thumb|direita|Teleférico de Salta. thumb|direita|Figura 1. Teleférico de Zell am See, Áustria. Teleférico refere-se a qualquer transporte aéreo por cabo, de pessoas ou materiais, utilizando um cabo, ou cabos, para a sustentação e a tracção. Esses cabos podem ser fixos (cabo-carril), sobre os quais se deslocam os rodados das suspensões pertencentes às cabinas, ou podem ser postos em movimentos a partir de estações terminais.

História Como é frequente acontecer na maioria das invenções, o momento exacto da sua criação não aparece bem definido, sendo muitas vezes perdido no tempo. A história do transporte por cabos não é excepção. No início do século XIV, segundo referências e desenhos, foram utilizados sistemas de transporte por meio de cabos para o transporte de suprimentos e peças de artilharia. Mais tarde existem relatos concretos de cabos feitos com fibra vegetal, utilizados pelos homens para passar grandes abismos, nos países montanhosos do leste asiático, nomeadamente na China, Japão e Índia. Em 1616 surge um trabalho de Fausto Veranzio em Veneza que entre outras coisas mostra a primeira ilustração de um sistema de transporte bicabo, aplicável ao transporte de pessoas. Apesar de Fausto Veranzio de Veneza ter ilustrado o primeiro teleférico bicabo em 1616, a indústria de teleféricos na sua generalidade atribui os créditos ao Holandês Adam Wybe, pela montagem com sucesso do primeiro sistema operacional em 1644. A partir dessa altura, o desenvolvimento da tecnologia associada aos teleféricos foi liderada pelos europeus, particularmente pela Alemanha e pelos países alpinos, Áustria e Suíça; surgindo mais tarde Itália e França. Com o rápido desenvolvimento surgiram os cabos metálicos e mais tarde, os cabos eléctricos. Muitas inovações foram introduzidas pela extensa utilização de teleféricos para uso militar (Figura 3), durante os confrontos nas montanhas entre Itália e Áustria durante a 1ª grande Guerra.

A tecnologia de transporte por meio de cabos tem uma longa história no norte da América onde, no onde eram usados cabos para aplicações de transporte, tais como travessias de rios ou mesmo para os famosos cable-cars de S.Francisco. Contudo, nas últimas décadas o maior desenvolvimento de transporte efectuado por meio de cabos registou-se nos teleféricos, quer nas estâncias de esqui quer em meios industriais para transporte de materiais, como se pode ver na figura 2, tendo na actualidade um maior crescimento em sistemas de transporte em massa de pessoas nas grandes cidades. (Arora, 2007).

Mono ou bicabo No caso de se transportar materiais a pequenas distâncias com débitos horários reduzidos usa-se preferencialmente teleféricos de cabo único, tipo monocabo, o qual actua como cabo “motor” e “portador”. No teleférico do tipo bicabo, o cabo motor pode ser animado de movimento alternativo (sistema vaivém), ou de movimento de sentido único, com múltiplas cabines ou vagões, em que as operações de carga e descarga (ou de entrada e saída de passageiros) são feitas por paragem do cabo motor (movimento intermitente) ou por engate e desengate automático das cabines ou vagões (movimento continuo). No transporte de pessoas pode-se usar um terceiro cabo como meio de segurança suplementar, actuando quer como cabo auxiliar de socorro quer como cabo especial de travagem. Os construtores franceses costumam referir-se ao monocabo como um sistema unidirecional, das telecabines, e ao bicabo como um sistema de vai e vem, dos teleféricos (STRMTG, 2012).

Uso O teleférico é um meio de transporte bastante utilizado em locais íngremes, como montanhas e florestas, pela sua adaptação a terrenos acidentados e pela sua facilidade em transpor vales e cumes de montanhas, onde a instalação de outros meios de transporte seria bastante difícil. É igualmente utilizado em terrenos planos como meio de ligação entre fábricas, minas ou portos marítimos. Podem ser aplicados ao longo de centenas de km de percurso, a inclinações superiores a 45º, podem suportar cargas até dezenas de pessoas ou dezenas de toneladas de materiais, atingir velocidades entre 3 e 10 m/s e realizar débitos horários de algumas centenas de toneladas de materiais e de centenas de pessoas. A sua constituição, feita por componentes de alta resistência com elevados coeficientes de segurança, trabalhando essencialmente à tracção e muito pouco à flexão, origina uma melhor utilização do material e a necessidade de uma força motriz relativamente pequena, fazendo do teleférico um meio de transporte seguro e económico (Mariano, 1998, p.1208).

Componentes Cada teleférico apresenta alguns componentes básicos. Veículos, terminais, torres, cabos e sistemas de evacuação e salvamento serão brevemente debatidos (Arora, 2007):

Veículos Os veículos são componentes essenciais e distintos de cada teleférico. Neste termo, estes são geralmente considerados cabines. Podem ser abertos, telecadeiras ou telecestas, onde a segurança do passageiro repousa em grande parte no seu comportamento ou fechadas, telecabines (Figura 4). Excepcionalmente o veículo pode ser semi-fechado. No caso de veículos fechados, telecabines, as cabines de passageiros podem ser de grandes dimensões, de acordo com a sua capacidade (por exemplo, duas cabines de 80 passageiros num teleférico de 2 andares). Os teleféricos na sua grande maioria são totalmente fechados, sendo a sua capacidade máxima atingida apenas com lugares em pé.

Terminais Praticamente todos os teleféricos têm dois terminais (Figura 5). Quando possuem uma acentuada inclinação, estes são denominados como terminais superiores e terminais inferiores. Para as telecadeiras, os dois terminais são denominados como terminais de carga/embarque e de descarga/desembarque. Existem sempre dois terminais, um responsável pelo accionamento do movimento e outro responsável pelo retorno ao primeiro terminal. Pode ser também um terminal de tensão onde estão localizados contrapesos ou aparelhos de tensão. Uma estrutura de carga/descarga entre os terminais é agora raramente utilizada. Nos teleféricos, uma estrutura intermediária pode ser utilizada de modo a poder alterar o alinhamento do teleférico. É chamada a estação angular.

Torres Estruturas intermédias que suportam e transportam os cabos entre os terminais. Estas estruturas são frequentemente chamadas de torres (Figura 6), podendo ocasionalmente ser as estruturas responsáveis pela pressão existente no cabo. As torres seguram as roldanas que movimentam os cabos, ao mesmo tempo que lhes servem de suporte. As torres existentes em cada extremidade suportam todo o equipamento e têm que estar elevadas o suficiente para os carregamentos, de maneira a elevá-los até a altura desejada. Torres estacionárias possuem frequentemente 45,72 m e as torres móveis possuem em média 30,48 m; são geralmente de aço. Muitas vezes, as conexões do aço, são aparafusadas, de maneira a que se possam desmontar as torres e voltar a reutilizá-las. Estações intermediárias são necessárias de maneira a aplicarem tensões aos cabos, uma vez que estes são demasiado longos para os mecanismos existentes nos terminais. Existem 3 motivos de preocupação que as torres devem poder responder: Pressão descendente nos apoios, devido à componente vertical da tensão nos cabos de tracção e ao peso das cargas nas cabines; Movimento violento nos cabos de tracção ou cabos motor, devido às mudanças de direcção da pressão do cabo quando uma carga se aproxima e afasta da torre; Pressão lateral, devido ao vento.

Cabo O cabo é o coração do teleférico. O cabo (Figura 7), geralmente um cabo de aço, é formado por um conjunto de fios de arame. Existem vários aspectos a considerar no processo de fabrico do cabo, e na escolha do cabo para o tipo de aplicação desejada. Esta é a principal preocupação para os fabricantes de cabos.

Sistema de salvamento e evacuação Os teleféricos possuem uma unidade auxiliar, em caso de falha da energia eléctrica, normalmente uma unidade movida a gasolina ou gasóleo. Teleféricos de grandes dimensões possuem um sistema de salvamento que envia uma pequena cabine independentemente alimentada para remover os passageiros de uma cabine “encalhada”. Alguns teleféricos possuem providências tomadas de evacuação, e para isso usam cordas de maneira a descer individualmente os passageiros até ao solo situado abaixo do teleférico “encalhado”.

Características Entre outras características, os teleféricos são descritos e comparados por características operacionais, de capacidade, de comprimento e ascensão vertical, de velocidade da linha e velocidade de embarque/desembarque. Fazendo uma análise mais detalhada das características referidas temos (Arthur, 2009) - (STRMTG, 2012):

Operacionais Indicam se a operação do sistema é: contínua circulante, intermitente circulante (para para carregar/descarregar), ou vaivém. Em sistemas contínuos circulantes, as cabines deslocam-se aos terminais e mantém a sua ordem no regresso da linha, circulando a velocidade constante sobre a linha. Um sistema intermitente atrasa ou para o seu transporte periodicamente, ou seja, as cabines param ou reduzem a velocidade, indo em torno de um terminal e regressando numa linha paralela. Para um sistema vaivém, as cabines param em cada terminal, invertem a direcção da viagem e retornam a mesma linha.

Capacidade A capacidade de um teleférico é definida pelo número de passageiros por hora. A capacidade é função da capacidade transportadora, do espaçamento entre cabines e da velocidade da linha no ponto de carga. Exemplo: Cabines para dois passageiros que distem entre si 20 m e a 160m/min tem uma capacidade de 960 passageiros por hora.

Comprimento e ascensão vertical Comprimento de um cabo de teleférico é o comprimento medido, na mesma posição que o declive do cabo, entre os terminais. Ascensão vertical é a variação de altitude entre os terminais. Por exemplo, os esquiadores adoram saber quão vertical é a sua descida entre os terminais. A indústria do esqui foi a grande responsável pela introdução de um novas terminologias para os teleféricos: vtfh (vertical transport feet per hour) transporte vertical por metro por hora. Esta é uma medida de elevação da capacidade em passageiros por hora multiplicando pela ascensão vertical em pés e dividindo por 1000. Um modelo de telecadeira de dois lugares com uma capacidade de 1200 passageiros por hora e uma ascensão vertical de 800 pés teria um vtfh de 1200 x 800 / 1000 = 960. O vtfh influencia a potência exigência pelo motor do teleférico, logo influencia o custo deste. A classificação pelo vtfh pode ser grande ou pequena; um vtfh de 1000 ou menos seria pequeno; 2000 a 3000 são grandes e mais comuns.

Velocidade na linha e velocidade de carga A velocidade das cabines é medida sobre a linha entre os terminais. A velocidade na linha determina o tempo e a velocidade de trânsito, sendo esta programada, quando necessário, de maneira a permitir ter os tempos óptimos para a carga e descarga, aumentando o conforto e segurança. À velocidade nos pontos de carga/embarque e descarga/desembarque designa-se por velocidade de carga.

Tipos de teleférico Podemos encontrar vários tipos de teleféricos (Skilifts, 2006) - (STRMTG, 2012):

Telecabine É um tipo de teleférico com múltiplas cabines fechadas (Figura 8), podendo o tamanho das cabines diferir desde pequenas cabines com lotação para duas pessoas, indo até grandes cabines com capacidade para vinte pessoas. As mais modernas, também designadas por gôndolas, usam um sistema monocabo, ou seja, o mesmo cabo tem a função de transporte e de suporte do peso da cabine e dos seus passageiros. Algumas gôndolas mais antigas usam um sistema bicabo, em que um cabo suporta o peso da cabine e dos seus passageiros e outro cabo é responsável pelo movimento da cabine.

Telecesta