A seguir se apresenta a lista de histórias de John Byrne em Action Comics. Entre 1986 e 1988 o escritor britânico naturalizado americano John Byrne realizou significativas contribuições à história do Superman. Nesse curto período de tempo ele escreveu, desenhou e/ou colaborou de alguma outra forma com mais de 50 histórias diferentes envolvendo o personagem, incluindo a representativa minissérie The Man of Steel. Byrne e os profissionais que o acompanharam - destacando-se Marv Wolfman, Dick Giordano, Mike Mignola e Jerry Ordway - estabeleceram uma série de conceitos que continuariam a ser adotados nos anos seguintes, tanto nos quadrinhos quanto nas adaptações das histórias do personagem para outras mídias.

Byrne fora contratado pela editora para reformular o personagem e fazer com que suas revistas vendessem mais, e foi bem-sucedido em ambas as tarefas: a maioria dos elementos mais fantásticos comumente associados ao personagem foram removidos de sua mitologia, em favor de um enfoque mais realista e dramático que se manteria por toda a década seguinte, o nível dos super-poderes do herói sofreu uma considerável redução, a caracterização do vilão Lex Luthor foi drasticamente alterada e, embora apenas The Man of Steel tenha vendido mais de um milhão de exemplares durante sua publicação, todas as demais revistas apresentaram um aumento em suas tiragens, vendendo cerca de 200 mil exemplares por mês durante o período.

Uma das publicações do personagem lançadas durante o período era a clássica revista Action Comics, considerada uma das mais importantes e emblemáticas revistas em quadrinhos existentes. Apesar do período ser considerado um dos mais marcantes e controversos da história do personagem e das alterações promovidas por Byrne continuarem sendo alvo de debate entre fãs, historiadores e profissionais da indústria, apenas algumas das histórias de Byrne na revista foram alvo de específica atenção, destacando-se Action Comics #593, que insinuou uma possível cena de sexo entre Superman e a heroína Grande Barda; Action Comics #600, que retratou Superman e Mulher-Maravilha se beijando numa emblemática sequência desenhada por George Pérez; e Action Comics Annual, uma edição especial que retratou a nova dinâmica que Byrne havia implementado no relacionamento entre Superman e Batman, além de ter sido uma das raras contribuições do aclamado Art Adams para a DC Comics.

Antecedentes e contexto

thumb|left|160px|O escritor e desenhista John Byrne.

Em meados de 1985 o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras. Para o personagem, o crossover representaria o término de toda a continuidade estabelecida desde 1938. Vários autores foram abordados, e convidados para apresentar propostas para as revistas Action Comics e Superman.

Dentre eles, Marv Wolfman e John Byrne, que acabaram sendo contratados e realizaram profundas modificações em toda a mitologia do personagem a partir de 1986. Wolfman, por exemplo, elaborou uma nova caracterização para o vilão Lex Luthor, que desde então deixou de ser caracterizado como um "cientista louco" e passaria a ser apresentados nas histórias como um empresário corrupto dono de diversas empresas na cidade de Metrópolis.EURY, p. 185 Byrne, por sua vez, revisou toda a história de origem do personagem na minissérie The Man of Steel, lançada em 1986.

Entre outubro e dezembro de 1986 a publicação de Action Comics foi suspensa pela primeira vez em sua história: naquele período o único título protagonizado por Superman a ser publicado pela DC Comics seria a minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne. Após o evento "Crise nas Infinitas Terras", toda a continuidade anterior havia sido desconsiderada e um novo cânone foi estabelecido para Superman a partir de The Man of Steel. Toda a linha de revistas foi reformulada a partir de setembro de 1986. Enquanto a revista Superman original, mantendo sua numeração, teve seu título alterado para Adventures of Superman e passou a ser escrita por Wolfman, Byrne assumiu os roteiros e desenhos da Action Comics a partir da edição 584, e de uma nova revista intitulada Superman.MILLER, p.35-44

Cada uma das três revistas possuía uma temática própria. Enquanto a relançada Adventures of Superman apresentava histórias que abordavam "questões urbanas como tráfico de drogas, guerra de gangues e ataques terroristas provocados por ditadores", Action Comics passou a ser dedicada a histórias do gênero team-up. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!")COOKE, p. 45-55 Cada edição apresenta Superman se encontrando um personagem ou grupo de personagens diferentes - em histórias que geralmente envolviam alguns dos elementos "mágicos" que abundavam o Universo DC - não por acaso, a magia é uma das maiores vulnerabilidades do personagemMILLER, p.35-44

Não é possível determinar especificamente o impacto que o novo formato teve nas vendas da revista, mas este é considerado como bastante positivo. Segundo dados contabilizados pelo historiador John Jackson Miller, a revista Superman, entre 1985 e 1986, vendeu uma média de 98 mil exemplares - os mais negativos resultados numa década marcada até então pela queda nas vendas. No ano seguinte, já com Wolfman nos roteiros e denominada Adventures of Superman, a revista vendeu cerca de 161 mil exemplares - e as vendas da revista, segundo o desenhista Jerry Ordway, eram "mais fracas" em comparação com os resultados obtidos por Action Comics e Superman após o relançamento.NOLEN-WEATHINGTON (2007), p.37-56 Segundo Wolfman, que era escritor de Action Comics antes do reboot, a DC Comics havia reunido dados que mostravam que a revista vendia, entre 1981 e 1985, mais exemplares que Superman, mas o escritor não foi capaz de fornecer números específicos. Por fim, uma matéria publicada na revista americana TIME em 1988 relatava que a revista havia vendido no ano anterior uma "média de 200 mil exemplares" - o dobro do que havia sido registrado até 1986.

Lista de edições Histórias team-up # Ed. Título Team-up Roteiro Arte

Action Comics #600

Action Comics #600 foi uma edição comemorativa, celebrando os 50 anos de Superman, e reuniu cinco histórias diferentes:

# Título Roteiro Arte

Action Comics Annual # Título Team-up Roteiro Arte

Repercussão Das histórias team-up Vista em retrospecto, a contratação de Byrne pela DC Comics é apontada como uma fase positiva na história de Superman, por novamente atrair a atenção da mídia e do público. Uma matéria sobre a história do personagem daria ao período igual destaque às histórias publicadas na "Era de Prata", colocando Byrne como uma figura tão influente na história do personagem quanto Mort Weisinger (editor responsável pelas histórias publicadas até 1970, período em que surgiram personagens como a Supergirl, Bizarro e Brainiac) e Julius Schwartz (editor responsável pelas revistas durante a década de 1970, um dos períodos mais populares do personagem), dizendo: "[Byrne] reimaginou tudo, da cultura e geologia kryptoniana à personalidade de Lois Lane. Era algo novo e uma clara ruptura com o passado. As pessoas notaram, as vendas aumentaram pela primeira vez em anos e Superman era legal uma vez mais".

A jornalista Sonia Harris, em texto de 2010, apontou que foi através das histórias de Byrne em Action Comics que ela e muitos leitores foram "apresentados" ao Universo DC. Em cada edição da revista um diferente personagem ou grupo de personagens protagonizava uma história ao lado de Superman: "Eu não costumo ser fã dessas besteiras [crossovers e team-ups], mas a forma como Byrne as produzia... Conhecíamos os mais mágicos (e, consequentemente, mais misteriosos) membros do Universo DC. Isso era algo que realmente me impressionava: a maior vulnerabilidade de Superman era a mágica e acontecia que, na DC, o mundo era cheio de mágica, ou pelo menos era assim que Byrne fazia parecer, literal e figurativamente". As história de Byrne na revista, entretanto, costumam ser analisadas como parte de um contexto maior - o período de aproximadamente dois anos em que o escritor era responsável por praticamente todas as histórias envolvendo Superman. Um pesquisa conduzida com cerca de 700 visitantes do site americano Comic Book Resources acabaria apontando o período como uma das 100 melhores fases (ou "runs") de uma determinada equipe criativa com um mesmo personagem ou revista em quadrinhos na história do gênero. Ao comentar sobre o resultado, o jornalista Brian Cronin relembrou que a contratação de Byrne pela DC Comics havia sido uma ação bastante ousada para a época, e que o artista havia realizado uma série de mudanças na história do personagem. Sobre as mudanças, destacou a maior importância dada a Clark Kent, e disse: "Byrne fez uma série de mudanças (...) mas certamente existiam mais semelhanças entre as histórias de Superman pré-Byrne e o trabalho dele nas revistas do que diferenças".

O próprio Byrne afirmou, em editorial publicado na sua primeira edição, Action Comics #584, que sua intenção era produzir "uma revista bem básica", quase "primal", com histórias contidas e "menos 'cerebrais' que as planejadas para as outras revistas[de Superman]". Segundo Byrne, "nenhuma das histórias [de Action Comics] vai fazer o leitor pensar", pois esta seria a função das histórias publicadas em Superman e Adventures of Superman, onde ele e Wolfman explorariam "o lugar de Clark Kent no universo e suas atitudes em relação ao mundo e Superman". Action seria, portanto, apenas uma revista dedicada à histórias team-up, e, como tal, "a chave seria a ação".BYRNE, John; GIORDANO, Dick. Action Comics #584. Publicação original: 1986 Nesse contexto, Christopher Evans, do site americano "Superman Homepage", avaliou essa primeira edição quanto ao que se propôs a ser - uma revista que fazia jus ao título que tinha - e consideraria que, naquela oportunidade, Byrne havia sido bem-sucedido, mas o resultado era apenas satisfatório, com o roteiro tendo vários furos, apesar das boas sequências de ação. Evans escreveu ainda resenhas para as duas edições seguintes, apontando que Action Comics #585 apresentava uma história agradável, mas nem um pouco excepcional, tal qual a edição anterior. Action Comics #586 teria apresentado uma trama melhor, mas que fora seriamente prejudicada por um fraco final. O site brasileiro Universo HQ, em texto publicado em 2006, listaria "os dez grandes momentos do Super-Homem nos quadrinhos" e na 10ª posição figurou Action Comics #600, que mostrou um inédito beijo entre Superman e Mulher-Maravilha, estabelecendo um tema que viria a se repetir em várias histórias posteriores dos dois personagens.

Do possível filme pornô thumb|A capa de Action Comics #593. Se na capa Superman e Grande Barda se beijam, no interior da edição é insinuado que os dois teriam gravado um filme pornográfico.