Os drusos (em árabe: درزي, pl. دروز, transl. darazī, pl. durūz; em hebraico: דרוזים, transl. druzim) são um grupo religioso esotérico árabe da Ásia Ocidental que adere à fé drusa, uma religião abraâmica, monoteísta e sincrética cujos principais princípios afirmam a unidade de Deus, a reencarnação e a eternidade da alma. Residem sobretudo no Líbano, em Israel, na Síria, na Turquia e na Jordânia (pequenas comunidades expatriadas existem ainda nos Estados Unidos, no Canadá, na América Latina, na Austrália e na Europa).
Embora a fé drusa tenha se desenvolvido a partir do Ismaelismo (um ramo do Xiismo), os drusos não se identificam como Muçulmanos. Eles mantêm a língua e a cultura árabe como partes integrantes da sua identidade, sendo o árabe o seu idioma principal. Os drusos intitulam-se em árabe como Ahl al-Tawhid, "o povo do monoteísmo". A origem do nome druso é debatida, mas costuma ser ligada com Adarazi, pregador ismailita do século XI, embora os próprios drusos o considerem como um herético. De um ponto de vista moderno, são vistos como um grupo etnorreligioso. A maioria das práticas religiosas drusas é mantida em segredo, e a conversão à sua religião não é permitida para estrangeiros. Casamentos inter-religiosos são raros e fortemente desencorajados. Eles diferenciam entre indivíduos espirituais, conhecidos como "uqqāl", que detêm os segredos da fé, e os seculares, conhecidos como "juhhāl", que se concentram em assuntos mundanos. Os drusos acreditam que, após completar o ciclo de renascimento através de sucessivas reencarnações, a alma se reúne com a Mente Cósmica ().
As Epístolas da Sabedoria são o texto fundamental e central da fé drusa. A fé drusa foi influenciada por uma gama diversificada de tradições além do Ismaelismo, incluindo o Cristianismo, o Gnosticismo, o Neoplatonismo, o Zoroastrismo, o Maniqueísmo e o Pitagorismo. Isso levou ao desenvolvimento de uma teologia caracterizada por uma interpretação esotérica das escrituras que enfatiza a importância da mente e da veracidade, incluindo conceitos de teofania e reencarnação. Os drusos têm Shuaib em alta estima, identificando-o como o bíblico Jetro. Eles consideram Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Maomé e o Imã ismaelita Muhammad ibn Isma'il como profetas. Além disso, honram figuras como Salmane, o Persa, al-Khidr (reencarnação de Elias, João Batista e São Jorge), Jó e Lucas o Evangelista como mentores e profetas.
Estimativas atuais colocam o tamanho da população drusa entre 800 000 e 2 milhões de pessoas. Estão localizados principalmente no Líbano (5,5% da população), Síria (3%) e Israel (1,6%), com comunidades menores na Jordânia. As comunidades mais densas estão no Monte Líbano e em Jabal al-Druze. A comunidade desempenhou um papel vital na política do Levante, mas frequentemente enfrentou perseguição de regimes muçulmanos e do Extremismo islâmico contemporâneo. Sobre suas origens, a hipótese mais aceita é a de que descendem de 12 Tribos árabes que migraram para a Síria no início do período islâmico. Em Israel, a identidade étnica drusa foi oficialmente redefinida de "árabe" para "druso" em 1962, embora a maioria ainda se identifique culturalmente como árabe.
História thumb|Xeque (ʻUqqāl) druso com vestes religiosas|esquerda A religião desenvolveu-se a partir do Islão ismaelita (um ramo do islamismo xiita), um movimento filosófico baseado no Califado Fatímida, no , numa época de particular riqueza cultural, e os drusos não se identificam como muçulmanos,. A religião não tentou reformar o Islão, mas criar um novo corpo religioso, influenciado pela filosofia grega, a gnose e o cristianismo, entre outros. thumb|Estrela drusa|esquerdaOs principais actores foram Aláqueme Bianre Alá, o califa que clamou ser Deus, e , o principal líder do movimento. Foi Hâmeza que proclamou publicamente, pela primeira vez, que Aláqueme era Deus. Aláqueme enfrentou a oposição dos muçulmanos ortodoxos por aquilo que eles consideraram como apostasia e foi desdenhado pela sua violência extrema, ao perseguir minorias religiosas (tais como os cristãos). Em 1010, Aláqueme destruiu a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.
Porque os drusos consideram Aláqueme como a encarnação de Deus, foram perseguidos pelos muçulmanos radicais, em especial depois da morte de Aláqueme, em 1021. Os drusos usaram então a taqiyya ("dissimulação"), mantendo a sua verdadeira crença em segredo e aceitando formalmente a religião dominante. Os drusos acreditam que Aláqueme desapareceu e irá regressar no final dos tempos.
Os drusos tiveram um papel importante na história do Levante. Eles estavam espalhados pelo monte Líbano, que era conhecido como a montanha dos Drusos e, mais tarde, no igualmente chamado monte dos Drusos (Jabal Alduruz; ou ainda, Jabal Alárabe), na Síria.
Os drusos também tiveram um papel importante na Guerra Civil Libanesa (1975–1990). Organizaram uma milícia, provavelmente a mais forte da guerra no Líbano, sob o comando de Walid Jumblatt, filho de Kamal Jumblatt — em oposição à milícia cristã maronita falangista de Bachir Gemayel. Eles estavam baseados na área do monte Líbano, especialmente na região do Xufe.
A maioria deles, inclusive os drusos de Israel, considera-se etnicamente árabe. Em 2017, uma pesquisa do Pew Research Center revelou que a maior parte da população drusa israelita identificava-se como árabe. Israel tem a terceira maior população drusa do mundo, depois da Síria e do Líbano. Os dados da pesquisa mostraram que, quanto à religião, a maioria se declara drusa; cultural e etnicamente, considera-se árabe; e, quanto à cidadania, declara-se israelense, ainda que uma pequena minoria se identifique como palestina, à diferença do que ocorre com os cidadãos árabes de Israel, que se identificam predominantemente como palestinos.
Crenças
Deus A concepção drusa de deidade é descrita como uma estrita e inflexível unidade. A principal doutrina drusa afirma que Deus é transcendente e imanente, no qual ele está acima de todos os atributos, mas, ao mesmo tempo, está presente.
Com seu âmbito de manter a unidade de Deus, tiraram dele todos seus atributos (tanzih). Em Deus, não haveriam nenhum atributo distintos de sua essência. Ele é sábio, poderoso e justo não por sua sabedoria, poder e justiça, mas por sua própria essência. Deus é "tudo da existência" ao invés de "acima da existência" ou "seu trono", que fazem Dele "limitado". Não há "como", "quando" ou "como sobre ele"; ele é incognoscível.
Em seu dogma, são muito similares ao corpo semi-religioso e semi-filosófico que floresceu sob Almamune conhecidos como mutzalismo e a Ordem Fraternal dos Irmãos da Pureza (Ikhwan al-Ṣafa).
Diferentemente do Mutzalismo e outros ramos similares da Tawasuf, os druzos acreditam no conceito de Tajalli (teofania). Tajalli é comumente mal interpretado por acadêmicos e escritores e confundido com o conceito de encarnação. [Encarnação] é a crença espiritual central nos drusos e em algumas outras tradições intelectuais e espirituais […] Em um sentido místico, refere-se à luz de Deus experimentada por certos místicos que alcançaram um alto nível de pureza em sua jornada espiritual. Assim, Deus é percebido como o Lahut [o divino] que manifesta Sua Luz na Estação (Maqaam) do Nasut [reino material] sem que o Nasut se torne Lahut. Isso é como a imagem de alguém no espelho: alguém está no espelho, mas não se torna o espelho. Os manuscritos drusos são enfáticos e alertam contra a crença de que o Nasut é Deus […] Ignorando este aviso, indivíduos buscadores, estudiosos e outros espectadores consideraram al-Hakim e outras figuras divinas […] Na visão escritural drusa, Tajalli assume um papel central. Um autor comenta que Tajalli ocorre quando a humanidade do buscador é aniquilada para que atributos divinos e luz sejam experimentados pela pessoa.
Escrituras As escrituras sagradas dos drusos incluem o Corão e as Epístolas de Sabedoria. Outros textos drusos antigos incluem o Rasa'il al-Hind (Epístolas da Índia) e muitos os antigos manuscritos perdidos (ou escondidos) como al-Munfarid bi-Dhatihi e al-Sharia al-Ruhaniyya, assim como outros textos instrutivos e tratados acerca de polêmicas.
Reencarnação Reencarnação é um parâmetro principal na fé drusa. Segundo a fé, a reencarnação ocorre instantaneamente após a morte de alguém, pois existe uma eterna dualidade entre o corpo e a alma, sendo impossível haver uma alma sem corpo. Diferentemente do Budismo, do Hinduísmo e do Neoplatonismo, na fé drusa, a alma humana só é compatível com um corpo humano, não havendo a possibilidade de reencarnação em outro tipo de ser. E, além disso, uma "alma macho" só pode reencarnar em um humano macho, e uma "alma fêmea" só pode reencarnar em um humano fêmea. E para mais longe ainda, um druso só pode reencarnar num corpo druso.
Bibliografia
Dizer a migração, por Nágila Ibrahim El Kadi. Anais do I Seminário de Pesquisa da Faculdade de Ciências Sociais. Universidade Federal de Goiás, 2010, p. 286.
Ligações externas
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