thumb|direita|300px|Beijo de Judas, um dos episódios de Mateus 26. 1866. Gravura de Gustave Doré.
Mateus 26 é o vigésimo sexto capítulo do Evangelho segundo Mateus no Novo Testamento da Bíblia e nele se inicia a narrativa da Paixão, com a traição de Judas Iscariotes a Caifás, a Última Ceia com os doze apóstolos e realização das profecias de Jesus de que um deles o trairia e que outro o negaria antes do amanhecer.
Plano para matar Jesus
O capítulo inicia com Jesus profetizando pela quarta e última vez a sua própria morte (). Logo em seguida, Mateus conta que as lideranças religiosas judaicas se reuniram na casa do sumo-sacerdote Caifás e planejaram matar Jesus, .
Unção de Jesus
thumb|esquerda|400px|"Unção de Jesus".Entre 1886 e 1894. Por James Tissot, atualmente no Brooklyn Museum, em Nova Iorque. Mateus conta em seguida um evento relatado em todos os evangelhos canônicos: , Marcos 14 () e João 12 (). Em Lucas, o evento ocorre muito antes, em Lucas 7 (), e há um intenso debate sobre se ele trata de um mesmo evento ou uma situação completamente diferente (vide Parábola dos Dois Devedores).
No relato de Mateus, uma mulher derrama todo o conteúdo de um alabastron de um perfume muito caro na cabeça de Jesus. A unção irrita alguns dos que testemunharam o ato, pois o perfume poderia ter sido vendido pelo equivalente a um ano de trabalho e o dinheiro, doado aos pobres. Segundo Mateus, . Jesus, percebendo a situação, declara:
Barganha de Judas
thumb|direita|300px|"Trinta moedas de prata", a traição de Judas Iscariotes relatada em Mateus 26.Entre 1308 e 1311. Por Duccio di Buoninsegna, atualmente no Museo dell'Opera del Duomo de Siena, Itália. thumb|direita|300px|"Beijo de Judas", o sinal da traição de Judas em Mateus 26.Em Heiligenblut, Alemanha. Mateus relata logo a seguir que Judas Iscariotes procurou as lideranças religiosas dos judeus e traiu Jesus por trinta moedas de prata. Segundo ele, Judas . Este evento aparece ainda em Marcos 10 () e Lucas 22 ().
Última Ceia
Um dos eventos mais importantes de todo o Novo Testamento, a chamada "Última Ceia", que aparece nos quatro evangelhos canônicos: , Marcos 14 (), Lucas 22 () e de João 13 () até João 17 ().
Em Mateus, o relato começa com a preparação para a ceia (). Já com os doze apóstolos, Jesus profetiza sua traição e informa que um deles será o responsável. Todos se alvoroçam e começam a perguntar quem seria. Num trecho exclusivo de Mateus, ele conta que Jesus disse que "O que põe comigo a mão no prato, esse é o que me trairá", o que imediatamente indicou Judas como o responsável:
Segue-se a Instituição da Eucaristia e, .
Monte das Oliveiras Jesus profetiza a negação de Pedro
Lá chegando, Jesus afirma que , uma referência a , mas que, depois de ressuscitado, irá ter com eles na Galileia. Quando Pedro tentou interpelá-lo, Jesus profetizou que ele o negaria por três vezes antes de o galo cantar. O apóstolo negou veementemente e todos os onze fizeram o mesmo, prometendo morrer antes de negar Jesus.
A profecia da negação feita por Jesus na Última Ceia aparece em , Marcos 14 (), Lucas 22 () e João 13 ().
Agonia no Jardim
thumb|esquerda|300px|"Arrependimento de São Pedro", a amargura de Pedro depois de sua tripla negação.De 1640 a 1650. Por José de Ribera, atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Este episódio também aparece nos quatro evangelhos canônicos, logo depois da Última Ceia: , Marcos 14 () e Lucas 22 (). Mateus identifica o local como sendo o "Getsêmani". Jesus estava acompanhado de Pedro, João e Tiago, a quem Jesus pediu que permanecessem acordados e rezassem. Então ele se retirou para uma distância curta deles ("adiantando-se um pouco") e, ali, sentiu uma enorme tristeza e angústia, dizendo Então, um pouco depois, Ele disse . Ele recitou esta oração três vezes, conferindo a situação dos apóstolos à cada vez e encontrando-os dormindo. Ele então profere uma de suas famosas frases: .
O relato deste trecho termina com um sombrio aviso: .
Prisão de Jesus
Chegou então Judas Iscariotes com uma multidão armada com o objetivo de prender Jesus, um relato que aparece em , Marcos 14 (), Lucas 22 () e João 18 (). Judas beija Jesus, o sinal combinado da traição, que foi imediatamente preso. No relato de Mateus, "um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou da espada e, dando um golpe no servo do sumo sacerdote, decepou-lhe uma orelha". Jesus o admoesta e profere um de seus famosos ditos (Viva pela espada, morra pela espada). Logo depois "todos os discípulos o deixaram e fugiram".
Julgamento pelo Sinédrio
Seguiram para a casa de Caifás, que era o sumo-sacerdote, e Pedro foi seguindo para que Jesus fosse julgado pelo Sinédrio, um evento que aparece em , Marcos 14 (), Lucas 22 () e João 18 ().
Segundo Mateus, depois de um julgamento no qual se apresentaram muitas "testemunhas falsas", os sacerdotes concluíram que Jesus cometeu o crime da blasfêmia e o condenaram à morte, mas não antes de o humilharem e espancarem.
Negação de Pedro
Pedro ficou no pátio do lado de fora e não presenciou o julgamento. Porém, foi por três vezes interpelado por estranhos que o acusaram de ser um dos discípulos. Por três vezes ele negou e, conforme Jesus havia profetizado durante a Última Ceia, o galo cantou logo depois da última vez:
Este evento aparece em , Lucas 22 (), Marcos 14 () e João 18 ().
Manuscritos Papiro 37 - versículos 19 a 52 Papiro 53 - versículos 26:29-40 Uncial 089 - versículos 26:2-4, 7-9 Papiro Madalena - completo
Ver também
Ligações externas
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