A morte de Osama bin Laden, um dos membros sauditas da família bin Laden e líder-fundador do grupo terrorista al-Qaeda, ocorreu durante a Operação Lança de Neptuno, codinome usado pelas tropas estadunidenses para referir-se a ele, em 1 de maio de 2011. Nesse dia, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou em conferência à imprensa que bin Laden havia morrido na cidade paquistanesa de Abbottabad. Segundo a versão oficial, Osama teria sido capturado e morto em um esconderijo nos arredores da cidade por forças da Joint Special Operations Command em conjunção com a CIA, e que o governo desse país colaborou para a localização do paradeiro do terrorista. O cadáver foi mantido sob custódia militar e amostras de ADN, que foram comparadas com as amostras de uma irmã dele, a qual morrera de câncer no cérebro, confirmaram sua identidade; outros métodos, como reconhecimento facial, garantiram que o capturado era mesmo o terrorista.
Operação Lança de Neptuno O nome código oficial da missão foi Operação Lança de Neptuno. A lança de Neptuno é o tridente, que aparece nas insígnias dos SEALs da Marinha dos EUA, com as três pontas do tridente representando a capacidade operacional dos SEALs no mar, no ar e na terra.
Descoberta do paradeiro Autoridades de inteligência norte-americanas descobriram o paradeiro do terrorista acompanhando as informações de um de seus mensageiros. As primeiras informações foram recolhidas junto de presos em Guantánamo, descobrindo que ele era um protegido de Khalid Sheikh Mohammed. Em 2007, as autoridades dos Estados Unidos descobriram o verdadeiro nome dele e, em 2009, onde morava. Em agosto de 2010, o esconderijo do terrorista em Abbottabad, no Paquistão. Imagens de satélites e relatos da CIA ajudaram a confirmar a localização correta de Osama e dos outros moradores da mansão onde morava.
Esconderijo A mansão onde estava o terrorista foi construída em 2005, era localmente conhecida como Waziristan Haveli e custou mais de um milhão de dólares. O esconderijo estava localizado a 1,3 km da Academia Militar do Paquistão, no subúrbio de Abbottabad. Na região em torno do esconderijo havia grande circulação e habitação de militares paquistaneses. O terrorista estava escondido no local há, pelo menos, cinco anos sem ser descoberto. thumb|esquerda|Diagrama do composto
Terminado de ser construído em 2005, o composto encontra-se em um terreno muito maior do que as casas ao seu redor; embora a sua área seja muito maior e sua segurança exagerada, a casa não se destacava das demais por seguir o mesmo padrão de construção: sem acabamento e com janelas reduzidas, seguia arquitetonicamente o estilo do bairro em que estava.
Tem três andares e situa-se próximo dos limites da cidade, num meio urbano e tinha alta segurança. Era cerca de oito vezes maior que as outras residências em seu redor, era cercada por paredes de arame de concreto (concreto armado) de 3,7 a 5,5 m de altura e arame farpado. Existiam dois portões de segurança e no terceiro andar há uma varanda com 2,1 m de altura de parede, o que garantia alta privacidade. A área total da casa aproxima-se de 3 500 metros quadrados e tem poucas janelas. O complexo não contava com ligações à Internet ou telefónicas para evitar que fosse descoberta a localização do terrorista. Fotos internas da casa mostram que ela não apresentava luxo ou conforto e que estava desorganizada e com móveis modestos. O composto tinha uma horta em que estavam coelhos, galinhas e uma vaca.
O composto, analisado por especialistas, mostra-se extremamente seguro e contra pretensos invasores. Foi classificado como "muito urbano" e "extraordinariamente único". A Associated Press identificou o proprietário como sendo Abu Ahmed al-Kuwaiti, que comprou o terreno e mais quatro lotes entre 2004 e 2005 pelo equivalente a 48 mil dólares americanos.
Construída entre 2003 e 2005, a estrutura estava localizada em uma estrada de terra de 4 km a nordeste do centro da cidade de Abbottabad. O composto foi avaliado por autoridades estadunidenses que confirmaram o preço da casa em um milhão de dólares americanos, enquanto as imobiliárias locais diziam que o composto era avaliado em 250 mil dólares. Relatórios mostram que bin Laden pode ter sido movido para o composto um ano após sua construção, realizada em 2005. O terrorista, que não fazia aparições públicas, era conhecido até 2011, na região, apenas como "mestre", não sendo sua real identidade revelada aos seus vizinhos da cidade.
Imagens de satélite mostram várias antenas parabólicas instaladas na casa, que também tinha sistema de vigilância com câmeras distribuídas por todo o terreno. Um dos principais construtores do complexo foi Gul Mohammed, encarregado de construir uma casa com muitas vedações e muros altos. De acordo com o construtor, ele não havia sido informado de para quem estava trabalhando e dois homens, a mando de bin Laden, vigiavam a construção do composto. O construtor diz que os homens não eram restritivos com dinheiro e sempre o forneciam quando solicitado. O homem que mandara construir a casa era chamado apenas por "mestre". Mohammed diz nunca ter conhecido o homem.
O presidente Obama reuniu-se com os seus assessores de segurança no dia 14 de março de 2011, na primeira das cinco reuniões de segurança que decorreram em segredo ao longo de seis semanas. A 29 de abril, às 8h20min, o presidente dos Estados Unidos reuniu-se com Thomas Donilon, John Brennan e outros assessores de segurança, e autorizou o ataque ao complexo de Abbottabad. O Paquistão não foi informado desta decisão.
Execução da operação
Abordagem Depois da autorização do presidente Obama, o diretor da CIA, Leon Panetta, deu o seu aval ao meio-dia de 1 de maio de 2011. O ataque foi realizado por helicópteros dos Navy SEALs do Grupo de Desenvolvimento Especial de Guerra Naval dos Estados Unidos (DEVGRU) do Joint Special Operations Command, que, por razões legais, foram temporariamente transferidos para o controle da CIA e paramilitares da agência.Os Seals DEVGRU operaram em duas equipes com doze pessoas cada e usavam armamento como a espingarda de assalto HK416 (a arma principal), a metralhadora Mark 48, e a MP7, uma arma de defesa pessoal usada por alguns SEALs, mais silenciosa e para combate próximo. De acordo com o The New York Times, na operação havia um total de "79 comandos e um cão". O cão era um pastor-belga-malinois chamado de Cairo, que podia detectar a presença de explosivos no complexo de bin Laden. Entre as pessoas adicionais da missão, estavam incluídos um intérprete, o tratador do cão, os pilotos dos helicópteros, além de coletores de informações e navegadores que utilizaram imagens hiperespectrais para visualizar a operação.
Os SEALs voaram para o Paquistão a partir de uma base na cidade de Jalalabad, no leste do Afeganistão. O 160.º Regimento de Operações Especiais de Aviação (SOAR), uma unidade do Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA conhecida como "Night Stalkers", forneceu os dois helicópteros Black Hawk modificados que foram usados para o raide propriamente dito, bem como os helicópteros de carga pesada Chinook que foram usados como apoio.
Os Black Hawks usavam versões "furtivas" do helicóptero, anteriormente não conhecidas, que voavam mais silenciosamente e são mais difíceis de detectar no radar do que os modelos convencionais.
Os Chinooks mantidos em alerta estavam no terreno "numa área deserta a cerca de dois terços do caminho" de Jalalabad a Abbottabad, com duas equipes da SEAL adicionais constituídas por cerca de 24 operadores DEVGRU para uma "força de reação rápida" (QRF). A sua missão era interditar quaisquer tentativas militares paquistanesas de interferir com a operação. Outros Chinooks, com mais 25 SEALs da DEVGRU, foram colocados do outro lado da fronteira no Afeganistão, para o caso de serem necessários reforços durante a operação.
De acordo com o plano, o primeiro helicóptero sobrevoaria o pátio do complexo, enquanto toda a sua equipe da SEALs descia por cordas rapidamente para o solo. Ao mesmo tempo, o segundo helicóptero voaria para o canto nordeste do complexo e descia o intérprete, o cão e o tratador, e quatro SEALs para assegurar o perímetro. A equipe no pátio entraria na casa pelo rés-do-chão.
Ao pairar acima do alvo, o primeiro helicóptero experimentou uma falha mecânica,https://www.globalsecurity.org/military/ops/neptune-spear.htm desceu bruscamente e raspou com a cauda uma das paredes do complexo, danificando a hélice. Nenhum dos SEALs, tripulação ou pilotos do helicóptero ficou gravemente ferido na aterragem. Os SEALs avançaram para dentro de casa, arrombando paredes e portas com explosivos.
Entrada Os SEALs encontraram os residentes na casa de hóspedes do complexo, no seu edifício principal, no primeiro andar onde viviam dois homens adultos, e no segundo e terceiro andares onde Bin Laden vivia com a sua família. O segundo e terceiro andares foram a última secção do complexo a ser vista. Segundo consta, havia "pequenos grupos de crianças … em todos os níveis, incluindo a varanda do quarto de Bin Laden".http://edition.cnn.com/2011/WORLD/asiapcf/05/02/bin.laden.raid/index.htmlhttps://www.sandiegouniontribune.com/sdut-ap-sources-raiders-knew-mission-a-one-shot-deal-2011may17-story.html
Bin Laden foi morto na operação e as versões iniciais diziam que três outros homens e uma mulher também foram mortos: o filho adulto de bin Laden, Khalid; o correio de bin Laden, Abu Ahmed al-Kuwaiti; o irmão de al-Kuwaiti, Abrar; e a mulher de Abrar, Bushra.https://www.thenews.com.pk/archive/print/613639-terror-king-dead,-crown-prince-alive
Execução de Bin Laden Os SEALs encontraram Bin Laden no terceiro andar do edifício principal.http://www.montrealgazette.com/news/Laden+Obama+team+drama+unfold/4720187/story.html Bin Laden estava desarmado, "vestindo a túnica e as calças largas locais conhecidas como "kurta paijama", que mais tarde foi verificado terem 500 euros e dois números de telefone cosidos no tecido.
Bin Laden espreitou pela porta do seu quarto os norte-americanos, que avançavam pelas escadas, e o líder da equipe disparou contra ele. Os relatos diferem, embora concordem que ele acabou por ser atingido por tiros no corpo e na cabeça. Duas das suas esposas estavam perto dele. Segundo o jornalista Nicholas Schmidle, uma das esposas de Bin Laden, Amal Ahmed Abdul Fatah, moveu-se em direção ao SEAL, que lhe atirou numa perna, depois agarrou ambas as mulheres e empurrou-as para o lado.
O líder da equipe transmitiu então por rádio, "Por Deus e pelo país — Gerónimo, Gerónimo, Gerónimo" e depois, após ter sido solicitado por McRaven para confirmação, "Gerónimo EKIA" (inimigo morto em ação). Assistindo à operação na Sala de Crise da Casa Branca, Obama disse simplesmente: "Apanhámo-lo".
As mulheres e crianças encontradas durante a incursão foram presas com cabos de plástico e depois deixadas no exterior, para que as forças paquistanesas as descobrissem. O cadáver de Bin Laden foi levado pelas forças norte-americanas, os corpos dos outros quatro mortos no raide foram deixados no complexo.
Toda a operação demorou 38 minutos e cerca de metade desse tempo foi dedicado a recolha de material. A equipe encontrou três Kalashnikov, duas pistolas, dez discos rígidos de computador, muitos documentos, jornais, livros, cartas, DVD´s, cerca de 100 pen drives, uma dúzia de celulares e diversos equipamentos eletrônicos. Foi encontrada também uma grande quantidade de ópio e uma vasta coleção de filmes pornográficos, um achado habitual em situações semelhantes.