thumb|upright|Primeira aparição do termo "Espiritismo" na literatura francesa. O Livro dos Espíritos, p. 1, abril de 1857. O termo "Espiritismo" () surgiu como um neologismo criado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (conhecido por Allan Kardec) para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas em "O Livro dos Espíritos" (1857).Enciclopédia Eletrônica Barsa - versão 1.11 - CD - Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.Moreira-Almeida, Alexander (2008).Allan Kardec and the development of a research program in psychic experiences. Proceedings of the Parapsychological Association & Society for Psychical Research Convention. Winchester, UK. p. 138. Em virtude da existência de vários pontos em comum, os termos "espiritismo" e "espiritualismo" têm sido muitas vezes usados inapropriadamente como sinônimos.
O termo "kardecismo", de acordo com a semântica do sufixo -ismo, denota movimento religioso derivado da doutrina codificada por Kardec. A palavra "kardecista", além de se referir a adeptos, possui também a conotação de um adjetivo distintivo, em movimento de diferenciação de um "espiritismo kardecista". Foi por exemplo notado por Allan Kardec como uma forma contemporânea se referir à variedade de posições do espiritualismo moderno: "Os espíritas, qualquer que seja o matiz de suas posições – sejam americanos ou europeus, kardecistas, como se diz, ou outros, seja qual for o nome que se lhes dê";Conforme verbete «Kardecismo» em Enciclopédia Espírita Online, citando discurso de 1867 por Allan Kardec no Projeto Allan Kardec. ou empregado no Brasil como forma de separar a doutrina de matriz kardeciana de outras consideradas um "falso" ou "baixo espiritismo" no início do século XX. Essas formas, porém, são criticadas pelos espíritas com base na definição de Kardec, o qual atribuiu a autoria do espiritismo aos espíritos, e não a si mesmo, e considerou-o um fenômeno universal não restrito à sua codificação, afirmando que "nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec". Acepções do termo
Espiritismo
upright|miniaturadaimagem|Allan Kardec O termo é mais comumente empregado ao Espiritismo (também chamado de Doutrina Espírita ou, popularmente, de Kardecismo), um conjunto de princípios e leis codificados por Allan Kardec em meados do século XIX.Enciclopédia Microsof Encarta, 1993-2001. Microsoft Corporation. Versão 11.0.0.0816 Refere-se a uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela dimanam"KARDEC, A. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro-Brasil: FEB, 1859. ISBN 978-85-7328-113-2. Definição do próprio autor (Allan Kardec). e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos Espíritos. A Codificação Espirita está sistematizada nas seguintes obras publicadas pelo pedagogo francês Hippolyte León Denizard Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos de 1857, O Livro dos Médiuns de 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo de 1864, O Céu e o Inferno de 1865 e A Gênese de 1868.-O Livro dos Espíritos- Publicado em 1857. -O Livro dos Médiuns- Publicado em 1861. -O Evangelho Segundo o Espiritismo - Publicado em 1864. -O Céu e o Inferno- Publicado em 1865. -A Gênese - Publicado em 1868 O Espiritismo também é compreendido como uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através de médiuns.. Trata-se, portanto, de um ramo do espiritualismo com características e identidade próprias. Por consequência, todos os adeptos do espiritismo são espiritualistas. Mas nem todos os espiritualistas são espíritas.
Espiritualismo
Várias doutrinas filosóficas e/ou religiosas que têm como fundamento básico a afirmação da existência do espírito (ou alma) como elemento primordial da realidade, bem como sua autonomia, independência e primazia sobre a matéria,Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa - CD - versão 1.0.5 referindo-se às doutrinas que são contrárias ao materialismo e que datam de milhares de anos.
Moderno Espiritualismo
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, assim como no resto do mundo anglófono, o termo espiritismo tem sido comumente denominado sinônimo de Moderno Espiritualismo.
Durante o século XIX, antes do advento da Doutrina Espírita, uma diversidade de manifestações de entidades incorpóreas espalharam-se por todo o mundo. Segundo os modernos espiritualistas, tais fenômenos psíquicos são tão antigos quanto o próprio homem. Contudo a publicidade mediúnica que crescia desesperadamente naquele século, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, provocava a atenção de inúmeros investigadores da época, este movimento ficou conhecido como Moderno Espiritualismo. O Espiritismo está inteiramente ligado a este movimento, pois foi ele que atraiu a atenção de diversos pesquisadores, dos quais destacou-se o pedagogo francês Hippolyte León Denizard Rivail, sua tentativa foi a de sistematizar as práticas moderno-espiritualistas em um sistema filosófico consistente, visto que, o movimento estava desorganizado.Federação Espírita Brasileira (FEB): História do Espiritismo Contudo alguns pontos em relação ao significado é necessário destacar. O Espiritismo surgiu em 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, trata-se de uma doutrina sistematizada e estruturada. O Moderno Espiritualismo não apresenta uma data especifica para o seu surgimento, por tratar-se de um movimento, diversos nomes são tidos como os seus idealizadores. Nos Estados Unidos, desde os primórdios de seu aparecimento, o Espiritismo tem sido mais comumente denominado sinônimo de Moderno Espiritualismo.IFRES - Institut Français De Recherche Et D'Experimentation Spirite: Le Spiritisme
Moderno Espiritualismo Anglo-Saxão
No mundo anglófono, é bastante conhecida também uma divergência entre o que se convencionou chamar de "Espiritismo Latino" e "Espiritismo Anglo-Saxão" (este último, particularmente, era integrado pelos ingleses e estadunidenses).
Essa divisão do termo Espiritismo surgiu como consequência do número de pessoas que passaram a utilizar a denominação de "espíritas", pois havia em ambos os grupos divergências em relação à reencarnação.
Allan Kardec trata da questão, na Revista Espírita de 1864, no capítulo "A Escola Espírita Americana" Revista Espírita de 1864:
Arthur Conan Doyle, que abordou a questão em seu livro "A História do Espiritualismo – De Swedenborg ao início do século XX"A História do Espiritualismo - De Swedenborg ao início do século XX, publicado em Londres em 1926, foi Presidente de Honra da Federação Espiritualista Internacional, Presidente da Aliança Espírita de Londres e Presidente do Colégio Britânico de Ciências Psíquicas, nos séculos XIX e XX, era britânico e reencarnacionista:
Outro exemplo é ilustrado pelo V Congresso Internacional de Barcelona, 1934, onde ficou estabelecido que:
Entretanto, na França, o "Espiritismo Anglo-Saxão" é comumente chamado de —Moderno Espiritualismo Anglo-Saxão— (em francês: Spiritualisme Moderne Anglo-Saxon). Essa substituição encontra respaldo na realidade, visto que, o Espiritismo foi um termo cunhado por Allan Kardec e baseado em cinco obras básicas, nas quais a ideia reencarnacionista está presente.A Reencarnação está presente em O Livro dos Espíritos, primeiro livro da Codificação Espirita; Capitulo 4 - Pluralidade das existências - Da parte segunda - Mundo espírita ou dos espíritosA Reencarnação está presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, terceiro livro da Codificação Espirita; Capitulo 4 - Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novoNo túmulo de Allan Kardec, em Paris, contem a inscrição que resume o pensamento espírita a respeito do assunto: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei (a citação consta também do livro -O que é o Espiritismo - Publicado por Allan Kardec, em 1859) Enquanto que, o Moderno Espiritualismo especifica o conjunto de manifestações mediúnicas que se difundiram no século XIX, mas em alguns casos, com identidade própria. Esta foi a causa para o surgimento da designação Moderno Espiritualismo Anglo-Saxão.A propósito dos motivos da não adoção do princípio da reencarnação por vários espiritualistas estadunidenses, Allan Kardec escreveu um artigo na edição de maio de 1884 da sua Revista Espírita, intitulado "A Escola Espírita Americana" A palavra composta "Anglo-Saxão" foi adicionada para especificar certas crenças adotadas pelos modernos espiritualistas dos países de língua inglesa.A Reencarnação faz parte dos preceitos básicos do Espiritismo, tanto que vários conceitos da doutrina espirita ficariam contraditórios. Veja -Obras de Allan Kardec- -Reencarnação- -Necessidade da Reencarnação- Estas referências tratam da visão espírita a respeito da reencarnação. (KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 132, p.147)
Religiões afro-brasileiras
No Brasil, o termo "Espiritismo" é historicamente utilizado como designação por algumas casas e associações das religiões afro-brasileiras, e seus membros e frequentadores definem-se como "espíritas", nomeadamente a Umbanda, como por exemplo a atual Congregação Espírita Umbandista do Brasil, com sede no estado do Rio de Janeiro.GIUMBELLI, Emerson. "Kardec nos Trópicos". in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 3, nº 33, junho de 2008, p. 14-19. - "Mesmo congregando elementos católicos, africanos e do ocultismo, a umbanda se constituiu como uma modalidade de espiritismo. É o que indicam os primeiros livros que identificavam a nova religião. Seus mentores criam em 1939 a Federação Espírita de Umbanda, e em 1941 realizam o I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda." Os umbandistas, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita BrasileiraVer: Triste episódio ocorrido em 1953 Consultado em 14 de Junho de 2008.), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".
No Brasil Império a Constituição de 1824 estabelecia expressamente que a religião oficial do Estado era o Catolicismo. No último quartel do século XIX, com a difusão das ideias e práticas espíritas no país, registraram-se choques não apenas na imprensa, mas também a nível jurídico-policial, nomeadamente em 1881, quando uma comissão de personalidades ligadas à Federação Espírita Brasileira reuniu-se com o Chefe de Polícia da Corte e, subsequentemente, com o próprio Imperador D. Pedro II, e após a Proclamação da República Brasileira, agora em função do Código Penal de 1890, quando Bezerra de Menezes oficiou ao então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas. Outros momentos de tensão registrar-se-iam durante o Estado Novo nomeadamente em 1937 e em 1941, o que levou a que a prática dos cultos afro-brasileiros conhecesse uma espécie de sincretismo sob a designação "espiritismo", como em época colonial o fizera com o Catolicismo.
Com relação à Umbanda, surgida em 1908 no estado do Rio de Janeiro, a postura da Federação Espírita Brasileira ao longo da história foi ambígua:
Como exemplo, a decisão do Conselho Federativo da Federação Espírita Brasileira, em outubro de 1926, conclui:
Essa postura mudou na década de 1940, nomeadamente a partir do reconhecimento da Umbanda como religião pelo Congresso Nacional em 1945: