Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel (ou simplesmente Unidos de Vila Isabel) é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Vila Isabel. A agremiação foi fundada em 4 de abril de 1946 por Antônio Fernandes da Silveira (Seu China); Aílton Cléber da Silva; Antonio Rodrigues (Tuninho Carpinteiro); Ari Barbosa; Cesso da Silva; Joaquim José Rodrigues (Quinzinho); Osmar Mariano; Paulo Gomes de Aquino (Paulo Brazão); e Servan Heitor de Carvalho. Também participaram da fundação outros sambistas e foliões da região. A fundação, e primeira sede da escola, foi na casa de Seu China, no Morro dos Macacos, comunidade ligada à escola. A agremiação tem como símbolo uma coroa, em referência à Princesa Isabel, que dá nome ao bairro da Vila. Suas cores oficiais são o branco e o azul-celeste. As cores foram escolhidas em homenagem à escola de samba Azul e Branco do Salgueiro, frequentada por Seu China. A Azul e Branco também foi responsável por batizar a Unidos de Vila Isabel. Posteriormente, a Vila foi rebatizada pela Portela, que ganhou o título de escola-madrinha. A quadra da Unidos de Vila Isabel fica localizada no Boulevard 28 de Setembro, número 382, no bairro de Vila Isabel.

A Vila possui três títulos de campeã do carnaval carioca, conquistados em , e . Também foi campeã da segunda divisão em e ; e da terceira divisão em . O primeiro desfile da Vila foi no carnaval de 1947. Em 1988, a escola conquistou seu primeiro título de campeã, com o histórico "Kizomba, Festa da Raça", frequentemente listado por especialistas entre os melhores desfiles da História do carnaval. Ao longo dos anos, a Vila coleciona prêmios e homenagens. A escola é uma das maiores vencedoras do Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval"; além de possuir diversas outras premiações. Em 2001, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural. Em 2023 foi declarada como Patrimônio Cultural Imaterial, Social e Turístico da cidade do Rio de Janeiro. A Velha Guarda da escola também foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da cidade do Rio.

Sua discografia é marcada por clássicos do gênero de samba enredo como "Sonho de Um Sonho" (1980); "Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira" (1984); "Raízes" (1987); "Kizomba, Festa da Raça" (1988); "Gbala" (1993); "Muito Prazer! Isabel de Bragança e Drummond Rosa da Silva, mas Pode Me Chamar de Vila" (1994); e "A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo" (2013). Entre seus compositores mais famosos estão Martinho da Vila, Paulo Brazão, André Diniz e Evandro Bocão. A escola tem ainda outras personalidades marcantes em sua história, como o intérprete Gera; os mestres de bateria Mug e Ernesto; o presidente e patrono Capitão Guimarães; e o músico Mestre Trambique, um dos fundadores da escola mirim Herdeiros da Vila.

Fundação Antônio Fernandes da Silveira, conhecido como Seu China por ter "olhos puxados", apesar não ter ascendência oriental, foi o mentor da Unidos de Vila Isabel. Seu China era pintor e residia no Morro do Salgueiro, onde fundou o Bloco Verde e Branco, que mais tarde originou a escola de samba Depois Eu Digo. Também frequentava a escola Azul e Branco do Salgueiro, que depois deu origem à Acadêmicos do Salgueiro. Em 1945, Seu China se mudou para o Morro dos Macacos. Entrando em contato com o carnaval de Vila Isabel, era convidado a participar de blocos carnavalescos, porém, recusava os convites. Achava que o bairro de Noel Rosa merecia ter uma escola de samba.

No domingo de carnaval do ano de 1946, Seu China conversava com um grupo de amigos em um bar, situado na Praça Barão de Drummond, na esquina com a Rua Barão de São Francisco, enquanto desfilava por ali o Bloco Acadêmicos da Vila, agremiação do Morro do Pau da Bandeira, de cores vermelho e branco. Chamou a atenção de Seu China a maneira organizada do bloco desfilar, com os componentes fantasiados e cercados por uma corda, parecendo uma "mini escola de samba". A partir de então, teve a ideia de fundar a primeira escola de samba de Vila Isabel. China solicitou ao menino José Ferreira Leite, de então 15 anos, que verificasse qual documentação era necessária para o registro da nova agremiação. Também levou os foliões de Vila Isabel para assistir ao desfile da Azul e Branco do Salgueiro, na Praça Onze. Após o carnaval de 1946, Seu China se reuniu com os componentes do Acadêmicos da Vila, que aceitaram a ideia de fundar uma escola de samba. O grupo também recebeu o apoio do bloco de Dona Maria Tataia, e dos times de futebol Unidos da Vila e Vila Isabel Futebol Clube.

A Unidos de Vila Isabel foi fundada em 4 de abril de 1946, no quintal da casa de Seu China, na Rua Senador Nabuco, número 248, casa 3, na subida do Morro dos Macacos, onde funcionou a primeira sede da agremiação. A escola foi fundada por Antônio Fernandes da Silveira (Seu China); Aílton Cléber da Silva; Antonio Rodrigues (Tuninho Carpinteiro); Ari Barbosa; Cesso da Silva; Joaquim José Rodrigues (Quinzinho); Osmar Mariano; Paulo Gomes de Aquino (Paulo Brazão); e Servan Heitor de Carvalho. Também participaram da fundação: José Ferreira Leite; Djalma Fernandes da Silveira (Filho de Seu China; também conhecido como Djalma Sapo); Dulcinéia Gomes de Aquino (irmã de Paulo Brazão, foi a primeira diretora da Ala das Baianas); Peti (uma das primeiras baianas da escola); Enock (conhecido como carioca); entre outros sambistas e foliões da região. Cada um dos fundadores foi escolhido para exercer uma função na diretoria da nova agremiação: Seu China foi o primeiro presidente; Paulo Brazão foi diretor de harmonia, diretor geral, e compositor dos primeiros sambas da escola; Osmar Mariano era diretor de bateria; Antonio Rodrigues, o tesoureiro; Ari Barbosa, o secretário; Joaquim José Rodrigues, o procurador; e José Ferreira Leite era o representante da agremiação na União Geral das Escolas de Samba do Brasil. Tião Arroz foi o primeiro mestre-sala; Raquel Amaral foi a primeira porta-bandeira; e Célia Fernandes de Souza, a primeira rainha da agremiação. No dia 27 de dezembro de 1946, a Unidos de Vila Isabel foi filiada à União Geral das Escolas de Samba do Brasil, conquistando o direito de disputar o campeonato do carnaval do ano seguinte.

Nome, símbolo, cores e escola-madrinha O nome "Unidos de Vila Isabel" faz referência ao bairro de origem da agremiação. Não se sabe, porém, de quem foi a ideia do nome. A escola tem como símbolo uma coroa, em referência à Princesa Isabel, que dá nome ao bairro da Vila. Suas cores oficiais são o branco e o azul, sendo que a Vila adota o tom de azul-celeste. As cores foram escolhidas em homenagem à Azul e Branco do Salgueiro, escola frequentada por Seu China anteriormente. A Azul e Branco também foi responsável por batizar a Unidos de Vila Isabel, antes de ser extinta, em 5 de março de 1953, quando se uniu à Depois Eu Digo para fundar a Acadêmicos do Salgueiro. Posteriormente, a Vila foi rebatizada pela Portela, que ganhou o título de escola-madrinha.

Bandeira e brasão A bandeira da escola possui dezesseis raios de cores intercaladas, sendo oito brancos e oito em azul-celeste, partindo do centro em direção às extremidades do pavilhão, que tem forma retangular. O modelo, com raios partindo de um círculo, lembrando o nascer do sol, tem formação semelhante à Bandeira do Sol Nascente, e é adotado pela maioria das escolas de samba. No centro da bandeira, de onde partem os raios, localiza-se o emblema da agremiação. O emblema possui dois círculos concêntricos; no círculo de fora, está inscrito o nome da escola; no círculo de dentro, está o brasão da agremiação. Acima do emblema, estrelas douradas representam o número de campeonatos da escola, sendo uma estrela para cada título. Abaixo do brasão, está a inscrições do ano de confecção da bandeira.

O brasão da Unidos de Vila Isabel possui diversos símbolos, repletos de significados. Consiste em um escudo encimado pela coroa da Princesa Isabel, o símbolo da escola. Na metade de cima do escudo, há o desenho de um sol nascendo encimado por uma faixa azul com a inscrição "GRESUVI" (Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel) e um resplendor sobre os dois. Esta primeira parte representa o nascimento da escola de samba. Na metade de baixo do escudo, há a figura de três símbolos: uma clave de sol, representado a música em geral; um pandeiro, representando o samba; e uma pena de ave, utilizada na antiguidade para escrever, simbolizando o ato de compor. Não se sabe quem montou a bandeira e o brasão da escola, nem como se deu a escolha.

História miniaturadaimagem|Desfile da Unidos de Vila Isabel de 1972. Arquivo Nacional. A casa de "China", primeiro presidente da escola, serviu até 1958 como sede administrativa da agremiação. Os ensaios eram realizados no Campo do Andaraí. O primeiro enredo da Vila, De Escrava a Rainha, contou com apenas 100 componentes desfilando na Praça Onze: 27 ritmistas, 13 baianas e mais 50 pessoas. Paulo Brazão, um dos fundadores da escola, foi um dos maiores ganhadores de samba-enredo da Vila Isabel, em 1960, a escola ficou em primeiro lugar no Grupo 3, com o enredo Poeta dos Escravos.

Uma das figuras mais conhecidas da escola é, sem dúvida, Martinho da Vila. Sua entrada na agremiação aconteceu em 1965: ele fazia parte da Escola de Samba Aprendizes da Boca do Mato e já estava partindo para o Império Serrano, quando surgiu o convite para integrar a ala de compositores da Vila Isabel. Na nova escola, Martinho reestruturou a forma de compor sambas de enredo, com a introdução de letras e melodias mais suaves, emplacando 4 sambas consecutivamente. No Carnaval de 1967, Martinho da Vila compôs Carnaval de Ilusões, em 1968 Quatro Séculos de Modas e Costumes, em 1969, Iaiá do Cais Dourado e em 1970, Glórias Gaúchas. Em 1979, a Vila saiu vitoriosa do Grupo 1B, com um enredo feito por Yêdda Pinheiro, falando sobre Os dourados anos de Carlos Machado. Foi a primeira vez que uma escola homenageou um vulto da cultura ainda vivo. Hoje é lugar comum, mas esta foi a primeira vez em que isto foi feito.

Década de 1980 De volta ao primeiro grupo, a Vila alternou entre bons e maus momentos. Com a chegada de Capitão Guimarães à presidência da escola, passou a contar com um patrono do jogo do bicho, como vinha acontecendo com outras agremiações. Com a saída de Guimarães da presidência, a escola perdeu sua quadra e voltou a enfrentar uma crise financeira. Justamente nesse momento tão complicado, conquistou seu primeiro título de campeã com um desfile que entrou pra história do carnaval. Também na década de 1980, a Vila produziu grandes clássicos do gênero samba-enredo como "Sonho de Um Sonho" (1980); "Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira" (1984); "Raízes" (1987) e "Kizomba, Festa da Raça" (1988).

1980: "Sonho de Um Sonho"

Para o carnaval de 1980, a AESCRJ tomou a polêmica decisão de abolir os quesitos Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Comissão de Frente com a justificativa de que eles estavam se tornando onerosos, visto que as escolas estavam negociando financeiramente os melhores profissionais. Apesar de não estarem sendo julgados, a apresentação dos segmentos foi mantida como obrigatória. Terceira escola a se apresentar pelo Grupo 1A, a Vila desfilou com um enredo desenvolvido pelos carnavalescos Fernando Costa e Sílvio Cunha, baseado no poema Sonho de Um Sonho de Carlos Drummond de Andrade. O grande destaque do desfile foi o samba-enredo composto por Martinho da Vila, Rodolpho de Souza e Tião Graúna, que pedia "As mentes abertas sem bicos calados" e "a prisão sem tortura" numa época em que o Brasil, ainda sob ditadura militar, passava por um processo de redemocratização. Em carta endereçada a Martinho e publicada pelo Jornal do Brasil, Carlos Drummond elogiou o samba, baseado em seu poema. esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Desfile da Vila no carnaval de 1980.