Bacuri é uma das frutas mais populares da Região Norte do Brasil e dos estados vizinhos à Região Amazônica, sendo muito encontrado no Bioma do Cerrado e em algumas áreas da Mata dos cocais do Maranhão, Piauí e no Pará, mais específico na região de Salinas. (Inclusive é um dos símbolos da cidade de Teresina).

Descrição O bacurizeiro foi primeiramente nominado pelo botânico e naturalista brasileira Manuel Arruda da Câmara que o descreveu como Moronobea esculenta. Em 1832, o botânico alemão Karl Friedrich Phillip Von Martius, reconhecendo a impropriedade da inclusão do bacurizeiro no táxon genérico Moronobea, criou o gênero Platonia e o nomeou de Platonia insignis Mart. Essa mudança foi fundamentada basicamente nas características dos estames, pois nas espécies de Moronobea são espiralados e em Platonia são eretos.

Popularmente, a Platonia insignis Mart. possui várias denominações, sendo a grande diversidade atribuída ao fato de que os missionários e viajantes estrangeiros eram de diferentes nacionalidades e ao grafarem o nome da espécie o faziam considerando apenas sua percepção auditiva. Assim, davam a versão fonêmica do que captavam auditivamente, sem atentar para o significado etimológico da palavra.  

Na atualidade, o bacurizeiro é uma espécie em risco, pois a paisagem de bacurizais vem sendo substituída de maneira acelerada por plantações de eucalipto, monocultura de cana-de-açúcar e soja. Se medidas preservativas não forem tomadas de forma rápida, essa árvore poderá ser extinta.

O bacurizeiro quando pertencente a vegetação primária apresenta porte médio a grande, com estatura entre 15 e 25 metros, podendo atingir, em alguns casos, altura superior a 30 metros. Nessa ocasião ocupa a parte superior da floresta e o diâmetro na altura do peito varia entre 70 e 120 centímetros e a copa possui diâmetro entre 10 e 20 centímetro.

O bacuri é o fruto do bacurizeiro, uma árvore frutífera pertencente à família Clusiaceae. Os frutos dessa família são amplamente apreciados nas regiões norte e nordeste por apresentarem aromas e sabores bastante agradáveis. Além disso, trata-se de uma espécie perenifólia, heliófita e higrófita. A fruta mede cerca de 10 cm e apresenta uma casca dura e resinosa, com polpa branca, de aroma agradável e sabor intenso.

O bacurizeiro possui duas espécies conhecidas: Scheelea phalerata, Arecaceae, também chamado acuri, aricuri ou ouricuru. Platonia insignis, Clusiaceae, também chamado landirana. Este fruto é utilizado na fabricação de doces, sorvetes, polpa e seu látex tem uso medicinal. É um fruto imaturo de cor verde, do tipo baga, globoso. Rico em vitaminas B1 e B3 O bacuri apresenta alto aproveitamento e empregabilidades variadas, pois polpa, casca, sementes e bagaço podem ser utilizados e mostram importantes fatores nutricionais. A polpa, constituindo 15% do peso do fruto, pode ser incorporada, por exemplo, a doces, sucos, sorvetes e licores. Em seus componentes nutricionais, possuem os seguintes antioxidantes: vitaminas C e E (ácido ascórbico e tocoferóis, respectivamente), flavonoides, antocianinas e polifenois. Os sacarídeos (glicose, frutose e sacarose) e minerais (Na, K, Ca, Mg, P, Fe, Zn e Cu) são variados.

A composição nutricional da polpa do fruto é apresentada na tabela a seguirMIRANDA, J.L.G. et al. Desenvolvimento da pesquisa científica, tecnologia e inovação na agronomia. Ponta Grossa: Atena Editora, 2022. Disponível em:<https://www.atenaeditora.com.br/catalogo/post/extrativismo-e-comercializacao-do-bacuri-nos-estados-do-maranhao-e-piaui>

Acesso em: 28 junho 2023: +ComposiçãoConteúdoComposiçãoConteúdoCalorias (cal)105,0Vitamina B1 e B2 (mg)0,04Proteínas (g)1,90Ácido ascórbico (mg)33,00Lipídeos (g)2,00Niacina (mg)0,50Fibra (g)7,40Lisina (mg)316,00Cálcio (mg)20,00Metionina (mg)178,00Fósforo (mg)36,00Treonina (mg)219,00Ferro (mg)2,20Triptofano (mg)57,00Tabela 1 - Composição nutricional do bacuri tomando por base uma porção de 100g de polpa. Fonte: Morton (1987) Quanto à casca, bagaço e sementes, possuem macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) e reduzido valor energético – aproximadamente 74kcal/100g- características que podem tornar os resíduos do bacuri um interessante produto para a indústria alimentícia. Além disso, compostos antioxidantes e cicatrizantes/anti-inflamatórios, no caso das sementes.

A casca, respondendo por 71% do fruto, em razão do seu sabor amargo, dificilmente pode ser usada para doces ou compotas. Porém, é uma boa opção para a formação de géis, por possuir elevado teor de pectina em sua constituição, resultando também em altos níveis de fibras dietéticas solúveis, que auxiliam na redução de colesterol, lipoproteínas, sais biliares e glicose.

A semente pode ter sua gordura extraída, sendo composta majoritariamente pelo ácido palmítico (saturado), representando 63%, seguido do ácido oleico(monoinsaturado), integrando aproximadamente 26% da composição lipídica. Devido a esta natureza com alto teor de lipídeos saturados, é possível emprega-los na produção de sabões, cosméticos, detergentes e biocombustíveis.

Óleo e manteiga de bacuri As aplicações fitoterápicas desse óleo são popularmente difundidas no Marajó como um remédio eficaz contra picadas de aranhas, de cobras, e no tratamento de problemas de pele e contra dor de ouvido, além de ser considerado um remédio miraculoso contra reumatismos e artrites.

A manteiga de bacuri dá um tom dourado à pele em poucos minutos após sua aplicação; sendo absorvida, a pele adquire um toque aveludado, além de tirar manchas e diminuir cicatrizes.

Dados físico-químicos do óleo de bacuriMORAIS, Luiz Roberto Barbosa. Produção de óleo de duas espécies amazônicas por prensagem: bacuri platonia insignis (mart.) e pracachy pentaclethra macroloba (willd). –Belém: Universidade Federal do Pará, 2005. Densidade e40ºC) Índice de refração (40ºC) 1,4570 Índice de saponificação 205,1000 Índice de iodo 47,0000

Composição ácido graxos do óleo de bacuri PorcentagemVanessa Fernandes de Araújo, Andrea Camila Petry, Rosângela Martinez Echeverria, Eric Costa Fernandes e Floriano Pastore Jr. Plantas da Amazônia para Produção Cosmética. Brasília, junho, 2007. Ácido palmitico 44,2% Palmitoleico 13,2% Esteárico 2,3% Oléico 37,8% Linoléico 2,5%

Bibliografia Lorenzi, H.; Bacher, L.; Lacerda, M. e Sartori, S.: Frutas brasileiras e exóticas cultivadas (de consumo in natura). Instituto Plantarum, 2834.

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