O Retvizan (Ретвизан) foi um couraçado pré-dreadnought inicialmente operado pela Marinha Imperial Russa. Sua construção começou em julho de 1899 nos estaleiros norte-americanos da William Cramp & Sons na Filadélfia e foi lançado ao mar em outubro do ano seguinte, sendo comissionado na frota russa em março de 1902. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento normal de quase treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezoito nós.

O Retvizan brevemente serviu na Frota do Báltico antes de ser enviado no final de 1902 para a China. A Guerra Russo-Japonesa começou em fevereiro de 1904 e o navio encalhou depois de ser torpedeado na Batalha de Porto Artur. Foi reflutuado e reparado em tempo para participar em agosto da Batalha do Mar Amarelo, quando os russos enfrentaram uma força de couraçados japoneses em uma tentativa fracassada de escaparem para Vladivostok. A embarcação acabou afundada no porto pela artilharia japonesa em 6 de dezembro nos estágios finais do Cerco de Porto Artur.

Os japoneses capturaram o couraçado depois da rendição de Porto Artur em janeiro de 1905, reparando-o e o comissionando na Marinha Imperial Japonesa em novembro de 1908 como . Ele foi enviado para a América depois do início da Primeira Guerra Mundial à procura de embarcações alemães, enquanto em 1918 deu apoio para a intervenção dos Aliados na Guerra Civil Russa. Foi reclassificado em 1921 como um navio de defesa de costa e tirado de serviço em setembro 1923, sendo afundado como alvo de tiro no Canal de Bungo em 25 de julho de 1924.

Antecedentes O imperador Nicolau II da Rússia desejava desde sua ascensão ao trono em 1894 que seu país adquirisse um porto de águas quentes no Oceano Pacífico. Ele finalmente alcançou esta ambição em março de 1898 quando a Rússia assinou com a China uma concessão de 25 anos de Porto Artur, na Península de Liaodong. O Japão tinha anteriormente anexado o porto e seus arredores como parte do tratado que havia concluído a Primeira Guerra Sino-Japonesa, porém a Intervenção Tripla de Rússia, França e Alemanha os forçaram a devolver o porto em troca de um aumento considerável da indenização paga pelos chineses. O Japão investiu boa parte desse dinheiro na expansão de sua frota, enquanto a Rússia iniciou um grande programa de construção próprio para defender seu porto recém-adquirido.

Os estaleiros russos já estavam na época em capacidade máxima, assim o Ministério Naval decidiu encomendar navios no exterior. Charles Henry Cramp, o dono dos estaleiros da William Cramp & Sons nos Estados Unidos, já tinha um relacionamento com a Marinha Imperial Russa desde o final da década de 1870, quando sua empresa construiu alguns cruzadores auxiliares. A William Cramp & Sons também tinha reparado vários navios russos que visitaram os Estados Unidos em 1893, com Cramp cultivando os contatos que fez na Marinha Imperial no decorrer da década de 1890. Consequentemente, ele estava em uma posição ideal para construir um couraçado para os russos.

Desenvolvimento O Comitê Técnico Naval começou entre o final de 1897 e início de 1898 os trabalhos preliminares de projeto para um couraçado que tinha a intenção de ser um igual aos couraçados japoneses mais recentes. O deslocamento foi limitado a 12,2 mil toneladas por motivos econômicos. O projeto teve como base a predecessora Classe Peresvet, com a intenção sendo uma velocidade de dezoito nós (33 quilômetros por hora) com duas hélices e uma autonomia de cinco mil milhas náuticas (9,3 mil quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de dez nós (dezenove quilômetros por hora). O Ministério Naval tinha a intenção de realizar uma competição internacional por projetos, com as embarcações também sendo construídas no exterior.

Os contatos de Cramp o mantiveram informado sobre as intenções dos russos e ele viajou para São Petersburgo em março de 1898 a fim de oferecer seus serviços e experiência. Ele inicialmente ofereceu projetos norte-americanos, incluindo uma versão aprimorada do , pois este era relativamente próximo das especificações desejadas, porém os russos preferiram seus próprios projetos. Os dois lados entraram em acordo e o projeto final acabou baseado no . O novo navio tinha quatro canhões de 152 milímetros a menos, porém mais comprido, com o dobro da capacidade de carvão para melhorar a autonomia e mais estreito para alcançar uma velocidade mais alta. O contrato foi assinado em 23 de abril de 1898 pelo preço de 4,36 milhões de dólares. O cruzador protegido Varyag foi encomendado junto com o couraçado.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|<center>Desenho do Retvizan</small> O Retvizan tinha 116,5 metros de comprimento da linha de flutuação e 117,9 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 22 metros e um calado de 7,6 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas. Seu casco era subdividido em catorze anteparas estanques transversais, também tendo uma única antepara longitudinal na linha central da embarcação que dividia a sala de máquinas ao meio. O couraçado foi construído com um fundo duplo que também se estendia nas laterais até a extremidade inferior do convés blindado. Sua altura metacêntrica era de um metro. Sua tripulação era formada por 23 oficiais e 722 marinheiros.

Seu sistema de propulsão era composto por dois motores verticais de tripla expansão com três cilindros que tinham uma potência indicada de cavalos-vapor ( quilowatts). A Marinha Imperial preferia usar caldeiras do tipo Belleville, mas Cramp pressionou pelo uso de caldeiras Niclausse, principalmente porque ele era o agente estadunidense delas, recebendo o apoio do general-almirante grão-duque Aleixo Alexandrovich. Vinte e quatro caldeiras Niclausse proporcionavam o vapor necessário para os motores funcionando a uma pressão de dezoito atmosferas ( quilopascais). Seus motores produziram cavalos-vapor ( quilowatts) durante seus testes marítimos para uma velocidade de 17,99 nós (33,3 quilômetros por hora), uma fração abaixo da velocidade de dezoito nós estabelecida em contrato. Cramp mentou e afirmou que o navio alcançou 18,01 nós para evitar sofrer quaisquer penalidades contratuais. As hélices foram ajustadas depois do Retvizan chegar na Rússia e o navio foi capaz de superar os dezoito nós. Transportava normalmente um carregamento de mil toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de 4,9 mil milhas náuticas (9,1 mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Com um carregamento máximo de duas mil toneladas, a autonomia aumentava para oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) na mesma velocidade.

Armamento O armamento foi construído pela fábrica da Obukhov na Rússia e enviado para os Estados Unidos. A bateria principal consistia em quatro canhões calibre 40 de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas operadas eletricamente. As armas podiam elevar até quinze graus e abaixar até cinco graus negativos. Cada canhão tinha um carregamento de 77 projéteis e uma cadência de tiro de um disparo a cada oitenta a noventa segundos. Disparavam um projétil de 330 quilogramas a uma velocidade de saída de 790 metros por segundo para um alcance máximo de onze quilômetros. A bateria secundária era composta por oito canhões Canet Padrão 1892 calibre 45 de 152 milímetros montados em casamatas no convés principal, mais outros quatro no convés superior. Disparavam projéteis de 41,4 quilogramas a uma velocidade de saída de oitocentos metros por segundo. A cadência de tiro era de três a quatro disparos por minuto com um alcance máximo era de onze quilômetros. Cada arma tinha duzentos projéteis.

Era equipado com várias armas menores para defesa contra barcos torpedeiros. Haviam vinte canhões Canet Padrão 1892 de 75 milímetros, catorze dos quais em embrasuras no convés principal e os outros seis no convés superior, entre as casamatas de 152 milímetros. Cada arma tinha 325 projéteis. Disparavam projéteis de 4,9 quilogramas a uma velocidade de saída de 820 metros por segundo para um alcance máximo de 6,4 quilômetros. A cadência de tiro ficava entre doze e quinze disparos por minuto. Também haviam 24 canhões Hotchkiss de 47 milímetros, quatro em cada gávea e oito nas extremidades da superestrutura. Disparavam um projétil de 1,5 quilograma a uma velocidade de saída de 650 metros por segundo. Por fim, haviam seis canhões Hotchkiss de 37 milímetros nas asas da ponte. Disparavam projéteis de quinhentas gramas a uma velocidade de saída de 470 metros por segundo. O Retvizan ainda tinha seis tubos de torpedo de 381 milímetros. Quatro ficavam acima da linha de flutuação, um na proa e outro na popa, e um em cada lateral à ré. Os tubos submersos ficavam um em cada lateral à vante. Dezessete torpedos eram carregados. Também podia levar 45 minas navais.

O couraçado era equipado com telêmetros estadiamétricos Liuzhol que usavam o ângulo entre dois pontos verticais em um navio inimigo, geralmente a linha de flutuação e o cesto de gávea, para estimar a distância para o alvo. O oficial de artilharia consultava suas referências para determinar a distância e calculava a elevação e desvio adequados para se acertar o alvo. Ele transmitia seus dados para cada canhão ao torre por meio de sistema de transmissão de controle de disparo eletromecânico Geisler.

Blindagem A blindagem do Retvizan era feita de aço Krupp e pesava ao todo toneladas, equivalendo a 25,8 por cento do deslocamento total do navio. A maior parte da blindagem foi fabricada nos Estados Unidos, mas um contrato para a blindagem do convés foi concedido para uma empresa na Rússia em 6 de janeiro de 1899. O cinturão principal de blindagem tinha uma espessura máxima de 229 milímetros e diminuía para 127 milímetros na extremidade inferior. Tinha 78 metros de comprimento e 2,1 metros de altura, dos quais noventa centímetros ficavam acima da linha de flutuação. Havia um cinturão superior de 152 milímetros de espessura com o mesmo comprimento que o principal e com 2,3 metros de altura. Placas de 51 milímetros protegiam as extremidades da embarcação com uma altura igual às alturas dos cinturões principal e superior combinadas. Anteparas transversais de 178 milímetros ficavam em cada extremidade do cinturão. A blindagem das casamatas inferiores tinha 127 milímetros, com cada arma sendo separada por uma parede de 38 milímetros. A blindagem das casamatas superiores tinha placas de 127 milímetros com escudos semicirculares de 38 milímetros.

A frente e as laterais das torres de artilharia tinham 229 milímetros, enquanto seus tetos tinham 51 milímetros. Ficavam em cima de barbetas com 203 milímetros de espessura acima do convés principal, diminuindo para 102 milímetros abaixo. A torre de comando e seu tubo de comunicação tinham paredes de 254 milímetros. A blindagem do convés acima da cidadela central ficava no mesmo nível que o topo do cinturão principal e inclinava-se para baixo a fim de encontrar com a extremidade inferior do cinturão. Tinha 51 milímetros de espessura reto e 64 milímetros inclinado. À vante e ré da cidadela a espessura do convés aumentava para 76 milímetros e reforçava a proa de rostro.

História Construção thumb|240px|O Retvizan em 22 de outubro de 1900, um dia antes de seu lançamento