Economia do Brasil é a terceira maior economia do continente americano, atrás apenas da economia dos Estados Unidos e do Canadá, e a segunda maior em paridade de poder de compra. Historicamente, é a maior da América Latina e do Hemisfério Sul em termos nominais. Classificada como economia mista em desenvolvimento de renda média-alta, é, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a décima maior economia do mundo em 2024, com um produto interno bruto (PIB) de 10,9 trilhões de reais, ou 2,127 trilhões de dólares nominais, e o sétimo maior PIB de paridade de poder de compra. Segundo dados da revista Forbes, o Brasil, em 2024, é o 7.º maior país do mundo em número de bilionários, sendo São Paulo lar de cerca de 40% dos ultrarricos do país (97 de 239), além de ser o estado e cidade, respectivamente, mais ricos do país, com o estado representando 31,1% do produto interno bruto nacional; dessa forma, se fosse um país soberano, seu PIB nominal seria o 21.º maior do mundo (estimativa de 2020). O Brasil é um dos quinze principais estados industriais do mundo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (dados de 2022). Ainda conforme o relatório do Fundo Monetário Internacional de 2017, o Brasil era o 65.º país do mundo no ranking do PIB per capita (que é o valor final de bens e serviços produzidos num país num dado ano, dividido pela população desse mesmo ano), com um valor de .

O Brasil é uma das chamadas potências emergentes: é o "B" do grupo BRICS. É membro de diversas organizações econômicas, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), o G8+5, o G20 e o Grupo de Cairns. Tem centenas de parceiros comerciais, e cerca de 60% das exportações do país referem-se a produtos manufaturados e semimanufaturados.About Brazil Brazilian Government Os principais parceiros comerciais do Brasil em 2008 foram: Mercosul e América Latina (25,9% do comércio), União Europeia (23,4%), Ásia (18,9%), Estados Unidos (14,0%) e outros (17,8%). Alguns especialistas em economia, como o analista Peter Gutmann, afirmam que em 2050 o Brasil poderá vir a atingir estatisticamente o padrão de vida verificado em 2005 nos países da Zona Euro. De acordo com previsão do Goldman Sachs, o Brasil atingirá em 2050 um PIB de 11,3 trilhões de dólares e um PIB per capita de , tornando-se a quarta maior economia do planeta.Goldman Sachs, Global Economics Paper No: 153 , visitado em 31 de agosto de 2009

Importantes passos foram dados na década de 1990 para estabilizar a economia, como sustentabilidade fiscal, medidas tomadas para liberalizar e abrir a economia, e assim impulsionaram significativamente os fundamentos do país em matéria de competitividade, proporcionando um melhor ambiente para o desenvolvimento do setor privado. Porém, o Brasil ainda figura entre os piores países do mundo quando se trata de competitividade: ficou 61.º dentre as 63 economias analisadas pelo International Institute for Management Development (IMD) em 2017. O estudo avalia as condições oferecidas pelos países para que as empresas que neles atuam tenham sucesso nacional e internacionalmente, promovendo crescimento e melhorias nas condições de vida da sua população. Na análise, os critérios avaliados são: desempenho econômico, infraestrutura e eficiência dos seus governos e empresas. O país ainda ficou na 80.ª posição entre os 137 países analisados no índice de competitividade do Fórum Econômico Mundial de 2017.

A economia brasileira tem a característica de ser concentrada no Estado. O estado brasileiro tem participações em mais de 650 empresas, envolvidas em um terço do PIB nacional. Em 2018 foi considerado o 153º entre 180 países com mais liberdade econômica pela Heritage Foundation. Outro estudo de 2018 apontou o Brasil como o segundo país mais fechado do mundo para o comércio internacional. Graças a esses números, o Brasil responde por apenas 1,2% das transações comerciais mundiais.

O país dispõe de setor tecnológico sofisticado e desenvolve projetos que vão desde submarinos a aeronaves (a Embraer é a terceira maior empresa fabricante de aviões no mundo).Embraer stock jumps on upbeat margins, sales view. Reuters, 29 de julho de 2011. O Brasil também está envolvido na pesquisa espacial. Possui um centro de lançamento de satélites e foi o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe responsável pela construção do Estação Espacial Internacional (EEI).Countries Participating in the ISS ISS EarthKam É também o pioneiro na introdução, em sua matriz energética, de um biocombustível - o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. Em 2008, a Petrobras criou a subsidiária, a Petrobras Biocombustível, que tem como objetivo principal a produção de biodiesel e etanol, a partir de fontes renováveis, como biomassa e produtos agrícolas.

História

Primórdios Quando os exploradores portugueses chegaram no século XV, os povos indígenas do Brasil totalizavam cerca de 2,5 milhões de pessoas, que praticamente viviam de maneira inalterada desde a Idade da Pedra. Da colonização portuguesa do Brasil (1500-1822) até o final dos anos 1930, os elementos de mercado da economia brasileira basearam-se na produção de produtos primários para exportação. Dentro do Império Português, o Brasil era uma colônia submetida a uma política imperial mercantil, que teve dois grandes ciclos de produção econômica: o açúcar e o ouro. A economia do Brasil foi fortemente dependente do trabalho escravizado africano até o fim do século XIX — inícios do ciclo do café. Desde então, o Brasil viveu um período de crescimento econômico e demográfico forte, acompanhado de imigração em massa da Europa (principalmente de Portugal, Itália, Espanha e Alemanha) até os anos 1930. Na América, os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá e a Argentina (em ordem decrescente) foram os países que receberam a maioria dos imigrantes. No caso do Brasil, as estatísticas mostram que 4,5 milhões de pessoas emigraram para o país entre 1882 e 1934.

Industrialização e desenvolvimentismo Nacional-desenvolvimentismo é geralmente o nome que se dá ao acelerado processo de crescimento da renda per capita entre 1930 e 1980. É a fase do fortalecimento da nação brasileira e da industrialização, na qual a renda por habitante cresce em média 2,8% ao ano. O período começa com o governo Vargas, no qual é autoritário entre 1937 e 1945; torna-se democrático entre 1945 e 1964; passa por uma crise entre 1961 e 1964. Nesse período, em que as grandes figuras foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek o Estado desempenhou um papel ativo na industrialização do país, protegendo a indústria nacional através de um regime de substituição de importações.Bresser-Pereira, L.C. (2014) A Construção Política do Brasil, São Paulo: Editora 34, capitulo 6-14.

Milagre econômico Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos e aumentou a renda de muitos trabalhadores. Houve, porém, ampliação da concentração de renda. O principal motivo era a defasagem dos salários mais baixos. Por exemplo, o salário-mínimo real, apesar de cair menos do que no período entre 1964 e 1966, quando sofreu uma diminuição de 25%, baixou mais 15% entre 1967 e 1973. Era a famosa teoria de "fazer crescer o bolo para dividir depois". Neste período com intuito de romper a estagnação que se seguira ao governo Kubitschek, e visando estimular o crescimento econômico, além de promover a integração nacional, o governo militar tratou de implementar vários programas nas áreas de transportes, energia e de estratégia militar.

Governo Fernando Henrique

O Brasil atrelou a sua moeda, o real, ao dólar americano em 1994. No entanto, após a crise financeira da Ásia Oriental, a crise russa em 1998 e uma série de eventos adversos financeiros que se seguiram, o Banco Central do Brasil alterou temporariamente sua política monetária para um regime de flutuação gerenciada, enquanto atravessava uma crise de moeda, até que definiu a modificação do regime de câmbio livre flutuante em janeiro de 1999.

O país recebeu um pacote de resgate de US$ 30,4 bilhões do Fundo Monetário Internacional em meados de 2002, uma soma recorde.

Era Lula A política econômica do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, baseada no câmbio flutuante e numa política monetária austera visando ao controle da inflação, foi mantida no governo Lula. Do ponto de vista fiscal, o controle do superavit se deu através de um aumento substancial de arrecadação que contrabalançou a significativa elevação nos gastos públicos. A unificação dos programas redistributivos sob o nome de Bolsa Família foi uma das principais bandeiras de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seu governo, o Brasil pagou o empréstimo do FMI em 2005, embora pudesse pagá-la até 2006.

A Era Lula foi o mais próspero período da economia brasileira em três décadas. Teve também o menor período recessivo da história do país — seis meses, durante os impactos da crise mundial de 2007 e 2008. Nos seus dois mandatos, Lula empreendeu reformas e mudanças radicais que produziram transformações sociais e econômicas no Brasil, que triplicou seu PIB per capita e alcançou o grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Em 2008, a "Lei federal nº 11.887" (de 24 de Dezembro) criou o FSB (Fundo Soberano do Brasil). Alguns dos objetivos do FSB eram: mitigar os efeitos dos ciclos econômicos, formar poupança pública e promover investimentos em ativos internos e externos. O FSB foi extinto em 2019.

Em 2010, último ano do Governo Lula, o PIB brasileiro cresceu 7,5%.

Em 2022, Lula vence o segundo turno e volta para o terceiro mandato de presidente para o início de 2023. Durante seu primeiro ano de governo em 2023, a economia do país voltou a apresentar crescimento acima do esperado e, de acordo com o FMI, o Brasil voltou à lista das dez nações com maior peso econômico global, o que não acontecia desde 2019.

Crise de 2014

300px|thumb|Alteração percentual do PIB por ano, segundo o IBGE. Percebe-se o baixo crescimento em 2014 e as fortes quedas nos anos seguintes.|alt=Gráfico que mostra a alteração percentual do PIB do Brasil de 2010 a 2016.

Em meados de 2014, durante o governo Dilma Rousseff, teve início uma forte crise econômica. Uma de suas consequências foi a forte recessão econômica. Entre as causas apontadas para a crise estão a queda no preço das commodities, junto com a desaceleração da economia chinesa, erros nas políticas macroeconômicas e instabilidade política.

Os sinais de que uma forte recessão viria já foram percebidos por alguns especialistas devido a uma recessão técnica em 2014 e, posteriormente, ao pequeno crescimento nesse mesmo ano, que foi de apenas %. Em 2015, a economia contraiu-se em 3,8%, sendo a pior recessão desde 1990, durante o governo Collor. Porém, em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) teve outra queda forte, o que fez com que a recessão se tornasse a pior da história. Foi a primeira vez, desde a década de 30, que o país esteve em recessão por dois anos seguidos, segundo algumas fontes.

Várias medidas, em sua maioria impopulares, foram implementadas ou propostas pelo governo Michel Temer tendo como objetivo recuperar a economia do país, entre elas a reforma trabalhista de 2017 e a implementação do Novo Regime Fiscal.

Durante o governo Bolsonaro, o Brasil saiu do top 10 maiores economia do mundo: em 2020, ficou na 12.ª colocação, e decaiu ainda mais no ano posterior para a 14.ª posição. Apresentou, ainda em 2020, um tombo de 4,1%, registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996. Porém, o país voltou a posicionar-se entre as 10 maiores economia em 2023.

Componentes da economia

thumb|300px|esquerda|Mapa econômico do Brasil (1977).

Agropecuária