Salvia rosmarinus (anteriormente conhecido pelo nome científico Rosmarinus officinalis), popularmente conhecido como alecrim, é uma erva aromática comum na região Mediterrânea, ocorrendo dos 0 a 1500 metros de altitude, preferencialmente em solos de origem calcária. Devido ao seu aroma, o qual apresenta frescor característico, os romanos designavam-no como "rosmarinus", que significa "orvalho do mar" em latim.
Por vezes, o uso do nome "alecrim" pode levar à confusão da S. rosmarinus com outras espécies, notadamente a alfazema (também conhecida como "rosmaninho"), cujo nome científico é Lavandula stoechas. O termo "rosmaninho" é comum principalmente no centro e sul de Portugal.Dicionário Houaiss : rosmaninho
No entanto, as duas espécies, alecrim e rosmaninho, pertencem a dois gêneros distintos, respectivamente Salvia e Lavandula. Ao comparar as características das duas espécies, pode-se perceber significativas diferenças entre as duas espécies, incluindo o aroma, formato das folhas, coloração e inserção da flor.
Descrição O alecrim consiste num arbusto perene que alcança altura média de 1,2 metros. Apresenta estrutura muito ramificada, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas.
A parte inferior de suas folhas é de cor verde-acinzentada enquanto a superior é verde brilhante. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. O fruto é um aquênio. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins.
Toda a planta exala um aroma forte e agradável. Utilizada com fins culinários, medicinais e religiosos, seu óleo essencial também é utilizado em perfumaria, como por exemplo, na produção da água-de-colônia, pois contém tanino, pineno, cânfora e outros princípios ativos que lhe conferem propriedades excitantes, tônicas e estimulantes.thumb|Haste de alecrim com flores.A sua flor é muito apreciada pelas abelhas produzindo assim um mel de extrema qualidade. Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel.
Cultivo Devido à sua atratividade estética e razoável tolerância à seca, é utilizado em arquitectura paisagista, especialmente em áreas com clima mediterrânico. É considerada fácil de cultivar para jardineiros principiantes, tendo uma boa tolerância a pragas. miniaturadaimagem|Moitas de Alecrins em meio natural, na Espanha. O alecrim é facilmente podado em diferentes formas e tem sido utilizado em topiária. Quando cultivado em vasos, deverá ser mantido de preferência aparado, de forma a evitar o crescimento excessivo e a perda de folhas nos seus ramos interiores e inferiores, o que poderá torná-lo um arbusto sem forma e rebelde. Apesar disso, quando cultivado em jardim, o alecrim pode crescer até um tamanho considerável e continuar uma planta atraente.
Pode ser propagado a partir de uma planta já existente, através do corte de um ramo novo com cerca de 10–15 cm, retirando algumas folhas da base e plantando directamente no solo.
Várias variedades cultivares foram seleccionadas para uso em jardim. As seguintes são frequentes:
Albus - flores brancas Arp - folhas verde-claro, fragrância a limão Aureus - folhas com pintas amarelas Benenden Blue - folhas estreitas, verde-azulado-escuro Blue Boy - anã, folhas pequenas Golden Rain - folhas verdes, com raios amarelos Irene - ramagem laxa, rastejante Lockwood de Forest - selecção procumbente (rastejante) de Tuscan Blue Ken Taylor - arbustiva Majorica Pink - flores cor-de-rosa Miss Jessop's Upright - alta, erecta Pinkie - flores cor-de-rosa Prostratus Pyramidalis (também conhecida como Erectus) - flores azul-pálido Roseus - flores cor-de-rosa Salem - flores azul-pálido, resistente ao frio e semelhante à Arp Severn Sea - baixa, espalhando-se e enraizando-se pelo solo, com ramos em arco; flores violeta profundo Tuscan Blue - erecta ( Erecta ).
Plantio Deve ser plantado, preferencialmente, na primavera ou no verão o ideal é por meio de mudas, mas pode ser plantado através de sementes neste caso a planta demora bastante tempo para se desenvolver, deve se irrigar a planta levemente apenas quando o solo estiver seco a mais de 2 cm de profundidade.Alecrim (Rosmarinus officinalis) Plantio e cultivo
Utilização culinária thumb|left|Folhas secas para uso culinário Fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salsichas, linguiças e batatas assadas.
Na Itália é amplamente utilizado em assados de carneiro, cabrito e vitela. Em churrascos, recomenda-se espalhar um bom punhado sobre as brasas do carvão aceso, perfumando a carne e difundindo um agradável odor no ambiente. Pode ser utilizado ainda em sopas e molhos.
O alecrim é também usado em pães e tortas salgadas. A focaccia é um pão tradicional italiano que é coberto com alecrim e azeite.
Devido à estética apresentada por suas folhas, o alecrim também é frequentemente pode ser utilizado na decoração de pratos, tais como risotos, pizzas, saladas e tábuas de frios
Aplicações medicinais thumb|250px| Flor do Alecrim. A medicina popular recomenda o alecrim como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade, sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifoide.
Há indicações, também, de benefícios do alecrim para o sistema musculoesquelético. Por ser rubefaciente, o óleo do alecrim teria aplicações para uso reumático muscular e outras afecções semelhantes, assim como outras plantas, como erva-de-santiago, gengibre, gualtéria, hortelã-pimenta (óleo), mostarda, pimenta-da-caiena e raiz-forte.
Uma tosse pertinaz desaparecerá com infusões de alecrim, que também se recomendam a todas as pessoas cujo estômago seja preguiçoso para digerir.
Também apresenta propriedades carminativas, emenagogas, desinfetantes e aromáticas. É ainda relaxante muscular, ativador da memória e fortalece os músculos do coração. Cientistas dizem que ramos de alecrim deveriam ser dependurados em oficinas e áreas onde crianças fazem tarefas escolares para um melhor funcionamento da memória.
Uma infusão de alecrim faz-se com quatro gramas de folhas por uma chávena de água a ferver. Toma-se depois das refeições. Possui grande quantidade de hesperidina, um bioflavanoide com efeitos antinociceptivos comprovados contra gota (Integrative Medicine, pp. 612–3).
O alecrim também é útil para tratar problemas de cabelo, rivalizando com o conhecido Minoxidil (inclusive a queda).Panahi, Yunes; Taghizadeh, Mohsen; Marzony, Eisa Tahmasbpour; Sahebkar, Amirhossein (2015-01). «Rosemary oil vs minoxidil 2% for the treatment of androgenetic alopecia: a randomized comparative trial». Skinmed. 13 (1): 15–21. ISSN: 1540-9740. PMID 25842469. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25842469/ Resultados, feitos em ratos, sugerem que o extrato da folha de Alecrim inibe a ligação da DHT aos receptores andrógenos quando aplicada nas áreas capilares.Murata, Kazuya; Noguchi, Kazuma; Kondo, Masato; Onishi, Mariko; Watanabe, Naoko; Okamura, Katsumasa; Matsuda, Hideaki (2013-02). «Promotion of hair growth by Rosmarinus officinalis leaf extract». Phytotherapy research: PTR. 27 (2): 212–217. ISSN: 1099-1573. PMID 22517595 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22517595/ Muitos xampus antiqueda costumam incluir o extrato de alecrim em suas fórmulas.
Utilização Em templos e igrejas, o alecrim é queimado como incenso desde a antiguidade. Na Igreja Ortodoxa grega, o seu óleo é utilizado até aos nossos dias, para unção. Nos cultos de religiões afro, como umbanda e candomblé, é utilizado em banhos e como incenso.
É muito popular na região norte do Brasil; além de comercializada na maior feira da América Latina,
na banca de cheiro das erveiras do Mercado do Ver-o-peso (na cidade de Belém do Pará), é o principal ingrediente do Banho de Cheiro encantado, usado na comemoração da festa junina e do reveion no estado do Pará. Prática ritualística que ocorre desde o século XIX, ao qual se atribui o poder de atrair a felicidade, reatar amores e, abrir as portas da prosperidade ao bebedor.
Também presente no Cheiro de Papel, produzido com a infusão de essências vegetais, comercializado no cesto de palha da Vendedora de cheiro, usados para aromatizar roupas guardadas em gavetas e armários. Uma combinação de raízes e paus aromáticos ralados; os ingredientes mais conhecidos são: arruda, cipó-catinga, patchuli, japana, cumaru, alecrim, baunilha, manjerona, açucena, casca preciosa, louro amarelo, jasmim, alfazema e, priprioca.
Ver também Rosmaninho
Ligações externas
Braga, Jorge Sousa; De Unamano, Miguel e Prevert, Jacques. Árvores e arbustos medicinais e aromáticos do sudoeste Europeu. Portugal: BeirAmbiente - Centro Profissional de Desenvolvimento Sustentável e Eco-turismo.2005. .
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