Anopheles, também é comumente chamado mosquito-prego no Brasil e anófele, melga ou simplesmente mosquito em Portugal, é um género de mosquito com ampla distribuição mundial, presente nas regiões tropicais e subtropicais, incluindo Portugal, o Brasil, a China, a Índia e a África. É o agente transmissor da malária e, em alguns casos, da filariose. Os mosquitos-fêmea deste gênero são, para os humanos, os animais mais mortais do mundo, causando anualmente a morte de mais de 1 milhão de pessoas.

As fêmeas dos anofelinos são hematófagas e várias espécies do gênero são vetoras do Plasmodium, o protozoário causador da malária. Dentre essas, destacam-se Anopheles maculipennis (Europa), A. culicifacies (Índia), A. minimus (de Assam até a China e Filipinas), A. gambiae e A. funestus na África; no neotrópico, A. albimanus (México), A. nuñeztovari (Venezuela e Colômbia), A. darlingi e A. aquasalis (Brasil). Outras espécies importantes na transmissão da malária no Brasil são A. bellator e A. cruzii, os equivalentes ecológicos das duas últimas, no sul do país - região atualmente livre da doença. Menos importante é Anopheles albitarsis., por José Manuel Macário Rebêlo, Antonio Rafael da Silva, Luiz Alves Ferreira e José Augusto Vieira. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; vol.30 nº 2. Uberaba, Mar./Apr. 1997

Biologia miniaturadaimagem|Anopheles stephensi picando um ser humano Há cerca de 400 espécies, incluindo 40 que transmitem o plasmódio. A mais comum das transmissoras é o Anopheles gambiae. Só a fêmea é que pica o homem e se alimenta de sangue. Os machos alimentam-se dos sucos ricos em glicose de plantas.

O Anopheles prefere temperaturas de 20 a 30 °C e altas taxas de umidade. Não sobrevive em grande número se as temperaturas médias diárias caírem abaixo dos 15 °C e não gosta de altitudes acima dos 1500 metros.

Os anofelinos distinguem-se dos outros mosquitos pelos seus palpos quase tão longos quanto as probóscides, e pelas suas escamas brancas e pretas nas asas. Têm um comportamento típico, descansando com o abdomen em ângulo para cima.

Ciclo de vida

O Anopheles passa por quatro estágios: ovo, larva, pupa, e adulto.

As fêmeas vivem de duas semanas a um mês. Têm preferência pelo sangue humano, mas também picam animais. Põem cerca de duzentos ovos de cada vez, em água parada. Os ovos têm bóias naturais, demorando apenas 2 a 3 dias a maturar (ou 1 a 2 semanas em climas mais frios), e não sobrevivem às baixas temperaturas nem à desidratação.

As larvas alimentam-se por filtração de bactérias e outros microorganismos da água. Ao contrário de outras espécies não têm sifão, absorvendo o ar da superficie com a boca. As larvas passam por quatro estágios, sofrendo, posteriormente, metamorfose em pupas.

Enquanto se desenvolvem, as pupas vêm à superfície para respirar e, cerca de 10 a 15 dias após a deposição dos ovos, transformam-se em mosquitos adultos, imediatamente activos sexualmente. Os machos vivem cerca de uma semana e alimentam-se de néctar. As fêmeas alimentam-se de sangue, mais rico em nutrientes necessários para pôrem os ovos.

Coagulação do sangue

Os mosquitos usam uma molécula para controlar o sistema de coagulação durante as suas refeições de sangue – a anofelina, que tem como alvo a trombina, uma enzima central na anticoagulação.

A anofelina tem uma “abordagem radicalmente inovadora” no controle do sistema de coagulação do hospedeiro: ela liga-se à trombina aproveitando os locais normalmente utilizados por substratos naturais do organismo no processo de coagulação, como por exemplo o fibrinogénio. Desta forma, o fibrinogénio não consegue ligar-se à trombina e, consequentemente, não se produz a fibrina, que forma os coágulos. Um coágulo é uma rede de fibrina. Encravando os locais também usados pelo fibrinogénio como ligação à trombina, à semelhança de uma chave partida dentro da fechadura, a anofelina trava a formação de coágulos.

A molécula pode servir de base à concepção de fármacos sintéticos para prevenir e tratar as doenças cardiovasculares.

Espécies (lista parcial) Subgénero Anopheles Meigen

Anopheles annulipalpis Lynch, 1878 Anopheles apicimacula Dyar et Knab, 1906 Anopheles atropos Dyar et Knab, 1906 Anopheles aztecus Hoffmann, 1935 Anopheles barberi Coquillett, 1903 Anopheles bradleyi King, 1939 Anopheles bustamentei Galvao, 1955 Anopheles crucians Wiedemann, 1828 Anopheles earlei Vargas, 1943 Anopheles eiseni Coquillett, 1902 Anopheles evandroi Lima, 1937 Anopheles fausti Vargas, 1943 Anopheles fluminensis Root, 1927 Anopheles franciscanus Mccracken, 1904 Anopheles freeborni Aitken Anopheles gabaldoni Vargas, 1941 Anopheles georgianus King, 1939 Anopheles grabhami Theobald Anopheles guarao Anduze et Capdevielle, 1949 Anopheles hectoris Giaquinto-Mira, 1931 Anopheles intermedius (Peryassu, 1908) Anopheles judithae Zavortink, 1969 Anopheles maculipes (Theobald, 1903) Anopheles mattogrossensis Lutz et Neiva, 1911 Anopheles mediopunctatus (Theobald, 1903) Anopheles minor Lima, 1929 Anopheles neomaculipalpus Curry, 1932 Anopheles occidentalis Dyar et Knab, 1906 Anopheles parapunctipennis Martini, 1932 Anopheles perplexens Ludlow, 1907 Anopheles peryassui Dyar et Knab, 1908 Anopheles pseudomaculipes (Peryassu, 1908) Anopheles pseudopunctipennis Theobald, 1901 Anopheles punctimacula Dyar et Knab, 1906 Anopheles punctipennis (Say, 1823) Anopheles quadrimaculatus Say, 1824 Anopheles rachoui Galvao, 1952 Anopheles tibiamaculatus (Neiva, 1906) Anopheles vestitipennis Dyar et Knab, 1906 Anopheles walkeri Theobald, 1901 Anopheles xelajuensis Leon, 1938

Subgénero Cellia Theobald

Anopheles amictus (Edwards) Anopheles carnevalei Brunhes, Le Goff, Geoffroy, 1999 Anopheles farauti (Laversan) Anopheles gambiae Giles Anopheles melas (Theobald) Anopheles merus (Donitz) Anopheles ovengensis Awono et al, 2004 Anopheles punctulatus Doenitz

Subgénero Kerteszia Theobald

Anopheles bambusicolus Komp, 1937 Anopheles bellator Dyar et Knab, 1906 Anopheles boliviensis (Theobald, 1905) Anopheles cruzii Dyar et Knab, 1908 Anopheles homunculus Komp, 1937 Anopheles neivai Dyar et Knab, 1913

Subgénero Lophopodomyia Antunes

Anopheles gilesi (Peryassu, 1908) Anopheles gomezdelatorrei Levi-castillo, 1955 Anopheles oiketorakras Osorno-Mesa, 1947 Anopheles pseudotibiamaculatus Galvao et Barretto, 1941 Anopheles squamifemur Antunes, 1937 Anopheles vargasi Gabald, Cova Garcia e Lopez, 1941

Subgénero Nyssorhynchus Blanchard

Anopheles albimanus Wiedemann, 1820 Anopheles albitarsis Lynch Arribalzaga, 1878 Anopheles anomalophyllus Komp, 1936 Anopheles antunesi Galvao et Amaral, 1940 Anopheles aquasalis Curry, 1932 Anopheles argyritarsis Robineau-desvoidy, 1827 Anopheles benarrochi Gabaldon, Cova-gar. et Lop. 1941 Anopheles braziliensis (Chagas, 1907) Anopheles darlingi Root, 1926 Anopheles deaneorum Rosa-Freitas, 1989 Anopheles evansae (Brethes, 1926) Anopheles galvaoi Causay, Deane et Deane, 1943 Anopheles ininii Senevet and Abonnenc, 1938 Anopheles lanei Galvao et Amaral, 1938 Anopheles lutzii Cruz, 1901 Anopheles nigritarsis (Chagas, 1907) Anopheles nuneztovari Galaldon, 1940 Anopheles oswaldoi (Peryassu, 1922) Anopheles parvus (Chagas, 1907) Anopheles pictipennis (Philippi, 1865) Anopheles rangeli Gabald., Covo-gar. et Lopez, 1940 Anopheles rondoni (Neiva et Pinto, 1922) Anopheles sanctielii Senevet et Abonnenc, 1938 Anopheles shannoni Davis, 1931 Anopheles triannulatus (Neiva et Pinto, 1922)

Subgénero Stethomyia Theobald

Anopheles acanthotorynus Komp, 1937 Anopheles canorii Flock et Abonnene, 1945 Anopheles kompi Edwards, 1930 Anopheles nimbus (Theobald, 1902) Anopheles thomasi Shannon, 1933

Referência

Referência bibliográfica

Ligações externas Systematic Catalog of Culicidae Revista de Saúde Pública vol.33 n.6 São Paulo, dez. 1999. ISSN 0034-8910 Espécies de Anopheles (Culicidae, Anophelinae) em área endêmica de malária, Maranhão, Brasil, por Maria M. dos S. P. Xavier e José M. M. Rebêlo. Portal Domínio Público. Espécies de Anopheles em municípios de risco e com autoctonia de malária no estado de Goiás, no período de 1999 a 2006, por Eduardo Ridan Manoel.

Categoria:Anopheles