O SMS Gneisenau foi um cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Alemã e a segunda e última embarcação da Classe Scharnhorst, depois do . Sua construção começou em dezembro de 1904 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em junho de 1906, sendo comissionado em março de 1908. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 210 milímetros montados em torres de artilharia duplas e casamatas, tinha um deslocamento carregado de quase treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 22 nós.

O Gneisenau começou sua carreira nas forças de reconhecimento da Frota de Alto-Mar, mas foi transferido para a Esquadra da Ásia Oriental em 1910 por ser considerado obsoleto diante dos novos cruzadores de batalha britânicos. Pelos quatro anos seguintes patrulhou as possessões coloniais da Alemanha na Ásia e Oceano Pacífico, também realizando várias visitas diplomáticas para portos estrangeiros na região. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e a esquadra atravessou o Pacífico até a América do Sul, no caminho atacando a Polinésia Francesa em setembro.

Os alemães chegaram no litoral do Chile no início de novembro e derrotaram uma esquadra britânica na Batalha de Coronel, com o Gneisenau tendo incapacitado o cruzador blindado , que foi posteriormente afundado por outro navio. Esta derrota fez o Almirantado Britânico destacar dois cruzadores de batalha para caçar e destruir a Esquadra da Ásia Oriental, o que foi realizado no mês seguinte durante a Batalha das Malvinas. Nesta, o Gneisenau foi afundado depois de ser alvejado pelo e , com a maior parte de sua tripulação morrendo.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Scharnhorst Os cruzadores blindados da Classe Scharnhorst foram encomendados como parte de um programa de construção estabelecido pela Segunda Lei Naval de 1900, que previa uma força de catorze cruzadores blindados. Eles marcaram um grande aumento de poder de combate em relação à predecessora Classe Roon, sendo mais bem armados e protegidos. Estes melhoramentos permitiam que lutassem na linha de batalha caso fosse necessário, uma capacidade pedida pelo Departamento Geral da Marinha Imperial Alemã.

O Gneisenau tinha 144,6 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 21,6 metros e um calado de 8,37 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão consistia dezoito caldeiras de tubos d'água que alimentavam três motores de tripla-expansão. Tinha uma potência indicada de 26 mil cavalos-vapor (19,1 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 22,5 nós (42 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de 4,8 mil milhas náuticas (8,9 mil quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação consistia em 38 oficiais e 726 marinheiros.

O armamento principal era formada por oito canhões calibre 40 de 210 milímetros, quatro montados em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré da superestrutura na linha central, enquanto os outros quatro ficavam em casamatas únicas. O armamento secundário incluía seis canhões calibre 40 de 149 milímetros, também em casamatas individuais que ficavam localizadas um convés abaixo das casamatas da bateria principal. A bateria contra barcos torpedeiros tinha dezoito canhões calibre 35 de 88 milímetros montados em casamatas. Também foi equipado com quatro tubos de torpedo submersos de 450 milímetros: um na proa, um em cada lateral e o último na popa.

O cinturão principal era feito de aço Krupp e tinha 150 milímetros de espessura na cidadela blindada, reduzindo-se para oitenta milímetros à vante e ré. Tinha um convés blindado de 35 a sessenta milímetros, com a blindagem mais espessa protegendo as salas de máquinas e depósitos de munição. As torres de artilharia tinham laterais de 170 milímetros, enquanto as casamatas da bateria principal tinham 150 milímetros. As casamatas da bateria secundária eram protegidas por uma camada de 130 milímetros.

Carreira Início de serviço O Gneisenau foi encomendado em 8 de junho de 1904 e seu batimento de quilha ocorreu em 28 de dezembro nos estaleiros da AG Weser em Bremen sob o número de construção 144. Uma prolongada greve de trabalhadores do estaleiro adiou a construção e o navio só foi lançado ao mar em 14 de junho de 1906. Foi nomeado em homenagem à predecessora corveta e batizado pelo general-marechal de campo Alfred von Schlieffen, o Chefe do Estado-Maior Geral Alemão. Foi levado para Wilhelmshaven a fim de passar pela equipagem e foi comissionado na frota em 6 de março de 1908, iniciando seus testes marítimos no dia 26. Estes duraram em 12 de julho até 12 de julho, quando foi designado para o I Grupo de Reconhecimento, a esquadra da reconhecimento da Frota de Alto-Mar. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de mar Franz Hipper.

O cruzador participou da rotina normal de treinamentos da frota durante sua época como membro do I Grupo de Reconhecimento. Participou logo após o fim de seus testes marítimos de um grande cruzeiro da frota no Oceano Atlântico junto com a esquadra de couraçados da Frota de Alto-Mar. O príncipe Henrique, irmão do imperador Guilherme II, tinha defendido tal cruzeiro no ano anterior, argumentando que prepararia a frota para operações internacionais e quebraria a monotonia do treinamento em águas alemãs. Este cruzeiro ocorreu em um momento que as tensões com o Reino Unido estavam altas devido a uma corrida armamentista naval entre os dois países, porém incidente algum ocorreu. A frota deixou Kiel em 17 de julho e atravessaram o Canal Imperador Guilherme até o Mar do Norte, continuando para o Atlântico. A frota voltou para a Alemanha em 13 de agosto. Manobras de outono ocorreram em 27 de agosto e 12 de setembro, depois das quais Hipper foi substituído pelo capitão de mar Konrad Trummler.

O ano de 1909 transcorreu de maneira similar com mais dois cruzeiros no Atlântico, o primeiro entre fevereiro e março e o segundo de julho a agosto. Este último incluiu uma visita à Espanha. Mais tarde no mesmo ano o Gneisenau e o cruzador rápido escoltaram o imperador a bordo de seu iate até a Finlândia, onde ele se encontrou com o imperador Nicolau II da Rússia. O Gneisenau venceu o Prêmio de Tiro por excelência em artilharia entre os cruzadores blindados para 1908–1909. A primeira metade de 1910 transcorreu tranquilamente e em julho fez um cruzeiro para a Noruega. Foi redesignado em 8 de setembro para a Esquadra da Ásia Oriental, com o capitão de mar Ludolf von Uslar no comando. Nesta altura, a Marinha Real Britânica tinha começado a comissionar novos cruzadores de batalha, que eram significativamente superiores aos cruzadores blindados. Entretanto, o comando alemão decidiu que navios como o Gneisenau ainda poderiam ser usados para fortalecer a esquadra colonial.

Esquadra da Ásia Oriental

O Gneisenau deixou Wilhelmshaven em 10 de fevereiro e seguiu para a possessão alemã do Território Arrendado da Baía de Kiauchau na China. Parou no caminho em Málaga na Espanha para uma cerimônia em homenagem aos mortos da corveta Gneisenau, que tinha afundado no local em 16 de dezembro de 1900. Em seguida navegou pelo Mar Mediterrâneo, atravessou o Canal de Suez e foi para o Oceano Índico, parando em Colombo no Ceilão. Nesta parada embarcou Guilherme, Príncipe Herdeiro da Alemanha, em 11 de dezembro, que na época estava fazendo uma viagem pela Índia, levando-o até Bombaim. O cruzador retomou sua viagem para o Sudeste Asiático e se encontrou com o cruzador rápido , fazendo paradas em Singapura, Hong Kong e Amoy, finalmente chegando em 14 de março de 1911 em Qingdao, o porto da esquadra alemã. Se encontrou no local com seu irmão , a capitânia da Esquadra da Ásia Oriental. O Gneisenau transportou em 7 de abril o embaixador alemão Arthur Rex de Taku na China para Yokohama no Japão, onde se encontrou com o Schanrhorst. Uslar, o capitão de mar Hugo Kraft do Schanrhorst e o contra-almirante Günther von Krosigk, comandante da Esquadra da Ásia Oriental, se encontraram com o imperador Meiji. O Gneisenau em seguida fez uma viagem pelo Japão e Rússia, mas retornou para Qingdao durante a Crise de Agadir a fim de se preparar para uma guerra em potencial.

Krosigk transferiu sua capitânia para o Gneisenau em setembro enquanto o Scharnhorst passava por sua manutenção. A Revolução Xinhai começou na China em 10 de outubro, causando grande tensão entre os europeus, que se recordaram de ataques contra estrangeiros durante o Levante dos Boxers entre 1900 e 1901. A Esquadra da Ásia Oriental foi colocada em alerta para proteger os interesses alemães, enquanto tropas adicionais foram enviadas para proteger o consulado alemão. Não ocorreram ataques contra europeus e assim a esquadra não foi necessária. O Gneisenau venceu o Prêmio de Tiro para o ano de treinamento de 1910–1911.

thumb|esquerda|240px|As tripulações do Gneisenau e Scharnhorst durante uma recepção em Batávia em janeiro de 1913 O cruzador foi para seu manutenção periódica em Qingdao no início de 1912. Iniciou em 13 de abril um cruzeiro pelo Japão, retornando em 13 de maio. O capitão de mar Franz Brüninghaus assumiu o comando em junho. Foi para Pusan na Coreia entre 1º e 4 de agosto, onde libertou o encalhado navio de passageiros alemão SS Silesia, escoltando-o em seguida para Nagasaki no Japão. Foi para Xangai no final do ano, com Krosigk sendo substituído em dezembro pelo contra-almirante Maximilian von Spee. Este levou o Gneisenau e o Scharnhorst para uma viagem pelo sudoeste do Pacífico em 27 de dezembro, incluindo paradas em Amoy, Singapura e Batávia. Os dois cruzadores voltaram para Qingdao em 2 de março de 1913. O Gneisenau venceu o Prêmio de Tiro para o ano de 1912–1913.

O Gneisenau e Scharnhorst foram para o Japão em abril de 1913, onde Spee e os capitães se encontraram com o imperador Taishō. Retornaram para Qingdao e permaneceram no local por sete semanas. Os dois cruzadores iniciaram no final de junho uma viagem pelas colônias alemãs do Pacífico. Estavam em Rabaul em 21 de julho quando mais agitações começaram na China, forçando seus retornos nove dias depois para a rada de Wusong, próxima de Xangai. O Gneisenau depois disso patrulhou o Mar Amarelo e visitou Porto Artur em outubro. A situação se acalmou e assim os navios puderam realizar a partir de 11 de novembro um curto cruzeiro para o Japão. Voltaram para Xangai em 29 de novembro, partindo pouco depois para outra viagem pelo Sudeste Asiático. Paradas incluíram Sião, Sumatra, Bornéu do Norte e Filipinas.

O capitão de mar Julius Maerker assumiu o comando do Gneisenau em junho de 1914. Pouco depois o Schanrhorst foi para um cruzeiro na Nova Guiné Alemã, com o Gneisenau depois se encontrando com seu irmão em Nagasaki, onde os dois reabasteceram. Seguiram para o sul, chegando em Truk no início de julho, onde também reabasteceram seu estoque de carvão. No caminho foram informados do assassinato do arquiduque Francisco Fernando, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria. A Esquadra da Ásia Oriental chegou em Ponape nas Ilhas Carolinas em 17 de julho. Spee ganhou acesso à rede de rádio alemã e ouviu no dia 28 sobre a declaração de guerra da Áustria-Hungria contra a Sérvia, enquanto dois dias depois a Rússia mobilizou suas forças. Notícias chegaram em 31 de julho que o ultimato alemão para os russos desmobilizarem seus exércitos iria expirar. Spee ordenou que seus navios fossem preparados para a guerra. Guilherme II ordenou em 2 de agosto uma mobilização da Alemanha contra a Rússia e a França.

Primeira Guerra Mundial Ações iniciais thumb|400px|Movimentações dos navios da Esquadra da Ásia Oriental