Hopi Hari é um parque temático brasileiro localizado na Rodovia dos Bandeirantes, quilômetro 72,5, no município de Vinhedo, interior do estado de São Paulo. O parque está a 30 km de Campinas e 72 km de São Paulo. Com 760 mil metros quadrados, é considerado um dos maiores parques de diversão da América Latina e foi projetado como um país fictício, com presidente, capital, idioma próprio, entre outras características, com seus funcionários sendo os habitantes (hópius).
O Hopi Hari faz parte de um complexo maior de atrações, chamado Vida Completa SerrAzul, que engloba vários empreendimentos ao redor da área, como o parque aquático Wet'n Wild, e que atrai cerca de 5 milhões de visitantes anualmente, sendo apenas o parque responsável por 2 milhões deles, em média.
Desde a sua inauguração em 1999 até o ano de 2008, estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas tenham passado pelo parque. Em junho de 2009, no entanto, o grupo GP Investimentos vendeu o parque por um valor simbólico ao grupo HH II PT S/A, empresa formada por sócios da Íntegra Assessoria, devido a dívidas pendentes. Em dezembro de 2016, o acionista controlador da companhia, Luciano Correa, vendeu 75% das ações representativas do capital social da HH Participações a José Luiz Abdalla, empresário do setor imobiliário. No ano seguinte, a Brooklyn International Group passou a ser a controladora do parque, assumindo 75% das ações em meio a disputas de repasses entre sócios.
História Fundação alt=|miniaturadaimagem|Entrada do Hopi Hari Inaugurado no dia 27 de novembro de 1999, o Hopi Hari foi projetado e construído pela International Theme Park Services Inc., empresa estadunidense localizada na cidade de Cincinnati, no estado de Ohio, que baseou o projeto do parque no Kings Island, um parque temático localizado também na cidade de Cincinnati. Originalmente, o investimento pertencia ao Grupo Playcenter e iria se chamar Playcenter Great Adventure. No entanto, o projeto foi vendido ainda em construção, por consequência da redução de visitantes no Playcenter, outro parque do grupo localizado em São Paulo. A empresa GP Investimentos assumiu as obras, no que o projeto do parque sofreu várias alterações, inclusive no nome, que foi mudado para Hopi Hari. O parque nasceu com ideia de parecer um país fictício com hino, bandeira, povo e idioma nativos (o hopês, uma língua crioula semelhante ao idioma Papiamento), além de uma colorida identidade visual.
A ideia dos administradores do Playcenter de construir um parque temático no interior de São Paulo foi anunciada em 1995 e o projeto estava pronto em 1996. O local onde o parque está localizado foi escolhido com cuidado por ficar a menos de 40 minutos da capital do estado, São Paulo, e a 15 minutos de Campinas e ter um clima ameno e favorável, com uma temperatura anual média de 24°C, segundo estudos do Instituto Agronômico de Campinas. Durante a construção, os investidores do parque enfrentaram algumas dificuldades com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já que a área escolhida para o empreendimento está situada em mata nativa. A construção do parque até chegou a ser embargada em dezembro de 1997 por falta de documentos referentes aos impactos ambientais, mas as obras foram retomadas em abril de 1998.
A construção do Hopi Hari totalizou um gasto de cerca de 200 milhões de dólares, em um investimento conjunto da maior gestora de fundos do país, a GP Investimentos, e de quatro fundos de pensão (Previ, Funcef, Petros e Sistel). O objetivo inicial era o de reproduzir no interior de São Paulo o mesmo sucesso do Magic Kingdom, pertencente ao complexo americano da Walt Disney Company, na Flórida, e atrair ao menos uma parte dos cerca de 300.000 brasileiros que viajavam anualmente aos parques da Disney.
Gestão Correa (2009–2017) thumb|Temática dos Looney Tunes, inaugurada após acordo com a Warner Bros. em 2012.
No entanto, o faturamento projetado de 200 milhões de reais por ano jamais virou realidade. Em 2008, ano do seu melhor desempenho financeiro, o parque recebeu 1,8 milhão de turistas e faturou em torno de 70 milhões de reais. A dívida de 500 milhões de reais não permitia que os empreendedores do parque fizessem mais investimentos e nem que se desfizessem do negócio, previsto para lucrar em 18 meses. A solução encontrada pelos antigos donos foi de transferir os negócios para a consultoria Íntegra, formada por ex-gestores da GP, que o comprou o Hopi Hari por 1 centavo de real para cada lote de 100.000 ações e assumiu o equivalente a 180 milhões de reais em dívidas, de acordo com estimativas do mercado. A nova empresa dona do parque temático teve de fazer um investimento de 10 milhões de reais no caixa da empresa, com o objetivo de aumentar a quantidade e diminuir o intervalo de retorno de visitantes, atualmente de cerca de dez meses. Além disso, a nova dona fez um acordo com a Warner Bros. estimado em 100 milhões de reais por parte do parque temático (ver abaixo) e pretende inaugurar uma nova montanha-russa avaliada em 12 milhões de reais.
Em julho de 2008, um esquiador norte-americano ficou paraplégico ao apresentar um show de esqui aquático dentro do parque.
Em janeiro de 2012, o Hopi Hari reformou e reinaugurou a Infantasia, uma das áreas temáticas do parque, através de uma parceria com a empresa Warner Bros. Consumer Products (WBCP). O acordo entre as duas empresas possibilitou um licenciamento para trazer algumas das maiores franquias do mundo e possibilitar que famosos personagens da Warner possam fazer parte das atrações. Entre os personagens, que pela primeira vez ganharam espaço em um parque brasileiro, estão os Looney Tunes, representados por Piu-Piu, Frajola, Pernalonga, Taz, Patolino, entre outros, que seriam incorporados aos brinquedos e decorações do parque. Aribabiba, outra área temática do parque contemplada pelo acordo, recebeu atrações e adornos da Liga da Justiça da DC Comics, cujos personagens mais famosos são Superman, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman e Flash. O parque também iria inaugurar algumas atrações, ainda não definidas, com o tema da Penélope Charmosa. O investimento na reforma e licenciamento da marca foi de cerca de 150 milhões de dólares.
Acidentes e problemas de gestão thumb|esquerda|Brinquedo La Tour Eiffel. Em 28 de setembro de 2007, o estudante Arthur Wolf, então com 15 anos, sofreu um choque anafilático enquanto estava em um dos túneis da Hora do Horror. Apesar de reanimado após uma parada cardiorrespiratória pela equipe médica do parque, acabou falecendo horas depois no hospital.
No dia 24 de fevereiro de 2012, a adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, morreu após cair de uma das cadeiras do brinquedo La Tour Eiffel.Adolescente de 14 anos morre no parque de diversões Hopi Hari (SP) A menina caiu de uma altura de cerca de 20 metros, pois estava sentada em uma cadeira que não poderia ter sido utilizada, visto que estava inativa há vários anos. Ao todo, onze pessoas, incluindo o presidente do parque, foram indiciadas pela Polícia Civil de São Paulo por homicídio culposo. O parque também foi fechado por 23 dias pelo Ministério Público para investigações e teve que realizar melhorias nas condições de segurança de todos os brinquedos, além de reduzir a jornada de trabalho de seus funcionários.
Ao menos dois visitantes afirmam terem sofrido ferimentos graves ao visitarem a Montezum, em 2014 e 2019, respectivamente.
Em agosto de 2016, o Hopi Hari sofreu um pedido de falência feito pelo empresário Cesar Federmann, um dos credores e dono do terreno onde fica o empreendimento. O caso levou à apreensão de uma montanha-russa comprada pelo parque em 2011 e ainda não instalada. Federmann, que tinha 5,9 milhões de dólares para receber, extinguiu o processo quando o Hopi Hari – administrado por Luciano Correa, ex-GP Investimentos – aceitou ceder o equipamento. A companhia enfrentou outros quatro pedidos de falência, de empresas de alimentação, de segurança e de manutenção que fornecem serviços ao parque, dos quais o Hopi Hari negociou esses novos processos com cada um dos credores. O Hopi Hari possui pendente também empréstimos de 196 milhões de reais com o BNDES, com vencimento em 2029. Em julho, havia 1.232 protestos e pendências registradas contra a empresa no cadastro do Serasa Experian e, em agosto de 2016, os funcionários do Hopi Hari paralisaram os serviços por 24 horas por atraso de salários e benefícios.
Na tarde de 24 de setembro de 2014, um grupo de cerca de 50 jovens que pagaram ingresso promoveu um arrastão no interior do parque, causando correria e deixando seis visitantes feridos, além de relatos de dezenas de pessoas ao Serviço de Atendimento ao Visitante do parque de que tiveram pertences furtados ou roubados pelo grupo. No mês seguinte, houve um segundo arrastão, dessa vez ocorrido dentro de uma das atrações do parque.
A administração não encontrou formas de reverter os prejuízos constantes. Na última demonstração financeira que apresentou relativa ao fim de 2015, o Hopi Hari divulgou perda de 60,3 milhões de reais. Depois do resultado negativo no fim de 2015, o corpo executivo foi trocado e alguns acordos foram firmados para revitalizar as instalações. Novos contratos de patrocínio de pintura e iluminação foram fechados com a Sherwin Williams e a FLC, respectivamente. Segundo o parque, o volume de patrocínios fechados em 2016 já superava os de 2014 e 2015 somados. No entanto, apesar dos atrasos de divulgação de informações e das pendências com os credores, o conselho aprovou uma remuneração fixa para os administradores da companhia de 3 milhões de reais, o que significava um acréscimo de 30% em relação aos 2,31 milhões de reais de 2015. A empresa alegou que, em 2015, não houve distribuição de dividendos aos acionistas. As dificuldades do parque também não estavam inseridas em um contexto de crise de parques de diversões no Brasil, visto que em 2016, o Beto Carrero World, localizado em Santa Catarina, previa receber 10% mais turistas brasileiros e do Mercosul, enquanto que o Beach Park, de Fortaleza, Ceará, tinham a expectativa de receber 15% mais visitantes em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na segunda metade de 2016, os administradores do parque entraram com um pedido de recuperação judicial por conta de uma dívida de 329 milhões de reais, contraída principalmente por conta de empréstimos feitos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estabelecimento fechou as portas temporariamente em 12 de agosto e o retorno das atividades foi adiado para quando saísse uma decisão definitiva da Justiça, um período que poderia se estender por seis meses. No entanto, o parque foi reaberto em 12 de outubro, após dois meses fechado.
Em março de 2017, o parque passou a funcionar sem seguro para acidentes após todas as seguradoras do mercado se negarem a fechar contrato, devido ao alto risco do negócio. Em maio, com 700 milhões de reais em dívidas totais, o parque passou a operar por geradores por ter a energia elétrica cortada pela CPFL, que cobrava uma conta de 580 mil reais. O processo de recuperação judicial paralisou em virtude do afastamento do advogado responsável, que se retirou também por falta de pagamento. Em virtude das complicações, o site do Hopi Hari foi tirado do ar para evitar a venda de ingressos, embora o parque continuasse funcionando com 12 das 60 atrações disponíveis. Os poucos visitantes que chegavam eram avisados na bilheteria da situação, e cerca de 20% iam embora imediatamente. Os 300 funcionários estavam sem receber salário desde 5 de fevereiro.
Gestão Abdalla (2017–2019) thumb|Parte do Hopi Hari visto da roda-gigante Giranda Mundi. thumb|Vista do parque a partir da Rodovia dos Bandeirantes.