Taifalos () foram um povo de origem germânica ou sármata, registrado pela primeira vez ao norte do Danúbio Inferior em meados do . Eles experimentaram uma história agitada e fragmentada, em grande parte associada aos povos góticos, e alternativamente lutando contra ou pelos romanos. No final do , alguns taifalos foram assentados dentro do Império Romano, notadamente na Gália Ocidental, em Poitou. Eles subsequentemente forneceram unidades montadas para o exército romano e continuaram a ser uma fonte significativa de cavalaria para os exércitos merovíngios precoces. Pelo , a região deles na Gália Ocidental adquiriu uma identidade distinta como Tifália.
História
Estabelecimento na Oltênia
thumb|esquerda|Taifalos na Oltênia e o panorama político do Danúbio Inferior no thumb|esquerda|Soldo de
Uma das menções mais antigas aos taifalos coloca-os como seguidores do rei gótico Cniva, quando fez campanha na Dácia e Mésia em 250 e nos anos subsequentes. Eles são às vezes classificados como uma tribo germânica intimamente relacionada aos godos, embora alguns acreditem que eram relacionados aos sármatas não-germânicos, com quem podiam ter emigrado das estepes da Ásia Central. No final do , assentaram-se no Danúbio em ambos os lados dos Cárpatos, dividindo o território com os godos, que mantiveram autoridade política sobre todo o território. Na primavera de 291, estabeleceram uma aliança especial com os tervíngios góticos, formando confederação tribal que perdurou até 376, e lutaram contra vândalos e gépidas, como relatado nos Panegíricos Latinos; o registro arqueológico do período sugere que a Transilvânia, a região em torno do rio Samósio, estava sob litígio entre os gépidas e os tervíngios e taifalos. Segundo as fontes latinas, mais tardar pelos anos 360, victúfalos, taifalos e tervíngios estiveram em controle da antiga província romana da Dácia.
Em 328, o imperador conquistou a Oltênia e os taifalos, e quiçá usou a oportunidade para reassentar muitos deles na Frígia, na diocese de Nicolau de Mira. Em 332, enviou o seu filho para atacar invasores tervíngios. De acordo com Zósimo, um regimento de 500 cavaleiros taifalos confrontou Constantino. Em torno de 336, os taifalos revoltaram-se contra Constantino e foram abatidos pelos generais Herpílio, Vírio Nepociano e Urso. Em 358, autônomos dos godos, tornar-se-iam federados na Oltênia, que permaneceria fora do controle romano. De suas próprias bases oltênicas, ajudaram os romanos em suas campanhas contra os limigantes (358 e 359) e sármatas (358), mas inibiram as campanhas de Valente contra os tervíngios em 367 e 368, talvez por ainda serem militarmente aliados. Em 365, Valente mandou a ereção de torres defensivas na Dácia Ripense, mas se isso era a Oltênia é incerto. A evidência arqueológica indica que não havia sítios taifalos a oeste do rio Aluta.
Travessia do Danúbio
thumb|esquerda|Soldo do imperador Valente
Em meados do , os taifalos aparecem saqueando a Dácia ao lado dos jáziges e carpos. Porém, a chegada dos hunos da Ásia Central mudou a configuração política da região: segundo Ambrósio de Milão, "os hunos lançaram-se sobre os alanos, os alanos sobre os godos, e os godos sobre os taifalos e sármatas." Em 376, o juiz tervíngio Atanarico não estendeu seus muros defensivos ao território taifalo e entrou em conflito com eles. O rompimento da antiga aliança entre a Tervíngia e a Taifália pode estar ligada a desacordos sobre táticas de combate contra os hunos e a travessia do Danúbio, pois os taifalos reuniam sobretudo cavalaria e os tervíngios infantaria. De todo modo, nessas circunstâncias, os hunos forçaram os taifalos a deixar a Oltênia e Muntênia Ocidental. No mesmo ano, aliaram-se com os grutungos de Farnóbio contra Valente e cruzaram o Danúbio, mas foram derrotados em 377 pelas forças do general Frigérido.
Colonos e letos imperiais
thumb|upright=0.8|Escudos dos juniores segundo a Notícia das Dignidades
No rescaldo da derrota, foram reassentados como colonos no norte da Itália (Módena, Parma, Régio) e na Aquitânia; a abandonada Oltênia, por outro lado, foi ocupada pelos hunos ca. 400. Por esta época os taifalos professavam o paganismo e só foram convertidos ao catolicismo mais adiante, em meados do , por intermédio do evangelismo romano. De acordo com Amiano Marcelino, possuíam práticas sociais que, segundo o autor, eram libidinosas e obscenas, como a pederastia.
Frequentemente foram agrupados com os sármatas e formaram os citratos juniores () que serviam os romanos e então o rei merovíngio . Segundo a Notícia das Dignidades do começo do , exitiam os equestres taifalos () criados pelo imperador Honório sob comando do conde da Britânia. Possivelmente foram enviados à ilha por Estilicão em 399, e podem ser os equestres seniores de Honório () citada à época. Assim, os equestres taifalos seniores serviram na Britânia, enquanto os juniores na Gália sob o mestre da cavalaria. Os juniores usavam um dragão com uma pérola sobre seus escudos. A Notícia também lista os condes dos taifalos () no Império Bizantino, quiçá formados sob .
thumb|esquerda|Fivela do primeiro tesouro de Coşoveni, . Possivelmente taifalo, achado em Coşoveni, Oltênia, România thumb|esquerda|Arreios metálicos do primeiro tesouro de Coşoveni,
Presença na Gália franca
De acordo com a Notícia, havia um prefeito dos povos sármatas e taifalos () sediado em Pictávio, na Gália. Em 476, com a expansão visigótica aos rios Reno e Líger sob o rei Eurico , os taifalos foram incluídos no Reino Visigótico. Em 507, foram essenciais à derrota sob os francos de Clóvis da cavalaria visigótica de na Batalha do Campo Vogladense. No , seu país chamava-se Tifália ou País Teofálgico () sob seu próprio duque.
É possível que os letos taifalos que serviram os romanos também serviram como guarnições francas, mas isso não aparece nas fontes primárias. Apesar disso, sabe-se que pertenciam formalmente ao exército de . De acordo com Gregório de Tours, a principal fonte sobre os taifalos no , diz que certo duque franco Austrápio oprimiu-os (provavelmente nas cercanias de Tifauges); revoltaram-se e o mataram. A última menção a eles como povo distinto ocorre em 565, mas seus parentes oltênios certamente participaram da migração e invasão lombarda da Itália em 568 sob Alboíno.
O taifalo mais famoso foi São Senoque de Tifauges, que fundou uma abadia nas ruínas romanas de São-Senoque. A influência de taifalos e sármatas ao longo dos séculos impactou as artes germânicas, sendo perceptível até o . Seus fortes, sobretudo Tifauges e Lusinhão, permaneceram em uso durante o Império Carolíngio. Eles também deixaram sua marca na nomenclatura da região: além de Tifauges, Tafalesca em Corrèze, Touffailles e Tufailu na Aquitânia e Taifáilia na Borgonha. Talvez a cidade de Tafala em Navarra derive seu nome deles, mas caso o seja, é incerto se foram estabelecidos na Hispânia (talvez para subjugar os bascos) pelos romanos antes de 412 ou pelos visigodos depois disso. A cidade de Taivola no norte da Itália também deriva seu nome deles.
Notas
J. Otto Maenchen-Helfen diz que "não há evidências de que foram germânicos". O. M. Dalton relata-os como "provavelmente de descendência asiática". Herwig Wolfram menciona a hipótese de origem vândala que igualiza os taifalos com os lacringos e considera "taifalos" como um "nome cultual" céltico.
David Greenberg supõe que a menção na obra de Amiano Marcelino refere-se a práticas homossexuais ritualísticas entre a classe guerreira dos taifalos.
Bibliografia
In
Categoria:Taifalos