A Floralia era um festival romano, em honra à deusa Flora, ocorrido no mês de maio e ligado ao ciclo agrário, para consagrar as florações da primavera. Iniciava-se em 28 de abril e se estendia até 3 de maio, com representações teatrais, solturas de animais associados à fertilidade e divertimentos realizados no Circo Máximo. Foi criado em pelos irmãos edis Públio e Marco Publício Maleolo.Pighius, Anales vol. II. p. 72.
Deusa Flora thumb|Casamento de Clóris e Zéfiro. Afresco de Pompeia.
O poeta Ovídio, na obra Os Fastos (livro V), descreve-a como "mãe das flores", "deidade amiga" e "deusa jovial". Além de reinar sobre as flores, os campos também eram de seus cuidados: as videiras (produção de vinho), o olival (azeite e azeitonas), codeços, timo , ervilhas e lentilhas. Seus domínios eram os campos e jardins cercados e não o que era selvagem. “-De que provém caçarem em teus jogosTriste cabra montês, medrosa lebre, E não da Líbia horríficas leoas?”-Expôs-me por causal, que os seus domínios Não eram selvas: eram hortos, campos,Contra feras terríficas defesos."HORÁCIO-OVÍDIO, Sátiras/Os Fastos, tradução: Antônio Feliciano de Castilho, vol. IV , Ed. W. M. Jackson, 1960, p.281-290.
Ovídio narra, no poema-calendário, que ela era Clóris (ninfa dos campos) e Flora foi seu nome dado na região do Lácio. As florações lhe foram consagradas após Zéfiro raptá-la e desposá-la, dando as flores como dote. Sua função era cuidar de tudo que da terra brotasse. Segundo a lenda, Flora ajudou no nascimento de Marte, ao entregar uma flor fecunda, existente em seus jardins, à sua mãe que o desejava, mas não queria engravidar através da relação sexual com uma figura masculina.
História do Festival thumb|left|120px|Estátua de Flora
Sob a direção do oráculo dos livros Sibilinos, em 240 a.C, foi construído um templo em honra a Flora, dedicado em 28 de abril. A Floralia foi instituída para pedir sua proteção. Devido às más colheitas, as festas foram intermitentes durante quase cem anos (entre 240 a.C a 173 a.C), tendo sido retomadas de forma anual a partir daí. Pela ausência de tais festivais é que Flora esquecera seu ofício, negligenciando seus campos, proporcionando esse período decadente. Ovídio narra a fala da deusa sobre a suspensão de suas festas: "Ai! de quem nos despreza! ao desacatoSobr’está logo a pena ; então não pomos À nossa justa cólera limites.(...) “Longo fora o catálogo das penas,Que hemos dado a sacrilégios; só quero Narrar-te as que infligi. De Roma os PadresTinham-me preterido; eu que faria?
Como desagravar-me e escarmentá-los?Absorta em meu pesar, o ofício esqueço; (...)
“Não promovia eu mesma aquelas perdas;Não sou cruel na ira; per si vinham, E eu não as repelia."Ovídio, os Fastos, Livro V.
Os jogos (Ludi Florales) foram reinstituídos, em 173 a.C, pelo Senado, para honrar a deusa e trazer um período próspero para a agricultura novamente.
Características thumb|Proper Piatti : Floralia, 1899
Duração: 28 abril-3 de maio. Financiado pelos Edis Curuis (posição originalmente ocupada pelos patrícios, mas depois aberta aos plebeus).Floralia- The Roman Festival of Floralia Soltavam cabras e lebres no Circo Máximo, animais associados à fertilidade (uma preocupação com a concepção da mulher, pois sua imagem era fortemente ligada à natureza, por sua fertilidade e fecundidade, já que o principal atributo de uma mulher era conceder um filho ao seu marido e conseqüentemente um cidadão romano). Os participantes jogavam grãos-de-bico para as pessoas no circo. As prostitutas atuavam nuas no teatro e lutavam na arena de gladiadores. Ocorriam a encenação de Farsas e mímicas, que tiveram seu reconhecimento oficial, eram conhecidas por sua licenciosidade. Diversidade de cores provenientes das flores na decoração e também das vestimentas, pois, ao contrário do usual branco no ritual de Ceres, as mulheres vestiam-se com roupas coloridas. Coroas florais eram usadas ao redor da fronte. Excesso de essências e flores na decoração. Consumação de vinho, acarretando um comportamento mais solto das pessoas. Um festival que proporcionava alegria e perplexidade com tamanha beleza e divertimento das festas. Seu fundamento era oposto aos assuntos da guerra, ou qualquer outro assunto de caráter austero.
Ver também Calendário Romano Circo romano Casamento na Roma Antiga Mulheres da Antiga Roma
Bibliografia
OVÍDIO,Horácio. Sátiras/Os Fastos, tradução : Antônio Feliciano de Castilho, vol. IV , Ed. W. M. Jackson, 1960, p.281-290. SANTOS, Carolina Bertassoni dos. "As Festas Religiosas e a Demarcação do Tempo na Roma Antiga". Revista Alétheia de Estudos sobre Antiguidade e Medievo, vol. 2/2, 2010. HIRANO, Mineko. The Idea of nature in spring links to the present in Italy. Tokyo Metropolitan University, 2001. TAYLOR, Lily Ross. The Opportunities for Dramatic Performances in the Time of Plautus and Terence. Transactions and Proceedings of the American Philological Association, Vol. 68, (1937), pp. 284-304. TAYLOR, Lily Ross. Cicero's Aedileship. The American Journal of Philology, Vol. 60, No. 2 (1939), pp. 194-202.
Ligações Externas Ludi Florales (em inglês)
Categoria:Festivais da Roma Antiga