Henry Jenkins (Atlanta, 4 de junho de 1958) é um norte-americano estudioso dos meios de comunicação. Ele é considerado “um dos pesquisadores da mídia mais influentes da atualidade”.NAVARRO, Vinicius. Os Sentidos da Convergência. Entrevista com Henry Jenkins , Contracampo, no 21, ago. 2010, p. 14 Durante os anos de 1993 e 2009 ele esteve a frente do programa de Estudos de Mídia Comparada do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.What is CMS?, . Acessado em 01 de agosto de 2013

Ele é autor/editor de doze obras,Henry Jenkins: About, . Acessado em 01 de agosto de 2013 como “Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture” (1992), “Convergence Culture: Where Old and New Media Collide” de 2006 (Lançado na língua portuguesa em 2008, sob o título “Cultura da convergência”) e “Fans, Bloggers and Gamers: Exploring Participatory Culture” (2006).

Atualmente, Jenkins atua como professor de Comunicação, Jornalismo e Artes Cinematográficas na Universidade do Sul da Califórnia.USC Annenberg - School for Comunication and Journalism: Henry Jenkins, . Acessado em 01 de agosto de 2013

Biografia

Henry Jenkins III (1958-) é um americano, nascido em Atlanta.HESSEL, Camila. Um novo Marshall McLuhan?. In: Época Negócios, ed. 21, nov., 2008. Acessado em 8 de agosto de 2013 Ele é um pesquisador da mídia e atualmente é professor da Universidade do Sul da Califórnia (USC).

Jenkins participou da criação de doze livros, seja como autor ou como editor. Dentre eles se destacam “Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture”, que se foca na cultura fã; e “Convergence Culture: Where Old and New Media Collide”, que para além de elaborar sobre a cultura dos fãs, ele aborda o atual processo de convergência que atingem os meios de comunicação, tanto os antigos quanto os atuais. Jenkins conseguiu seu bacharelado em Ciencias Politicas e Jornalismo pela Universidade do Estado da Geórgia, mestrado em Estudos da Comunicação pela Universidade de Iowa e PhD em Artes da Comunicação pela Universidade de Wisconsin em Madison.

Jenkins assumiu o Comparative Media Studies (CMS) em 1993. O CMS, é um projeto que “não busca quebrar paradigmas, mas sim desenvolver novos e preparar nosso time e patrocinadores para profissões que ainda não existem”.. O futuro do entretenimento. In: meio&mensagem, 26 nov., 2007 Nele, Jenkins estabeleceu "uma agenda de pesquisas inovadoras durante um período de mudança fundamental na comunicação, jornalismo e entretenimento". Uma das premissas do CMS era a implementação de vídeo games para auxiliar na educação de jovens. Em 2004, Jenkins passou a codirigir o programa junto com William Uricchio, que assumiu o controle do programa em 2009, depois da saída de Jenkins.

Outro projeto criado por Jenkins foi o Convergence Culture Consortium (C3), baseado em seu livro "Cultura da convergência". O evento da C3 acontece anualmente e tem como foco principal entender de que maneira o mercado e as marcas estão sofrendo alterações com a constante interação de várias mídias.TEXEIRA, Carlos Alberto. Henry Jenkins, guru da transmídia, aposta no Brasil. Acessado em 9 de agosto de 2013 O C3 foi fundado com a ajuda da Turner e tem como a parceiras várias empresas como, por exemplo, a MTV Networks, a iG e a Yahoo!, além de empresas brasileiras como a Petrobras e a Os Alquimistas.

Depois de entrar para a USC, em 2009, Jenkins criou o projeto New Medias Literacies (NML), projeto que foi idealizado inicialmente enquanto Jenkins trabalhava na MIT. O NML visa a participação principalmente de jovens em conteúdos colaborativos e no engajamento. Além disso, Henry divide a liderança da conferência Transmedia Hollywood, junto com Denise Mann.Futures of Entertainment Fellows - Henry Jenkins, . Acessado em 8 de agosto de 2013

Henry Jenkins considera-se um Aca/Fan. Esse termo foi criado para designar aqueles pesquisadores do mundo acadêmico que passam a desenvolver estudos sobre os produtos midiáticos que admiram, ou seja, eles estão diretamente envolvidos com o objeto de estudo. Portanto, Aca/Fan constitui-se em uma figura híbrida, eles são acadêmicos que também são fãs.MATOS, Patricia. Performance, Investimento Afetivo e Disputa Simbólica: a dinâmica da comunidade de fãs do grupo Backstreet Boys. Monografia de Conclusão de Curso em Comunicação Social: Habilitação em Radialismo. Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010

Atualmente, Henry Jenkins vive em Los Angeles com sua esposa, Cynthia e possui um filho, Henry G. Jenkins IV.JENKINS, Henry. Fans, Bloggers, and Gamers: Exploring Participatory Culture, New York University Press, 2006, p.2-6,226

Principais Obras

Textual Poachers

"Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture" foi um livro escrito por Henry Jenkins em 1992. A expressão que dá nome ao livro pode ser compreendida através da tradução das palavras que a compõe: "Textual" faz menção direta à adjetivação de algo inserido em, ou mesmo, com propriedades de um texto; e "Poachers" é um termo da língua inglesa referente às pessoas que transpassam propriedades privadas para caçar. A junção de duas palavras usada no título do autor é referente à cultura de fãs e suas interatividades com as obras que se relacionam. Dessa forma, Jenkins classifica os fãs como apreciadores da cultura midiática que transformam os conteúdos que admiram em uma cultura própria, de acordo com seus desejos e interesses, seja na construção de fanfictions, desenhos, músicas ou vídeos relacionados àquele conteúdo. A escolha de uma subcultura específica de pessoas que interagiam e consumiam produtos audiovisuais televisivos, como a série Star Trek, é desenvolvida no livro que aborda esse grupo de fãs específicos, juntamente à sua cultura de participação. f "Textual Poacher" é considerado um estudo midiático seminal sobre a cultura de fãs, conjuntamente com as publicações de 1992 de Camille Bacon Smith, Enterprising Women: Television Fandom and the Creation of Popular Myth e a Antologia The Adoring Audience: Fan Culture and Popular Media editada por Lisa Lewi, e ainda há a obra "Feminism, Psychoalalysis, and the Study of Popular Culture" de Constance Penley.JENKINS, Henry. Textual poachers: television fans and participatory culture. Updated Twentieth Anniversary Edition, New York: Routledge, 2013

Os livros que influenciaram o autor durante a concepção do texto foram "The Practice of Everyday Life" de Michel DeCerteau e "Television Culture" de John Fiske,Media Consumption, . Acessado em 8 de agosto de 2013 que também foi mentor de Henry Jenkins durante a escrita de seu livro e parte de sua formação acadêmica.

Em 2012, o livro foi relançado em uma edição comemorativa aos seus 20 anos de publicação com um introdução de Suzanne Scott, Ph.D. in Critical Studies from the School of Cinematic Arts at the University of Southern California, refletindo sobre a mudança da cultura de fãs na era digital, em relação aos importantes tópicos abordados no livro, juntamente à entrevista feita por ela com o próprio Henry Jenkinks, 20 anos depois de tê-lo escrito.

Fans, Bloggers and Gamers

“Fans, Bloggers and Gamers” foi lançado em 2006 porém contém ensaios que foram produzidos entre suas obras “Textual Poachers” e “Cultura da convergência”, esses textos, Jenkins diz que reformularam seu entendimento sobre as industrias de mídia e seus consumidores. O livro é dividido em três partes: “Inside Fandom”, “Going Digital” e “Columbine and Beyond”. A primeira inclui os ensaios que lidam diretamente com as políticas e poética da produção cultural dos fãs; a segunda contém os que falam sobre o impacto da mídia digital na vida do dia-a-dia; e a terceira explora os debates públicos que surgiram após o tiroteio que ocorreu em Littleton, Colorado, focando nos que tratavam do impacto da cultura popular nos jovens e os sobre a censura no computador e vídeo games.

Cultura da convergência

“Cultura da convergência” é considerada uma leitura obrigatória para os que almejam compreender o mundo das novas mídias, consumo e interação. O livro foi publicado na língua portuguesa em 2008 no Brasil, enquanto nos Estados Unidos já havia sido lançado em 2006 com o título “Convergence culture: Where Old and New Media Collide”.SILVA, J. D. N.. A indústria cultural e os fãs da Saga Crepúsculo: A convergência de interesses no universo midiático contemporâneo. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Produção Cultural), 2013 Nas palavras do próprio autor, esta obra: “foi concebida como uma intervenção pública [...] com o objetivo de ajudar os consumidores e produtores a entender as mudanças que estão ocorrendo em seu relacionamento”.Henry Jenkins: About - Convergence Culture, . Acessado em 07 de agosto de 2013

Em “Cultura da convergência”, Jenkins lança mão de exemplos da indústria midiática e alguns fandoms para analisar o universo da convergência, em especial, três conceitos: convergência midiática, cultura participativa e inteligência coletiva.

Convergência midiática refere-se ao “fluxo de conteúdos por múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação”. Jenkins deixa claro que a convergência das mídias não não se resume a um aparelho que reune inúmeras funções. Para ele, “a convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e público”. Jenkins acrescenta, ainda, que a convergência é um processo e não ocorre em dispositivos, mas sim nos cérebros dos indivíduos e através das interações sociais das pessoas.

Em meio a convergência midiática, localiza-se a narrativa transmídia, outro conceito importante, que Jenkins levanta em seu trabalho. Essa narrativa, para Jenkins, é “uma nova estética que surgiu em resposta à convergência”. A narrativa transmídia refere-se a conteúdos que circulam em múltiplas plataformas. Para exemplificar esse conceito, Jenkins trabalha com o caso dos filmes Matrix, que não se limita a uma só mídia.

Ao que se refere cultura participativa, Jenkins trabalha uma ideia de uma cultura onde os consumidores estão agindo cada vez mais de forma participativa e crítica. Esses são, portanto, consumidores participativos. Outros autores vão apresentar outras nomeações para esses consumidores ativos, como é o caso de Axel Bruns que os categoriza como “produsers” (produtores+usuários).CAMPANELLA, Bruno. Cultura da divergência: Hierarquia e disputa em uma comunidade de fãs. In: XXI Encontro Nacional da Compós, 2012, Juiz de Fora. XXI Encontro Anual da Compós, 2012 Em seu livro “Cultura da convergência”, Jenkins dedica dois capítulos para analisar de forma mais profunda a cultura participativa. No quarto capítulo, intitulado “Guerra nas Estrelas por Quentin Tarantino?: criatividade alternativa encontra a indústria midiática”, ele trabalha o conceito a partir de um olhar para a os produtores de Guerra nas Estrelas e fãs dos filmes (entre eles gamers), que estão remontando os filmes para satisfazer suas fantasias e seus desejos enquanto fãs. Já no quinto capítulo, "Por que Heather pode escrever: letramento midiático e as guerras de Harry Potter", o autor vai trabalhar ainda a questão da cultura participativa, porém dentro do universo dos fãs de Harry Potter, desenvolvendo dentre outras questões, a participação através de criações de fanfictions.

Quanto a inteligência coletiva, este é um conceito cunhado por Pierre Lévy, o qual Jenkins se apropria em “Cultura da convergência” para pensar o universo dos fãs. Inteligência coletiva, para Jenkins, seria "uma forma de consumo coletivo exercida pelos fãs". Para trabalhar essa questão, o autor irá exemplificar com fãs do reality show Survivor que se uniam para conseguir descobrir informações do programa.

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