Umama binte Abi Alás (; Meca, – c. ) foi uma mulher coraixita, neta do profeta islâmico Maomé por sua filha Zainabe e Abu Alás ibne Arrabi. Nascida em Meca, emigrou ainda jovem para Medina juntamente com a mãe, depois que seu pai, então não convertido ao Islã, foi capturado pelos muçulmanos na Batalha de Badre. Após as mortes dos pais e de sua tia Fátima, Umama casou-se em 634 com Ali, com quem permaneceu por cerca de trinta anos. Depois da morte dele, casou-se com Almuguira ibne Naufal, embora as fontes preservem versões divergentes acerca de seus casamentos posteriores e de sua possível descendência. Morreu por volta de 670, durante o califado de Moáuia ibne Abi Sufiane. As tradições de hádice preservaram ainda diversos relatos sobre a afeição demonstrada por Maomé à neta, entre eles o episódio em que a teria carregado durante uma oração e relatos de presentes que lhe teria oferecido.

Vida

Umama nasceu em Meca, filha de Abu Alás ibne Arrabi e Zainabe, filha de Maomé e Cadija binte Cuailide. Seu pai era filho de Hala, irmã de Cadija, de modo que seus pais eram primos maternos. Durante os primeiros anos do Islã, permaneceu em Meca com a mãe, que não pôde emigrar para Medina porque Abu Alás ainda não havia se convertido. Na Batalha de Badre, em 624, seu pai combateu entre os coraixitas e foi capturado pelos muçulmanos. Maomé condicionou sua libertação à promessa de que permitiria que Zainabe partisse para Medina, e Umama acompanhou a mãe na emigração. Umama perdeu a mãe em 8 A.H. (629) e o pai em 12 A.H. (634). Segundo a tradição registrada pelas fontes, Fátima, sua tia materna, teria recomendado antes de morrer que seu marido, Ali, se casasse com Umama depois de sua morte. O casamento ocorreu ainda em 12 A.H. e teve como responsável legal de Umama Azobair ibne Alauame, a quem Abu Alás havia confiado sua família antes de morrer. Umama permaneceu casada com Ali durante cerca de trinta anos, até a morte dele, em 661.

As fontes preservam diferentes relatos sobre as disposições tomadas por Ali quanto ao futuro de Umama. Segundo uma versão, pouco antes de morrer ele a advertiu de que Moáuia ibne Abi Sufiane poderia pedi-la em casamento e recomendou que, caso desejasse voltar a se casar, preferisse Almuguira ibne Naufal, neto de Alharite ibne Abede Almotalibe. Outra tradição afirma que Ali teria chamado o próprio Almuguira e, manifestando receio de que Moáuia se casasse com Umama depois de sua morte, recomendado que ele próprio a desposasse. Após a morte de Ali, Moáuia teria de fato enviado uma proposta de casamento por intermédio do governador de Medina, Maruane ibne Aláqueme, oferecendo um mahr de 100 mil dinares. Umama comunicou a proposta a Almuguira e manifestou disposição de se casar com ele, caso a aceitasse; Almuguira então pediu sua mão a Haçane ibne Ali e casou-se com ela. Outra versão sustenta que Almuguira, ao saber antecipadamente das intenções de Moáuia, tomou a iniciativa de propor casamento a Umama, que aceitou.

Há divergências também acerca dos descendentes de Umama. Uma tradição atribui a ela e Almuguira um filho chamado Iáia, do qual derivaria a cúnia Abu Iáia de Almuguira. Outras fontes atribuem a Umama e Ali um filho chamado Maomé, conhecido como . Segundo numerosos historiadores, contudo, nenhum dos dois casamentos produziu descendência, e a linhagem de Maomé teria continuado através dos filhos de Fátima. Há ainda uma tradição segundo a qual Umama teria se casado, depois de Ali, com Abu Alhajaje ibne Abi Sufiane. Umama morreu durante o califado de Moáuia, por volta de 50 A.H. (670). As tradições de hádice preservaram diferentes relatos sobre a relação de Umama com seu avô, Maomé, que teria demonstrado particular afeição pela neta. Segundo uma tradição transmitida nas coleções de Albucari e Muslim ibne Alhajaje, certa vez Maomé levou Umama sobre os ombros à mesquita e iniciou a oração enquanto ainda a carregava. Ao se inclinar para a (inclinação) e a (prostração), colocava-a no chão e, ao se levantar, voltava a carregá-la, repetindo o procedimento ao longo da oração. Segundo um relato atribuído a Aixa, Maomé recebeu certa vez um colar de presente e declarou que o daria à pessoa de sua família que mais amava. Os presentes teriam imaginado que se referia a Aixa, mas Maomé chamou Umama e colocou o colar em seu pescoço. Aixa também transmitiu que, entre algumas joias enviadas pelo negus da Abissínia, havia um anel de ouro com uma pedra abissínia, que Maomé entregou a Umama.

Bibliografia

Categoria:Netos de Maomé Categoria:Abedexemecitas Categoria:Muajiritas Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Naturais de Meca