Falasarna () foi uma antiga cidade portuária no noroeste da ilha de Creta, Grécia. Falasarna é igualmente o nome de uma aldeia atual situada a sudeste da antiga cidade. Os restos atualmente visíveis foram construídos no último terço do e incluem várias torres e bastiões imponentes de arenito, centenas de metros de muralhas que protegiam a cidade e um porto fechado por todos os lados por muralhas. O porto é rodeado por cais em rocha com pedras para amarração e está ligado ao mar através de dois canais artificiais. Entre os achados mais notáveis no porto encontram-se vias públicas, poços, armazéns, um altar e banhos públicos. A maior parte destas estruturas foi descoberta durante escavações que começaram em 1986 e ainda decorrem atualmente.

Além do porto, há também uma acrópole, construída num cabo que se ergue 90 metros acima do porto e se entra para adentro. Na acrópole há muitas ruínas, que incluem um templo dedicado à deusa Díctina, cisternas, poços e torres de fortificação e de vigia, podendo esta últimas ter servido para velar pelas rotas marítimas.

Na atualidade, Falasarna é uma área agrícola e uma atração turística, não só devido ao sítio arqueológico, mas também à praia vizinha, considerada uma das mais belas de Creta e por vezes classificada entre as melhores do mundo. Administrativamente pertence ao município de Císsamos e à unidade regional de Chania. O sítio arqueológico fica a noroeste da atual aldeia de Falasarna, 12 km a oeste de Císsamos e 50 km a oeste de Chania O vale onde se situa está coberto por oliveiras e estufas, onde se cultivam principalmente tomates.

História antiga Falasarna foi mencionada por historiadores e geógrafos da Antiguidade, como Cílax, Estrabão, Políbio, Lívio, Plínio, e o geógrafo anónimo conhecido como Estadiasmo. Os antigos geógrafos descreveram o porto artificial fechado escavado a partir de uma laguna, rodeado por muralhas e torres. A cidade era uma potência marítima e o porto era a razão da sua existência, a fonte da sua riqueza e a base do seu reconhecimento externo. Era uma cidade-estado com as suas próprias leis e a sus própria moeda, que forneceu conselheiros militares e milhares de mercenários para uma guerra do rei macedónio Perseu contra os romanos .

thumb|upright=0.5|Pélica do com Eros perseguindo uma ménade, encontrado em Falasarna

Falasarna esteve envolvida em duas grandes guerras com as cidades-estado vizinhas durante o período helenístico. A primeira foi com Polirrénia, possivelmente despoletada devido a disputas territoriais. Começou no final do e terminou cerca de , na sequência de uma mediação de Cleónimo de Esparta. O tratado de paz foi inscrito numa placa de pedra que atualmente se encontra no Museu de Císsamos. A segunda guerra foi travada contra Cidónia por volta de e terminou com uma intervenção romana.

A cidade-estado prosperou com os seus negócios marítimos, o que é evidenciado pelos restos de edifícios monumentais e obras de arte. O tratado com Polirrénia coloca em evidência que no os habitantes de Falasarna estavam envolvidos em pirataria, uma prática comum das cidades cretenses. Em , os romanos enviaram tropas para eliminarem a pirataria do Mediterrâneo Oriental e atacaram Falasarna, bloquearam o porto com alvenaria, arrasaram toda a cidade e provavelmente mataram os seus habitantes. Nenhuma fonte antiga testemunha diretamente estes eventos, mas as provas arqueológicas de incêndio e do bloqueio do porto levam a que os arqueólogos concluam que foi isso que aconteceu.

A localização da cidade foi esquecida e Falasarna aparece nos registos venezianos como uma cidade perdida. O sítio foi redescoberto no pelos exploradores britânicos Robert Pashley e o então capitão da Marinha Britânica Thomas Spratt. Este último escreveu em 1859 que o antigo porto do sítio deserto estava então a 100 jardas (91 metros) do mar e que o que fora outrora a costa marítima devia ter subido pelo menos 24 pés ). As escavações modernas confirmaram essa estimativa e também mostraram que o porto ficou rapidamente assoreado depois do ataque romano. A datação por carbono-14 de algas fósseis ao longo da marca do antigo nível do mar nas falésias em redor de Falasarna apontam para que a mudança do nível do mar foi súbita e ocorreu em algum momento há mais de 16 séculos. É provável que o evento que o causou tenha sido o grande sismo e tsunami ocorrido em 21 de julho de , que causou estragos catastróficos em todas as costas do Mediterrâneo Oriental e foi registado por Amiano Marcelino e outros autores. Um antigo tanque de peixes com dois lanços de degraus talhados nas rochas costeiras perto do porto foi partido ao meio, provavelmente durante o mesmo sismo.

Escavações thumb|esquerda|Ruínas de torre circular

Em 1966 foram iniciadas escavaçõs de salvamento, dirigidas por Yannis Tzedakis, diretor do Departamento de Antiguidades Clássicas em Chania, e continuaram depois sob a direção de Vanna Niniou-Kindeli. Foram descobertos mais de 70 túmulos, alguns deles com enterramentos em pitos e outros em cista. Estas primeiras escavações foram muito importantes pois provaram que o local foi habitado no Desde então apenas uma mais uma pequena parte do cemitério foi escavado, tendo sido recuperados muitos artefactos de grande beleza, nomeadamente um pélica (vaso cerâmico semelhante a uma ânfora) do com Eros perseguindo uma ménade. Na área da necrópole ergue-se um trono de talhado em pedra com dois metros de altura, provavelmente dedicado à deusa fenícia Astarte.

Em 1986 foram iniciadas escavações de investigação dirigidas por Elpida Hadjidaki, do Serviço de Arqueologia grego, e Frank Frost, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Entre os achados mais importantes encontram-se duas torres, uma porta fortificada, longas secções dos cais do porto com pilares de amarração , um tanque secundário, uma área industrial, uma via pública, armazéns, um altar e um depósito de água.

Notas e referências

Ligações externas

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