Música industrial é um gênero de música que se baseia em sons e temas ásperos, mecânicos, transgressivos ou provocativos. A AllMusic define música industrial como a "fusão mais abrasiva e agressiva de rock e música eletrônica" que foi "inicialmente uma mistura de experimentos eletrônicos de vanguarda (música de fita, musique concrète, ruído branco, sintetizadores, sequenciadores, etc.) e provocação punk".

O termo foi cunhado em meados da década de 1970 com a fundação da Industrial Records por membros do Throbbing Gristle e Monte Cazazza. Embora o nome do gênero tenha se originado com o surgimento do Throbbing Gristle no Reino Unido, artistas e gravadoras importantes para o gênero também surgiram nos Estados Unidos e em outros países.

Os primeiros artistas industriais experimentaram ruído e temas esteticamente controversos, musicalmente e visualmente, como fascismo, perversão sexual e ocultismo. Músicos industriais proeminentes incluem Throbbing Gristle, Monte Cazazza, SPK, Boyd Rice e Cabaret Voltaire.V.Vale. Re/Search #6/7: Industrial Culture Handbook, 1983. No álbum de estreia de Throbbing Gristle de 1977, The Second Annual Report, eles cunharam o slogan "música industrial para pessoas industriais". A cena da música industrial também se desenvolveu fortemente em Chicago, com o Wax Trax! Records liderando a cena da música industrial da época. Os estilos precursores que influenciaram o desenvolvimento do gênero incluíram musique concrète dos anos 1940 e fontes variadas de world music, além de bandas da era do rock como Faust, Kraftwerk e The Velvet Underground. Os músicos também citam escritores como William S. Burroughs e JG Ballard, e artistas como Brion Gysin, como influências.

História

Primeira geração: Música concreta e contemporânea (1940-1968)

Pode se dizer que os pioneiros do que se consideraria industrial no futuro foram os compositores da música concreta e futurista, principalmente na década de 50. Formado por compositores eruditos com um posicionamento de vanguarda (avant-garde), estes movimentos permaneceram em contato direto com o experimentalismo.

A partir dos elementos presentes no final da música modernista e início da contemporânea, surgiu as primeiras apresentações de música eletrônica. Já durante os anos 50 começou a se propagar o conceito de drones, perpetuado por La Monte Young. Os representantes mais notáveis da primeira geração foram Luigi Russolo, Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen, Edgar Varese, entre outros.

Segunda geração: Música Industrial (1968-1980)

Silver Apples foi uma das bandas pioneiras deste cenário, assim como a cena do krautrock com o Neu!, Kluster e o influente Kraftwerk. Estas bandas desbravariam o conceito de música experimental através da música popular. Algumas décadas depois, bandas no início do pós-punk (e algumas até anteriores a ela) também se interessaram pelo ruído e o experimentalismo eletrônico, como o Pere Ubu, Suicide, Killing Joke e o Clock DVA. A segunda geração surgiu a partir do momento que o termo "música industrial" foi cunhado e passado a ser considerado um autêntico gênero musical. O nome "Industrial Music for Industrial People" foi definido por Monte Cazazza para representar o selo independente do Throbbing Gristle, levando a ideia de uma música criada para uma nova geração de pessoas, sendo toda a anterior, "agricultural". Depois de um tempo, porém, ele foi reinterpretado como se representasse uma "estética industrial".Surgiu assim uma série de compositores que adotaram este gênero como o próprio Throbbing Gristle, Einstürzende Neubauten, Test Dept e a primeira fase do Cabaret Voltaire. A produção desses artistas não se limitava à música, mas também incluía performances, instalações e arte gráfica.

Logo depois, durante os anos 80, também se firmou o sub-gênero do noise\harsh noise voltado para uma abordagem mais direta e ultra-minimalista. A cena se fortaleceu muito no Japão, entre artistas como Merzbow e Masonna.

Terceira geração: Crossovers e o Pós-Industrial (1990-2000) Esta geração, talvez a mais popular, se iniciou a partir da fusão de gêneros e seu encaminhamento para o mainstream. Alguns destes crossovers já haviam sido inventados em décadas anteriores, mas agora elas atingiriam de fato o grande público.

Inclui-se misturas do industrial com a música dançante e o synthpop, conhecido como EBM e representada por bandas como Skinny Puppy, Front 242 e Nitzer EBB. Já outras bandas como o Atari Teenage Riot resolveram misturar o industrial com o hardcore techno. Outros preferiram se aprofundar na música ambiente, ficando conhecida como isolationism ou dark ambient.

A fusão mais popular de todas sem dúvida foi o rock industrial, cujo maiores representantes são o Nine Inch Nails, Marilyn Manson, e o antigo Killing Joke, Outro termo, ainda mais controverso, seria o metal industrial de bandas como KMFDM, Ministry e Rammstein.

Quarta geração: Do experimental ao pop (2000-atualmente)

Com os crossovers em alta e a sua adaptação ao mainstream, foi notório a perda dos valores experimentais dentro do gênero. Logo o metal industrial passou a ser considerado "rock com qualquer tipo de música eletrônica", um termo extremamente controverso considerando que as raízes do industrial não se encontram na música popular e sim no experimentalismo e na desconstrução, afirmando que certas bandas poderiam ser mais encaixados no termo new metal do que no industrial em si. Esta questão passou a ser debatida ao se observar as características de bandas como Rammstein e Marilyn Manson, que possuíam poucas relações com o termo de origem. Outros fãs porém, são mais saudosistas com os novos grupos, destacando-se Celldweller, Dope, Static-X, Deathstars, entre outros.

Quinta geração: Círculos fechados (1980-atualmente) Com a possível banalização do termo "industrial" pelos gêneros de fusão e outras subculturas (como roqueiros e góticos), muitos dos ditos amantes da música industrial decidiram isolar-se completamente do que para eles seria o sequestro do industrial pela chamada indústria cultural, sendo assim, esta geração enfatiza uma séria de princípios bem como uma segregação total da cena industrial em relação a qualquer outra e a ultravalorização do espírito contra cultural da música industrial, sendo expressa tanto no experimentalismo e no espírito vanguardista bem como em ações diretas.

Tal cena circunda os estilos mais extremos da música industrial, os quais evoluíram diretamente da música industrial original, sendo os principais o power electronics das bandas Genocide Organ e Suttcliffe Jugend, e o death industrial de bandas como o Grey Wolves. Tais estilos são evoluções naturais da música industrial não tendo contato com nenhuma outra cena, seja eletrônica ou rock.

A partir de 2004, no cenário do industrial dançante, as versões mais pop do EBM como o futurepop começam a despencar, essa queda é seguida do surgimento do industrial hardcore (mistura de gabber e frenchcore com o industrial), technoid (meslca de IDM com noise rítmico) e o anhalt EBM (EBM com fortes influências punk rock/oi!)

Temática Os envolvidos na cultura industrial sempre professaram interesse nos aspectos "reprimidos" da cultura, muitas vezes em forma de crítica ou táticas de choque. A cena é intimamente ligada à movimentos de "contracultura" e geralmente se constituí de posturas que vão além da música.

Temas recorrentes no industrial e seus desdobramentos incluem a tecnologia, estética militar, miséria, atrocidades e táticas de choque envolvendo ocultismo, sexualidade e política. Desde a época do futurismo e das máquinas de Luigi Russolo que o ruído tende a ser considerado um reflexo da sociedade pós-moderna, seja como uma exaltação ou como um distúrbio frente ao futuro e a civilização ocidental.

Apesar da forte identificação que os ruídos exercem no imaginário popular pelo seu caráter expressionista (representando elementos como depressão, raiva ou medo) o ruído do industrial também pode ser identificado de forma positiva, como um método de meditação, filosofia musical ou o simples prazer pela abstração e pelo concretismo sonoro.

Mesmo assim, uma parte marcante da temática seja do industrial como de suas variantes (EBM, rock) se encontra em temas lúgubres como magia negra, serial killers e sexualidade "desviante", o que é bem explicado por Stephen "Mal" Mallinder, do Cabaret Voltaire: "O que a sociedade rejeita é o que ela mais ama".<ref>FISH, Mick; HALLBERY, D. Cabaret Voltaire:''' the Art of the Sixth Sense. Harrow, Middlesex: Serious Art Forms, 1989, p. 87.</ref> O álbum Children of God (1987), do The Swans é dedicado a um culto hippie do mesmo nome, que misturava religiosidade à sexualidade. Já o The Process (1996), do Skinny Puppy, é um álbum conceitual sobre o Process Church of the Final Judgement, um culto baseado na cientologia e na psicologia individual de Alfred Adler. O Process Church pregava a união dos opostos: Jesus Cristo e Lúcifer, bem e mal. O culto foi de mal à pior quando conectado com a "Família Manson" (liderada pelo infame Charles Manson) e ao psicopata David Berkowitz, conhecido na imprensa americana como "Son of Sam" .

Também são abordados questões relacionadas à desconfiança geral no tocante das religiões organizadas. Como disse Al Jourgensen, líder do Ministry: "Religion is all about control - it's one giant, false life insurance policy. Pay us money now, we'll promise you'll have a good afterlife".SCANLON, Ann. Fastforward to Hell: A frontline report from the Ministry of truth. Melody Maker, p. 24-5, 25 de Julho de 1992 O que não necessariamente se identifica como um ódio generalizado às religiões em si.

Controvérsias

Apologia ao totalitarismo A banda alemã Rammstein foi o centro de uma controvérsia desse tipo em 1998. A banda usou no clipe de "Stripped" imagens de Olympia, um documentário das Olimpíadas de 1936 feito por Leni Riefenstahl (1902-2003). Conterrâneos do Rammstein criticaram a banda pelo uso dessas imagens. "Ainda estou esperando uma justificativa", disse Alec Empire, fundador do Atari Teenage Riot. "Meu avô morreu num campo de concentração e não acho isso nada engraçado".

Outro caso interessante dentro da cena de música industrial, é do compositor e cantor Jg Thirlwell da banda Foetus, em seu terceiro álbum chamado "Hole", a terceira música do disco nomeada de "I'll meet you in Poland, baby" (Te encontro na Polônia, baby), é uma faixa que faz clara referência a segunda guerra mundial e a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista. A abertura da faixa começa com um discurso de Adolf Hitler, enquanto o discurso ocorre, é possível se escutar barulhos de tiros, aviões e explosões no fundo, com guitarras e sintetizadores percorrendo esses discursos e sons.

A música além de ser propositalmente provocativa, mostrando as táticas de guerra e os discursos do partido nazista de forma artística, também possui um duplo sentido de uma relação amorosa.

Segundo o próprio Jg thirlwell: “Me cite a música ‘I’ll Meet You In Poland Baby’, eu a escrevi em 1983 e estava tocando ela nesta última turnê. Ainda é uma das músicas que me fazia entrar em colapso emocional durante a apresentação, porque fala sobre engano e conflito emocional. Isso pode se aplicar a muitas situações diferentes, já que foi escrita como uma analogia à invasão da Polônia pelos nazistas e à quebra do Tratado de Versalhes, o que pode representar desde o fim de um relacionamento até um conflito de outras naturezas. É intensidade emocional[...]"

O Massacre de Columbine