direita|thumb|320px|O Império Romano dividido em 260 d.C. Crise do terceiro século é uma série de acontecimentos ocorridos no Império Romano ao longo do século III, ou mais precisamente do ano 235 ao ano 284.Olivier Hekster, Rome and its Empire, AD 193–284 (Edimburgo 2008)
Durante este período, o império foi governado sucessivamente por cerca de dezoito imperadores "legítimos". A maioria deles eram proeminentes generais que assumiram o poder imperial sobre todo ou parte do império, somente para perdê-lo por derrota em combate, assassinato ou morte natural, governando em média apenas dois a três anos. Por isso, este período é também conhecido como a época dos "Imperadores Soldados". O número exacto de imperadores do período é desconhecido, pois não considera aqueles nomeados juntamente com pais e colegas, e ainda desconsidera os pretendentes e usurpadores.
No fim do século II ocorreu uma guerra civil de sucessão, que abalou profundamente o império. Na primeira metade do século seguinte, o império manteve-se próspero e extenso, até que o poderoso Império Sassânida, do leste, começou a fazer ataques ao Império Romano. No ano de 260, foram capturados o imperador Valeriano e todo o seu exército de 70 mil homens. Sem muita defesa, as províncias do leste foram devastadas.
thumb|230px|esquerda|Com a ascensão do imperador Diocleciano encerrou-se a crise do terceiro século.
A Peste de Cipriano espalhou-se pelo império e tornou-se uma epidemia. Além desses problemas, o Império Romano ainda se iria deparar com outro poderoso inimigo vindo do norte: os godos.
O avanço da peste e os fracassos militares do império eram tão frustrantes que o povo passou a buscar novas crenças e rituais para afastar os perigos, ao mesmo tempo que se intensificou a perseguição aos cristãos. Rumores de que os acontecimentos negativos eram algum tipo de castigo para o Império Romano espalharam-se por toda a Europa.
Uma característica marcante observada na crise do terceiro século foi a fraqueza demonstrada pelos imperadores em manter de forma prolongada o controle sobre o império. Essa série de imperadores fracos foi, de certa forma, um reflexo da extensa militarização do império. Por outras palavras, Roma foi abandonando gradualmente o seu caráter aristocrático, percebido anteriormente nos poderes investidos ao senado romano, para tornar-se um império militar.
Esse processo de enfraquecimento do senado romano foi acompanhado pelo fortalecimento cada vez maior das legiões romanas nas decisões relativas à escolha dos imperadores, em função dos seus interesses imediatos e, por consequência, na administração do império. Isso levou inevitavelmente à escolha de imperadores despreparados e incompetentes.
Com a crise do terceiro século, começaram as transformações que, mais de um século depois, levariam ao fim do período histórico conhecido como Antiguidade e o início da Idade Média.
Ver também
Império Romano do Ocidente Aureliano Cláudio II Probo Diocleciano Galiano Império das Gálias Póstumo Império de Palmira Zenóbia
Bibliografia
Olivier Hekster, Rome and Its Empire, AD 193–284 (Edimburgo, 2008). . Klaus-Peter Johne (ed.), Die Zeit der Soldatenkaiser (Akademie Verlag, Berlin 2008). Lot, Ferdinand. End of the Ancient World and the Beginnings of the Middle Ages (Harper Torchbooks Printing, New York, 1961. First English printing by Alfred A. Knopf, Inc., 1931). Moss, H. St. L. B. The Birth of the Middle Ages (Clarendon Press, 1935, reimpressão Oxford University Press, Janeiro de 2000). . Watson, Alaric. Aurelian and the Third Century (Taylor & Francis, 2004) White, John F. Restorer of the World: The Roman Emperor Aurelian (Spellmount, 2004)
Categoria:Crises financeiras