O Teatro Faialense é uma sala de espetáculos localizada na Alameda Barão de Roches, na cidade e concelho da Horta, ilha do Faial, Açores.Faial, Açores: Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda., 2003. ISBN 972-96057-1-8 p. 57.Bettencourt, J. (1997), Teatro faialense, Correio da Horta, Horta, 27/28 de Junho.Marcelino Lima, Anais do Município da Horta, pp. 517-524. Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva, 1943.

Sucessor do Teatro União Faialense, erguido em 1856 no mesmo local, o edifício atual data de 1916. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1989 e é gerido pela URBHORTA, empresa municipal do Município da Horta.

História

Antecedentes Há registo de representações teatrais de carácter popular em várias ilhas dos Açores, associadas à atividade das ordens religiosas, entre as quais as danças de entrudo e as representações de temática sacra, como os presépios vivos e as cenas da paixão, realizadas em conventos e igrejas. O teatro laico de forma moderna surgiu no arquipélago no início do século XIX, inicialmente circunscrito a meios urbanos e a salas improvisadas, com repertório de autores portugueses até ao aparecimento de textos de escritores locais.

Na ilha do Faial, o primeiro teatro em sentido moderno, denominado Teatro de Thalia, foi inaugurado em 1814 na então vila da Horta, a expensas e na residência do morgado José da Terra Brum, 1.º Barão de Alagoa. Terá sido o primeiro teatro em funcionamento nos Açores, antecedendo em cerca de uma década iniciativas equivalentes em Ponta Delgada e em Angra. Desde então, a Horta manteve de forma continuada salas de espetáculo, instaladas em casas particulares ou em sociedades recreativas.

O Teatro de Thalia funcionou até 1824, tendo a atividade cessado no contexto da queda das instituições liberais em Portugal e das divisões políticas na ilha, sendo o espaço posteriormente desmantelado. Em 1826 foi instalado na Horta o Theatro Constitucional Boa União, na casa que pertenceu à Sociedade Cooperativa Artista Fayalense, no Largo do Bispo D. Alexandre. Funcionou até 1828 e, após interrupção associada à Guerra Civil Portuguesa, retomou a atividade em 1832, transferindo-se mais tarde para o primeiro andar do extinto Colégio dos Jesuítas da Horta.

A criação do Theatro Constitucional Boa União deveu-se ao major João Pedro Soares Luna, então comandante da força de artilharia aquartelada na Horta, com o contributo de vários particulares e o apoio do governador das armas, Diogo Tomás de Ruxleben, violinista amador. O espaço ficou conhecido pelo nome do promotor. Segundo Ernesto Rebelo, «o teatro de Luna [...] teve épocas florescentes», tendo contribuído para a difusão do gosto pelo teatro na ilha.Ernesto Rebelo, Notas Açorianas in Archivo dos Açores. Ponta Delgada, Typ do Archivo dos Açores, 1885, 1886, 1887.

O Teatro União Faialense (1856-1915) A construção de uma sala para teatro, projetada de raiz com esse fim, foi iniciativa de um particular, João de Bettencourt Vasconcelos Correia e Ávila, o promotor em cuja casa funcionava desde 1846 o novo Thalia. Com o nome de Teatro União Faialense, a primeira verdadeira sala de teatro faialense principiou a funcionar a 16 de setembro de 1856, sendo referida por diversas fontes como o primeiro teatro regular dos Açores.

O Teatro Fayalense (a partir de 1916) Em 1910, por se considerar a sala oitocentista insuficiente para as exigências da época, o edifício foi demolido e substituído, no mesmo local, por uma nova construção, inaugurada em 1916 com a fachada que ainda apresenta e rebatizada Teatro Fayalense, designação que mantém na grafia atual.

O teatro integrou o circuito das salas de província que recebiam companhias e artistas em digressão, entre os quais Emília Adelaide, Sá Noronha, a violinista Gabriella Neusser e Ângela Pinto. A partir da década de 1920 foi também adaptado à exploração cinematográfica, mantendo a estrutura de camarotes e balcões.

Municipalização e reabilitação Em 1995, o imóvel foi adquirido pelo Município da Horta.

Seguiu-se uma intervenção de restauro e ampliação, dirigida pelo arquiteto José Lamas, que manteve a traça do edifício e a estrutura da sala. Foram acrescentados uma nova caixa de palco, um auditório e um centro de conferências, renovadas as infraestruturas de serviços e executada, no teto da sala, uma pintura alusiva à música, do artista plástico açoriano Nuno da Câmara Pereira.

Em 2003, o teatro reabriu ao público, dotado de meios e equipamentos modernos.

Centenário Em 2016, as comemorações do centenário do edifício tiveram início, com a apresentação pública do programa evocativo e a afixação, na sala, de cartaz alusivo ao 100.º aniversário. O programa encerrou a 10 de abril de 2017, com uma sessão solene que incluiu o lançamento de um selo e de uma medalha comemorativos.

Características e instalações O edifício inscreve-se nas tendências ecléticas do início do século XX, sem corresponder rigorosamente ao art déco. A fachada é revestida a azulejo e a cobertura é curva e recuada. A sala conserva a disposição à italiana, com camarotes e frisas, apontada como característica da arquitetura de espetáculo do período.

O teatro integra atualmente um cine-teatro, um auditório, uma sala polivalente e um bar, além de áreas de exposição e salas de reunião. Segundo a planta divulgada pela entidade gestora, a sala principal tem 281 lugares, 104 dos quais na plateia e os restantes em camarotes e frisas.

O equipamento encontra-se dotado de sistemas de som, de iluminação e de tradução simultânea, o que permite a sua utilização em conferências e reuniões, para além dos espetáculos de cinema, teatro, dança e música.

Atividade cultural O Teatro Faialense constitui a principal infraestrutura de programação cultural do concelho da Horta, acolhendo espetáculos, ciclos de cinema, festivais, conferências e sessões institucionais.

Cinema e festivais Desde a sua primeira edição que o teatro acolhe o C(H)orta – Festival de Curtas do Faial, promovido pela Associação de Jovens da Ilha do Faial. Uma das suas edições contou com mais de 50 filmes a concurso. Em 2020, por força das restrições decorrentes da pandemia de COVID-19, a edição realizou-se exclusivamente em formato digital, sem abertura da sala ao público.

Música Entre os espetáculos musicais realizados na sala contam-se o concerto de encerramento do III Workshop de Filarmónicas da Ilha do Faial, que reuniu mais de meia centena de executantes de oito filarmónicas da ilha; a apresentação do álbum Marés em 9 Cantos, do Blue Sea Project, a 4 de novembro de 2023, com direção musical de Filipe Fonseca e a participação de Kátia Guerreiro, Ana Pinhal e Vozes da Rádio; o projeto Volta ao Mundo em 80 Guitarras, do artista espanhol Hector Belda, em maio de 2024; e o espetáculo do Festival Internacional dos Açores em que Herman José assinalou 50 anos de carreira, em setembro de 2024.

Emoutubro de 2024, a sala recebeu o ciclo Jazz nas Ilhas, integrado nas comemorações dos 25 anos do Angrajazz, com um trio formado pela vocalista Sónia Pereira, pela pianista Antonella Barletta e pelo trompetista Roberto Rosa. Anteriormente, o teatro havia já sido incluído no circuito insular de programação de jazz nos Açores.

Em abril de 2024, decorreu no teatro uma residência artística e a gravação ao vivo de Cantares do Andarilho, espetáculo evocativo do repertório de José Afonso inspirado no concerto de 1983 no Coliseu de Lisboa, tendo o registo sido editado em janeiro de 2025 sob o título Wanderer Songs (Cantares do Andarilho) – Ao Vivo no Teatro Faialense.

Em maio de 2025, o projeto Bermim, criado por Filipe Fonseca, apresentou no teatro o seu álbum homónimo, dedicado à música e à poesia açorianas e centrado na viola da terra.

O teatro acolhe ainda manifestações de música tradicional, designadamente o Encontro de Ranchos de Natal.

Teatro A 30 de novembro de 2025 foi apresentada a peça Uma Mulher Só, de Franca Rame e Dario Fo, pela associação Teatro de Giz, com encenação de João Sérgio Palma. O auditório acolheu igualmente projetos de teatro comunitário e educativo, como a encenação do livro infantil O Guirilampo, de Sónia Sousa, levada a cena em 2018.

Sessões institucionais e conferências O teatro é utilizado com regularidade para sessões oficiais e encontros técnicos. Nele se realizou a sessão comemorativa dos 50 anos da erupção do Vulcão dos Capelinhos, bem como, em de março de 2017, o colóquio sobre as áreas protegidas dos Açores que encerrou as comemorações dos 45 anos das reservas naturais da Caldeira do Faial e da Montanha do Pico.

Em outubro de 2024, acolheu o 4.º Encontro Regional de Boas Práticas, dedicado à importância da igualdade de género nas políticas locais.

Em maio de 2026, acolheu a cerimónia do 27.º aniversário do Comando Regional dos Açores da Polícia de Segurança Pública.

Ver também Lista de património edificado nos Açores Sociedade Amor da Pátria

Referências

Ligações externas

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