é um filme japonês de animação e fantasia, lançado em 1989. Dirigido por Hayao Miyazaki e produzido pelo Studio Ghibli, o seu roteiro tem por base o romance homônimo, escrito por Eiko Kadono em 1985. Na trama, a jovem bruxa, Kiki, sai de casa aos treze anos para tornar-se independente em uma nova cidade, e devido a sua habilidade de voar cria um serviço de entregas. Apesar de que a personagem seja uma bruxa, o longa-metragem focaliza nas provações e tribulações de sua adolescência. De acordo com Miyazaki, a produção retrata o abismo entre a independência e a confiança nas adolescentes nipônicas. O elenco da película é composto pelas vozes de Minami Takayama, Rei Sakuma, Keiko Toda, Minami Takayama, Kappei Yamaguchi, entre outros.
Na pós-produção de Majo no Takkyūbin, o projeto foi atribuído a dois iniciantes do estúdio, Sunao Katabuchi e Nobuyuki Isshiki, entretanto, Miyazaki não gostou do roteiro feito por Isshiki, e então, assumiu o seu cargo, o de roteirista. O filme foi inteiramente desenhado à mão, sem recorrer à computação gráfica.
Após o seu lançamento, tornou-se um sucesso financeiro e crítico, conseguindo lucrar bilhões de ienes no Japão, e figurou-se como o mais lucrativo do ano de 1989, além de ser o primeiro sucesso comercial do Studio Ghibli. Em países da Europa, como a França e a Itália, o longa apresentou um grande número de espectadores fora do Japão. Por parte da recepção crítica, conseguiu se destacar pelo tema de "independência feminina", com a vida cotidiana e a integração social, sendo elogiadas, outro ponto notável na obra é o fato de não focar nos poderes mágicos da protagonista, já que ela é uma bruxa. Na 13.ª edição da cerimônia dos Prêmios da Academia do Japão, que reconhece a excelência de profissionais da indústria cinematográfica japonesa; Majo no Takkyūbin ganhou o prêmio de "melhor filme" e Miyazaki recebeu uma indicação por sua direção.
Enredo A jovem bruxa Kiki, deixa sua família e seus amigos aos treze anos para aperfeiçoar sua bruxaria numa nova cidade como a tradição exige de todas as jovens bruxas, com o seu gato preto Jiji, que a ajuda, a menina acaba numa cidade à beira-mar. Na desconhecida e grande cidade, a menina inicialmente fica insegura, mas conhece bons amigos em uma padaria e desenvolve o interesse de abrir um negócio: um serviço de entrega, devido a sua habilidade de voar.
Com o apoio da padeira grávida e seu marido, Kiki recebe alguns pedidos de modo que ela faz amizade com muitas pessoas, entre outras, com uma senhora idosa, a quem até ajuda a fazer uma torta em um velho forno a lenha. Kiki aprende uma valiosa experiência e conhece seu primeiro amor, Tombo. Através de um severo ataque de dúvidas sobre si mesma, Kiki perde seus poderes mágicos, entretanto, nesta crise pessoal ela encontra compreensão e apoio de seus amigos, e quando Tombo fica em situação de risco de vida, Kiki salva-o e então, torna-se conhecida e amada por toda a cidade e também recupera sua autoconfiança.
Elenco
Produção 170px|miniaturadaimagem|esquerda|Hayao Miyazaki, diretor, produtor e roteirista do filme. Majo no Takkyūbin é uma adaptação do romance infantil homônimo escrito por Eiko Kadono. Hayao Miyazaki notou uma grande semelhança entre a protagonista (Kiki) com os jovens animadores do Studio Ghibli. Ainda na fase de pós-produção, Miyazaki ficou inteiramente ocupado com o desenvolvimento de Tonari no Totoro e Isao Takahata, cofundador do estúdio, com a animação Hotaru no Haka. Inicialmente, o projeto foi atribuído a dois novos funcionários do estúdio: Sunao Katabuchi, que já havia colaborado com Miyazaki em Meitantei Hōmuzu, sendo designado como diretor, e Nobuyuki Isshiki como roteirista. Entretanto, Miyazaki não ficou satisfeito com o primeiro script produzido por Isshiki, decidindo assumir de vez o roteiro da obra. A situação financeira da companhia também explica o crescente envolvimento de Miyazaki no longa-metragem.
Posteriormente, várias alterações foram feitas por Miyazaki, que junto a sua equipe foi à Suécia para inspirar-se nas locações do país, já que o filme era ambientado na Europa. Na volta ao Japão, começou o enfoque no roteiro, nos esboços já produzidos e nos perfis dos personagens. Para este último, Miyazaki contou com a ajuda de outros profissionais. Com a finalização do script em 8 de julho de 1988, Miyazaki começou a trabalhar nos storyboards e depois na direção. Inicialmente, o filme deveria ter um lançamento limitado e uma duração no máximo de oitenta minutos, no entanto, o projeto ficou mais duradouro.
Animação A animação do filme foi inteiramente feita à mão, não recorrendo a computação gráfica. Alguns dos efeitos mais utilizados, estão: o zoom, que destaca um aspecto importante de determinada cena, o movimento de câmera panorâmica, que é utilizado extensivamente nas cenas de voos, pois permite seguir um objeto em movimento e detalhá-lo ao espectador.
Ambientação miniaturadaimagem|direita|Estocolmo foi uma das principais inspirações para a animação. A história de Majo no Takkyūbin é decorrida em uma Europa romântica e idealizada. A cidade de Koriko, na qual a trama é ambientada, é uma mistura de cidades mediterrânicas (Lisboa e Nápoles), cidades do norte da Europa (Visby, Estocolmo, Paris e Amesterdã), e a cidade norte-americana São Francisco. A Suécia foi a principal inspiração para o filme, pois o diretor havia morado lá em 1971. Além da diversidade de lugares inspiradores, a cidade tem uma arquitetura que mistura diferentes épocas, com edifícios que vão desde o século XVIII até aos anos 60, este aspecto é reforçado pelos objetos, como um dirigível que remonta aos anos 30, os carros dos anos 40 e alguns televisores dos anos 50, essa junção de elementos contribuiu para a criação de uma Europa idealizada, que foge das exigências reais.
A paleta de cores das produções do Studio Ghibli tem uma evolução de um filme para o outro; em Majo no Takkyūbin os tons dominantes são de verão, verde e azul, enquanto as cores escuras são apresentadas para sublinhar um sentimento negativo ou a noite. As colorações seguem a preferência por tonalidades mais realistas e discretas.
Música A trilha sonora do filme composta por Joe Hisaishi, conta com 21 canções, sendo duas delas compostas e interpretadas por Yumi Arai; a canção de abertura ("Rūju no dengon") e dos créditos finais ("Yasashisa ni tsutsumareta nara"), possuem um estilo melodioso das décadas de 60 e 70.
A trilha sonora assemelha-se ser deliberadamente europeia, inspirando-se na música ocidental para a medição e instrumentalização (por exemplo, o acordeão). As composições de Hisaishi estão imbuídas de inocência no filme, que também abrange muita serenidade que permitem ao espectador interpretar livremente a atmosfera das cenas.
Lista de faixas
Temas Busca pela independência Majo no Takkyūbin enfoca a jornada iniciática de Kiki, que, como uma adolescente despreocupada no início da história, gradualmente ganha independência e autoconfiança. Assim como na produção anterior de Hayao Miyazaki, Tonari no Totoro (1988), não há vilão ou confronto com o mundo exterior: Kiki não se rebela contra seus pais, que a apoiam, ou qualquer outra pessoa. Não enfrenta nenhuma situação extraordinária. Pelo contrário, sua passagem à idade adulta é pontuada apenas pelas vicissitudes e excitações da vida cotidiana, não sendo poupada nem mesmo do tédio típico da adolescência. Como qualquer criança em crescimento, Kiki tem que enfrentar pequenas decepções, superar vários problemas, e assim aprender a viver. Suas preocupações podem ser puramente materiais, tais como a necessidade de trabalhar para ganhar a vida, ou internas, como a falta de autoconfiança.
O aspecto mais importante do aprendizado de Kiki é a independência, Miyazaki abordar essa tema no início do filme. O objetivo do diretor é apresentar a evolução de Kiki da maneira mais realista possível. A busca pela confiança parece ser uma questão tão importante quanto a apreensão da independência, conforme o diretor, bastantes jovens japonesas sofrem de "privação espiritual", embora tenham alcançado sucesso e independência material, porque o importante para elas é, sobretudo, encontrar seus próprios talentos e sua própria identidade, de modo a se integrarem numa nova comunidade.
Integração social Miyazaki enfatiza a importância da coletividade e da integração em uma nova comunidade, temas valiosos para o diretor. Kiki, que a princípio é um pouco deselegante, por exemplo, com os meninos, aprende a conhecer seu lugar na sociedade e a construir laços virtuosos com a comunidade ao seu redor. Em particular, os valores de educação e o respeito aos mais velhos, são enfatizados no filme. Kiki conhece muitos personagens secundários (como Osono, Tombo e Ursula), e faz amizade com eles graças à sua bondade; é isso que lhe permite suavizar seu exílio e, finalmente, integrar-se pouco a pouco. As personagens do filme — Osono, que gerencia sua padaria brilhantemente, ou Ursula, sendo orgulhosa e independente — servem de modelo ou de guia para Kiki.
O início do filme mostra a importância do relacionamento com o outro, através da representação lírica da família de Kiki, mais idealizada do que real. Miyazaki demonstra que Kiki cresceu em um espaço familiar ideal, na qual o ambiente é encantador, a mãe trabalha em casa e o pai chega cedo do trabalho. Osono e seu marido tornam-se uma família substituta para Kiki, destacando mais uma vez a importância dos familiares para o diretor.
Emancipação feminina O enredo se destaca de muitas animações pela escolha de uma garota como protagonista, pois os temas da autonomia, autoconfiança, necessidade de sustentar-se ou a preparação com o futuro, são frequentemente representados através de personagens masculinos. No Japão, e em muitas outras culturas, é incomum para uma menina de treze anos ir sozinha a um lugar estrangeiro para se estabelecer financeiramente. Miyazaki altera muitas histórias, substituindo o herói por uma heroína, dando um tom original à sua história. Na cena final do filme, essa inversão de papéis pode ser observada quando Kiki resgata seu amigo Tombo, ao contrário da clássica sinopse do conto de fadas em que é o jovem que salva sua princesa. Através da força de caráter e teimosia de Kiki, o longa-metragem também difere dos mangás em que as meninas são frequentemente presas em papéis passivos ou idealizados.
Lançamento A produção e a divulgação foram realizadas por Tokuma Shoten, que era então proprietário do Studio Ghibli. Majo no Takkyūbin se destaca por ter uma campanha publicitária maior do que as produções anteriores do estúdio, graças à sua parceria com a Nippon TV, e o apoio de uma grande empresa como a Yamato Transport. Posteriormente, o Studio Ghibli usou novamente esta estratégia de marketing em outros longas-metragens. O cartaz oficial do filme, que mostra Kiki encostada atrás do balcão da padaria, foi escolhido pelo produtor associado, Toshio Suzuki. Suzuki queria que o cartaz refletisse o verdadeiro significado do roteiro; que se concentra na vida cotidiana de Kiki, e não na sua magia. Suzuki afirmou que a Nippon TV, além de teasers, retransmita os filmes anteriores do Studio Ghibli pouco antes do lançamento de Majo no Takkyūbin.
O filme foi lançado no Japão em 29 de julho de 1989 e arrecadou bilhões de ienes, e foi considerado o primeiro grande sucesso comercial do Studio Ghibli, além de ser o mais lucrativo em seu país de origem do ano de 1989. O seu orçamento foi estimado em 800 milhões de ienes. Foi também lançado em VHS (em 1995; com unidades vendidas), em DVD (em 2001; com mais de unidades vendidas) e em Blu-ray (em 2012; e com cópias vendidas). Além disso, foi transmitido quinze vezes entre 1990 e 2020, na televisão japonesa, com audiências variando de 13,5% a 24,4%.