Leiria é uma cidade portuguesa na histórica província da Beira Litoral e sede do distrito de Leiria, integrada na sub-região Região de Leiria da região do Centro, com uma população de 55 074 habitantes em 2021.

É sede do município de Leiria que, tendo uma área total de 565,09 km2,Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado) 145.861 habitantes em 2025 e, por isso, uma densidade populacional de 257 habitantes por km2, subdividido em 18 freguesiasDiário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I., faz dele o segundo município mais populoso das Beiras, apenas superado por Coimbra.

O município é limitado a nordeste pelo município de Pombal, a leste por Ourém, a sul pela Batalha e Porto de Mós, a sudoeste por Alcobaça, a oeste pela Marinha Grande e a noroeste pelo oceano Atlântico.

A cidade é banhada pelos rios Lis e pelo seu afluente, o Lena, sendo o castelo de Leiria o seu monumento mais notável. O concelho recebeu o primeiro foral de , o primeiro rei de Portugal, em 1142, sob o nome de Leirena.

O feriado municipal é o dia 22 de maio e celebra a criação da diocese de Leiria, no ano de 1545. A sua elevação a cidade ocorreu no dia 13 de junho do mesmo ano.

Leiria foi uma das cidades escolhidas para fazer parte do Euro 2004, e graças a isso o seu estádio municipal sofreu uma profunda remodelação (obra que, contudo, endividou muito o município, sujeitando-o a encargos a suportar pelo menos durante duas décadas).

Com uma gastronomia variada e com tradições reconhecidas, o município tem uma historia longa e rica, como o testemunham o seu icônico castelo, ou outros monumentos, como o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.

O município de Leiria dispõe ainda no seu território das Termas de Monte Real, de praias como a de Pedrógão, da Lagoa da Ervideira e da mata municipal de Marrazes.

Ficam relativamente perto as históricas cidades de Ourém, Fátima, Pombal, Coimbra, bem como a estância balnear da Figueira da Foz, a mais importante da região do Centro.

Outros centros urbanos ao sul do município, como Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha e Peniche, e já no Ribatejo Entroncamento, Tomar, Torres Novas e Rio Maior, são também próximos.

Os portos da Figueira da Foz e de Peniche distam cerca de 50 km e 80 km, respectivamente.

Dista cerca de 170 km da cidade do Porto e 136 km da cidade de Lisboa.

Freguesias

O município é subdividido em 18 freguesias:

Amor Arrabal Bajouca Bidoeira de Cima Caranguejeira (vila) Coimbrão Colmeias e Memória Leiria, Pousos, Barreira e Cortes (urbano Leiria) Maceira (vila) Marrazes e Barosa (urbano Leiria) Milagres Monte Real e Carvide (vila de Monte Real) Monte Redondo e Carreira (vila de Monte redondo) Parceiros e Azoia (urbano Leiria) Regueira de Pontes Santa Catarina da Serra e Chainça (vila de Santa Catarina da Serra) Santa Eufémia e Boa Vista Souto da Carpalhosa e Ortigosa

Geografia e localização thumb|Leiria vista do seu castelo Leiria, cujas coordenadas geográficas são 39° 46' Norte 08° 53' Oeste, está situada no curso do rio Lis. A cidade histórica estende-se entre a colina do castelo e o rio Lis.

Situando-se igualmente entre as duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto, dista cerca de 140 km de Lisboa, 179 km do Porto e 55 km de Coimbra.

A cidade é o centro de uma área de influência de cerca de 300 000 habitantes, que abrange outros aglomerados populacionais, como os concelhos de Marinha Grande, Pombal, Ourém, Fátima, Batalha e Porto de Mós.

Leiria está também próxima de praias como a Praia da Vieira, a Praia do Pedrógão, São Pedro de Moel, Paredes da Vitória e Nazaré (Portugal).

Localizam-se relativamente próximos da cidade vários monumentos nacionais: o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha, o Castelo de Porto de Mós, o Castelo de Ourém e o Convento de Cristo.

A vila histórica de Aljubarrota situa-se a cerca de 25 km de Leiria, e fica também próxima a cidade de Fátima, do município de Ourém, conhecida pelo seu Santuário e por ser o mais importante local de peregrinação crista no pais.

História thumb|left|O Castelo de Leiria, com as suas características galerias|351x351px

A história precoce de Leiria e obscura, mas, ainda assim, a bacia hidrográfica do Lis é das zonas com maior densidade de achados arqueológicos do país, atribuíveis ao Paleolítico Inferior.

De momento estão inventariados mais de 70 sítios arqueológicos na região, entre os quais vários jazigos de sílex, inúmeros seixos talhados (em areeiros, por arrastamento do rio, situados na Quinta do Cónego, nas Cortes, assim como na Mata dos Marrazes, atrás do Bairro Sá Carneiro), gravuras rupestres (na praia do Pedrógão), uma pintura rupestre (no vale-canhão do Lapedo), entre outros.

De todos os achados destaca-se o menino do Lapedo, encontrado no vale do mesmo nome e que tem suscitado o interesse da comunidade científica internacional.

Os primeiros habitantes que se sabe ao certo, foram os túrdulos (Turdulorum Oppidani), um povo indígena celtibero (relacionado com os Lusitanos), que estabeleceu uma povoação perto (a cerca de 7 km) de Leiria. Esta foi posteriormente ocupada pelos romanos, período em que floresceu sob o nome de Collippo. As pedras da antiga cidade romana foram usadas na Idade Média para construir parte de Leiria, destacando-se o castelo onde ainda se podem ver pedras com inscrições romanas.

O nome Leiria em si, deriva de leira (do galaico-português medieval laria: a partir do protocelta * ɸlār-yo-, semelhante ao lar em gaélico irlandês antigo 'chão', em leur 'chão', em llawr 'andar') que em português significa área de lotes agrícolas.

Leiria foi habitada pelos suevos em 414 d.C. e incorporada por Leovigildo no reino dos visigodos em 585 d.C.

Mais tarde os mouros ocuparam esta a área, assim permanecendo até à sua tomada por em 1135, durante a chamada Reconquista.

Contudo, a região foi alvo de ataques mouros até 1140. Durante esse período, entre Leiria e regiões mais a sul, como Santarém e Lisboa, existiu uma faixa territorial conhecida como "terra de ninguém", até esta ser repovoada por cristãos.

Em 1142, Afonso Henriques atribuiu a Leiria um primeiro foral (carta de direitos feudais) para estimular a colonização da região. Nessa altura a maioria da população vivia dentro das muralhas protetoras da cidade, mas a partir do parte da população ja vivia na sua parte exterior. A mais antiga igreja de Leiria, a Igreja de São Pedro, construída em estilo românico no , serviria, precisamente, a freguesia exterior às muralhas.

A região de Leiria apresentava então características que favoreciam o estabelecimento do Homem, justificando o seu crescimento populacional e consequente desenvolvimento. Com as várias vias de comunicação existentes, que atribuíam àquele local o marco de fronteira entre o Norte e o Sul da fachada ocidental da península, e com as disponibilidades de agua da bacia hidrográfica do Lis, seria natural o incremento da atividade agrícola e, depois desta, o desenvolvimento do comercio; tornando-se assim a cidade de Leiria, na Idade Média, um local de controlo do tráfego económico da região.

Durante a Idade Média, a importância da vila aumentou, e foi sede de diversas cortes, reuniões políticas entre o rei e a nobreza (para uma lista com as diversas cortes realizadas na cidade, ver Cortes de Leiria). As primeiras cortes realizadas em Leiria foram em 1254, durante o reinado de . No início do (1324), D. Dinis mandou erguer a torre de menagem do castelo, como pode ser visto numa inscrição na torre.

Esse rei construiu também uma residência real em Leiria (atualmente perdida), e viveu por longos períodos na cidade, que viria a doar como feudo à sua esposa, a rainha Santa Isabel.

O rei também expandiu a plantação do famoso Pinhal de Leiria, próximo da costa atlântica. Mais tarde, a madeira deste pinhal seria usada para construir as naus que serviram aos Descobrimentos portugueses, nos séculos XV e XVI.

Durante o houve igualmente vários moinhos de cereais na cidade, que foram fonte de riqueza para a região.

Em 1411, autorizou a instalação de um moinho de papel (atualmente sede de um museu), precisamente, para a fabricação de papel.

Na mesma época, é documentado que se desenvolveu no concelho uma das mais notáveis comunidades de judeus, que vieram a ai empreender uma florescente atividade industrial. Abraão Zacuto, erudito judeu, publicou sua obra Almanach perpetuum em Leiria, no ano de 1496, que, através das suas tabelas astronómicas, solares e lunares, impulsionou a navegação durante o período dos Descobrimentos.

thumb|Palácio do rei no Castelo de Leiria|238x238px

No fim do , o rei D. João I construiu um palácio real dentro das muralhas do castelo. Este palácio, com elegantes galerias góticas que possibilitam vistas maravilhosas da cidade e da meio envolvente, ficou totalmente em ruínas, mas foi parcialmente reconstruido no . foi também o responsável pela reconstrução da Igreja de Nossa Senhora da Pena, localizada dentro do perímetro do castelo, num estilo gótico tardio.

Por volta do fim do , a cidade continuou a crescer, ocupando a área que se estende desde a colina do castelo até ao rio Lis. O rei deu à localidade um novo foral em 1510, e em 1545 foi elevada à categoria de cidade, tornando-se sede da diocese de Leiria. A Sé Catedral de Leiria foi construída na segunda metade do , numa mistura dos estilos renascentista (gótico tardio) e maneirista (renascimento tardio).

Comparando com a Idade Média, a história subsequente de Leiria é de relativa decadência. A cidade foi duramente atingida pelas Invasões Francesas, especialmente em 1808 (o massacre da Portela, pelas tropas Napoleónicas do Gen. Margaron),http://jornaldascortes.com/index.php?option=com_content&task=view&id=148&Itemid=35 e o Grande Incêndio de 1811, causado pelos franceses que retiravam das Linhas de Torres.http://www.cm-leiria.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=29671&eventoId=36570 No entanto, no , a sua posição estratégica no território português favoreceu o desenvolvimento de indústrias diversas, levando a um grande desenvolvimento da cidade e da sua região.

De facto, durante vários anos, Leiria foi das poucas capitais distritais que não era a cidade mais populosa do próprio distrito, sendo suplantada pela cidade de Caldas da Rainha. Contudo, nos últimos anos a cidade tem-se desenvolvido de forma extraordinária, e é já um dos 25 principais centros urbanos de maiores dimensões do país.

A relevância de Leiria na consolidação do reino de Portugal ultrapassa a sua função de reduto militar na linha de fronteira flutuante do século XII. Embora a edificação e o reforço do seu castelo por D. Afonso Henriques se insiram num esforço construtivo e de povoamento que acompanhou a progressão da Reconquista para sul, a região entre Leiria e Lisboa destacou-se também por ter acolhido concentrações de colonos estrangeiros (francos e cruzados) na segunda metade da centúria, que ali se radicaram e foram rapidamente assimilados. Contudo, o momento de viragem institucional de Leiria ocorreu no reinado de D. Afonso III, com a convocação das Cortes de Leiria em 1254. Como sublinha a historiografia, apoiada em documentação coeva que refere a presença cum bonis hominibus de conciliis, esta foi a primeira vez que os representantes do povo — os procuradores das vilas e cidades — tiveram assento na assembleia magna, ao lado do clero e da alta nobreza. Este evento reflecte não apenas a ascensão demográfica e económica dos centros urbanos face ao senhorialismo tradicional, mas ilustra também a estratégia do monarca em alargar a sua base de apoio político e fiscal no rescaldo da guerra civil que o levara ao trono.