Conde de Ribeira Grande foi um título nobiliárquico concedido a uma linhagem hereditária de nobres da ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, estando particularmente associado à família Gonçalves da Câmara."Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp. 219-22

O título foi inicialmente atribuído a Dom Manuel Luís Baltazar da Câmara, antes 4.º Conde de Vila Franca, 8.º Capitão-Donatário de São Miguel, em 1662, tendo o seu ramo da família Câmara continuado a representar o título mesmo após a extinção da nobreza e da monarquia em 1910.

História

Embora Dom Manuel Luís Baltazar da Câmara tenha sido criado primeiro Conde por decreto de Afonso VI de Portugal, emitido a 15 de setembro de 1662, as origens deste título remontam à queda do Conde de Vila Franca e, em particular, a Rodrigo da Câmara, pai de Manuel da Câmara.Carlos Melo Bento (2008), p.52 O 8.º Capitão-Donatário foi alvo de escândalos ao longo de toda a sua carreira. Infelizmente para o Conde, acabou por atrair a atenção indesejada do Santo Ofício da Inquisição, que o prendeu e julgou. Com base em várias denúncias, testemunhos e até na própria confissão do réu, o Conde de Vila Franca foi condenado, tendo os bens da sua família sido confiscados e ele próprio encarcerado no Convento do Cabo de São Vicente até à sua morte. Embora a sua esposa não tivesse conseguido libertar o marido, conseguiu, contudo, influenciar a Corte Real a restaurar as honras e os bens da família após a morte deste, graças às suas ligações familiares enquanto descendente de Vasco da Gama. O seu filho foi o beneficiário direto deste reatamento de laços. Devido ao carácter manchado do condado de Vila Franca, o Rei decidiu substituí-lo por Ribeira Grande, em lugar da antiga capital provincial desonrada. A utilização de Vila Franca já havia sido, desde o início, uma decisão controversa, uma vez que Filipe II de Espanha não consultara os políticos locais antes de instituir a dignidade.

Condes da Ribeira Grande (1662) #NomeDatasTítuloNotas1Dom Manuel Luís Baltazar da Câmara1630–16751.º Conde da Ribeira GrandeTambém 4.º Conde de Vila Franca2Dom José Rodrigo da Câmara1665–17242.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 1.º Conde da Ribeira GrandeCarlos Melo Bento (2008), p.533Dom Luís Manuel da Câmara1685–1723Carlos Melo Bento (2008), p. 593.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 2.º Conde da Ribeira Grande4Dom José da Câmara1712–17574.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 3.º Conde da Ribeira Grande5Dom Guido Augusto da Câmara e Ataíde1718–17705.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 3.º Conde da Ribeira Grande6Dom Luís António José Maria da Câmara1718–17706.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 5.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu na freguesia da Ajuda; Casou com Dona Maria Rita de Almeida, filha do 2.º Marquês de Alorna, a 21 de Novembro de 1778; Pai de Leonor Maria da Câmara, 1.ª Marquesa de Ponta Delgada7Dom José Maria Gonçalves Zarco da Câmara1784–18207.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 6.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu na freguesia de Alcântra; Casou duas vezes; Primeiro, em 1810, com Dona Maria do Santíssimo Sacramento de Vasconcelos e Sousa, filha do 2.º Marquês de Castelo-Melhor; Segundo, em 1814, com Dona Mariana de Almeida Portugal, filha do 3.º Marquês de Lavradio8Dom Francisco de Sales Gonçalves Zarco da Câmara1819–18728.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 7.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu no Rio de Janeiro; Criado 1.º Marquês da Ribeira Grande por decreto do Rei Pedro V de Portugal, emitido a 5 de setembro de 1855;Nobreza de Portugal e do Brasil, dirigida por Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 222 Foi também 2.º Marquês de Ponta Delgada. Casou três vezes9Dom José Maria Gonçalves Zarco da Câmara1843–19079.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 1.º Marquês da Ribeira Grande e 8.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu na freguesia de Alcântra; Casou duas vezes; Primeiro, em Londres, 1862, Dona Luísa Maria de Sousa Holstein, filha do 2.º Duque de Palmela; Segundo, com Dona Maria Helena de Castro e Lemos Magalhães e Meneses10Dom Vicente de Paula Gonçalves Zarco da Câmara1875–194610.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 9.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu na freguesia de Alcântra; Foi veador da Rainha Dona Amélia; Casou, em 1898, com Dona Maria da Pureza Vasconcelos e Sousa, filha legitimada do 5.º Marquês de Castelo-Melhor

Representantes do título na República #NomeDatasTítulo pretendidoNotas11José Maria Gonçalves Zarco da Câmara1898–196111.º Conde da Ribeira GrandeFilho do 10.º Conde da Ribeira Grande; Nasceu na freguesia Santos-o-Velho; Casou, em 1925, com Dona Maria Ester Nunes de Almeida de Magalhães;12José Vicente Gonçalves Zarco da Câmara1932–?12.º Conde da Ribeira GrandeFilho de José Maria Gonçalves Zarco da Câmara;13José Cabral Gonçalves Zarco da Câmaran. 196013.º Conde da Ribeira GrandeAtual representante; Filho do José Vicente Gonçalves Zarco da Câmara;

Brasão de armas Os Condes da Ribeira Grande utilizavam o brasão hereditário dos Condes de Vila Franca, que incluía a torre prateada, encimada por uma cruz dourada e ladeada por dois lobos cinzentos. O seu lema na época era PELA FÉ, PELO PRÍNCIPE, PELA PÁTRIA.

Referências

Bibliografia

Nobreza de Portugal e do Brasil, vol. III, Lisboa, Portugal: Zairol Lda., 1989, pp. 219–222 Bento, Carlos Melo (2008), História dos Açores: Da Descoberta a 1934, Câmara Municipal de Ponta Delgada; Ponta Delgada (Açores), Portugal

Ligações externas O Palácio dos Condes da Ribeira Grande, na Junqueira. Análise do conjunto edificado, por Tiago Molarinho Antunes e Mariana PRJ Ferreira, A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro: Anatomia dos Inteiros, Edição conjuntaː Instituto de História da Arte (IHA) – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de LisboaISBN: 978-989-99192-0-4

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