O Grito Rock é um festival colaborativo realizado em centenas de localidades, entre fevereiro e março, anualmente. Em 2014, aconteceu em 400 cidades de 40 países. Teve sua primeira edição em 2003, por iniciativa do coletivo Espaço Cubo, na cidade de Cuiabá (Mato Grosso), enquanto uma alternativa ao Carnaval. Com o surgimento do Circuito Fora do Eixo em 2006, passou a ser realizado de forma integrada a partir de 2007. Ano após ano, o número de cidades cresceu, o festival ampliou seu conceito estético - ao contemplar outros estilos e linguagens artísticas que não o rock e a música - e se transformou em uma plataforma de rede para incentivo à circulação de artistas e a democratização de tecnologias sociais na área da produção cultural.

Para estimular este crescimento e democratizar conhecimento acumulado desde o nascimento do festival, o conselho gestor formado por membros do Fora do Eixo formata campanhas que instruem todo o processo produtivo e sugerem a integração de diversas linguagens à programação de cada cidade. Por meio de cartilhas, é possível aderir a ações de transmissão ao vivo, socioambientais, cultura digital, atividades para crianças, formação livre, entre outras. Com dicas, sugestões e modelos, as campanhas trabalham a capacitação dos produtores para expandir o leque de atividades em sua localidade.

As rotas e circuitos formados entre os eventos provocam a circulação de produtores culturais, midialivristas, artistas e outros profissionais da cadeia produtiva da cultura. Nesses 10 anos de Grito Rock em rede, milhares de bandas já circularam. Só no último ano 1500 shows foram realizados. À medida que se expande e chega a grandes centros do mundo, também conecta pequenas cidades e vilarejos do Brasil Profundo, promovendo intercâmbios culturais em escalas globais.

Objetivos O Grito Rock foi uma das primeiras experiências de trabalho colaborativo em rede desenvolvidas pelo Fora do Eixo, tendo em vista a criação de plataformas para a circulação de artistas independentes pelo território nacional. Realizado de forma integrada em diversas cidades desde 2007, possibilita a realização de turnês, além de se tornar uma rede global de produtores dispostos a trocar conhecimento e aperfeiçoar tecnologias sociais.

O festival tem a característica de ser um potencializador do ambiente de rede, se configurando enquanto plataforma de democratização de tecnologias sociais. Por acontecer em várias cidades espalhadas pelo Brasil e dezenas de outros países, o Grito Rock é a ação do Fora do Eixo que mais favorece a circulação de bandas, comunicadores, produtores e outros agentes culturais. Outra forte característica é funcionar como um radar do que melhor acontece na nova música brasileira, com suas diferentes nuances e personalidades.

Há ainda um forte estímulo à toda a cadeia produtiva do setor, por ser um facilitador e viabilizador do surgimento e continuidade de novos empreendimentos e empreendedores. Cabe citar aqui veículos de comunicação livres como sites, webrádios, webtv`s, zines e outros, selos de música, estúdios de ensaio e gravação, grifes culturais, produtoras de eventos, agências de artistas/bandas, entre outros, que nasceram a partir do festival.

Histórico

Resumo Depois do início das edições integradas em 2007, o Grito Rock cresceu exponencialmente e em 2011 alcançou a marca de 130 cidades, em oito países, movimentando 2 mil bandas e aproximadamente 200 mil espectadores. Na décima edição, em 2012, foram 205 cidades realizadoras, 37% a mais em comparação com 2011, envolvendo a participação direta de 700 produtores culturais, de 15 países diferentes. Finalmente em 2013, ganhando amplitude global, o festival alcançou 300 cidades de quase 30 países, tendo edições em toda a América Latina, Europa e África.

Em 2012, teve um público atingido de cerca de 200.000 pessoas, materializando um aumento consistente com relação a edição anterior. Além dos números "gritantes" do festival, avançamos muito no enraizamento de suas tecnologias através das Campanhas do Grito Rock 2012, gerando ótimos resultados em diversas frentes de atuação e explorando o trabalho com diferentes linguagens. Na ampliação dos intercâmbios latinos, a edição de Buenos Aires, levou pela primeira vez à Argentina os rappers Criolo e Emicida, dois dos grandes nomes da nova música brasileira.

O Grito Rock em 2013 tomou proporções globais, por isso teve como narrativa “Grito Rock Mundo”. As conexões internacionais iniciadas em 2012 dão espaço agora para a consolidação de rotas em todo o mundo. Com mais cidades e países conectados, o Grito 2013 caminha para o maior festival integrado do mundo, com 300 cidades em 30 países, em pelo menos 4 continentes. Essa internacionalização também mostra um forte ação cultural de rede na Ibero-américana, que aponta seu potencial pro mundo, ampliando conexões com o oriente, o velho continente e a América do Norte.

Em 2014, o festival seguiu sua trajetória expansiva, aumentando a quantidade de cidades e a crescente presença no interior, não só do Brasil, como de outros países, ampliando o espectro de conexões do Brasil Profundo a grandes centros urbanos globais. Com edições nas três Américas, África, Europa, o festival se consolida enquanto uma plataforma global de troca de conhecimentos e intercâmbios para a música e outras linguagens. +Edição (ano)Quantidade de Cidades2003 a 2006edição única em Cuiabá200720 cidades200850 cidades200970 cidades2010100 cidades2011130 cidades2012205 cidades2013300 cidades2014400 cidades

Edições

Os primórdios em Cuiabá

Edição de 2003 Fomento e profissionalização da cena independente da música foram as forças motrizes que fizeram nascer em Cuiabá a primeira edição do Grito Rock, em 2003, quando o Espaço Cubo escolheu o período de carnaval para a realização de um festival de baixo orçamento e com possibilidade de autogestão.  A primeira edição do Grito foi pequena. Em um dia de shows, seis bandas locais evidenciaram a proposta de fomento ao som autoral em contraponto ao predominante contexto do “cover” à época. Daí pra frente, o festival foi marcado por uma crescente.https://saocarlos.sp.gov.br/index.php/noticias-2010/156494-festival-grito-rock-em-scarlos-.html

Edição de 2004 Em 2004 deu-se intercâmbio em nível regional, bandas de Campo Grande (MS) foram escaladas para o set list do festival.

Edição de 2005 Em 2005, o delineamento programático evidenciou-se ainda mais com a intensificação do intercâmbio e interiorização das ações. Na programação, seis bandas por dia, somando ao todo 24, sendo 03 de Mato Grosso do Sul e 02 de municípios mato-grossenses como Sorriso e Sinop.

Edição de 2006 Em 2006, a consolidação. O surgimento da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) e, em especial, do Circuito Fora do Eixo, promoveu um boom no que tange a articulação de produtores, refletindo-se na "fuderosa" programação apresentada. Foram então escaladas bandas das regiões norte, nordeste, sudeste, além de várias outras do centro-oeste do país. Foram dez estados representados por vinte e oito bandas. Além da programação, um marco histórico para o circuito se daria ali, quando a primeira reunião de produtores Fora do Eixo pontuaria as três premissas básicas de trabalho do CFE: a circulação de bandas, produtores e jornalistas, a distribuição de produtos culturais e o estímulo à produção de conteúdo através da comunicação.

De Cuiabá para o mundo: em 2007, nascia o Grito Rock em rede

Edição de 2007 De Cuiabá para o Brasil. Esse foi o mote do Grito Rock 2007, quando 20 cidades do país realizaram simultaneamente o GR entre os dias 09 e 24 de fevereiro, período marcado pelo carnaval no calendário de festividades nacional. Sediaram a primeira edição do Grito Rock em rede (em ordem alfabética): Belém (PA); Belo Horizonte (MG); Cuiabá (MT); Florianópolis (SC); Goiânia (GO); Jaú (SP); Ji-Paraná (RO); Londrina (PR); Macapá (AP); Manaus (AM); Mogi das Cruzes (SP); Natal (RN); Palmas (TO); Porto Velho (RO); Recife (PE); Rio Branco (AC); Rio Claro (SP); Rio de Janeiro (RJ); Uberlândia (MG) e Vilhena (RO).

Edição de 2008 As 20 cidades da 1ª edição integrada saltaram para 45, com uma novidade: era a 1ª vez que países da América do Sul entravam no circuito. Com o mote Grito Rock América do Sul, ao todo, o festival contou rotas que integraram 17 do Sudeste, 09 do Norte, 07 Centro-Oeste, 06 Sul e 04 Nordeste e 02 internacionais (Bolívia e Argentina). Do Centro-Oeste: Brasília (DF); Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Inhumas (GO), Sinop (MT), Várzea Grande (MT). Do Nordeste: Natal (RN), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Fortaleza (CE). Do Norte, Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Ji-Paraná (RO), Vilhena (RO), Palmas (TO), Belém (PA), Boa Vista (RR), Manaus (AM), Macapá (AP). Do Sudeste: Araraquara (SP), Bauru (SP), Bragança Paulista (SP), Belo Horizonte (MG), Jaú (SP), Montes Claros (MG), Sabará (MG), São Caetano Sul (SP), São Carlos (SP), São João del-Rei (MG), São Paulo (SP), Serrana (SP), Sorocaba (SP), Ribeirão Preto (SP), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ), Uberlândia (MG). Do Sul: Camburiú (SC), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Londrina (PR), Maringá (PR) e Porto Alegre (RS) e Internacional: Buenos Aires (ARG), Santa Cruz de La Siera (BOL).

Edição de 2009 Foram 50 cidades integradas ao Grito Rock em 2009. Destas, 21 foram do Sudeste, 10 do Norte, 09 do Sul, 05 do Centro-Oeste e 05 do Nordeste. Foram elas: Araraquara (SP), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Criciúma (SC), Cuiabá (MT), Divinópolis (MG), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Imbé (RS), Inhumas (GO), Ji-Paraná (RO), João Pessoa (PB), Joinville (CE), Juiz de Fora (MG), Limeira (SP), Londrina (PR), Macapá (AP), Manaus (AM), Maringá (PR), Montes Claros (MG), Natal (RN), Palmas (TO), Recife (PE), Porto de Galinhas (PE), Porto Alegre (RS), Ribeirão Preto (SP), Rio Branco (AC), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ), Sabará (MG), Santa Maria (RS), Santana (AP), São Caetano do Sul (SP), São Carlos (SP), São João del-Rei (MG), São José do Rio Preto (SP), São José do Campos (SP), São Paulo (SP), Sinop (MT), Sorocaba (SP), Uberaba (SP), Uberaba (MG), Uberlândia (MG), Vespasiano (MG), Vilhena (RO) e Votorantim (SP).

Edição de 2010 73 cidades integraram a rota do Grito Rock 2010. Do Centro-Oeste, foram 12 cidades; do Nordeste: 10; do Norte: 12; do Sudeste: 28 (sendo 14 de MG, 11 de SP e 03 do RJ); e do Sul: 11. Naquele ano, a principal novidade foi o lançamento da rede Toque no Brasil, que com o apoio da ABRAFIn e Casas Associadas, disponibilizava cerca de 500 vagas para que bandas de todo o Brasil pudessem se inscrever para participar do festival. Além disso, as campanhas eram realizadas pela primeira vez.