tal fato foi, sem dúvida, a abertura do sistema capitalista.
O capitalismo é um sistema político, social e econômico que tem como características:
produção voltada para os mercados; relações monetárias; lucro, neste sistema, é fundamental; acúmulo de capitais; livre iniciativa; relações assalariadas de produção.
Fases do capitalismo Na sua fase pré-inicial, recebeu o nome de pré-capitalismo, porque nessa fase as relações de produção ainda não foram totalmente assalariadas (séculos XII e XV). Capitalismo comercial, fase em que começam a existir relações de trabalho e produção assalariadas (séculos XV ao XVIII). Capitalismo industrial, que surgiu na Inglaterra, com a Revolução Industrial. A acumulação de capital começou a se concentrar em grandes produções e o capital passou a dominar o processo de distribuição e consumo de mercadorias. O trabalho assalariado instalou-se definitivamente (séculos XVIIIa XX). Capitalismo financeiro é a base do capitalismo em que se vê grande quantidade de concentração financeira. Grandes movimentos e sistemas bancários dominaram o mercado. (É o sistema predominante nos dias atuais para os países que adotam o capitalismo como sistema econômico.) A globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural, política, com o barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do e início do .
Portanto, a Idade Moderna surge com novos empreendimentos políticos, econômicos e sociais.
Surgiu a organização empresarial e o espírito de lucro, dando início aos tempos modernos. Abre-se um novo contexto sociocultural e econômico na Europa.
Fernand Braudel argumenta que a divisão do capitalismo em fases — comercial, industrial e financeira — é útil para compreender as transformações predominantes em cada período histórico. mas essa classificação pode ocultar um aspecto essencial: o capitalismo não elimina automaticamente formas econômicas anteriores. Ao contrário, sua expansão depende da coexistência entre diferentes regimes de trabalho e produção, organizados em uma economia-mundo marcada pela desigualdade entre centro e periferia. Assim, mesmo durante o desenvolvimento do capitalismo comercial europeu, persistiam e eram estimuladas formas de trabalho compulsório, como a escravidão no Novo Mundo e a servidão no Leste Europeu.
Grandes navegações
No período de transição da Baixa Idade Média para a Idade Moderna, o Mar Mediterrâneo continuou a principal ligação entre os países conhecidos. Esse intercâmbio se fazia através das rotas das especiarias, que eram monopólio das grandes cidades italianas, como Gênova e Veneza. As mercadorias orientais (sedas, porcelanas e principalmente condimentos, como a pimenta e a canela, indispensáveis para a conservação dos alimentos), depois de passarem por muitos portos e intermediários, eram vendidas a preços altíssimos para as nações europeias, obrigando-as a uma situação de dependência dos comerciantes italianos.
A tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, dificultou ainda mais o tráfico de mercadorias. Dominando a maioria dos portos mediterrâneos, os turcos exigiam elevadas taxas das caravanas comerciais, forçando assim novo aumento nos preços dos produtos.
Era necessário descobrir novas rotas que livrassem a Europa da supremacia turca e italiana. Os reinos ibéricos (Portugal e Espanha) foram os primeiros a reunir condições técnicas e financeiras para explorar as novas terras.
A península ibérica e as grandes navegações Reino português thumb|esquerda|200px|Uma carta náutica de Fernão Vaz Dourado, da África ocidental extraída do atlas náutico de 1571, pertencente ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Portugal foi a primeira nação a financiar expedições marítimas. Vários fatores contribuíram para esse pioneirismo: a existência de bons portos; a familiaridade portuguesa com o mar, devido à grande atividade pesqueira desenvolvida na região; uma burguesia enriquecida e disposta a investir para aumentar seus lucros; a paz interna e a centralização do poder. Portugal foi o primeiro reino a se unificar, formando um estado nacional.