A é uma floresta latifoliada tropical úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica na América do Sul. Esta bacia (Marañon, Solimões, Amazonas) abrange 7 milhões de quilômetros quadrados distribuído por nove países: Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa (departamento ultramarino da França) e Suriname (atual Amazônia Natural), dos quais 5 milhões e meio de quilômetros quadrados são cobertos pela esta floresta tropical. Também existem regiões de quatro nações vizinhas ao Brasil com este nome: o departamento colombiano Amazonas, o estado venezuelano Amazonas e, a região peruana do Amazonas.
Esta região está presente em nove nações, mas a maior parte da floresta está contida dentro do Brasil, com aproximadamente 60% da floresta, seguida pelo Peru com 16% e com partes menores na Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa. A Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. É um dos seis grandes biomas brasileiros.
No Brasil, por efeitos de governo e economia, a Amazônia é delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal" definida a partir da criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), em 1966. É chamado também de Amazônia o bioma que, no Brasil, ocupa 49,29% do território e abrange três das cinco divisões regionais do país (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), sendo o maior bioma terrestre do país.
Uma área de seis milhões de hectares no centro de sua bacia hidrográfica, incluindo o Parque Nacional do Jaú, foi considerada pela UNESCO, em 2000 (com extensão em 2003), Patrimônio da Humanidade. A Amazônia também foi pré-selecionada em 2008 como candidata a uma das sete maravilhas naturais do mundo, sendo classificada em primeiro lugar no Grupo E, a categoria para as florestas, parques nacionais e reservas naturais, em fevereiro de 2009. O desmatamento da Floresta Amazônica é um dos maiores problemas da agricultura brasileira, pois altera os padrões de chuvas e aumenta a temperatura, o que reduz a produtividade.
Etimologia Entre 1540 e 1542, Francisco de Orellana desceu o rio Amazonas em toda sua extensão, a partir dos Andes. O rio foi batizado de rio Orellana,Carvajal, G. (1542). Relación del nuevo descubrimiento del famoso río Grande que descubrió por muy gran ventura el capitán Francisco de Orellana. Versión según la edición y notas de Mª de las Nieves Pinillos Iglesias realizada para Babelia, 2011, (PDF). também chamado entre outros nomes. Alguns trabalhos indicam também os nomes rio de la Canela, rio Grande de La Mar Dulce e rio Marañon.Tocantins, Leandro (1983). O Rio comanda a vida: uma interpretação da Amazônia. Rio de Janeiro: Livraria J. Olympio, .
Orellana, através do seu cronista, o frei Gaspar de Carvajal, relatou ter encontrado, ao longo do curso do rio, guerreiras indígenas que ele associou às mitológicas Amazonas, a lendária tribo de mulheres guerreiras da mitologia helênica. A partir daí, o rio seria chamado rio das Amazonas, hoje Rio Amazonas, do qual derivou-se o termo Amazônia.Costa, M. L. et al. (2002). Muyrakytã ou muiraquitã, um talismã arqueológico em jade procedente da Amazônia: uma revisão histórica e considerações antropogeológicas. Acta Amazonica 32 (3): 467–490, .Prinz, U. (2008). As irmãs selvagens de Pentesileia. Goethe-Institut, .Barros, D.L.P. (2000). Os Discursos do descobrimento: 500 e mais anos de discursos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, .Millet de Saint-Adolphe, J.C.R. (1845). Diccionário Geográphico, Histórico e Descriptivo do Imperio do Brazil. Paris, 2 vol., , .
Em 1808, Humboldt usaria o termo Hileia (Hylaea) para denominar a região.Humboldt, A. von. (1808). Ansichten der Natur, mit wissenschaftlichen Erläuterungen. Tübingen, . (2ª edição revisada: Stuttgart, Tübingen 1826, 2 vol.; 3ª edição: Stuttgart, Tübingen 1849.)Kohlhepp, G. (2006). Descobertas científicas da Expedição de Alexander von Humboldt na América Espanhola (1799-1804) sob ponto de vista geográfico. Revista de Biologia e Ciências da Terra 6(1): 260-278, . Silva (1833) a chamaria de país das Amazonas (termo popularizado pelo barão Santa Anna Néri, 1899),Côelho, A.C.A. (2008). O País das Amazonas: o imaginário da natureza amazônica na propaganda para imigração no . História e-História, . e Rugendas (1835) de região do Amazonas.
Martius (1858) a chamaria de Nayades.Martius, C. F. P. von. (1858). Tabula geografica brasiliae et terrarum adjacentium exhibens itinera botanicorum et florae brasiliensis quinque provincias. In: Martius, C. F. P. von, Eichler, A. W. & Urban, I. (ed.). Flora brasiliensis. Monacchi et Lipsiae: R: Oldenbourg, 1840-1906, v. 1, pars 1, fasc. 21. Disponível em: <http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/48095> e <http://www.biodiversitylibrary.org/item/9632#page/136/mode/1up>.IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm>. Wappäus (1884) usaria os termos "zona equatorial", "mata tropical" ou "Hylaea do Amazonas".Wappäus, J.E. (1884). A geographia physica do Brasil refundida. (Edição condensada). Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger, 470 p., . [Título na capa interna O Brasil geographico e historico, vol. 1, A terra e o homem. Tradução aumentada de Wappäus, J.E. (1871). Handbuch der Geographie und Statistik des Kaiserreichs Brasilien, . A segunda parte, sobre Geografia Política do Brasil, não foi traduzida para o Português.]
Subdivisões alt=Gráfico com o percentual da Amazônia por país|miniaturadaimagem|Percentual da Amazônia contido em cada país. thumb|Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, Brasil. thumb|Parque Nacional da Amazônia, no Pará, Brasil. thumb|Parque Nacional do Juruena, no Mato Grosso, Brasil. thumb|Parque Nacional do Pico da Neblina, Amazonas. thumb|Parque Estadual Rio Negro Setor Sul, Amazonas. miniaturadaimagem|Fotografia aérea da Amazônia boliviana miniaturadaimagem|Floresta Amazônica na Guiana Francesa
A conceito de Amazônia pode variar dependendo do ponto de vista (fisiográfico, geomorfológico, biogeográfico, político, de planejamento territorial, etc.),Oliveira Jr., A. D. (2015). Amazônia: paisagem e região na obra de Eidorfe Moreira. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 10(3), 569-581, . Da mesma maneira, variam sua extensão, suas subdivisões e a terminologia utilizada.
Por País Aproximadamente 60% da área da bacia hidrográfica do rio Amazonas (Solimões/Amazonas) encontra-se no Brasil, mas a maior parte do território peruano está coberto por florestas amazônicas, que ocupam mais de 60% do país andino-amazônico (782,880.55 km²).
País%Brasil60,30%Peru11,30%Colômbia6,95%Bolívia6,87%Venezuela6,73%Guiana3,02%Suriname2,10%Equador1,48%Guiana Francesa1,15%
Por biogeografia
Divisão fitogeográfica de Ducke e Black (1954):Dücke, A.; Black, O. A. (1954). Notas sobre a fitogeografia da Amazônia Brasileira. Bol. Técn. IAN, Belém, 29: 1-62. . Setor Atlântico Setor Nordeste Setor Sudeste Setor Norte Setor Sul
Divisão fitogeográfica proposta por Rizzini (1963):Rizzini, C.T. (1963). Nota prévia sobre a divisão fitogeográfica do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro: IBGE, ano 25, n. 1, p. 3-64, jan./mar. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/115/rbg_1963_v25_n1.pdf>.
Província Amazônica (inclui Floresta amazônica e Campos do Alto Rio Branco) Subprovíncia do Alto Rio Branco Subprovíncia do Jari-Trombetas Subprovíncia do Rio Negro Subprovíncia da Planície Terciária
Esquema biogeográfico, por Morrone (2001):Morrone, J. J. (2001). Biogeografía de América Latina y el Caribe. Zaragoza [Espanha]: Sociedad Entomológica Aragonesa - SEA. 148 p. (M&T: manuales y tesis SEA, v. 3). Disponível em: <http://www.bio-nica.info/biblioteca/Morrone2001Caribe.pdf>. Região Neotropical Sub-região Amazônica Províncias: Napo, Imerí, Guiana, Guiana Húmida, Roraima, Amapá, Várzea, Ucayali, Madeira, Tapajós-Xingú, Pará, Pantanal, Yungas
Por ecologia da vegetação Em termos de vegetação, Martius (1824) já citava a distinção, na região amazônica, entre "mato virgem" (florestas), "gabós" (igapós) e "campinas".Martius, C. F. P. von. (1824). Die Physiognomie des Pflanzenreiches in Brasilien. Eine Rede, gelesen in der am 14. Febr. 1824 gehaltnen Sitzung der Königlichen Bayerischen Akademie der Wissenschaften. München, Lindauer, Brasiliana, Google. [Tradução: "A fisionomia do reino vegetal no Brasil", por E. Niemeyer e C. Stellfeld. Arquivos do Museu Paranaense, v. 3, p. 239-271, 1943, pdf, Google; Boletim Geografico, v. 8, n. 95, p. 1294-1311, 1951, pdf, Google.] [Cf. p. 1299.]
Spruce (1908) elencou os seguintes tipos de vegetação na Amazônia:Spruce, Richard (1908). Notes of a botanist on the Amazon & Andes. Londres: Macmillan and co., 1908. [Cf. v. 1, p 211; v. 2, 354-356] mato (ou floresta virgem, de terra firme, caa-guaçú, monte alto), matinho (capoeiras, florestas recentes, rastrojos), floresta de gapó (ou ripárias, igapós, rebalsas), florestas baixas (ou brancas, caa-tingas, monte bajo), savanas (ou campos)*, e caatinga-gapó. *É importante ressaltar que essa classificação foi realizada de acordo com Spruce, porém atualmente é possível observar que savanas e campos não são sinônimos, sendo classificadas como fisionomias distintas.
Ducke e Black (1954) usaram as seguintes categorias:Dücke e Black (1954), pp. 12, 37, 44. Florestas Mata da várzea Mata da terra firme Áreas abertas ou savanas Campos da várzea Campos firmes Campinas Campinaranas (transição entre campos e florestas) Catingas do alto rio Negro
Braga (1979) adotou um esquema e nomenclatura ligeiramente diferentes:Braga, P. I. S. (1979). Subdivisão fitogeográfica, tipos de vegetação, conservação e inventário florístico da floresta amazônica. Acta Amazonica, suplemento, v. 9, n. 4, p. 53-80. Floresta de terra firme Floresta de várzea Floresta de igapó Manguezais Campos de várzea Campos de terra firme Campinas Vegetação serrana Vegetação de restinga
Tipos de vegetação por Rizzini (1997):Rizzini, C.T. (1997). Tratado de fitogeografia do Brasil: aspectos ecológicos, sociológicos e florísticos. 2a edição. Rio de Janeiro, Âmbito Cultural, 1997. Volume único, 747 p. Florestas pluviais (= florestas úmidas)............................................................... Floresta amazônica (= Hileia) Mata de várzea Mata de terra firme Igapó Catingas do rio Negro
Tipos de vegetação presentes na região florística amazônica, segundo o IBGE (2012): floresta ombrófila densa floresta ombrófila aberta floresta estacional sempre-verde campinarana
Floresta ombrófila Essas regiões contam com uma vegetação chamada de floresta de montanha e ocorrem desde o extremo oeste da Amazônia, no Peru e na Colômbia, em alguns locais da Bolívia, no estado brasileiro do Acre e na divisa do Brasil com a Venezuela. Nesse último local, é onde encontramos o Monte Roraima e o Pico da Neblina, considerado o ponto mais alto do Brasil.National Geografic(2020)
Manguezais Os mangues propriamente ditos, chamam a atenção por suas raízes, que ficam expostas acima do solo lodoso e formam redes complexas capazes de sustentar os altos troncos e as copas cheias.
Savana O termo “savana amazônica” foi sugerido por Pires e Prance (1985) para agrupar as formações abertas encontradas na floresta amazônica. "É uma formação campestre, com vegetação de porte baixo, como gramíneas, e árvores tortuosas mais esparsas entre si", explica Viana.