269px O Festival Punto de Vista ou Festival Internacional de Cinema Documental de Navarra é um festival de cinema criado em 2005 que se realiza anualmente na cidade de Pamplona, Espanha. Surgiu como sucessor do antigo "Certame de Criação Audiovisual de Navarra" e é organizado pelo Departamento de Cultura e Turismo da Institución Príncipe de Viana, um organismo do Governo de Navarra. Desde 2010 que depende do Instituto Navarro das Artes Audiovisuais e Cinematografia (INAAC).

História A primeira edição do festival teve lugar em 2005, coincidindo com o centenário do nascimento de Jean Vigo. Em honra à obra deste cineasta francês, e defendendo o cinema documental como um espaço de reflexão e criação, distante da objetividade jornalística, foi decidido batizar o festival com o nome "Ponto de Vista", como homenagem permanente ao "ponto de vista documentado" defendido por Jean Vigo.

O festival está vocacionado para o documentário de autor, de criação o de não ficção, e defende um cinema que nasce do real para criar algo novo, fruto do olhar do autor no seu cruzamento com a realidade.

Apesar de ser um evento recente, recolhe a herança do "Certame de Criação Audiovisual de Navarra", que durante dez anos deu a conhecer áreas do audiovisual menos conhecidas e divulgadas. A pouco e pouco foi-se afirmando nos campos da não ficção e documentário, quiçá porque, como disse John Grierson, o documentário «é uma expressão tosca, mas não nos importemos com isso», um saco sem fundo desordenado onde cabe todo o aquele cinema que é inclassificável. O Certame de Criação Audiovisual de Navarra foi o primeiro festival espanhol que dedicou retrospectivas a autores tão emblemáticos como Chris Marker, Alexander Sokurov ou Alan Berliner.

Após uma paragem de alguns anos para reflexão, em 2005 nasceu o Festival Internacional de Cinema Documental de Navarra, ou Punto de Vista, deixando de lado as criações mais "museísticas" ou interativas e centrando-se no documentário.

Alguns nomes Ao longo das suas edições, o festival demonstrou o seu interesse na aposta pelo cinema diferente, documental ou de não ficção, que não tem lugar nos écrãs mais convencionais.

Na primeira edição homenageou Jean Vigo, com a projeção da sua obra integral e a presença de Luce Vigo, a filha do cineasta e portadora da memória e da luta dos eu pai. Além disso, rendeu também homenagem a Pío Caro Baroja, sobrinho do escritor Pío Baroja e pioneiro do documentário etnográfico em Espanha. Para completar essa primeira edição, houve uma retrospetiva dedicada ao fotógrafo e documentarista francês Raymond Depardon, com projeção de obras inéditas em Espanha.

A segunda edição teve como eixo principal o ciclo "O cinema dos mil anos", dedicado à história do cinema documental japonês desde a Segunda Guerra Mundial até à atualidade. Este ciclo mostrou pela primeira vez na Europa alguns dos filmes fundadores do cinema nipónico, imprescindíveis para entender algumas novas correntes de cinema, tanto de ficção como documentais, que chegam do Japão e do Oriente. Nomes como Shohei Imamura, Naomi Kawase, Makoto Sato, Shinsuke Ogawa ou Susumu Hani integraram a retrospetiva. Decorreu também uma homenagem à produtora X Films, fundada na década de 1960 pelo empresário e mecenas navarro Juan Huarte para promover o cinema experimental, que envolveu a projeção, de obras do pintor José Antonio Sistiaga, de Rafael Ruiz Balerdi, as primeiras curtas-metragens de José Luis Garci, José Luis García-Sánchez, Antonio Giménez-Rico, Jordi Grau e do cantor Luis Eduardo Aute, entre outros.

Entre outras retrospetivas realizadas em edições podem referir-se as dedicadas a autores como James Benning, Jem Cohen, Ermanno Olmi e a cinematografias como a japonesa ou ao cinema mudo de tradição eslava.

Em 2007 foi criada a secção chamada "Heterodocsias", de dedicada ao cinema documental mais heterodoxo feito em Espanha. Em 2008 essa secção tomou a forma de um projeto de produção sob o nome "La mano que mira" ("a mão que olha"), na qual sete realizadores (Andrés Duque, Gonzalo de Lucas, María Cañas, Víctor Iriarte, Albert Alcoz e Rafael Tranche) realizaram uma curta-metragem usando como única ferramenta um telefone móvel.

Apoio ao cinema espanhol e Projeto X Films Em 2010 o festival recuperou essa ideia de produção audiovisual e pôs em marcha o Projeto X Films, dentro da secção "Heterodocsias", que produz todos os anos um diário audiovisual de um autor emergente em Espanha. Na sua primeira edição, o vencedor foi Chus Domínguez, com o seu projeto "Notas de lo efímero" (notas do efémero). Com este projeto e com a aposta no cinema espanhol, o festival aspira a converter-se numa plataforma de lançamento internacional de novos talentos audiovisuais que não têm acesso aos espaços tradicionais e industriais. O caso do coletivo de cineastas Los hijos, vencedores do Prémio Jean Vigo para a melhor realização demonstrou do interesse internacional por um novo cinema espanhol: o seu filme Los materiales foi apreentado desde então em museus como o Reina Sofia em Madrid, o Guggenheim de Bilbau, o Centro Pompidou de Paris, o ARTIUM de Vitória e em fstivais como o FIDMarseille ou o Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata.

O nome da secção é uma homenagem explícita à produtora X Films, fundada pelo empresário Juan Huarte, que apoiou decididamente a produção de cinema experimental. Graças À X Films, trabalharam com absoluta libertade autores como José Antonio Sistiaga, Jorge Oteiza, Jordi Grau e muitos outros, e aí se iniciou na produção José María González-Sinde.

Prémio Jean Vigo para o melhor realizador Na terceira edição do festival, realizada entre 23 de fevereiro e 3 de março de 2007, foi instituído o Prémio Jean Vigo para o melhor realizador. O galardão premeia o melhor dos realizadores que participam na competição oficial com euros.

Filmes premiados AnoPrémio ou mençãoObraAutor2005Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraYoav Shamir (Israel)2005Melhor realização66 seasonsPeter Kerekes (Eslováquia2005Melhor curta-metragemGood TimesAlessandro Cassigoli (Itália) e Dalia Castel (Israel)2005Melhor guiãoWetback, The undocumented documentaryArturo Pérez Torres (México)2005Menção especialPlaticandoMarisa Lafuente (Espanha)2005Menção especialDr. NageshVicent Detours e Dominique Henry (Bélgica2006Grande prémio "Ponto de Vista"SoniaNathalie Dalaunoy2006Grande prémio "Ponto de Vista"MelodíasFrançois Bovy2006Melhor realizadorMelodíasFrançois Bovy2006Melhor curta-metragemLe pont sur la DrinaXavier Lukomski2006Menção especialLa casa de mi abuelaAdán Aliaga2006Menção especialPhantom LimbJay Rosenblatt2006Menção especialTierra NegraRicardo Iscar2007Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraForeverHeddy Honigmann (Países Baixos)2007Prémio Jean Vigo para o melhor realizadorThe ClinicTomasz Wolski2007Melhor curta-metragemEut elle été criminelle...Jean Gabriel Périot2007Prémio especial do públicoRadiophobiaJulio Soto2007Menção especialOur AmericaKristina Konrad2007Menção especialOrange WinterAndrei Zagdansky2008Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraBingaiFeng Yan (China)2008Prémio Jean Vigo para o melhor realizadorTsui no sumika("A sua querida velha casa")Tatsuya Yamamoto (Japão)2008Melhor curta-metragem52 procentRafal Skalski (Polónia)2008Prémio especial do públicoTovarisch, I am not deadStuart Urban (Reino Unido)2008Menção especialMust read after my deathMorgan Dews2008Menção especialA story of people in war and peaceVardan Hovhannisyan2009Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraAlicia en el PaísEsteban Larraín2009Prémio Jean Vigo para o melhor realizadorMiragesOlivier Dury2009Melhor curta-metragemLost WorldGyula Nemes2009Menção especial do júriIntimidades de Shakespeare y Víctor HugoYulene Olaizola2009Prémio especial do públicoIntimidades de Shakespeare y Víctor HugoYulene Olaizola2010Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraLet Each One Go Where He MayBen Russell (Estados Unidos)2010Prémio Jean Vigo para o melhor realizadorLos MaterialesGrupo Los hijos, formado por Javier Fernández, Luis López e Natalia Marín (Espanha)2010Melhor curta-metragemAmanar TamasheqLluis Escartín2010Menção especialThe darkness of dayJay Rosenblatt2010Menção especialLe plein paysAntoine Boutet2011Grande prémio "Ponto de Vista" para a melhor obraForeign PartsJ.P. Sniadeki e Véréna Paravel2011Prémio Jean Vigo para o melhor realizadorThe ArborClio Barnard2011Melhor curta-metragemTranslating Edwin Honig: A Poet´s Alzheimer´sAlan Berliner2011Prémio especial do públicoColor perro que huyeAndrés Duque2011Menção especialIci-BasComes Chahzabian2011Menção especial48Susana de Sousa Dias (Portugal)

Notas

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