Os protestos na Rússia entre 2011 e 2013 começaram quando jornalistas russos e estrangeiros, assim como ativistas políticos e membros da oposição, alegaram que as eleições parlamentares no país haviam sido fraudadas. Em 10 de dezembro de 2011, após uma semana de manifestações em pequena escala, a Rússia viu os maiores protestos em Moscou desde a queda da União Soviética. Os protestos tinham como alvo o partido no poder, Rússia Unida, e Vladimir Putin, o então primeiro-ministro e ex-presidente (2000- 2008), que já anunciara sua intenção de concorrer novamente à presidência em 2012, o que de fato ocorreu.
Novamente, na eleição presidencial de 2012, realizada em 4 de março daquele ano, houve denúncias de fraude, o que motivou a continuidade dos protestos, que perduraram até o ano de 2013.
Antecedentes De acordo com a agência estatal de notícias RIA Novosti, havia mais de 1100 relatórios oficiais de irregularidades eleitorais em todo o país. Membros dos partidos Rússia Justa, Yabloko e do Partido Comunista informaram que os eleitores haviam sido transportados entre os diversos locais de votação para votar várias vezes. Os partidos Yabloko e Liberal Democrata informaram que alguns dos seus observadores tinham sido proibidos de assistir à vedação das urnas e de coletar imagens de vídeo, sendo que alguns haviam sido expulsos, sem justificativa, dos locais de votação.
Já o partido Rússia Unida, por sua vez, alegou que membros dos partidos de oposição havia cometido crimes eleitorais, tais como a distribuição de folhetos e jornais em locais de votação e a coação de eleitores para que votassem no Partido Comunista.
Protestos contra o governo 5–7 de dezembro Em 5 de dezembro de 2011, os opositores do governo começaram a protestar em Moscou com aproximadamente 5 mil pessoas denunciando Vladimir Putin, seu governo e as eleições fraudulentas. Alguns defensores argumentaram que as eleições foram uma farsa e exigiram a saída de Putin, enquanto alguns exigiam uma revolução. Acredita-se que Alexei Navalny, um blogueiro e ativista anticorrupção que tachou o partido político de Putin (Rússia Unida) de "partido dos vigaristas e ladrões", tenha sido responsável pela mobilização inicial dos protestos em massa, por meio de publicações em seu blog LiveJournal e no Twitter. Em resposta, o partido Rússia Unida qualificou a agitação promovida por Navalny como "tentativa suja de autopromoção".
thumb|right|250px|Protestos na capital russa, Moscou, em 5 de dezembro de 2011. Muitos partidários pró-governo, incluindo o grupo de jovens pró-Putin Nashi, foram mobilizados em 6 de dezembro, no local da manifestação prevista, onde manifestaram apoio ao governo e ao partido Rússia Unida. Houve uma manifestação de manifestantes de Nashi na Praça ManezhnayaМитинг "Наших" оказался многочисленнее мероприятия оппозиции e um comício de 8000 manifestantes da Jovem Guarda na Praça da Revolução.Итогам парламентских выборов были сегодня посвящены многотысячные митинги в центре Москвы Channel One Cerca de 500 ativistas pró-Rússia Unida marcharam perto da Praça Vermelha. Caminhões com soldados e policiais, foram implantados à frente dos esperados protestos anti-governo, e verificou-se que 300 manifestantes foram presos em Moscou na noite anterior, juntamente com 120 em São Petersburgo. Durante a noite de 6 de dezembro, pelo menos 600 manifestantes foram vistos na Praça Triumphalnaya gritando frases contra Putin, enquanto protestantes contra o governo na Praça da Revolução entraram em confronto com a polícia de choque e tropas do Ministério do Interior, resultando em algumas perseguições e prisões. A quantidade de protestos depois teria alcançado mais de mil pessoas na Praça Triumphalnaya e dezenas de prisões foram relatadas, incluindo Boris Nemtsov, um líder da oposição e ex-vice-primeiro-ministro, e Alexey Navalny. Mais de 250 pessoas foram detidas e suspeitos foram transportados em ônibus da polícia. Pelo menos um jornalista russo alegou ter sido espancado por cacetetes policiais nas pernas. Outras 200 prisões foram relatadas em São Petersburgo e 25 em Rostov na mesma noite. Depois de três horas e meia, o protesto de Moscou chegou ao fim. Tentativas de realizar um grande protesto em Moscou fracassou no dia 7 devido à segurança policial.
thumb|200px|left|Russia Today cobrindo os protestos na Praça Bolotnaya em Moscou em 10 de dezembro. Cobertura da mídia De acordo com a BBC em 7 de dezembro, "os canais de TV do Estado têm ignorado os protestos, dando cobertura apenas aos comícios em apoio ao governo". Em contraste, os jornais mencionaram os protestos em maior profundidade.Protests barely seen on Russian TV, BBC, retrieved 09/12/2011 A única estação de TV a mencionar os protestos longamente antes de 10 de dezembro foi a privada REN TV, mas não transmitiu amplamente. A partir de 10 de dezembro, no entanto, todos os principais canais controlados pelo Estado estavam cobrindo os protestos.Analysis: Russian TV grapples with protests, BBC, retrieved 10/12/2011
thumb|100px|right|A fita branca se tornou o símbolo da oposição. Símbolos A fita branca surgiu em outubro de 2011 como um símbolo de oposição. Alguns russos foram amarrando-o em suas roupas, carros e outros objetos, e o tema tem aparecido na runet e no Twitter.`Russia protest: White ribbon emerges as rallying symbol, BBC, retrieved 09/12/2011 Em 10 de dezembro, o canal de televisão Dozhd estava mostrando uma fita branca em seu logotipo na tela. A proprietária da estação, Natalya Sindeyeva, explicou este como sendo um sinal de "sinceridade", em vez de "propaganda", e uma tentativa de ser "mediadores" em vez de simplesmente jornalistas.
Reações No dia 6 de dezembro, a secretária de Estado americana Hillary Clinton disse que as eleições na Rússia não foram livres e nem justas. Vladimir Putin disse que os comentários de Hillary "ajudou alguns ativistas da oposição" a agir "de acordo com o cenário bem conhecido de uma revolução de cores e em seus próprios mercenários interesses políticos". Um analista escreveu para a BBC que os comentários de Putin para culpar o Ocidente pelos protestos de rua foi um "software muito velho".Russia PM Vladimir Putin accuses US over poll protests BBC
Em 7 de dezembro, Mikhail Gorbachev, ex-presidente da União Soviética, disse que uma nova eleição deve ser realizada para reprimir a raiva pública sobre a eleição fraudulenta. Ele disse que o número de russos que acreditavam que a eleição foi fraudada estava levantando-se diariamente e o governo precisava ouvir a opinião pública para evitar mais distúrbios.
De acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, uma solicitação foi feita pelo Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, o sucessor do KGB, ao site de rede social VKontakte para bloquear os grupos de oposição que 'incentivasse as pessoas a fazerem "lixos nas ruas, para organizar uma revolução". O pedido foi recusado devido à natureza geralmente pacífica dos protestos.
10 de dezembro right|thumb|250px|Protestos na Praça Pionerskaya em São Petersburgo em 10 de dezembro de 2011. thumb|300px|left|Vídeo dos protestos contra Putin na Praça Bolotnaya em 10 de dezembro. thumb|right|250px|Manifestante na Praça Bolotnaya em 10 de dezembro. O cartaz diz: "Eu não votei nesses safados (logotipo da Rússia Unida), eu votei em outros safados (logotipos da Yabloko, Uma Rússia Justa, Comunista). Quero a recontagem dos votos." thumb|right|250px|Manifestação contra os resultados oficiais das eleições parlamentares na cidade de Níjni Novgorod (10 de dezembro). Através de um grupo no Facebook "Суббота на Болотной площади" (Sábado na Praça Bolotnaya), foi feito um convite para realizar um protesto em massa contra o governo no sábado, 10 de dezembro. Antes dos protestos, vários jornais comentaram que milhares de usuários do Facebook responderam positivamente aos convites para protestar, em Moscou, e, da mesma forma, mais de 5 mil em São Petersburgo. A autorização havia sido originalmente emitida para o grupo Solidarnost para uma manifestação legal de 300 pessoas na Praça da Revolução. Em 8 de dezembro, mais de 30 mil pessoas haviam aceitado o convite do Facebook para participar. Após negociações com os manifestantes, o governo de Moscou autorizou um local alternativo para uma manifestação de 30 mil pessoas para a manifestação que teve lugar em 10 de dezembro na Praça Bolotnaya.Мэрия Москвы согласовала митинг с участием 30 тысяч человек Lenta.ru Antes das manifestações, Putin ameaçou implantar esquemas policiais e forças de segurança para lidar com qualquer participante de protestos ilegais em Moscou ou outras cidades. No entanto, o evento foi pacífico e sem tentativas por parte do Estado de impedi-lo ou perturbá-lo.
Entre as tentativas de interromper os protestos e as organizações que os apoiam, incluíu-se repetidas vezes trotes telefônicos para o partido Yabloko e o jornal Novaya Gazeta. O chefe de Saúde Pública da Rússia, Gennady Onishchenko, advertiu que os manifestantes arriscaram infecções respiratórias como a gripe ou a SARS.Putin faces wave of protests as opposition calls for new Russian elections, Guardian, retrieved 9 December 2011 Estudantes em Moscou foram requisitados para relatar sábado, durante o horário agendado para a manifestação, um exame especial a respeito de "regras de comportamento seguro na cidade."
A manifestação em Moscou foi em geral tranquila e terminou à tarde com todos cantando "Peremen", de Viktor Tsoi, que significa "Mudanças" – um hino da perestroika dos anos de 1980. Relatórios da manifestação, incluindo seu grande tamanho e as exigências de novas eleições foram realizadas no noticiário da noite na Rússia pela mídia controlada pelo Estado.
Segundo a polícia de Moscou, cerca de 25 mil pessoas estiveram nos protestos, enquanto a oposição alegou que mais de 100 mil pessoas estiveram presentes durante a manifestação.
Exigências Apesar de não ser possível definir uma exigência específica nos primeiros dias de protestos, até 10 de dezembro havia cinco pontos principaisRussian election protests – follow live updates, Guardian, retrieved 10 December 2011:
1. liberdade para os presos políticos; 2. anulação dos resultados das eleições; 3. a renúncia de Vladimir Churov, chefe da comissão eleitoral, e uma investigação oficial sobre fraude eleitoral; 4. registro dos partidos da oposição e nova legislação democrática para partidos e eleições; 5. novas eleições democráticas e abertas.
Outras cidades Assim como em Moscou, foram planejados para ocorrer outros protestos em São Petersburgo, Vladivostok e Kaliningrado, bem como 88 outras cidades na Rússia. Os protestos menores foram relatados em Tomsk, Omsk, Arkhangelsk, Murmansk, Yekaterinburg, Novosibirsk, Krasnoyarsk, Kurgan, Pérmia, Carélia, Khabarovsk, Kazan e Nizhny Novgorod.
Pelo menos 10 mil manifestantes saíram à rua em São Petersburgo, 3 mil em Novosibirsk, enquanto outros 4 mil se reuniram em Yekaterinburg. Pelo menos mil pessoas se reuniram na cidade portuária de Vladivostok no Oceano Pacífico da costa russa.
17-18 de dezembro thumb|left|300px|Manifestação do partido Yabloko Praça Bolotnaya (Moscou, 17 de dezembro). thumb|right|250px|Manifestação do Partido Comunista na Praça Manezhnaya (Moscou, 18 de dezembro). Em 17 de dezembro outra manifestação foi realizada na Praça Bolotnaya em Moscou contra a fraude eleitoral. A manifestação foi organizada pelo partido Yabloko, mas os membros de outros partidos políticos também participaram. Entre os manifestantes estavam Grigory Yavlinsky e Sergey Mitrokhin do partido Yabloko e Vladimir Ryzhkov do Partido Liberdade das Pessoas. A Polícia de Moscou afirmou que havia 1500 manifestantes, mas testemunhas afirmaram que havia até 5 mil pessoas no auge da manifestação.