thumb|direita|"The Damned", afresco da Capela de São Brício, Orvieto, Itália, século XV, pintado por Luca Signorelli.Demonologia é o estudo sistemático dos demônios demonografia in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-19 04:37:40]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/demonografia e suas relações estão relacionadas aos seres humanos, nas quais se diferencia, por exemplo, a separação entre bons e maus espíritos. Geralmente, esse estudo envolve a análise de textos bíblicos e sagrados, tornando-se, assim, um ramo da Teologia. Essa área de estudo, no entanto, não é atrelada a um culto aos demônios ou a figuras fantásticas, mas possui, a partir de metodologias históricas e antropológicas, um olhar crítico e social sobre a construção de maléficos seres e suas implicações socioculturais. Nessa abordagem, a figura do demônio não é vista como única e imutável, mas sim como historicamente circunscrita.

Demonologia na Época Moderna A figura do demônio e de seus colaboradores no mundo terreno, como as bruxas, possuem importante papel na produção teórica durante a Época Moderna, tanto em construções teológicas e no imaginário popular, quanto na produção de conhecimentos científicos. Inclusive, apesar da comum atribuição da caça às bruxas ao período medieval, seu apogeu ocorreu, na realidade, já na modernidade, entre 1560 e 1660, em especial em territórios franceses, suíços, escoceses e do findado Sacro Império Romano Germânico, o qual contou com aproximadamente 50 mil condenações por bruxaria.

miniaturadaimagem|Na obra "Saudação de Ano Novo com Três Bruxas" (1514), de Hans Baldung, é possível observar construção da bruxaria no início da Época Moderna a partir da presença do ato carnal junto à noção de inversão, vista na posição revirada da primeira bruxa (da esquerda para a direita)

A construção do olhar sobre o demônio e as bruxas no período está fortemente conectada com as noções de gênero do período, baseadas na inferioridade das mulheres, as quais, por uma essência diferente dos homens e mais atrelada à luxúria e ao ato carnal, possuíam uma natural tendência ao pecado e maior fragilidade com a fé divina (a palavra feminina, com isso, viria a junção, do latim, de fe e minus, ou seja, menos fé em Deus). O estigma da bruxaria, no entanto, não recaía sobre todas as mulheres, mas sim naquelas que agiam de forma contrária às ações esperada ao gênero feminino, tornando a própria demonologia da época sistematizada a partir de uma fixa oposição entre estereotipadas atitudes consideradas masculinas e femininas. O demônio e a bruxa eram, com isso, a inversão da ordem tida como natural e divina.

A demonologia também esteve atrelada ao desenvolvimento da ciência, especialmente até o final do século XVII, a qual, apesar da revolução científica, ainda acreditava em atividades sobrenaturais, que incluíam a figura demoníaca e a prática de feitiçaria. A partir disso, grandes pensadores da época, como Robert Boyle, Isaac Newton, William Petty e Robert Hooke, escreveram acerca da existência de princípios ocultos da matéria, que não raramente se confundiam com noções demonológicas. Assim, no período moderno, a crença em bruxaria e na influência do demônio na vida humana não se contradiziam com a busca da integridade da ciência.

Demonologia Cristã Uma das mais extensas exposições sobre demonologia cristã é o Malleus Maleficarum, de Heinrich Kraemer e James Sprenger. Servindo como um guia inquisitorial, a obra discorre acerca da teorização e identificação da ação de bruxas e suas relação, em especial sexual, com o demônio.

A demonologia se refere a catálogos que tentam nomear e definir uma hierarquia de demônios e espíritos malignos. Nesse sentido, a demonologia pode ser vista como uma imagem em espelho ou um ramo da angeologia, que estuda os anjos. O medo relacionado à ação demoníaca, no entanto, não é presente em todas a história cristã, surgindo principalmente a partir das ideias de Tomas de Aquino

Islamismo, judaísmo e zoroastrismo No Islã, o demônio "Iblis" (Satã no cristianismo) não era um anjo, mas algo diferente, um "Jinn", visto que os humanos teriam sido criados da terra, anjos oriundos da luz, e o jinn, do fogo. Os "Jinn" não seriam necessariamente maus, poderiam ser bons ou pecadores, assim como os humanos. Portanto, os jinn e humanos seriam as únicas criações de Deus com livre-arbítrio, enquanto anjos só poderiam seguir a vontade de Deus.

Muitos estudiosos acreditam que o judaísmo recebeu originalmente os conceitos de escatologia, angelologia e demonologia do Zoroastrismo. Na tradição do zoroastrismo, Aúra-mazda, força do bem, eventualmente seria vitorioso em uma batalha com a força do mal conhecida como Arimã. No Corão, quando Deus ordenou àqueles que presenciaram a criação de Adão, que se ajoelhassem perante ele, "Iblis" se recusou a fazê-lo, e então foi condenado por recusar a obedecer a vontade de Deus.

Budismo e hinduísmo Algumas correntes do budismo afirmam a existência de infernos, frios e quentes. O hinduísmo contém tradições de combates entre seus deuses e vários adversários, como o combate de Indra e Vritra. Outras correntes do budismo usam 6 infernos e demônios apenas como metáforas para estados de consciência, e não utilizam o conceito de pecado, mas sim ação e reação, causa e efeito, karma: Quando uma pessoa comete, por exemplo, algum tipo de violência, poderá ter pensamentos ruins, angústia, arrependimento, insônia, traumas emocionais.

Ver também Espíritos Satã Demônios Angelologia Mitologia cristã Bruxaria

Ligações externas

Fede Cristiana e Demonologia, 26 giugno 1975 (vatican.va)

Categoria:Cristianismo carismático e pentecostal