Recreio dos Bandeirantes é um bairro nobre da Zona Sudoeste do município do Rio de Janeiro, que faz parte da região administrativa da Barra da Tijuca. Possui uma área territorial de 30.655 km², sendo conhecido pelas praias, pelo ambientalismo, organização, e segurança.
Faz divisa a leste com Barra da Tijuca, a norte com Camorim, Vargem Pequena e Vargem Grande, a oeste com Barra de Guaratiba e Grumari e a sul com o Oceano Atlântico.Bairros do Rio
Muitos artistas também têm optado por morar no bairro. Foi o bairro que mais avançou no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), passando de 0,794 em 1991 para 0,894 em 2000, o 31º melhor da cidade do Rio de Janeiro (índice já defasado) Tabela 1172 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH), por ordem de IDH, segundo os bairros ou grupo de bairros - 2000
Localizado a oeste do bairro da Barra da Tijuca e a leste de Guaratiba, o Recreio é o bairro do Rio de Janeiro que tem crescido mais rapidamente nos últimos anos. Em 1980 tinha 5.276 habitantes, e em 1991, tinha 14.344 habitantes. Sofreu uma explosão populacional a partir da década de 2000, passando de 37.572 habitantes em 2000 para 82.240 habitantes em 2010. É dos bairros que mais se valorizam na cidade, atraindo as classes média alta e alta, vindas de bairros nobres já saturados, e a classe média emergente, vinda de bairros mais humildes.
História Sua vegetação nativa é composta de restingas, de muito areal e pântano, e também por isso esta região permaneceu isolada durante muito tempo.
Nos anos 1920, o americano Joseph Wesley Finch, nascido na Califórnia em 1884, adquiriu um conjunto de terras, que formaria a hoje denominada Gleba B do Recreio, do Banco do Crédito Móvel, iniciando um processo de desenvolvimento do local para a venda de lotes. A área da Gleba A continuou como propriedade do Banco de Crédito Móvel.
A dificuldade para chegar até a área era grande, e o Sr. Finch, para atrair possíveis compradores, organizava excursões oferecendo uma feijoada a beira-mar. A longa viagem partia da Cinelândia, passava por Madureira, depois por Jacarepaguá e Estrada dos Bandeirantes, até a Estrada do Rio Morto e finalmente na Praia do Recreio.
Finch vendeu lotes do denominado Jardim Recreio dos Bandeirantes de 1921 até seu falecimento, em 1934. Sua esposa então negociou com empresários a venda de seu espólio através da criação de uma empresa que seria proprietária dos lotes, a Predial Bandeirantes, fundada em 1934. Já em 1939, os sócios passaram as suas participações nas terras para um grupo de dez banqueiros, que criaram a Recreio dos Bandeirantes Imobiliária S/A.
Na Predial Bandeirantes aparece pela primeira vez o nome de Holophernes de Castro ligado à região da Barra da Tijuca, no ano de 1934. Ele foi sócio juntamente com Manoel José Ferreira, Renato Fioravanti Bittencourt e Hugo Martins Ferreira desse espólio de Amanda Agnes Busch Finch. Outros nomes ligados à Predial Bandeirantes são de Euvaldo Lodi (Jardim Oceânico), John Janin Rohe, Alberto Nin Ferreira (Banco Crédito Móvel), José de Serpa, Alberto Porto da Silveira e Cláudio Mello. alt=Estande de vendas da Sérgio Castro Imóveis no Recreio dos Bandeirantes.|miniaturadaimagem|Estande de vendas da Sérgio Castro Imóveis no Recreio dos Bandeirantes, em 1959. Com o início da Segunda Guerra mundial (1939) os sócios venderam suas participações para um grupo de dez banqueiros influentes, que criaram a Recreio dos Bandeirantes Imobiliária S/A. Entre os banqueiros estava Luiz Fernandes Vergara (sócio majoritário da Recreio dos Bandeirantes Imobiliária), foi era tabelião do 2º RGI, secretário-geral do Getúlio Vargas (equivalente a Ministro da Casa Civil), dono de banco, com passagens por universidades no exterior. Também participou da sociedade o empresário Drault Ernanny de Melo e Silva.
Em 1943 cada um dos sócios tinha o equivalente a 120.000 cruzeiros em cotas da sociedade, o que remete a um valor patrimonial de 1,2 milhão de cruzeiros pela propriedade das terras do bairro.
Surge nessa época a figura do corretor Sérgio Castro, que monta seu estande de vendas no Pontal e inicia um processo de criação de liquidez para os lotes.
Projeto de urbanização A formação do Recreio se daria a 11 de fevereiro de 1953 com o lançamento do Projeto de Urbanização do Recreio dos Bandeirantes (PA 6028), de autoria do engenheiro e urbanista José Otacílio Saboya Ribeiro, num projeto urbano que prevê a integração ambiental e comunitária, inspirado nos ideais anglo-americanos da Cidade Jardim, conciliando a topografia local a um traçado reticular segmentado com diversas praças e parques de floresta nativa.
Entre os anos de 1958-59 a Companhia Recreio dos Bandeirantes foi responsável pela implementação do projeto e venda dos lotes recém-desmembrados que compunham a chamada Gleba B. O senador potiguar Georgino Avelino, então presidente do Banco do Distrito Federal, esteve entre os que acreditavam na expansão da cidade em direção ao Sudoeste, pressionando pela urbanização da área e sua venda aberta à sociedade, contratando o então jovem corretor de imóveis Sergio Castro, que promoveu a venda em lançamento da Gleba B, desde um barracão localizado junto à Pedra do Pontal, que posteriormente, ao fim do lançamento, foi vendido por Sergio Castro a um famoso restaurante.
Historicamente, todos os bairros da região da Barra da Tijuca desde sua ocupação inicial sofreram com a falta de atuação do poder público, que sempre privilegiou áreas mais densamente povoadas da cidade e integradas ao seu centro. Com isso, tanto o Recreio quanto a Barra não tiveram implementadas várias obras públicas fundamentais ao seu desenvolvimento apropriado. A Barra da Tijuca, porém, conseguiu remediar tal questão por ser um bairro construído majoritariamente pela iniciativa privada, empresas de construção e incorporação que abriram e pavimentaram vias para a implementação dos seus famosos condomínios de ruas fechadas. Já o Recreio, pela sua própria estrutura urbana (formado majoritariamente por ruas de acesso livre nas quais a iniciativa privada não tem poder) é dependente da atuação do governo local.
O abastecimento de água só foi implementado de forma abrangente na década de 1990 no governo de Marcello Alencar. O fornecimento de energia tinha uma infra-estrutura precária, e eram frequentes as quedas de energia, que causavam enormes prejuízos materiais aos moradores; a região só tinha uma subestação de energia, e só na década de 2000 foram implantadas outras subestações, diminuindo consideravelmente o problema. O problema da pavimentação das ruas, por sua vez, constituiu um grande entrave ao desenvolvimento do bairro nos anos 1990, e somente na década seguinte foi erradicado. Em relação à falta de saneamento, a região recentemente recebeu investimentos da prefeitura, sendo inaugurada uma estação elevatória da Cedae em 2009, todavia o despejo de esgoto nos canais e lagoas da região continua até os dias atuais sem a atuação mais efetiva do poder público.
Geografia O litoral do Recreio é formado por cinco praias: Prainha, Secreto, Macumba, Pontal e Recreio. O bairro possui praias mais limpas, reservadas e bonitas que a média da cidade, no sentido leste-oeste são a Praia do Recreio, Praia do Pontal, Praia da Macumba, Praia do Secreto e Prainha.
Praia do Secreto thumb|Praia do Secreto. A Praia do Secreto é uma praia da região que conta com uma piscina natural formada por algumas rochas e invadida pelas águas do mar. Está localizada no canto direito da Praia da Macumba, perto da subida da Prainha. É um "pico" (ponto favorável a prática do surf) famoso de bodyboard e conhecido pelo seu "triângulo de direita" (ondas que quebram da direita para esquerda que tem um formato de triângulo). As melhores condições para a prática do Bodyboard é quando a ondulação esta de sul e o vento de terral (vento que sopra da terra em direção ao mar).
Praia do Recreio thumb|Praia do Recreio. A maior e mais agitada praia do bairro, possui ondas mais fortes e as águas mais limpas do litoral carioca. Possui diversas escolas de surf e vôlei de praia. Tem o tamanho aproximado de 3 quilômetros. É muito frequentada por surfistas e é palco de muitos campeonatos de bodyboard e gravações de televisão. Pela limitação do gabarito dos prédios em 3 andares, o sol não é bloqueado atrás das grandes construções. Seu limite vai da praia da Barra da Tijuca até a pedra do Pontal. Já a praia do Pontal é caracterizada por águas mais calmas e prédios de gabarito mais alto localizados no próprio calçadão da praia. A praia da Macumba, por sua vez, é mais agitada, e é comum a destruição de seus aparatos urbanos pelas ondas fortes. No Carnaval os quiosques da orla promovem o desfile de bandas.
Praia do Pontal thumb|Praia do Pontal. É a segunda maior e mais importante praia, caracterizada por não haver separação entre o calçadão e os prédios, que possuem aqui um gabarito maior de construção. Estende-se da Pedra do Pontal até a Pedra de Itapuã. É citada na música "Do Leme ao Pontal", de Tim Maia.
Praia da Macumba thumb|Praia da Macumba vista da Pedra de Itapuã. A Praia da Macumba tem cerca de 1,3 km de extensão, localiza-se entre a Prainha e a Praia do Pontal. Delimitada pelo Canal de Sernambetiba, mais conhecido como Canal ou Rio Morto, e pela Pedra de Itapuã, é margeada pela Avenida AW e por um trecho da Estrada do Pontal. A praia recebeu esse nome por ser um local onde adeptos da Umbanda e do Candomblé têm o hábito de fazer despachos e trabalhos religiosos. É conhecida também como o paraíso dos surfistas que utilizam longboard devido às suas ondas, que oferecem condições para o surf durante o ano todo.
Tornou-se nacionalmente conhecida no final da década de 1980, por ter sido o principal cenário externo da novela Top Model.
Desmoronamento do calçadão thumb|Resultado dos desmoronamentos ocorridos no calçadão da praia. Em 15 de setembro de 2017, uma parte do calçadão da Praia da Macumba afundou e desmoronou, embora não houvesse ressaca no mar. Segundo um morador da região, outros problemas semelhantes ocorreram nos últimos anos. Nos dias 4 e 9 de outubro, ocorreram outros desmoronamentos do calçadão, dessa vez devido à força do mar. Segundo o Secretário Municipal de Conservação e Meio Ambiente, Rubens Teixeira, o calçadão da orla, construído há mais de 15 anos, foi mal feito.
No dia 18 de outubro, a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente (SECONSERMA) iniciou o trabalho de contenção do calçadão da orla. Orçada em R$ 14,5 milhões, a obra será executada pela empresa Geomecânica. Será colocado enrocamento sintético (bolsas preenchidas de concreto) na frente e atrás do muro do calçadão, a fim de recompor o solo e o calçamento e de proteger a integridade das construções da região. Está previsto também o aterramento da área atingida e a recomposição de todo o calçadão. A intervenção será executada por etapas e deverá estar pronta em até 120 dias. Em 24 de outubro, uma parte do muro de contenção colocado pela prefeitura, um poste e um trecho que ainda restava de parte de uma calçada desabaram com a força das ondas. Devido à situação, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça Federal a convocação de uma audiência para apresentar uma solução para os desmoronamentos ocorridos na praia.
Atualmente, a Prefeitura do Rio busca viabilizar um projeto, proposto pela COPPE há 17 anos, que consiste na instalação de um quebra-mar a fim de impedir o deslocamento de areia pela ação dos ventos e das marés.
Prainha thumb|Vista da Prainha.