A Gazeta do Povo (não confundir com o gaúcho Correio do Povo) é um jornal semanal com sede em Curitiba, no estado do Paraná. O periódico deixou de circular diariamente no formato impresso em 2017, mantendo suas notícias diárias no formato digital. É considerado o maior e mais antigo jornal no estado, sendo publicado pela Editora Gazeta do Povo S.A., pertencente ao Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM).
Segundo o jornal The Intercept, o jornal teve uma abrupta guinada de posição política, a partir de meados de 2015, quando a Gazeta passou a se consolidar como um dos princípais veículo de propaganda ideológica do conservadorismo brasileiro.
História esquerda|miniaturadaimagem|314x314px|Capa da primeira edição Foi fundado pelo paraibano Benjamin Lins e o alagoano Oscar Joseph de Plácido e Silva, em , quando o jornal estreou nas ruas da cidade de Curitiba, bem como em outras cidades da região.
Em 1962, o jornal foi comprado pelos sócios Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski, transformando o periódico numa das principais empresas do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM).Vai uma Crush? Jornal Gazeta do Povo - edição comemorativa de n° 30.000 - acessado em 8 de dezembro de 2012
Em , houve a primeira transformação na forma do periódico. Anteriormente era impresso no formato Standard. Naquela data passou a ser impresso no formato Berliner, com no máximo 48 páginas, reduzindo assim a quantidade de conteúdo e de cadernos. Os suplementos passaram a ser veiculados em outras publicações, na forma de revistas. Aos finais de semana, o jornal passou a ser impresso numa edição única, com 88 páginas.Gazeta do Povo muda formato do jornal e unifica edições do fim de semana Portal da Imprensa - acessado em 23 de novembro de 2016
Em , ocorreu nova transformação editorial e física do jornal, quando passou a ser impresso e vendido no formato revista com a circulação semanal, ou seja, no dia 31 de maio deste ano, foi a última edição no formato jornal e de circulação diária.Gazeta do Povo encerra diário e foca em mobile Portal Meio & Mensagem - acessado em 19 de junho de 2017Gazeta do Povo circula seu último jornal diário impresso Portal Meio & Mensagem - acessado em 19 de junho de 2017
Assim, o grupo paranaense, dono do periódico, centralizou esforços na produção diária de informação e no consumo de conteúdo nos meios digitais, como no portal de notícias na internet e em dispositivos móveis.Parem as máquinas! A Gazeta do Povo virará só digital - Curitiba será a primeira grande capital a não ter nas bancas um diário com mais de 100 000 leitores semanais Revista Veja - acessado em 19 de junho de 2017
Em , foi anunciado que a edição semanal também seria interrompida, dando lugar a uma publicação mensal.Gazeta do Povo, principal jornal do Paraná, encerra edição impressa semanal Portal O Globo - Epoca - Guilherme Amado - acessado em 26 de agosto de 2022Gazeta do Povo anuncia suspensão dos jornais impressos PODER360 - acessado em 26 de agosto de 2022
Controvérsias
"Monitor da Doutrinação" Em 2017, o portal criou o "Monitor da Doutrinação", que incentivava leitores a enviarem vídeos em que professores supostamente apareceriam "doutrinando" alunos com "ideias de esquerda".
O monitor durou quatro dias, sendo retirado do ar devido a fortes protestos de diversos profissionais.
Em análise sobre a criação do portal e o rumo em que o jornal tomou, o Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ao também observar a tentativa de censura com o lançamento do "Monitor da Doutrinação", publicou:"Ao implantar um monitor dessa natureza, demonstra a que ponto o jornal chegou para expor suas posições políticas e editoriais retrógradas, remissivas à vigilância e à perseguição política que se incrustam em várias práticas institucionais do estado e do país. Além da gravidade política dessa iniciativa, a prática revela que há muito esse jornal abdicou do jornalismo. A Gazeta do Povo, que já teve reportagens e repórteres entre os melhores do país, hoje é um arremedo de jornal. Impresso semanalmente, com veiculação digital, aposta majoritariamente na política de "caça cliques", com textos sensacionalistas, hospedagens de muitos blogues conservadores e editoriais reacionários. Demitiu grande parte de seus jornalistas para novas contratações, sob a forma precarizada. Fechou parque gráfico e redação, já reduzida nos últimos meses. A empresa está na contramão de todas as iniciativas de jornalismo que hoje alcançam sucesso no mundo. Isso acontece porque a Gazeta do Povo acabou com seu principal produto: o jornalismo crítico, de qualidade e com credibilidade."
Inclusão errônea em CPMI
Em junho de 2020, foi incluído pela CPMI das Fake News como veículo de notícias falsas, mas logo a seguir, foi removido da lista dos 47 supostos propagadores de notícias falsas que a comissão parlamentar elaborou, quando reconhecido um equívoco por parte de consultores parlamentares.
Postagem do Twitter removida por ordem da justiça Durante a eleição presidencial no Brasil em 2022, acatando a pedido do Partido dos Trabalhadores (PT), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigiu que uma postagem no Twitter do jornal fosse removida, sob a justificativa de conter "informação evidentemente inverídica e prejudicial à honra e à imagem de candidato ao cargo de presidente da República nas eleições 2022". A postagem tratava de suposto apoio do candidato Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador nicaraguense Daniel Ortega. A decisão foi criticada pela Associação Nacional de Jornais e outras entidades.
Acusações de promoção de desinformação Segundo o Coletivo Bereia, a Gazeta do Povo teria veiculado diversos conteúdos desinformativos.
De todas as 418 checagens realizadas pelo coletivo, no período de 2019 a 2023, 33 do total (mais de 7%) se deram contra o jornal.
Prêmios Esso Em 2004 ganhou o Esso Regional Sul, concedido na Mauri König e Franco Iacomini, pela reportagem "Devorados pela Miséria". Na noite de 17 de novembro de 2010, os jornalistas Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, da equipe de redação da G.P. receberam o Prêmio Esso de Jornalismo 2010 pelo trabalho "Diários Secretos", prêmio esse, inédito no jornalismo paranaense.Reportagem da 'Gazeta do Povo' vence Prêmio Esso 2010 Estadão de 19 de novembro de 2010
Prêmio Vladimir Herzog Prêmio Vladimir Herzog de Arte Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado 2014 "Pátria Amada Brasil" Jornal Gazeta do Povo – Curitiba Róbson Vilalba Prêmio Vladimir Herzog de Fotografia Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado 2018 "Consumido pela escravidão" Gazeta do Povo Álvaro Rosa
Menção Honrosa por Fotografia Ano Obra Veículo de mídia Autor Resultado 2004 Conjunto de Fotos: "Devorados pela miséria" Jornal Gazeta do Povo - Paraná Albari Rosa da Silva
Outros A matéria intitulada "Império das Cinzas", produzida pelos jornalistas Mauri König, Diego Antonelli e Albari Rosa, e publicada em março de 2014, foi finalista da edição de 2015 do prêmio "Global Shining Light Award". O prêmio é organizado pela Global Investigative Journalism Network (GIJN), uma associação de 118 organizações não governamentais (ONGs), de 54 países.
Em 2016, ganhou o prêmio de Liberdade de Imprensa da Associação Nacional de Jornais (ANJ).
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